In your dreams
1 I - Perfect Dream
Notas iniciais
Aqui estou eu com uma nova história pra vocês, e espero sinceramente que gostem!
Não vou contar muito do que pretendo com esta fic aqui nas notas, quero que vocês se surpreendam com a história, que se envolvam com ela, e espero sinceramente que consiga cumprir esse objetivo, que consiga fazer com que se encantem.
Sem mais delongas, vamos ao primeiro capitulo!
“Olhei-me no espelho e pela primeira vez em muitos anos gostei do que via. Não somente por minha aparência física, que estava muito diferente por sinal, mas por meu estado de espirito.
Estava feliz, sentia meu estomago revirar de excitação, como se um bando de borboletas vivesse dentro dele e estivessem ansiosas pela liberdade. Sentia meu rosto esquentar, minhas bochechas adquirindo um tom de vermelho que contrastava com minha pele morena, como se eu tivesse labaredas de fogo em cada uma delas.
O mais louco de tudo isso, é que eu não fazia a menor ideia do que estava acontecendo, não conseguia entender o motivo de meu sorriso. Tudo que eu sabia, é que este motivo estava por perto, lá em baixo, no salão de baile. Como eu chegara a esta conclusão? Era outra pergunta para a qual não tinha resposta, tratava-se de uma certeza que vinha de meu coração acelerado e não de minha mente confusa.
Voltei meu olhar novamente para o espelho diante do qual eu me encontrava parada. Realmente eu estava diferente. Nunca tinha me visto em um vestido daqueles, nem imaginara que um dia estaria vestindo um.
Era um vestido vermelho e branco, com um corpete rendado em fios dourados, formando delicados desenhos florais que desciam do corpete por toda a saia do vestido. Era realmente lindo, e o que mais me impressionava é o quão bem me sentia com ele.
Depois de alguns minutos admirando o vestido, detive meu olhar em outros detalhes, como a leve maquiagem de meus olhos e o batom vinho que coloria meus lábios, parando finalmente para admirar a delicada gargantilha em meu pescoço.
Toda esta análise sobre o meu recém descoberto visual não demorou mais que alguns minutos, e foi interrompida com o som de leves batidas na porta.
— Entre. – falei, em u tom de voz que esbanjava alegria. A porta abriu, revelando um homem atarracado e com vestes simples, que me presentiou com sorriso contido, porém sincero, antes de começar a falar:
— A senhora está pronta? Estão todos aguardando sua presença ansiosamente. – disse o rapaz, em um tom de voz respeitoso e cordial.
— Estou sim John, pode avisar que já estou descendo. – respondi, sem saber muito bem de onde aquelas palavras haviam saído, e muito menos como eu sabia o nome daquele gentil rapaz que parecia me tratar como se eu fosse sua patroa.
— Muito bem senhora. – respondeu John, fazendo uma leve reverencia antes de se retirar, fechando a porta atrás de si.
Depois que ele saiu, dei mais uma olhada em minha aparência, sorrindo para o meu reflexo no espelho. Virei-me então em direção à porta que a pouco havia sido fechada, caminhando até ela de forma determinada. Não aguentava mais de curiosidade sobre o que me aguardava no andar de baixo, além do mais, não fazia sentido deixar que as pessoas que me aguardavam esperassem mais, mesmo que eu aparentemente não soubessem de quem se tratavam.
Girei a maçaneta e sai para um corredor belamente decorado, iluminado por tochas. Sigo por ele sem me deter a seus muitos detalhes, sinto como se já conhecesse aquele lugar há muito tempo, que conheço todos os seus segredos e belezas.
Chego à ponta de uma escadaria, por onde se estende um esplendoroso tapete de veludo vermelho. Paro antes do primeiro degrau, e corro os olhos pelo salão, à procura do motivo do sorriso que insistia em permanecer em meus lábios.
O salão está praticamente lotado. Cheio de casais dançando uma valsa lenta, rodopiando no salão, a maioria deles com os olhos voltados para seu respectivos parceiros, como se apenas ele ou ela importasse.
Meu olhar varreu o salão mais uma vez, a procura de alguém que eu não consegui encontrar em lugar algum. Por um momento, a decepção e o pânico tomaram conta de mim, minha velha insegurança submergindo até as areias de minha ilha da felicidade, meu sorriso, antes constante, esmorecendo por sua ausência. O que acontecera? Será que ele não estava ali? Teria desistido de vir?
Por mais que estes questionamentos soassem irracionais, visto que eu nem mesmo conseguia me forçar a lembrar quem era a pessoa que despertava em mim sentimentos tão fortes, parte de mim não conseguia se livrar daqueles fantasmas.
Fui arrancada de meus devaneios por um hálito quente e doce que roçou a pele perto de meu ouvido esquerdo, acompanhado de uma voz forte e carregada de doçura, que me dirigiu as seguintes palavras: — Boa noite milady, você está linda! Pensei que não teria o prazer de sua companhia esta noite, cheguei a pensar que tivesse desistido deste seu humilde servo. – falou baixinho, bem perto de meu ouvido, fazendo com que meu corpo se arrepiasse por inteiro ao som de sua voz melodiosa.
— Nunca! Não perderia essa noite por nada neste mundo. – as palavras saíram de minha boca antes mesmo que eu pudesse pensar nelas. Saíram de forma automática, e nunca me pareceram mais verdadeiras e certas.
Virei-me, ficando frente a frente para ele, meu coração disparando como se tentasse vencer uma corrida de obstáculos ou uma competição de hipismo, no momento em que meus olhos encontraram aqueles maravilhosos e cristalinos oceanos azuis.
Por um momento, permanecemos ali, um perdido no olhar do outro. Enquanto olhava em seus olhos tudo que eu encontrava era amor, um amor profundo e verdadeiro, que preenchia cada cantinho de meu coração, expulsando dele qualquer insegurança, qualquer temor. Enquanto estava ali, perdida em seu olhar, tudo que passava pela minha cabeça era o quanto ele era importante para mim, o quanto o amava.
Ele pegou minha mão e a levou aos lábios, sem em nenhum momento interromper nosso contato visual, sem desmanchar o magnetismo que parecia nos prender um ao outro.
— Vamos? Estou ansioso para ter o prazer de dançar com você. – falou, abrindo um largo sorriso que fez minhas pernas bambearem.
— Se eu fosse você não ficaria tão ansioso, sou uma péssima dançarina, temo que irei decepciona-lo. – respondi, brincando, e retribui seu sorriso.
— Não seu preocupe, eu corro o risco com todo o prazer. – disse, fazendo com que meu sorriso se alargasse. Sua presença me fascinava, eu estava hipnotizada por aquele seu sorriso fraco e por aquela imensidão azul que eram seus olhos.
Sem esperar por uma resposta minha, ele me ofereceu o braço, e descemos a escadaria pelo tapete vermelho. Mentalmente, agradeci por estar apoiada nele enquanto descia as escadas, não confiava que conseguiria fazer isso sozinha. Sentia-me leve, minhas pernas bambas e meu coração batendo tão alto que se não fosse a musica que ribombava pelo salão, tenho certeza de que todos estariam ouvindo seu martelar.
Por fim, chegamos ao final da escada, e fomos recebidos por uma torrente de convidados, que vieram nos cumprimentar. Passaram-se alguns minutos antes que conseguíssemos nos livrar de todas as pessoas que queriam nos dar um “olá” e chegássemos à pista de dança.
Quando finalmente isso aconteceu, eu me sentia ligeiramente ofegante, mesmo que ainda não tivesse dançado nem ao menos uma musica. Nunca gostara de ser o centro das atenções, nem de lugares cheio de gente, por isso, não me senti muito confortável quando fomos interpelados por tantas pessoas.
Percebendo meu desconforto, meu atencioso acompanhante desviou do caminho para onde estávamos indo (o centro da pista de dança), e me conduziu para uma das extremidades do salão, onde havia poucas pessoas, e um pouco mais de privacidade.
Chegando ao local, parou de frente para mim, lançando-me um olhar preocupado. – Você está se sentindo bem? Parece um pouco pálida....
Diante da preocupação demonstrada por ele, não pude deixar de lhe lançar um sorriso, feliz em ver o quanto ele se preocupava comigo, o quanto se importava.
— Não se preocupe querido. – comecei, passando minha mão livre por seu rosto enquanto falava. – eu estou bem, juro. É só que não gosto muito de lugares fechados...me sinto um pouco sufocada. Mas já estou melhor.
A minhas palavras, ele apenas assentiu com a cabeça, como se concordasse com o que eu estava dizendo, como se compreendesse, o que eu tinha certeza que era verdade. Apesar da compreensão que habitava seus olhos, sua resposta foi um tanto enigmática: — Eu tive uma ideia. Por favor, me acompanhe milady. – falou, fazendo um gesto indicando que eu caminhasse a sua frente.
Uma de suas mãos se apoiou em minha cintura, e por um momento, eu coloquei a minha sobre a dele. Definitivamente, não havia lugar melhor que aquele onde eu estava naquele momento.
Sem pensar para onde ele poderia estar me levando, apenas percorri o caminho por onde ele me conduzia, me sentindo tão bem, tão segura, que cheguei a esquecer minha fobia de lugares cheios, me esqueci de tudo, me concentrando apenas em nós.
Saímos por uma das portas laterais do castelo, e neste momento, como uma lamparina que se acende, eu compreendi exatamente para onde ele estava me levando, a compreensão fazendo com que meu sorriso se alargasse ainda mais.
Não conversamos durante o trajeto, ele parecia muito concentrado na tarefa de nos levar a algum lugar, e eu, simplesmente não sentia necessidade de lançar mão de palavras. Aquele momento não precisava delas para que fosse especial.
Chegamos então a um dos jardins do palácio, o meu favorito, que era preenchido por roseiras vermelhas e possuía um deque , uma cúpula, de onde era possível observar o jardim em toda a sua magnitude e beleza.
— Esse é o meu lugar favorito no mundo todo. – soltei, enquanto caminhávamos em direção a cúpula de observação.
— Eu sei, e é justamente por isso que trouxesse você aqui. Sente-se melhor longe de toda aquela aglomeração barulhenta do salão? – perguntou-me, sua voz, mesmo que utilizando um tom gentil e delicado, não conseguindo esconder a preocupação que sentia.
— Estou sim, obrigada por me tirar de lá. – respondi, virando-me para encarar meus amados oceanos azuis. – mas temo que você vá perder a chance de ver o desastre que sou dançando se passarmos o baile todo por aqui. – brinquei, em uma tentativa lhe arrancar um sorriso.
— Não conte com isso milady. – ele falou, sorrindo. – Podemos dançar aqui mesmo, além do mais, tenho certeza de que você não é um desastre na dança como diz ser. – continuou, fazendo com que eu risse de sua crença em minha habilidade com a dança, que eu tinha certeza ser nula.
— O que? Dançar aqui? Sem musica? – perguntei, ainda rindo de sua insistência.
— Não precisamos de música, temos nossa imaginação! Veja, vou lhe mostrar: feche os olhos. – eu fiz o que ele pediu, ainda em dúvida de que aquela história de dança de musica fosse dar certo.
— Ótimo, agora imagine a sua vala favorita, aquela que te traga alguma lembrança boa. Foque sua mente nisso, deixe que os acordes da musica entrem em seus ouvidos, imagine que estamos no salão, que só a nós dois e essa musica.
Seguindo suas instruções, escolhi minha valsa favorita, aquela que eu dançara em um baile que eu acompanhara meu pai, a muito tempo atrás. Deixei que os sons de seus acordes me preenchessem, como se eu mergulhasse em uma doce lembrança. Em seguida, passei para a segunda etapa, imaginei que estávamos de volta ao salão, e que tínhamos a pista de dança apenas para nós.
— Estou aqui. – falei, pois era exatamente assim que eu me sentia, como se estivéssemos valsando no salão, minha musica favorita embalando nossos movimentos.
— Me concede a honra desta dança, milady? – ele me perguntou, ainda segurando minha mão.
— É claro que sim. – respondi simplesmente.
E então, lá estávamos nós, corpos colados e respirações misturadas, rodopiando pelo jardim. Eu me sentia leve, feliz, era como se estivéssemos voando sobre as estrelas, e não apenas girando sob ladrilhos de um jardim.
Nossos corpos se aproximaram ainda mais. Soltei minha mão da dele e o abracei, apoiando minha cabeça em seu ombro, enquanto ele envolveu minha cintura com suas mãos fortes. Continuamos rodopiando, em uma dança ligeiramente mais lenta do que aquela com a qual havíamos começado, mas não menos intensa.
— Você me enganou sabia? Disse-me que não sabia dançar, quando na verdade é uma bailarina perfeita. – a voz dele não passou de um sussurro contra meu ouvido.
— Eu nunca dancei antes, é você quem faz isso comigo, me tira do foco. – falei, levantando a cabeça de seu ombro e olhando em seus olhos, que brilhavam feito duas safiras.
Ao invés de me responder, ele apenas cobriu a distancia entre nossos lábios, selando o seu sobre o meu e me fazendo sentir como se as borboletas em meu estomago fossem alçar voo a qualquer momento.
O que começou com um leve roçar de lábios foi aos poucos se aprofundando, se transformando em um beijo apaixonado, dois amantes que tentavam de todas as formas se fundirem um ao outro.....”
Regina levantou sobressaltada, seu coração martelando feito uma bigorna, o travesseiro empapado de suor. O pior de tudo era a sensação de perda que sentia, como se algo que lhe era muito precioso tivesse sido arrancado dela.
Passado alguns instantes de desorientação, as lembranças do sonho em que estava foram se apagando, e tudo que restou quando ela finalmente conseguiu normalizar sua respiração descompassada, foi à lembrança de olhos azuis intensos, que a olhavam com ternura, que a olhavam com amor.
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Robin despertou para a escuridão de seu quarto, desorientado e com a respiração descontrolada, uma imensa solidão tomando conta de seu coração, uma solidão que ele simplesmente não conseguia entender de onde vinha.
Por mais que tentasse buscar alguma explicação para aquele sentimento que tomava conta de seu coração, não conseguia encontrar nada. Nem mesmo o sonho do qual acabara de despertar lhe servia de consolo, já que tudo que conseguia se lembrar dele eram um par de olhos castanhos que o olhavam com intensidade e alegria.
Notas finais
Espero sinceramente que tenham gostado, e muito obrigada a todos que leram até aqui, espero que embarquem comigo nessa história!
Por favoor, deixem um comentáriozinho blz? Ficarei imensamente feliz, haha
Beijooos
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