In Your Mind

1 Capítulo 1 - Sono profundo


A mente do ser humano sempre foi muito complexa, cheia de dúvidas, informações e muitas outras coisas que podem ser usadas, contra ou ao nosso favor. Muitos dão um grande valor á sua própria mente, devido ás memórias, as lembranças, de alguém querido ou de algum momento especial. Porém... Será que alguém realmente chegou a entendê-la completamente? Coisas acontecem dentro de nossas mentes, sejam pensamentos, imaginações... Até mesmo as coisas mais sombrias, podem se esconder, na parte mais obscura de nós, a parte com a qual nem se quer sonhamos que exista, apesar, dela estar sempre lá.
Clarisse, era o nome dela. Uma típica adolescente, que frequentava a escola, tinha amigos e uma beleza incrivelmente invejada. Entretanto... A garota era incompreendida por muitos e os quais a entendiam, não ousavam sequer, dizer uma palavra para defendê-la. Todos diziam que Clarisse, nunca olhava para nenhum garoto ou que era inteligente demais para isso. Mas o que muitos não sabiam, é que a adolescente, tinha uma paixão secreta, um amor com qual ela não tinha certeza se podia “sentir” ou se deveria desistir. Era Denis, seu melhor amigo. Porém, o garoto já tinha uma namorada, e não era qualquer namorada, era a garota mais bonita e popular da escola, pelo menos na visão de Clarisse e na de Denis.
O dia estava ensolarado e calmo lá fora, a brisa do vento fazendo com que as árvores balançassem. E Clarisse estava em frente á sua escola, com seus cadernos na mão, seu gorro branco com uma bolinha felpuda em cima, e seus típicos cabelos ruivos, balançando ao vento.

- O vento... – murmurou – É quase como se fosse... Um sussurro. Pergunto-me se ele realmente tenta se comunicar conosco... Ou será que apenas estou louca? Não. Uma vez me disseram que os loucos são os melhores, mas será realmente isso?

— Lari! – gritou uma voz masculina, distante.

A atenção de Clarisse a partir desse momento, não foi mais o vento. Será que era quem a mesma estava pensando? Ela não confundiria sua voz, aquela voz, calma, doce, porém firme. A garota estava á espera desta pessoa, rapidamente, ela procurou entre a multidão de alunos que saíam da escola, ela procurava apenas uma pessoa, a qual ela queria ver o mais rápido o possível. Entre as pessoas, Clarisse então, encontrou quem a chamou, afinal, como ela poderia ter sido tão boba? Somente uma pessoa a chamaria por este nome, e era ele, era Denis.

— Denis! – gritou alegremente, acenando para o garoto, e correndo em direção á ele. Naquele momento, era como se não houvesse mais ninguém naquele lugar, apenas Denis e Clarisse. Era quase como se o tempo tivesse parado, sem que ela mesma percebesse. Uma coisa normal para quem está apaixonado, não? Ela correu em direção á ele, como se o garoto fosse sumir e ela nunca mais fosse vê-lo, sentiu aquelas borboletas dançando em seu estômago, já pensando no sorriso do mesmo, quando ela se aproximasse, pois era aquilo que fazia o dia dela.
Entretanto, conforme se aproximava de Denis, para a surpresa de Clarisse, ela avistou Lindsey, a “namorada perfeita” do seu melhor amigo, caminhando ao lado dele. E todos aqueles sentimentos e pensamentos bons, foram interrompidos pela chegada da garota, fazendo com que toda tristeza que Clarisse sentia frequentemente, voltasse e aquele enorme buraco em seu peito, abrisse novamente. A mesma parou abruptamente e fitou Lindsey, por alguns segundos, depois continuou caminhando em direção de Denis, tentando ignora-la (Junto de seus sentimentos.)
Conforme os três se aproximavam um do outro, a expressão no rosto da garota passou de distraída, para de surpresa, ela pareceu perceber a presença de Clarisse somente quando foram chegando pertos mais um dos outros, agarrando o braço de Denis, só por precaução... Ou seria ciúmes? Ele assentiu e todos continuaram caminhando.

- Lari! – disse Denis sorrindo, conforme se aproximava – Está tudo bem? Você parece distraída.
— Oi? Ah sim... Não, não é nada. Eu estou bem sim e você? Como está? – A voz dela falhando.

- Eu? Estou um tanto... Bem! – disse com uma voz, um pouco animada – Mas hein, o que você está fazendo aqui fora da escola ainda? Pensei que já tivesse ido para casa, mas quando te vi, resolvi te chamar para saber o porquê, e para saber se você está bem também.

- Bem... Eu... Eeer...

O que ela poderia dizer agora? Ficaria um tanto estranho se dissesse que estava o esperando, já que a namorada está ao seu lado, ela então preferiu mentir sobre isso. Eles deveriam conversar, mas Clarisse preferiu deixar pra lá novamente.

- Eu estava apreciando o clima de hoje! Eu particularmente, gosto muito de observar a natureza! – respondeu um pouco sem jeito.

- Isso é um tanto estranho – disse Lindsey, soltando uma risadinha – Normalmente, os alunos preferem ir para casa assim que são liberados da escola, ou porque também tem um motivo, não é, Clarisse?

A mesma então a fuzilava com seu olhar e aquele sorriso sarcástico no canto de seus lábios, esperando que a garota entendesse sua mensagem. Já Clarisse sentia-se intimidada e certo medo a percorria, ela voltava o olhar para a paisagem ou abaixava a cabeça, esperando não ter de responder a pergunta da mesma. Por incrível que parece, Denis era o único que não percebia esta troca de olhares de ambas.

— Eu não acho tão estranho assim! Ah e você disse que queria conversar comigo hoje, não é? Então... Eu ia dizer se não podemos conversar outro dia? Hoje eu vou sair com a Lindsey e estarei ocupado, trabalhando o resto do dia.

Clarisse cerrou os punhos e começou a sentir uma grande raiva. Aquela não era a primeira vez que Denis adiava algo que deveriam fazer, mesmo sendo uma conversa, ele sempre parecia trocar Clarisse por Lindsey.

— Você sempre tem de fazer isso, não é mesmo? – disse a garota, baixinho, com uma expressão obscura – Até quando eu terei de aguentar?

— Ahn? O que você está dizendo? A gente pode conversar amanhã, não pode? – perguntou Denis, franzindo a testa.

- Você... Você... Sempre vai preferir ela, não é? – perguntou Clarisse, sua expressão ficando cada vez mais sombria.

— Ei, Lari, calma! Eu só vou estar ocupado hoje, amanhã podemos...

— Chega! Eu não quero mais saber! Você sempre tem tempo pra ela, mas para mim não! Eu que sou sua melhor amiga, que te ajudei sempre que precisei... – a garota gritou, porém a voz falhando, deixando as lágrimas escorrerem pelo seu rosto. – Eu... estou indo embora.

— Lari! Espera! Eu...

— A deixe ir, se é isso que ela quer... Afinal, pra que tanto drama? Pelo amor de Deus, né Denis. – grunhiu Lindsey.


Denis hesitou, observando Clarisse ir embora, enxugando suas lágrimas com a ponta da manga de sua blusa de lã branca, e depois voltando sua atenção para Lindsey. Ele então assentiu novamente. O mesmo sentiu certa culpa, mas preferiu fazer o que sua namorada disse.
Clarisse estava mais frustrada do que nunca, resmungando xingamentos e andando rapidamente. Ela sentia-se trocada e um tanto descartada, Denis havia mudado muito desde que começou a namorar Lindsey. Nem a própria garota o conhecia mais... Porém, como era seu melhor amigo, a mesma decidiu que ficaria do lado dele até quando aguentasse.
Perdida em seus pensamentos, Clarisse, não se importava com mais nada no momento. Apenas queria chegar a sua casa e tinha realmente muita pressa para isso. Trombava com pessoas e mantinha a expressão séria em seu rosto, fazendo com que muitos que a encarassem, desviassem o olhar.

Faltava apenas mais uma rua para atravessar e a garota já estaria em casa, apressada e impaciente, Clarisse atravessou a rua sem pensar e ouviu então uma buzina, e voltou sua atenção rapidamente para o local do som, e quando se deu conta, estava caída no chão, com várias pessoas ao seu redor, então tudo escureceu.
O dia agora não parecia tão bonito como antes. O Sol se fora junto da maravilhosa brisa do vento, e tudo que restou foi a chuva e o silêncio gritante. Clarisse fora socorrida a tempo, porém, não havia acordado ainda. Seus pais esperavam, fora da sala que a garota estava. Seu pai a observava pela janela, enquanto a mãe, estava de cabeça abaixa e segurava sua toca branca, mexendo na pequena bolinha felpuda no topo.

— Ela parece um anjo enquanto dorme, não é?

— Só espero que ela acorde... – disse Melissa, gentilmente, mas havia tristeza em sua voz. – Faz quantos dias que ela está assim?

— Se acalme, foram apenas três dias, talvez ela acorde e...

— Eu não aguento mais esperar! Eu quero minha filhinha de volta, quero que ela acorde! Porque diabos eles não conseguem fazer nada?! – gritou Melissa, levantando-se de seu lugar e chorando logo em seguida. Batendo a toca de sua filha em sua perna, em protesto.

— Calma... Se acalme. Sente-se aqui e vamos aguardar as respostas do médico. – disse Billy, segurando sua esposa, tentando acalmá-la.

Ambos estavam com certa dor no coração, por ver a filha daquele jeito. E quem não estaria? Eles tinham esperanças, mas até quando ela duraria? A tristeza era maior, mas com certeza, eles não deveriam a deixar falar mais alto.
O médico se aproximou de ambos, com uma prancheta na mão, e antes mesmo de dizer qualquer coisa, deu uma olhada em alguns papéis e em seguida, observou Clarisse.

— Eu tenho uma notícia... Um tanto ruim. – disse o médico, com uma expressão horrível em seu rosto.

— O-O que é?! – perguntou Billy, arregalando os olhos. Quase pressionando o médico, por respostas.

— Sua filha... Clarisse, não é? Bem, ela... Ela está em coma e não tem muita chance de sair.