In Your Words (romione) - HIATUS
4 Capítulo III
Notas iniciais
Vamos ao que interessa:
BOA LEITURA!!
Eu fiz a escolha certa, pensava Hermione. Neste momento, estava ligando para Vitor.
– Sim — diz Vitor com seu sotaque, atendendo a chamada.
– Vitor, aqui é a Hermione... Sabe o que aconteceu, é que hoje o professor marcou uma prova...
– Na prrimeirra semana de aula? — pede, confuso.
– Na verdade é mais uma revisão, só que vale nota... Enfim, marcou uma atividade e não consegui ir.
– Fiquei esperrando sozinhe no cho-pi-an.
– Eu sei, olha... — estava morrendo de pena do coitado — Que tal se remarcássemos para amanhã? Aí vemos um filme, vi que tem um excelente nos cartazes.
– Amanhã Herrmione pode mesme?
– Posso.
E era verdade. Alvo Dumbledore sairia de viagem e voltaria só no dia seguinte, por isso, não daria aula particular.
– Tudo bem, entón! Adeus, Herrmione.
– Tchau.
Ela desliga o celular e o joga na cama. O celular dá um duplo twist mortal carpado e cai no chão, fazendo um pequeno barulho. Hermione se joga na cama e passa as mãos sobre o rosto.
– Hermione, — fala Juliana, batendo na porta e entrando sem permissão — telefone pra você.
A morena pega o telefone e joga um "Alô".
Era a escola. Estavam precisando de tutores para português, e pegaram os que obtiveram as melhores notas no ano anterior.
– Que dia e hora eu teria que exercer a função de tutora? — pede Hermione, indiferente.
– Você vai combinar com o aluno que precisar da ajuda. Caso não fechem um horário, vamos encaminhar o aluno para outro tutor e outro aluno para você.
– Entendi... Bom, vou aceitar. Vai ter alguma reunião ou algo do tipo?
– Não, só preciso do seu nome completo e turma atual.
– Hermione Jean Granger, turma 301.
Estava feliz. Ajudaria alguém com o seu português, era como um estágio para professora.
– Tudo bem, então. Muito obrigada, senhorita Granger. Encaminharemos um aluno amanhã.
Hermione dá um sorriso e desliga o telefone. O coloca ao lado da cabeceira e pensa em como começar as aulas do novo aluno.
Pega uma caneta e o caderno do ano antigo, vai até o fim das folhas que já estão escritas e começa a planejar aulas. Seria ótimo praticar para o futuro.
É claro que um aluno não seria o suficiente, afinal, em sua turma teriam uns vinte. Mas treinaria até conseguir.
**
A nova inspiração para Rony escrever era a morte do seu irmão Fred. Escrevia textos longos sobre tragédias e até inventara um conto sobre um fantasma que vivia na casa dos Weasley's. É claro que, de verdade, fantasmas não existiam, mas universo alternativo é um excelente gênero para se escrever.
A ponta da caneta passava por cima das linhas de folhas gastas e amareladas, criando poesia e palavras. Palavras dotadas de sentimento e amor, palavras com vida própria que se locomoviam pelo papel de forma incrível, criando mais frases e imaginação. A chave para escrever era ter a inspiração certa, e a inspiração certa, para Rony, era qualquer arte do ambiente: flores em um vaso davam a ideia de criar uma história sobre um jardim dotado de poderes e magia, enquanto um tapete velho dava a ideia de tapete voador inimaginável que circularia por todo o mundo só gastando tempo. A maior inspiração estava nas coisas pequenas, coisas como um pedaço de vidro ou uma chama de fogo.
Três batidas na porta chamam a atenção de Rony. O ruivo enfia os papéis em uma gaveta próxima e, girando o eixo do corpo em direção da porta, diz:
– Entre.
– Rony, vou deixar Pichitinho com você essa noite. — era Gina, sua irmã, que jogava as palavras com melancolia na voz.
Pichitinho (ou Píchi, seu nome verdadeiro) era o mascote da família. Um pequeno cão que foi achado cheio de pulgas em uma rua próxima a casa dos Weasley's. Rony o adotou e está o criando. Também é uma ótima fonte de inspiração, pois seus olhos demonstram a dor do abandono que sentiu.
[COMO OS LINKS NÃO ESTÃO FUNCIONANDO, O LINK DA APARÊNCIA DO PÍCHI: http://www.bloglebes.com.br/wp-content/uploads/2012/08/cachorrinho-fofo-wallpaper-11971.jpg ]
Apesar te toda a inspiração das coisas pequenas, a melhor inspiração é a ainda não encontrada. Rony já tentou pintar, desenhar, tocar música, tudo o que possivelmente poderia lhe agradar, mas nada funcionou. É sempre a mesma história: isso não me toca. Pintar, desenhar ou tocar não mexe com seus sentimentos do mesmo modo como tapetes ou vasos de flores.
A inspiração certa e duradoura era difícil de se achar, mas, quando encontrada, é eterna. Nunca mais se precisa procurar coisas materiais para se ter inspiração porque esse tipo de inspiração difícil fica dentro de nós, não é material. É um sentimento que só os nossos ouvidos escutam, só as nossas línguas provam e só os nossos olhos vêem. É algo tão frágil e bonito que é impossível tocar.
O que faz Rony se desfazer de seus devaneios é Píchi ganindo, triste. Ele estava tendo mais um de seus pesadelos com a caixinha de papelão, a chuva forte e nenhum interessado na adoção.
O ruivo se aproximou da cama e o pegou pela barriga, fazendo cócegas em suas pequenas patas. O cão logo acorda e se espreguiça nos braços de Rony, fazendo-o sorrir.
Rony tira do armário bambo o travesseiro e alguns cobertores e esparrama pelo chão. Também pega um pequeno brinquedo de borracha e joga do outro lado do quarto, fazendo Píchi correr atrás alegremente. Parecia que havia esquecido do pesadelo.
Seria ótimo se os humanos pudessem esquecer das coisas ruins tão facilmente e partir com felicidade para um mero brinquedo.
O brinquedo, apesar de pequeno, era do tamanho da cabeça de Píchi. O pequeno fica passando o focinho sobre o brinquedo e, quando ele finalmente se move, Píchi dá um salto de susto. Esquece o brinquedo e parte para uma trança que forma as franjas do cobertor de Rony, e começa a pular e brincar com a trança.
O ruivo sorri diante da situação. É impossível não sorrir ao ver algo tão pequeno brincando com uma coisa inútil, transformando-a em imensa diversão.
Outra capacidade que os cães têm e os humanos não. A capacidade de transformar coisas insignificantes e pequenas em fonte de diversão e alegria. Seria ótimo se uma lágrima pudesse ser transformada em sorriso.
O telefone no quarto de Rony toca.
– Alô? — fala, sem importância.
– Olá, Ronald Weasley. Aqui é da instituição escolar Stanford, verificamos suas notas da escola anterior e percebemos que o senhor tem dificuldade com português. Estamos oferecendo tutores, se o senhor se interessar.
Notas finais
Adivinhem o que vai acontecer no próximo capítulo...
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