In your dreams
22 XXII - Yes
Notas iniciais
— Então estou livre? – perguntou Regina, em uma voz extasiada, como se não conseguisse acreditar nas palavras que estava ouvindo. Fazia quase quarenta minutos que estava ali, sentada de frente para o delegado, que, assim como acontecera na ultima vez em que estivera ali, continuava com uma expressão de desdém e desconfiança estampada em seu rosto, e em nenhum momento tinha sequer passado pela sua cabeça que poderia receber uma noticia como aquela.
Os últimos dias haviam sido de incerteza quanto ao seu futuro, tanto para ela quanto para Robin. Por mais que tentassem se divertir enquanto passeavam pela cidade, por mais que se esforçassem para não deixar que suas mentes vagassem para o futuro incerto que tinham pela frente por conta do que havia acontecido a Marian, fazer isso era quase inevitável, o que tornava as coisas difíceis.
Saber que talvez perdesse alguns anos de sua vida trancafiada em uma cela deixava as coisas amargas. Toda vez que tinha um momento leve e divertido com Robin, ou mesmo quando visitavam um lugar bonito, ela se perguntava como seria se a prisão realmente acontecesse, o que deixava todas as coisas manchadas pela sombra do medo.
É claro que ela não tinha dúvidas de Robin a apoiaria, que ficaria ao lado dela em todos os momentos ruins pelos quais eventualmente passasse, mas ainda assim, o medo havia se tornado, mais uma vez, uma sombra presente. Tinha medo de como seriam seus dias em uma prisão, de como seria sua rotina...mais do que tudo isso, sentia um medo irracional da saudade que sabia que iria sentir do que havia deixado aqui fora se um dia esse momento chegasse.
Mas agora, sentada na cadeira dura e desconfortável da delegacia, olhando nos olhos hostis e frios do delegado de policia, o medo que vinha se acumulando dentro dela parecia estar finalmente se dispersando, evaporando a cada palavra que ouvia.
— Não exatamente. – começou a explicar o delegado, repentinamente temeroso de que a acusada achasse que a morte da vitima passaria em branco, sem nenhum tipo de punição. – O que irá acontecer é que a senhora irá passar por uma audiência preliminar, na qual o juiz decidirá se converte a sua infração para uma que permita a conversão da pena em trabalho comunitário durante um determinado período de tempo. Porém, como o seu caso será tratado como legitima defesa, acho difícil que ele não aceite a conversão. Enquanto a data de sua audiência não chega, a senhora está livre para fazer o que quiser, contanto que não deixe o estado de Nova York. – continuou a explicar o delegado, no mesmo tom distante que sempre utilizara quando se dirigia a ela.
— Então tudo que tenho que fazer é comparecer a audiência na data marcada, certo? – voltou a perguntar a morena, determinada a sanar todas as duvidas que zuniam em sua mente antes de deixar a sala da delegacia.
— Exatamente. Na data marcada, a senhora deverá comparecer acompanhada de um advogado. Em audiência, depois de ter tomado ciência do caso, o juiz buscará uma transação penal, e provavelmente converterá a sua pena em serviços comunitários. – tornou a explicar o delegado, já prevendo que teria que responder a uma enxurrada de perguntas antes que aquela entrevista enfim terminasse.
— Eu não corro mais o risco de ser presa? – questionou Regina, querendo ter certeza do que iria acontecer com ela. Sinceramente, não se importava de prestar serviços comunitários, muito menos de comparecer em uma audiência. Tudo que importava para ela naquele momento, era saber que não corria mais o risco de ir parar atrás das grades, e mesmo que não fizessem nem cinco minutos que o delegado tivesse lhe dado aquela informação, precisava confirmar que era mesmo verdade.
— Como lhe informei a pouco, o risco de uma pena de reclusão são mínimos, já que a senhora responderá apenas por lesão corporal, e não pelo homicídio propriamente dito. – começou a responder ao delegado, que ao ver o movimento da morena que indicava que ela faria uma nova pergunta se adiantou, prevendo o que teria que responder tão precisamente quanto se pudesse adivinhar o futuro: — Antes que a senhora pergunte, está respondendo por lesão corporal e não por homicídio porque ficou provado no exame realizado no corpo da vitima que a causa da morte foi o atropelamento, e não a queda que ela sofreu. Como a tipificação deve estar ligada a conduta de cada agente para o resultado final, a senhora responde apenas pela queda e não pela morte em si.
— Entendo...isso quer dizer que estou liberada? Posso ir pra casa? – inquiriu morena, que estava desesperada para que a resposta fosse sim. Simplesmente não aguentava mais aquele lugar.
Estava cansada daquela cadeira desconfortável, do ar parado e pesado que circulava naquele ambiente. Sentia-se desconfortável, sufocada quando estava ali dentro, e por mais que nas ultimas semanas tivesse passado por inúmeras sessões intermináveis de interrogatório, a morena não conseguia se obrigar a ficar calma.
Toda vez que entrava naquele lugar, seu coração disparava, as imagens das grades com as quais sonhara na noite em que Marian fora morta voltando a sua mente feito uma avalanche. Sentia como se um nó se formasse em seu estomago, e tudo que mais desejava toda vez que punha seus pés ali era poder correr para fora. No começo ela acreditava que se tratava apenas de uma impressão ruim com a qual ela iria se acostumar com o tempo, mas é verdade era que nunca conseguira cumprir esse objetivo. Toda vez que tinha que voltar, acontecia a mesma coisa, e ela só melhorava quando já estava a uma boa distancia da delegacia.
— Sim, a senhora já pode ir embora. Antes de ir, só precisa assinar esse formulário, que confirma que a senhora esta ciente do que acontecerá de agora em diante. – respondeu o delegado, parecendo tão aliviado quanto Regina por dar aquela entrevista como encerrada.
A morena pegou o papel que o delegado estendia a sua frente, passando os olhos por seu conteúdo. Lembrando-se de um dos ensinamentos mais básicos que seu pai lhe ensinara quando ela era criança, Regina nunca assinava nada sem ler antes.
“Seu nome é o bem mais precioso que você tem querida, cuide bem dele. Se assinar alguma coisa, você terá de arcar com o valor das palavras e com o significado do que está escrito ali entendeu?” A voz aveludada de Henry voltou à mente de Regina enquanto ela analisava o documento, fazendo-a abrir um tímido sorriso. Sim, seu pai com certeza era a pessoa de quem ela mais sentia falta, alguém de quem ela sentia a ausência e daria tudo para ter apenas mais um instante por perto.
Depois de verificar que se tratava apenas de um memorando no qual constavam as informações que haviam sido transmitidas a ela pelo delegado, Regina assinou o documento e se levantou da cadeira, estendendo sua mão direita para o delegado em um cumprimento amistoso, uma bandeira branca depois do tratamento espinhoso que havia entre os dois.
— Obrigada pelo seu tempo, senhor delegado. – falou a morena, tentando imprimir em sua voz o tom mais gentil que foi capaz de encontrar. Embora não tivesse tido uma boa impressão do delegado desde a primeira vez em que haviam se encontrado, naquele momento Regina sentia uma onda de imenso alivio a invadir, e achou que não custava se mostrar amigável para com o delegado, já que esperava ardorosamente que aquela fosse a ultima vez que se encontravam.
Parecendo ligeiramente surpreso com o gesto da mulher que estava a sua frente, o delegado também se levantou de sua cadeira e apertou a mão que lhe era estendida, dizendo as seguintes palavras: — Adeus senhora, e boa sorte na sua audiência preliminar.
Com aquele cumprimento final, a morena se virou e caminhou em direção à porta de saída do gabinete do delegado, perguntando-se onde estaria Robin. Ela deixara o canal de comunicação entre eles aberto durante toda a entrevista, para que o loiro pudesse ver o que acontecia, mas ao contrario do que esperava, ele não se pronunciara em nenhum momento, mantendo-se em silencio até mesmo com a notícia de que ela não corria mais quase nenhum risco de ser presa. Aquele silêncio todo a incomodou um pouco. Onde estaria Robin? Será que havia acontecido alguma coisa grave?
—Robin? Onde você está? — perguntou a morena em sua mente, ao chegar a sala de espera e notar que o loiro não estava ali a sua espera, como havia prometido que iria estar.
— Estou esperando você aqui do lado de fora meu amor, ai dentro estava muito quente. — a resposta dele chegou quase instantaneamente à mente dela, que ao ouvir aquelas palavras, se dirigiu a porta da delegacia, saindo para o dia ensolarado da barulhenta e colorida Nova York.
Ao sair, Regina girou os olhos ao seu redor, procurando por Robin. Encontrou-o parado do lado direito, perto da porta de entrada, as costas apoiadas na parede e os olhos fechados.
Por um momento, a morena ficou ali parada, a apenas alguns passos de distancia, apenas observando a calma e a expressão suave que estava estampa no rosto da pessoa por quem seu coração batia tão forte e acelerado.
— Um beijo por seus pensamentos. – falou Regina bem baixinho, aproximando-se do loiro e abrindo um grande sorriso enquanto sentia seu coração acelerar, pulando de alegria com a proximidade do objeto de seu amor.
— Que tal uma rosa ao invés dos pensamentos? – foi à resposta de Robin, que se virou na direção de onde vinha a voz da morena, abrindo um imenso sorriso ao fita-la nos olhos, enlaçando-a pela cintura e fazendo com que seus corpos ficassem praticamente colados um ao outro, enquanto com a mão livre entregava a Regina uma belíssima rosa vermelha.
Ao se deparar com a flor nas mãos do loiro, tão bela e delicada, o sorriso da morena aumentou ainda mais e ela sentiu seu coração se aquecer diante da delicadeza recebida. – Que linda meu amor! Obrigada!! – respondeu, passando seus os braços ao redor do pescoço de Robin e selando seus lábios aos dele.
— É uma rosa muito linda...minha favorita sabia?! Mas nem todas as rosas do mundo valem os seus pensamentos. – brincou Regina, a risada estourando em seus lábios, que ainda estavam próximos aos de Robin.
— Seu desejo é uma ordem milady, mas acho que você não vai gostar muito dos meus pensamentos. Aposto que vai até ficar entediada com eles....- o loiro entrou na brincadeira, seu sorriso aumentando ao ver sua morena tão feliz, tão leve.
A verdade era que os dias que passaram não tinham sido fáceis para nenhum dos dois, o medo do que poderia acontecer com Regina pairando como uma pesada nuvem de chuva sobre suas cabeças; e ver que finalmente essa nuvem de tormenta parecia estar se afastando era simplesmente maravilhoso.
Quando ouvira, através da ligação que dividia com Regina, que o risco de ela acabar presa era agora mínimo, Robin sentira que seu coração explodir de tanta felicidade, de tanto alivio, e resolvera fazer uma surpresa para mostrar a morena o quanto estava feliz com aquela noticia.
Então saíra da delegacia e fora a floricultura mais próxima, atrás da flor preferida dela, a rosa vermelha. É claro que a flor era só a ponta do iceberg que ele havia preparado. A antiga surpresa, que ele pretendia ter mostrado a Regina no dia da morte de Marian ainda estava no mesmo lugar, apenas esperando que os dois aparecessem, e era para lá que ele pretendia leva-la, para que enfim tivessem o seu tão esperado recomeço.
— E porque você acha que isso pode acontecer? – perguntou à morena, tirando Robin de seus devaneios.
— Porque eles não variam sabe? São todos sobre um só assunto, uma única pessoa. São todos sobre você, a linda morena que me enfeitiçou com seus olhos cor de mel. – o loiro se declarou, seu sorrindo ainda mais ao notar a coloração avermelhada que surgira nas bochechas de Regina quando ela ouviu suas palavras.
— Deixa de ser bobo. – falou a morena, sorrindo envergonhada.
— Só estou falando a verdade. Eu disse que você não ia gostar de saber dos meus pensamentos. – Robin continuou em seu tom brincalhão, fazendo com que a morena corasse ainda mais. – Ei milady, agora que estamos oficialmente livres....você aceita me acompanhar a um lugar? Tem algo que eu quero lhe mostrar. – continuou o loiro, agora em um tom de voz um pouco mais serio e ligeiramente nervoso.
— Claro! Aonde vamos? – respondeu Regina, sentindo sua curiosidade atiçar de imediato, embora tivesse uma suspeita sobre o tal lugar no qual Robin queria leva-la. Desde o dia em que acontecera o acidente com Marian, os dois não haviam mais tocado no assunto da colina.
Embora quisesse muito conhecer aquele lugar, a morena sabia o quanto se tratava de um lugar especial para Robin, e queria conhece-lo em um dia especial. Um dia especial que os dois sabiam perfeitamente bem que não aconteceria enquanto a ameaça de prisão continuasse a pesar sobre sua rotina. Mas agora...agora que essa ameaça fora varrida pelo vento, Regina suspeitava que seu amado tivera a ideia de visitar a colina, e se este fosse realmente o caso, só tornaria aquele dia ainda mais perfeito e feliz.
— Se eu te contar, deixa de ser surpresa. – respondeu Robin, dando um beijo na bochecha da morena e puxando-a pela mão em direção à calçada. – Vamos morena, tenho certeza que você vai adorar. – falou por sobre o ombro, sem conseguir conter a empolgação em sua voz.
—-------
Eles já estavam quase chegando. Olhando pela janela do taxi, Robin estava perdido em lembranças e nervosismo. Enquanto a paisagem a sua volta se transformava rapidamente, o loiro sentia o seu estado de nervos piorar a medida que os prédios e as luzes fluorescentes davam lugar aos campos e as flores.
Desde que pensara em levar Regina para conhecer a colina que por tantas vezes fora o seu refugio, seu esconderijo do mundo e das pessoas que só faziam lhe trazer problemas, Robin já sabia que seria ali que a sua vida, e também a dela, mudaria para sempre.
Nos primeiros dias de sua chegada a Nova York, o loiro tentara distrair a morena de todas as formas possíveis, fazendo o máximo possível para que ela não tivesse a ideia de ir visitar a colina antes que ele tivesse tempo de organizar a surpresa que queria.
Essa tarefa não fora muito fácil, já que a curiosidade de Regina não tinha limites e ela estava louca para conhecer a colina, mas no fim, depois de noites mal dormidas e saídas furtivas, o loiro conseguira arrumar tudo para que ficasse exatamente do jeito que ele queria, tão especial quanto sua morena merecia.
Estava tudo certo para que fossem até lá, e o dia estava lindo, perfeito, parecendo sorrir diante da felicidade do casal. Mas ai...o acidente com Marian acontecera, e como uma verdadeira tempestade, varrera todo o resto da mente do casal, e Robin sentiu que não havia mais clima para surpresas. Sabia perfeitamente bem que Regina iria se surpreender e se encantar da mesma forma, mas agora, agora era tudo diferente, a tempestade havia passado, e o sol estava novamente sorrindo para o casal.
Por esse motivo, quando soube da maravilhosa noticia de que Regina não mais sofria do risco de ser presa, o loiro tomara a decisão de que estava na hora de leva-la a colina e mostrar a ela a surpresa que havia preparado, que ele tinha certeza, ainda estava intacta, apenas a espera deles.
Apesar de estar feliz por finalmente estarem a caminho de seu antigo refugio, outro pensamento, um pouco mais pavoroso e inseguro tomava conta da mente do loiro, que sentia a bola de nervoso alojada em sua garganta, o medo da rejeição inflando-se em seu coração embora fosse completamente infundado.
E se as coisas não saíssem como o planejado? E se desse tudo errado e ela dissesse não? E se ela falasse que não estava pronta para dar um passo como aquele, que era cedo demais? Pensando nessas perguntas, Robin chegou a conclusão de que a resposta para a ultima delas podia ser sim. Talvez realmente fosse cedo demais, afinal de contas, a despeito do amor avassalador e forte que sentiam um pelo outro, ele e Regina só se conheciam verdadeiramente há algumas semanas...seria o tempo um empecilho suficiente? Talvez fosse, mas ainda assim seu plano não se alterara. Iria ao menos tentar. Se não desse certo, os dois continuariam como estavam e pronto. Sem mágoas ou ressentimentos.
Perdido em seus pensamentos e inseguranças, o loiro só se deu conta de que haviam chegado ao seu destino quando sentiu o carro dar um tranco, parando na base da colina. Ele pagou ao motorista e disse que eles não iam precisar que ele esperasse, em seguida descendo do carro junto com a morena.
Estavam no sopé da colina, não tinham nem iniciado a subida ainda, e Regina já estava boquiaberta, encantada com a paisagem belíssima. Era um lugar lindo, forrado de verde e silencio, cujos únicos sons eram provenientes da própria natureza. Mesmo seu precioso lago perdia um pouco do encanto diante daquela paisagem estonteante.
— É realmente lindo aqui não é? Isso porque ainda estamos aqui em baixo, espere só até subirmos, você vai ficar ainda mais encantada, tenho certeza. – falou o loiro, ao notar a expressão maravilhada estampada no rosto da morena. – Vem, vamos subir, tenho uma surpresa pra você.
— Eu já vi esse lugar uma vez, pelos seus olhos lembra? Mas uma visão não se compara em estar aqui de verdade. Que lugar mais lindo Robin! Não me admira que aqui fosse o seu refugio, tudo que consigo sentir aqui é paz, paz e tranquilidade. – respondeu Regina, sorrindo enquanto desviava os olhos da paisagem para foca-los nos seus amados e igualmente estonteantes oceanos azuis. – Vamos, estou muito curiosa para ver essa tal surpresa. – tornou a falar Regina, entrelaçando seus dedos aos do loiro enquanto eles começavam a subir a colina.
Quando estavam mais ou menos na metade do caminho, mas ainda sem conseguir ver o topo da colina, Robin fez com que Regina parasse de andar e se virou para ela. – Você confia em mim? – perguntou, fazendo a morena se sobressaltar, ligeiramente surpresa com a pergunta.
É claro que ela confiava em Robin, ele era a pessoa em quem ela mais confiava no mundo todo, mas o momento no qual ele fizera aquela pergunta a intrigava. O que ele estaria planejando? Sentindo sua curiosidade aumentar mais a cada segundo que passava, a morena se virou, encarando os olhos dele e respondeu, sem nem ter que parar para pensar sobre o assunto. – É claro que sim. Por quê?
Com um brilho especial no olhar e um sorriso enigmático brincando em seus lábios, Robin respondeu, torcendo para que conseguisse esconder de sua voz o nervosismo e ansiedade que estava sentindo: — Então feche os olhos e me de a sua mão. Vou te guiar o restante do caminho, mas você não pode abrir os olhos até eu dizer que pode ok?
— Tudo bem. – falou Regina, rindo da situação na qual se encontrava e fechando os olhos. Não demorou para que sentisse o toque quente de Robin em sua mão, fazendo com que um arrepio a percorresse por inteiro.
— Muito bem, então vamos lá. – disse o loiro, que recomeçou a andar, conduzindo a morena pela grama verde, uma de suas mãos entrelaçada a dela enquanto a outra lhe dava apoio pela cintura, para evitar que ela caísse caso tropeçasse em alguma coisa.
A distância que faltava foi rapidamente percorrida, talvez um pouco mais rápido do que gostaria. A verdade era que, mesmo agora, que estava tão perto de concretizar o objetivo que o trouxera ali, o loiro ainda não se sentia confiante. Ao contrario, estava uma pilha de nervos, sua mente parecendo um turbilhão enquanto traçava as possíveis combinações do que poderia acontecer em seguida. Mais do que qualquer coisa, esperava ansiosamente para saber se Regina ia gostar da surpresa que a esperava, se iria aceitar seu pedido.
E então eles chegaram a parte mais alta da preciosa colina de Robin, o local onde a surpresa os aguardava. Regina permanecia de olhos fechados e Robin sentia que seu coração iria explodir de tanta ansiedade. Chegara a hora, este era o momento de saber o que iria acontecer com eles e com sua relação a partir de agora.
Com delicadeza, o loiro posicionou Regina de frente para a surpresa que com tanto carinho ele preparara, colocando um pequeno objeto na mão da morena, que não aguentava mais de tanta curiosidade. Antes de pedir que ela abrisse os olhos e revelar o que havia para ser descoberto, Robin respirou fundo uma ultima vez, intimamente rezando para que desse tudo certo, para que fosse um momento perfeito.
— Está pronta? – perguntou a ela, mesmo tendo certeza da resposta que iria receber.
— Há muito tempo. – respondeu Regina, sentindo que não aguentava mais de tanta curiosidade.
— Tudo bem então. Pode abrir os olhos. – foi a fala de Robin, que continuou a segurar a mão da morena, esperando ansioso para saber qual seria a reação dela ao que ele tinha feito.
Quando abriu os olhos, demorou alguns segundos para que Regina entendesse o que estava vendo, seus olhos se acostumando novamente com a claridade. A expressão de surpresa foi instantânea e duradoura, seus olhos se enchendo de lágrimas no mesmo instante.
Estava diante de um coração vermelho e enorme. Um coração vermelho que pulsava em meio à relva verde, um coração preenchido por rosas vermelhas, as suas favoritas. Eram tantas rosas formando aquele grandioso coração que ela nem mesmo conseguia conta-las.
— Meu deus Robin! Isso é...- ela se perdeu nas palavras, sem conseguir encontrar a que corretamente expressasse os sentimentos que estava experimentando naquele momento. As palavras simplesmente desapareceram de sua mente extasiada, tamanho o choque e o encantamento que ela estava sentindo. Como Robin conseguira fazer aquilo? Tão lindo, tão grande e ao mesmo tempo tão delicado...
Por um momento ela permaneceu em silencio, sem conseguir fazer com que as palavras se desprendessem de sua garganta. Estava em choque, apaixonada por aquele coração e tudo que ele representava, sem reação diante de todo o carinho e amor que Robin demonstrava ter por ela.
O loiro por sua vez, estava cada vez mais nervoso, louco para saber o que Regina tinha achado. O silencio dela começava a preocupa-lo, sua mente paranoica já pensando nas piores possibilidades. Será que ela não havia gostado? Será que ele exagerara?
Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, antes que pudesse formular qualquer pergunta, Regina soltou sua mão e ficou de frente para ele. Imediatamente, Robin notou o rosto dela riscado pelas lágrimas. Não conseguiu distinguir se se tratavam de lágrimas de alegria ou de tristeza, porque a morena cobriu a pouca distancia que os separava, colocando seu corpo ao dele e o puxou para ela, em um beijo apaixonado, que a cima de tudo queria dizer “obrigada” sem que tivesse a necessidade das palavras.
Quando a necessidade de ar finalmente se fez presente, os dois separaram os lábios, mas tiveram próximos, presos um no olhar do outro, as testas encostadas uma a outra, as respirações misturadas e os corações batendo em um mesmo compasso desenfreado.
— Isso quer dizer que você gostou? – perguntou Robin depois de alguns segundos, ao sentir que finalmente tinha folego suficiente para falar.
— Se eu gostei? Eu amei! É perfeito meu amor, é simplesmente incrível...- respondeu a morena, suas palavras saindo atropeladas por ela ainda estar ligeiramente sem ar. – Como você fez isso?
— Deu um pouquinho de trabalho, confesso. Mas valeu a pena, só pra ver esse seu sorriso. – o loiro começou a responder, lembrando-se como tivera a ideia de fazer um coração de rosas de presente para Regina, e como começara a colocar essa ideia em pratica quando ainda estavam no Kansas, encomendando uma quantidade gigantesca de rosas de uma floricultura que conhecia. Não saíra barato, mas valera cada centavo, disso ele tinha certeza.
Regina estava prestes a voltar a falar, mas Robin pousou um dedo em seus lábios, tomando coragem para falar tudo que queria dizer e torcendo para que ela aceitasse sua proposta. – Não meu amor, deixe que eu termine de falar primeiro está bem? Se não é capaz de eu perder a coragem. – falou, sentindo seu coração martelar mais forte a cada palavra.
A morena apenas assentiu em sinal de concordância, então Robin se preparou para colocar pra fora tudo que estava sentindo. Houveram momentos naqueles dias nos quais ele pensara em ensaiar o que iria dizer quando o momento finalmente chegasse, pensara em escrever um discurso, mas acabara mudando de ideia. De nada adiantariam palavras ensaiadas, ele tinha que falar o que estava em seu coração, e era exatamente isso que iria fazer.
— Olha morena, eu sei que nossa história não começou a muito tempo, ao menos não desta vez. Sei que pode parecer muito cedo, precipitado mesmo, já que a gente não conseguiu decidir nem para onde vamos ainda, mas eu preciso te dizer tudo que tenho aqui dentro. – Com essas palavras, o loiro pegou a mão livre de Regina e a pousou em seu próprio coração, fazendo com que a morena sentisse seus batimentos, tão acelerados e descompassados quanto os dela própria.
— Eu preciso que você saiba o quanto é importante e especial pra mim, que você tenha certeza de que o que eu sinto por você é mais forte do que tudo, e que eu estarei sempre aqui quando você precisar de mim. Eu nunca achei que pudesse sentir um amor assim morena, tão avassalador, tão forte! Você roubou meu coração milady, e agora ele esta ali, aos seus pés, para que você faça o que quiser com ele. – continuou Robin, gesticulando na direção do coração de rosas vermelhas enquanto as palavras fluíam, leves e verdadeiras, por sua boca. – Eu faço qualquer coisa por você Regina, faço qualquer coisa pra ver esse seu sorriso lindo, que enche meu coração de alegria, mas hoje, hoje sou eu quem tem um pedido para te fazer, e espero do fundo do meu coração que sua resposta seja sim. Se não for não tem problema, eu vou continuar tentando, mas...
Regina sentia sua cabeça girar, o coração aos saltos e as pernas bambas. Estava perdida, perdida nos seus oceanos azuis, perdida nas palavras que ouvia. Seu coração pulsava, alegre e temeroso ao mesmo tempo, a espera do que viria a seguir. Será que Robin iria mesmo fazer o que ela estava imaginando? Será que toda aquela surpresa queria dizer que ele iria pedi-la em casamento? Se fosse realmente este o caso, ela nem mesmo precisaria pensar. É claro que ela iria aceitar, Robin era o amor da sua vida, e não importa se tinham se passado poucos meses ou muitos anos, a resposta dela seria sempre a mesma, sim.
Sem dar tempo a ela para formular qualquer pergunta, o loiro voltou a falar, desta vez erguendo a mão da morena onde um pequeno objeto se encaixara com perfeição. Por conta da emoção que sentia naquele momento, ela chegara até mesmo a esquecer que Robin havia colocado um objeto em suas mãos, mas lá estava ele, uma diminuta caixinha de veludo preto.
— Abra, veja o que há ai dentro. – instruiu Robin, parecendo quase tão nervoso e curioso quanto ela.
A morena cumpriu as instruções abrindo a caixinha, e o que encontrou lá dentro fez seu coração parar por um momento. Estava olhando para um anel, uma aliança para ser mais exata, feita de ouro branco e com uma delicada rosa incrustrada. Era um anel maravilhoso, uma joia sem duvida antiga, que conservava beleza e singularidade.
Regina estava incrédula, ainda sem conseguir entender o real significado daquele anel. Olhou da pequena caixinha para os olhos ansiosos de Robin e depois de volta a caixinha, ainda sem conseguir entender o que estava realmente o que estava acontecendo, sem conseguir acreditar no que seus olhos lhe diziam.
— Casa comigo? – foi à resposta de Robin aos olhos confusos e as indagações mudas de Regina, que mesmo depois de ouvi-lo dizer aquelas palavras, ainda estava sentindo difícil acreditar que elas realmente tivessem sido ditas.
— O que? – a voz da morena saiu baixa, como se ela tivesse medo de que, se falasse alto demais, aquele sonho se desfizesse em fumaça, feito um dente de leão que alguém assopra.
— Desculpe, eu não pedi como se deve. – começou a falar o loiro, sentindo seu nervosismo aumentar diante da expressão atônita da morena. – Regina Mills, você aceita se casar comigo? – Robin tentou de novo, desta vez ajoelhado na grama aos pés de sua amada, exatamente como manda o figurino.
Por um doloroso momento, o silencio pairou entre os dois, e Robin começou a pensar que fizera alguma coisa de errado, que aquele não era o momento certo para fazer um pedido como aqueles...mas antes que ele conseguisse dizer alguma coisa, a resposta de Regina veio, trazendo alivio para o coração cheio de conflitos do loiro.
— SIM! – ela gritou, repentinamente desesperada para que ele soubesse sua resposta. – É claro que sim meu amor! Claro que aceito casar com você. – falou, sentindo seu coração martelar com tamanha força que poderia acabar estourando em seu peito, sua voz saindo embargada por conta das lágrimas que derramava.
Robin abriu um largo sorriso de contentamento, exalando a mais pura e genuína das felicidades. Então era isso, ele iria se casar, e com o amor de sua vida, o amor que ele nunca se julgou capaz de sentir. Sorrindo de orelha a orelha, o loiro colocou o anel na mão de Regina e voltou a ficar de pé, aproximando-se ainda mais dela do que estava antes.
— Então é isso morena, vamos nos casar. E ficar juntos, para sempre. – Robin tornou a falar, desta vez bem baixinho, perto do ouvido de Regina, sua pele, ligeiramente áspera por conta da barba por fazer roçando no rosto quente e macio da mulher de sua vida.
— Para sempre. – a morena sussurrou de volta, sorrindo tanto quanto o loiro. – Eu amo você Robin. Te amo muito. – falou por fim, roçando seus lábios pelo rosto dele até conseguir chegar aos lábios, seus olhos se fechando quase instantaneamente.
— Eu te amo! – foi à resposta de Robin contra os lábios de Regina, enquanto suas mãos a seguravam firme pela cintura. E então eles giraram, giraram e giraram pela grama verde, sem interromperem o beijo selado, enquanto a morena sentia como se pudesse voar e o loiro como se tivesse chegado ao paraíso, o seu paraíso particular.
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