In your dreams
19 XIX - Misery
Notas iniciais
Regina acordou com o sol entrando pela janela do quarto de hotel, banhando o aposento de uma luz pálida e quente. Virou-se na cama ainda de olhos fechados, procurando por Robin, mas seus braços encontraram apenas o vazio.
A morena finalmente abriu os olhos, ligeiramente decepcionada por encontrar o quarto vazio. Faziam três dias que ela e Robin haviam chegado a Nova York. Três dias incríveis, nos quais eles apenas passearam pela cidade, com o loiro mostrando a ela tudo de melhor que a cidade tinha a oferecer.
Ainda não tinham planos. Não sabiam exatamente o que iriam fazer depois que terminassem de passear por ali. Tudo que haviam decidido até o momento é que iriam recomeçar em um lugar diferente, longe tanto do Kansas quanto de Nova York.
Apesar dos poucos dias em que estavam verdadeiramente vivenciando o profundo amor que nutriam um pelo outro, Regina se sentia extremamente feliz, completa. Parecia que nada lhe faltava, que o mundo a havia presenteado com a mais bela das preciosidades. Quando estava na companhia de Robin, o mundo todo se transformava ao seu redor. Adquiria cores mais vivas, contornos mais bonitos.
Perguntando-se onde estava Robin, e ligeiramente contrariada por ter acordado sozinha, Regina se levantou e vestiu por cima da fina camisola que usava, um roupão que estava estendido em uma das cadeiras que havia no quarto.
Mesmo que fizessem poucos dias que estavam juntos, Regina odiava acordar e não encontrar Robin ao seu lado. Talvez isso se devesse ao reflexo da solidão que vivera em seu casamento com Daniel, mas o fato era que a morena havia se acostumado a acordar sempre com um “bom dia” de seu amado loiro, e o dia que isso não aconteceu a deixou ligeiramente decepcionada.
A decepção de Regina durou apenas poucos minutos. Perdida em seus pensamentos como estava naquele momento, ela não percebeu a porta bater de leve quando Robin entrou, não escutando também quando o loiro pousou na cama a bandeja de café da manhã que trazia nas mãos, aproximando-se e abraçando-a por trás.
— Bom dia milady! Dormiu bem? – a voz dele chegou aos seus ouvidos, quente e macia, fazendo-a sentir seu corpo se arrepiar por completo.
Sem responder, a morena se virou nos braços de Robin e o encarou de volta, tentando ao máximo fazer cara de poucos amigos, mas sem muito sucesso. Não importava o quanto ela tentasse, não conseguia ficar brava com ele, nem que fosse por fingimento.
— Dormi. Mas acordei e estava sozinha...- respondeu, revirando os olhos na direção do loiro, que apenas fez aumentar seu sorriso diante da falsa braveza que ela demonstrava.
— Desculpe anjo. Prometo que isso não vai mais acontecer, mas foi por um bom motivo, veja só o que eu trouxe pra você. – falou o loiro, que se virou e gesticulou na direção da bandeja que repousava em cima da cama.
— Vou te perdoar só por que você trouxe comida. – brincou a morena, que pegou na mão de Robin e caminhou na direção da bandeja. Quando se aproximou, deparou-se com uma verdadeira profusão de guloseimas. Pães, geleia, uma jarra de suco de laranja e uma grande fatia de torta de maçã. No centro da bandeja havia um vasinho delicado, no qual repousava uma única rosa vermelha.
— Você me mima demais sabia? Vou acabar ficando mal acostumada...- continuou Regina, abrindo um grande sorriso diante de todo o carinho que estava recebendo de Robin.
— Pode se acostumar. Este humilde servo está aqui para fazer todas as suas vontades. – o loiro entrou na brincadeira, fazendo uma leve reverencia na direção de Regina.
— Seu bobo. – respondeu a morena, pulando nos braços de Robin e o abraçando. No mesmo instante ela sentiu seus pés deixarem o chão e eles giraram pelo quarto, os dois as gargalhadas.
Quando o loiro a colocou de volta no chão, os olhos dos dois se encontraram, sorrisos de contentamento e alegria brotando nos lábios de ambos. Como era bom aquele momento. Um simples café da manhã, que para a maioria das pessoas é normal e rotineiro, para eles tinha uma coloração especial.
— Acho que este abraço significa que fui perdoado, não é? – questionou Robin, seus olhos brilhando, como se sorrissem para a imagem de Regina.
— Quase. – ela respondeu, enigmática, fazendo com que uma sombra de preocupação passasse pelo semblante de Robin.
— Quase? E o que falta para que o perdão seja completo? – perguntou, sua voz saindo com uma mistura de curiosidade e brincadeira.
— Isso. – a morena respondeu simplesmente, cobrindo a pouca distancia que os separava e colando seus lábios aos de Robin. Por um instante, o mundo pareceu parar para assistir a aquele encontro de corações e almas.
Por algum tempo, o lago de sua cidade natal fora o seu refugio, o seu lugar favorito no mundo, mas isso mudara completamente. Não havia agora melhor ou mais perfeito lugar para se estar do que nos braços do homem que amava, era ali que Regina se sentia mais feliz, mais completa.
Robin, por sua vez, sentia que seu coração iria acabar irrompendo de seu peito, quebrando esta ultima barreira para estar junto do coração de sua amada morena. Não, com certeza não havia qualquer outro lugar no mundo no qual ele quisesse estar, a não ser ali, com ela. Regina era o amor de sua vida, o que havia de mais caro e precioso para ele, e com toda a certeza, sua maior fonte de alegria.
— Pronto. – a morena voltou a falar quando se separaram, ligeiramente ofegantes.- Agora sim você está perdoado. – continuou, abrindo um grande sorriso.
Os dois então se sentaram na cama e saborearam o delicioso café da manhã que o loiro havia trago. Comeram de tudo, até que a única coisa que sobrou foi a fatia de torta de maçã.
— Pode ficar com ela morena, eu trouxe pra você. – falou Robin, ao notar que Regina fitava o pedaço de torta parecendo pensar no que iria fazer.
— Nada disso. Vamos dividir. – respondeu à morena, que com essas palavras pegou uma faca e cortou a fatia em duas metades. – Você prefere ponta ou borda? – perguntou, oferecendo o prato com as duas metades para o loiro.
— De qual você gosta mais? – Robin devolveu a pergunta, seu sorriso aumentando diante da cara de interrogação da morena.
— Da borda. – foi a resposta dela, ainda sem entender o que ele pretendia.
— Então é com ela que vou ficar. – falou o loiro, pegando do prato o pedaço de torta que continha a borda, enquanto Regina apenas o encarava, tentando entender o que havia acontecido. Por Robin ter lhe perguntado qual era o seu favorito, ele esperava que ele escolhesse o outro pedaço, mas não foi o que aconteceu.
— Ei, se você ia escolher a borda, por que se deu ao trabalho de me perguntar? – questionou a morena, novamente dividida entre a zanga e a diversão.
— Não morena, você não entendeu. Eu não ia escolher a borda. Escolhi por que você me disse que era o que você preferia, então isso significa que essa é a melhor parte da torta. – respondeu o loiro, sorrindo divertido.
— Que maldade! Você me enganou para ficar com a melhor parte da torta! – brincou a morena, ainda usando um tom de falsa irritação.
Com aquelas palavras de Regina, Robin estendeu o pedaço de torta que tinha na mão em direção a ela, dizendo as seguintes palavras: — Olha, pra você não dizer que eu sou uma pessoa má, deixo você ficar com metade desse pedaço e o outro também.
— Como você é fofo. – respondeu Regina, em um falso tom de desdém, antes de morder o pedaço de torta que estava estendido a sua frente. – Onde vamos hoje? – perguntou, torcendo para que ele dissesse que iria leva-la para conhecer aquela colina que ela havia visto quando eles conversavam apenas por conversas telepáticas.
Desde que haviam chegado a Nova York a morena estava ansiosa para conhecer aquele lugar. Sabia que se tratava de um lugar especial para Robin, e estava morrendo de curiosidade para vê-lo de perto. Apesar dessa vontade, no entanto, ela ainda não havia ido até lá. A cada dia o loiro lhe dizia outro lugar para visitarem, e acabava que no final do dia ela não tinha nem mesmo te lembrado de pedir que ele a levasse lá.
— O que acha de visitarmos a colina? Sei que você estava ansiosa para ir lá, e tem uma surpresa te esperando lá. – falou Robin, sabendo perfeitamente bem que suas palavras iriam despertar a curiosidade da morena.
— Surpresa? Que surpresa?? – perguntou Regina, sem conseguir conter a animação em sua voz.
— Se eu contar deixa de ser surpresa amor. – foi a resposta de Robin, que acabou por levar uma almofadada no braço.
— Isso não é justo! Você sabe o quanto eu sou curiosa! – disse a morena, gargalhando.
— Só digo uma coisa: tenho certeza que você vai gostar! – respondeu o loiro, com um sorriso enigmático iluminando seu rosto.
Extremamente curiosa sobre o que Robin estaria planejando, Regina se levantou da cama e foi se arrumar, seus pensamentos girando sobre o que poderia ser a tal surpresa. Alguns minutos depois, os dois deixaram o hotel, caminhando abraçados pelas ruas movimentadas de Nova York.
Acostumada com a placidez das cidades pequenas, a morena ainda se encantava com a quantidade de vida que Nova York apresentava. Mesmo já estando ali a alguns dias, ela ainda se espantava com a multidão que andava pelas ruas da cidade, que parecia não parar nem por um único segundo.
— Amor, você se importa se pararmos aqui por um minuto? Estou precisando de um café...- perguntou Robin, quando os dois se aproximavam de uma Starbucks que havia em uma esquina.
— Claro que não me importo querido. Mas vou esperar você aqui fora, está bem? – falou a morena, que ainda não conseguira superar sua fobia por lugares cheios e fechados.
— Sem problemas Você quer alguma coisa?
— Uma água gelada seria bom, o dia está meio quente hoje, não sei como vai aguentar tomar café nesse calor.
— Tudo bem então. Eu já volto. – respondeu o loiro, que deu um selinho nela e partiu em direção a porta da loja.
Sem conseguir parar de sorrir, Regina encostou o corpo na parede ao lado da porta e se pôs a observar os passantes. Ela sempre tivera este hábito, de observar as pessoas, imaginar como seria a vida delas. Naquele dia, em especial, ela imaginou se alguém que passava por aquela rua estaria tendo uma coleção de dias tão perfeito quanto os dela.
Não se tratava de felicidade perpétua. Não, absolutamente que não. ela tinha momentos ruins, momento e que fechava os olhos e se lembrava de tudo de ruim pelo eu tinha passado. Nestes momentos sombrios, ela se perguntava por quanto tempo aquela bolha de felicidade iria durar, por quanto tempo a vida iria lhe permitir desfrutar daquele sonho.
Felizmente, Robin estava sempre ali para acorda-la destes momentos ruins, que aconteciam tanto em pesadelos quanto quando ela estava acordada. Ele estava sempre lá, para abraça-la e apoia-la, para dizer que tudo ficaria bem.
O momento de distração da morena durou poucos segundos. Sem que ela se desse conta do que estava acontecendo, uma sombra se pos a sua frente, bloqueando a luz do sol por um breve instante.
Saindo de seu devaneio, Regina se viu encarando uma mulher de altura media e cabelos pretos compridos, magra e com uma expressão desagradável no olhar. Ela não precisou olhar duas vezes para saber de quem se tratava. Marian, a ex-mulher de Robin a encarava, parecendo querer acabar com ela apenas pelo olhar.
— Então é você. – falou a mulher, cuspindo as palavras, como se estivesse falando com algo imundo, indigno de sua atenção.
— Desculpe? – foi à resposta da morena, em um tom duro e cortante, endireitando a postura e devolvendo o olhar frio que Marian lhe dirigia. Ela sabia como aquela mulher podia ser desagradável quando queria, e não estava disposta a deixar que ela estragasse seu dia.
— É você. A vagabunda que mandou um livro para Robin enquanto ele ainda estava comigo. Não tem vergonha não? Se envolvendo com um homem casado...- disparou Marian, em um tom jocoso que só fez inflamar a irritação em Regina.
— Quem você está chamando de vagabunda? – falou a morena, em um tom baixo, porém extremamente perigoso, enquanto bem devagar de onde Marian se encontrava.
— Para mim, esse é o nome que se dá para uma mulher que não respeita o casamento dos outros. Robin ainda estava casado comigo quando se envolveu com você, e mesmo que nosso casamento tivesse problemas, isso não te dava o direito de...
Marian não conseguiu terminar a frase, as palavras de Regina cortando suas palavras: — A culpa não é minha se você transformou seu casamento em um inferno Marian. Quando eu e Robin nos conhecemos, ele estava extremamente infeliz, e grande parte desta infelicidade era culpa sua. Portanto, não venha me dizer que fui eu quem estraguei seu casamento. A única culpada disso é você mesma.
— Você não sabe o que diz! Robin e eu éramos felizes...mesmo que brigássemos as vezes, todo casamento tem problemas. – ralhou à mulher, suas palavras soando aos ouvidos de Regina tão frias e falsas quanto era o seu olhar.
— Não seja ridícula! Seu casamento já havia acabado há muito tempo, tanto que você traia Robin. Ou acha que eu não soube que ele te pegou com outro? Acho que a coisa toda mudou de figura não é Marian? Quem é a vagabunda agora? – disse Regina, cada vez mais irritada com a presença daquela mulher.
Parecendo espumar de tanta raiva, Marian se aproximou ainda mais de Regina. Agora as duas estavam a poucos centímetros de distancias, soltando faíscas pelo olhar. – Quer saber de uma coisa, queridinha? Pode ficar com Robin. Ele não me serve de mais nada mesmo. Eu já tirei tudo que ele tinha, e pelo que estou vendo, ele já arranjou outra trouxa para ocupar o meu lugar. Só não venha reclamar comigo quando se cansar dele está bem? Não aceito devoluções, ainda mais de um lixo humano feito aquele lá.
A paciência de Regina tinha se esgotado. Ela podia aguentar qualquer coisa que Marian dissesse, mas não ia permitir que aquela cobra destratasse Robin. O loiro a defendera e a protegera em todas as situações possíveis e imagináveis, e ela iria defendê-lo também, ainda mais de uma sujeitinha sem classe ou coração feito aquela Marian.
— O único lixo humano aqui é você Marian. Uma mulher infeliz, que só se contenta em arrastar a infelicidade por onde passa. Não se atreva a falar mais uma palavra sobre Robin. Ele é uma pessoa maravilhosa, e seu único erro foi um dia ter se envolvido com uma pessoa tão baixa como você. – respondeu a morena, sua voz ganhando volume à medida que as palavras deixam sua garganta.
— Aah, mas que bonitinho. A vagabunda defendendo o imprestável. Realmente, vocês formam um belo casal, se merecem. – Marian cuspiu as palavras, seu tom de voz saindo bem mais alto e alterado do que o de Regina. – Sabe, eu duvido muito que você aguente viver este conto de fadas por muito tempo. Logo, logo, você se cansa da falta de ambição do Robin. Vai se cansar da mesmice e vai larga-lo também. – continuou a mulher, destilando todo o seu veneno.
— Pode esperar sentada, isso não vai acontecer. – respondeu simplesmente Regina, cansada de toda aquela discussão inútil. – Agora porque você não some daqui? Deixa a gente em paz Marian, esquece que um dia conheceu o Robin. Vá viver a sua vida.
— E o que exatamente você vai fazer se eu não “sumir da vida de vocês”? Estou pagando para ver se tem coragem de fazer alguma coisa. Do jeito que eu conheço o Robin, você deve ser tão songa-monga quanto ele.
— Você não me conhece Marian. Não me subestime, você pode acabar se arrependendo. – respondeu morena, que estava achando cada vez mais difícil se controlar para não dar um tapa na cara daquela mulher desprezível que parecia estar se divertindo muito atazanando paciência.
— Nossa, estou quase com medo de você. Mas não se preocupe, eu não preciso mais do bobalhão do Robin. Já tirei dele tudo que eu queria. E acredite em mim, foi bem mais fácil do que tirar doce de criança. Só precisei acusa-lo de agressão e pronto, tudo que ele tinha caiu no meu colo sem que eu precisasse fazer nenhum esforço.
As palavras de Marian, tão repletas de ódio e desprezo, acabaram com o pouco de uto controle que ainda restava em Regina. Como aquela mulher podia ser tão desprezível? Como podia falar assim, tão abertamente sobre o mal que havia causado na vida de Robin, e não sentir nenhum pingo de remorso por suas atitudes? Ela simplesmente não conseguia entender como aquilo era possível.
Sem pensar no que estava fazendo, movida unicamente pela raiva que sentia por Marian, que parecia se vangloriar do mal que havia causado a Robin, Regina partiu para cima da mulher, o tapa estalando no rosto da outra, que gritou com o susto e com a dor repentina.
— Como se atreve a me bater? Você vai pagar por isso, sua vagabunda! – gritou Marian, que começou a cobrir a distancia ligeiramente maior que agora a separava de Regina, pronta para revidar o tapa que levara.
Antes que o revide acontecesse, no entanto, a porta da cafeteria se abriu e Robin surgiu, uma das mãos ocupada com um copo de café e a outra carregando uma garrafinha d água.
Levou um segundo para que o loiro registrasse o que estava acontecendo do lado de fora, até que registrasse a presença de Marian ao lado de Regina, ambas surpresas com a repentina interrupção de sua briga.
— Marian? O que está acontecendo? O que você está fazendo aqui? – perguntou, parecendo confuso e preocupado com a cena que se desenrolava a sua frente. A última coisa eu ele queria era que aquilo acontecesse. Esperava não ter que lidar com Marian nunca mais na sua vida. Queria poupar Regina de ter que conviver com aquela criatura...e no entanto, ali estava Marian, um espectro que trazia infelicidade por onde passava.
— Olá Robin querido! Como você está? – respondeu a mulher, com uma voz doce carregada de falsidade, aproximando-se do loiro e enlaçando seu braço ao dele, movimento este que não passou despercebido por Regina, que fuzilou a outra com o olhar, tentando ao máximo conter o forte ímpeto de gritar para que ela se afastasse.
Não foi preciso, entretanto, que a morena dissesse uma única palavra. Parecendo ter levado um choque, Robin se afastou do toque de Marian e se aproximou de Regina, entregando-lhe a garrafa de água e a abraçando pela cintura.
— Você está bem? Essa maluca fez alguma coisa com você?— perguntou, utilizando a conexão telepática que os unia, sua voz soando preocupada aos ouvidos de Regina.
— Não se preocupe amor, eu estou bem. Já ela, eu não sei, me arrisco a dizer que aquele vermelho vai arder bastante ainda.— respondeu a morena, rindo enquanto indicava com o olhar a marca avermelhada no rosto de Marian, que brilhava feito fogo em brasa no local onde Regina a estapeara.
Antes que Robin respondesse, no entanto, Marian voltou a falar, sua voz se assemelhando imensamente ao sibilar de uma cobra aos ouvidos do casal: — Ah, olha só que cena mais bonita! O casal do ano, vocês dois. A rameira e o paspalho. Realmente formidável. – falou a mulher, agora quase gritando, parecendo estar cada vez mais transtornada.
— Você é desprezível Marian. Não consegue ver ninguém feliz não é? Tem que chamar a atenção, fazer um escândalo sem sentido na rua. Nós não temos mais nada Marian, eu já lhe dei tudo que eu tinha, agora suma daqui. Desapareça de nossas vidas. – disparou o loiro, sem conseguir acreditar que estava passando por aquilo de novo. Outra discussão com Marian, que só fazia com que ele se lembrasse de como era sua vida antes do aparecimento de Regina, infeliz e sem sentido, povoada por discussões diárias.
— E o que exatamente você vai fazer se eu não for embora? – questionou Marian, parecendo misturar diversão e escarnio em suas palavras.
— Não Marian, você está enganada. Robin não fará nada com você, que vai fazer sou eu. Se você não sumir daqui agora, juro que transformo a sua vida em um inferno. E acredite Marian, eu vou fazer você se arrepender amargamente de ter cruzado nosso caminho. – falou Regina, cansada daquela discussão sem sentido, cansada de ouvir os impropérios daquela mulher infame.
— Vamos embora morena? Por favor, eu não aguento mais ficar perto dessa mulher, ela só me traz recordações ruins.— a voz de Robin invadiu a mente de Regina, que entendeu em suas palavras o quanto estava sendo doloroso para ele ter que ouvir as palavras de Marian, ter que estar na presença dela, depois de tudo que ela o havia feito passar.
Ao ouvir aquelas palavras, Regina pegou na mão de Robin e começou a andar na direção contraria a que Marian estava. Ele tinha razão, eles não tinham que ficar ali ouvindo as grosserias daquela mulher maluca.
— Você tem razão. Vamos embora daqui, temos coisas melhores para fazer do que lidar com essa dai.— respondeu à morena, enquanto ambos caminhavam a passos rápidos, tentando se afastar de Marian o mais rápido possível.
Tudo aconteceu muito rápido. Rápido demais para que qualquer um deles pudesse entender ou mesmo reagir à cena que se desenrolava diante de seus olhos. Regina e Robin estavam prestes a dobrar a esquina quando Marian apareceu a sua frente, um brilho desvairado dançando em seu olhar.
— Não pensem que vão se livrar de mim tão facilmente, casalzinho. Eu não esperava encontra-los por aqui, mas já que tive essa sorte, não vou deixar minha chance passar. – falou, seu tom de voz cada vez mais alucinado.
— Nos deixe em paz Marian! Chega! Essa história já acabou! – falou Robin, sua voz saindo quase tão alta quanto a da mulher.
— Ah não Robin querido, é ai que você se engana. Eu não vou deixa-los em paz até que tudo esteja resolvido, e preciso acertar minhas contas com essa dai, por conta do tapa que levei. – com estas palavras, a mulher investiu contra Regina, parecendo querer revidar a agressão que havia sofrido anteriormente.
Robin agiu por puro instinto de proteção. Antes que Marian completasse sua intenção, ele a empurrou para longe. Não com muita força. Não queria machuca-la, apenas impedi-la de agredir Regina.
O pequeno empurrão, no entanto, foi suficiente para que Marian se desequilibrasse e caísse na rua. O barulho de freios desesperados foi à única coisa que o loiro e a morena ouviram antes do silencio que se seguiu. Um silêncio e pesado, que caiu sobre seus ouvidos feito uma bomba, , que suga todo o ar a sua volta.
Fale com o autor