In Your Eyes
8 Capítulo 8
Anna se desviava dos golpes sucessivos dos youkais gatos monstruosos que seguiam Youji, e tal estratégia a estava cansando. Desviava-se de um, logo outro aparecia para atacá-la. Acertava um golpe e precisava se proteger das garras de outro. Sua respiração estava ofegante diante do esforço e por pouco as garras de Youji atingiram sua garganta, mas arranharam seu rosto produzindo ferimentos na qual sangue escorria.
—Sangue delicioso! -Youji lambeu as garras que tinha um pouco do sangue de Anna e sorriu insano. -Quero mais.
—Como ousa tocar em minha mulher?
As palavras proferidas friamente, mas com certa irritação, chegaram aos ouvidos de todos momentos antes de um punho de força descomunal atingir o rosto de Youji e lançá-lo longe. Anna presenciou com um vislumbre de alívio e admiração a figura imponente de Sesshoumaru se colocar entre ela e seus agressores.
—Estou farto de vermes como vocês sujarem a terra de meus ancestrais com sua presença imunda! -replicou Sesshoumaru, olhando com verdadeiro desprezo para os youkais gatos.
Em seguida, ele os ignorou por completo aproximando-se de Anna e tocando levemente em seu rosto analisando a ferida.
—Você atrai problemas, Chibiko. Terei que sempre ficar ao seu lado para protegê-la?
—Eu... -ela o fitou sentindo o calor de seu toque. -Eu saro rápido. Não me chame de Chibiko!
—Ótimo. Detestaria que seu belo rosto fosse maculado por arranhões. -Anna corou e Sesshoumaru virou-se para cuidar dos youkais gatos. -Mas o ato deles, em tocá-la, merece um castigo. Jaken!
O pequeno youkai apareceu rapidamente, ainda ofegante pela corrida e se colocou ao lado de seu mestre.
—Ssssim, Sesssshoumaru-sssssssssssama!
—Proteja Anna. -caminhou calmamente até os youkais gatos após dar a ordem.
—Proteger a hannyo? -ele parecia surpreso.
—Com sua inútil vida. -completou o poderoso youkai.
—S-Ssssimmm! -respondeu rapidamente, e ficou a refletir. -"A única pessssssoa que meu ssssssssenhor tinha algum tipo de preocupassssão era pela moleca! Agora esta hannyo! O que essssssssssstá havendo com meu ssssssssenhor, afinal?"
Jaken fitou para Anna que mantinha o olhar fixo em seu mestre.
"—Ssssserá que...Não creio! Ele não essssscolheria uma mestisssa! Ainda maissss uma que tem ssssangue de gato nassss veiassss!"
A gargalhada de Youji tomou conta do lugar, fazendo Sesshoumaru erguer a sobrancelha levemente e imaginar que ele havia enlouquecido de alguma forma. Anna e Jaken também consideraram que a sanidade de Youji havia se esvaído de alguma forma.
—E acha que pode com todos nós juntos, cão? -Youji provocou mostrando suas garras e dentes. Os demais rosnaram ameaçadoramente para o Inuyoukai.
—Vocês são como animais raivosos. -Sesshoumaru ergue a mão com serenidade, juntando o dedo indicador e o médio. -Animais raivosos devem ser sacrificados.
Os youkais gatos que seguiam Youji se lançaram contra Sesshoumaru, com as grandes bocas cheias de dentes e salivando como loucos. Mas o Inuyoukai permanecia com a expressão inalterada, com gesto elegantes e precisos, moveu a mão e o braço. Um chicote de luz escarlate brotou de seus dedos, envolvendo os youkais gatos, cortando suas carnes e ossos, dilacerando seus corpos.
Nem um urro de dor tiveram tempo de proferir, e seus corpos caíram ao chão em pedaços. O sangue manchando a grama e pedras próximos. E nenhuma gota parecia ter ousado tocar em Sesshoumaru.
Em silêncio ele fitava Youji com desprezo. Este por outro lado parecia não acreditar no que havia presenciado e tremia de ódio, e talvez medo, diante de Sesshoumaru.
—Co-como?
—Achou mesmo que um verme inferior como você representava ameaça a mim? — Sesshoumaru parecia afirmar o que dizia ao invés de indagar Youji. -De algum modo você aumentou sua força física, mas é preciso muito mais que isso para derrotar Sesshoumaru.
—Maldito! -vociferou Youji.
Sesshoumaru desapareceu do campo de visão do youkai gato para aparecer diante dele com uma rapidez surpreendente. O poderoso youkai segurou firmemente o braço de Youji, firmando suas garras na carne.
—Foi esta mão que tocou o rosto de Anna. Sinto o cheiro dela em suas garras. -Sesshoumaru usando as suas próprias garras, da mão livre, cravou-as no braço de Youji que no instante seguinte urrava de dor pelo braço arrancado por Sesshoumaru. -Farei isso com qualquer um que tocá-la novamente.
Dizendo isso jogou o braço de lado, como se este o enojasse. Youji parecia querer conter a hemorragia com a outra mão, o rosto transtornado pela dor.
—Deixarei que viva com a humilhação de ter sido derrotado por Sesshoumaru. Saia das minhas terras! –a voz dele mostrava naquele instante uma raiva bestial por Youji. -Se eu sentir sua presença fétida em minhas terras novamente, irei caçá-lo e arrancarei todos os membros que ainda possuiu! Agora, saia da minha frente, verme!
—Vai se arrepender de não ter me matado, cão! -grunhiu.
Sesshoumaru o ignorou, como se a sua ameaça nada lhe representava, caminhando até Anna e Jaken.
—Ouviu Cachorro? Vai se arrepender de não ter me ma... urrghhh! -sua ameaça foi encerrada ao ver seu coração ser transpassado pela garra de Sesshoumaru, que havia retornado fazendo uso de sua velocidade e o fitava friamente.
O youkai gato nem sequer teve chance de ver o movimento de Sesshoumaru, tamanha a sua velocidade.
—Tem razão. Lembrou-me de que misericórdia com um inimigo fraco é um ato inútil. -disse-lhe, retirando a garra e com outro movimento rápido tirava o sangue de sua mão como se isto lhe causasse nojo. -E Sesshoumaru não conhece misericórdia. Morra de uma vez.
Virando as costas, deixou Youji tombar ao chão já sem vida.
Anna sentiu um leve tremor em seu corpo ao ver Sesshoumaru caminhar com altivez em sua direção. Ele havia derrotado a todos com tanta facilidade que era impossível não admirar sua força e poder e ao mesmo tempo, ela teve a constatação que ainda estava longe de ser tão forte, a ponto de lutar igual por igual com ele.
Sesshoumaru a fitou um instante, quando ia fazer menção de estender a mão para que ela levantasse, Anna já o tinha feito. A garota fazia questão de não demonstrar qualquer sinal de fraqueza diante dele, e no fundo isso orgulhava Sesshoumaru.
"—Bela, geniosa, forte, orgulhosa e tem coragem.", -refletia o Inuyoukai, fitando o rosto dela. Eram qualidades que descobria convivendo tão pouco tempo juntos e que admirava.
—Vamos embora. -ele ordenou por fim.
—Que? -Anna o questionou.
—Para casa. -caminhando lentamente.
—Aquela não é minha casa.
Sesshoumaru parou e virou um pouco o corpo para observá-la. "Teimosa", pensou. Uma qualidade que não apreciava, mas que naquela fêmea se tornava um atrativo a mais. Não estava acostumado a ser contrariado.
—Será. Quando se tornar minha consorte. -anunciou, voltando a caminhar.
Jaken ficou boquiaberto. Na verdade seu queixo literalmente alcançou o chão. Anna ficou imóvel, como se estivesse ouvindo errado.
—O que disse?
—CONSSSSSSSSSSSSORTE?!
—Por que o espanto? Eu decidi que a quero. E aparentemente para isso terei que torná-la minha esposa, o farei. -Anna abriu a boca para protestar. -Jaken, escolte-a de volta para meu castelo.
E voltou a caminhar, sem olhar para trás e ver a expressão estupefata de Anna... E Jaken em estado de choque.
Já se aproximavam do castelo do feudo quando Rin os avistaram e saiu correndo ao encontro dos youkais, com um enorme sorriso.
—Anna-chan voltou! -dizia a menina feliz em sua inocência. –Sesshoumaru sama!
—O que, Rin? -indagou o youkai, com frieza.
— Obrigada por ter trazido Anna-chan de volta! -respondeu Rin com alegria.
—Sesshoumaru! -Anna o chamou, com um tom de voz irritado, já dentro dos muros do castelo.
—Por que a irritação, Anna. Não lhe agrada ser minha esposa? -falou de maneira tão natural e calma que Anna teve que se concentrar para não socá-lo.
—Não é isso!
—Então o que?
—Não posso ser sua esposa!
—Não diga tolices. -ele virou-se para mandar os servos que o cercavam para atendê-lo se afastarem. -Nos completamos. -ela ia voltar a argumentar. -E você pode estar carregando meu filho.
—Nem toda mulher, youkai ou humana, fica grávida na primeira vez!
Parou de falar ao perceber que todos prestavam atenção a conversa, incluindo Rin com os olhos bem abertos.
—Você vai ter um bebê, Anna-chan? -perguntou com um sorriso.
—Não -respondeu imediatamente, corada.
—Mas, de onde vêm os bebês? -ela perguntou e Anna ficou lívida, Jaken ficou chocado. Anna olhou para Sesshoumaru que, pelo olhar, se divertia com o embaraço dela.
—Não vem bebê algum! -Anna por fim respondeu, alarmada. – Você é muito nova para perguntar uma coisa dessas! E aqui não é um lugar apropriado para conversarmos, Sesshoumaru!
—Tem razão. Saiam!-todos os criados e servos de Sesshoumaru saíram rapidamente.-Jaken, você e Rin também.
—Vamossss moleca. -Jaken puxava a menina pela manga do quimono.
Por fim, ficaram apenas Sesshoumaru e Anna, sozinhos no pátio principal.
—Não deseja ficar ao meu lado? Depois do que houve na cabana, achei que seria seu desejo.
—Não quero alimentar suas ilusões, Sesshoumaru.
—Ilusões? Isso é algo pertinente a fracos. -desdenhou. -Por que ficaria iludido?
—Acha que nossa união seria bem vista pelos seus familiares? Seu povo? E eu não tenho certeza de que quero ser sua esposa.
—É este o seu temor? Minha palavra é lei entre os meus. Se não aceitarem enfrentarão a mim. E por que hesita em aceitar? Sou um lorde, tenho terras bem protegidas, e riqueza para prover-lhe seus desejos. E pelo o que houve naquela cabana...-ele se aproximou tocando seu rosto. -Um excelente amante que soube satisfazê-la.
—É extremamente arrogante! Como pode afirmar isso?
—Você ronrona quando a toco ou beijo. E também quando dorme.
—Eu não ronrono! -defendeu-se, corada até a raiz dos cabelos.
—Ronrona sim...-os longos dedos deslizam pelo pescoço alvo dela. -Principalmente quando faço isso. -aspira o perfume de seus cabelos.
—Para com isso, Sesshoumaru...-ela ronrona.
—Em sete dias será minha esposa. -ele declarou, passando a língua em sua orelha e se afastando, com um sorriso vitorioso nos lábios.
Anna ficou estática, depois cerrou os punhos.
—ARROGANTE CONVENCIDO!
X.X.X.X.X.X.X.X.X.X.X.X.X.X.X.X.X.X.X.X
Algum tempo depois, quando só restava naquele lugar os cadáveres dos youkais gatos, esperando pelas aves de rapinas para se banquetearem. Uma Inuyoukai, de belos traços, caminhava entre os corpos.
—Fracos... -sorriu e observou um inseto, parecido com uma vespa enorme aproximando-se. -Ele me espera? Quanta honra. -sarcástica.
A Inuyoukai segue o inseto por entre a mata, até uma planície encoberta por uma espécie de névoa incomum. Mas a mulher parecia enxergar através da névoa, seguindo o inseto. Logo, as névoas revelavam o que encobriam...um palácio.
Os portões abrem e não há ninguém para receber a youkai naquele lugar lúgubre. Na verdade, seus moradores há muito foram mortos pelo atual residente.
Com passos determinados, a bela youkai entrou no prédio principal até o local que pertenceria ao antigo senhor daquele castelo. Cortinas pesadas impediam que a mulher enxergasse quem estava do outro lado do aposento.
—Falhou...-dizia uma voz aparentemente cansada.
—Eu disse que seria um teste. Você, mais que ninguém sabe que eles não eram capazes de matar Sesshoumaru.
—Foram precipitados...não deveriam atacar antes da hora...preciso de um corpo novo... Suiko. -havia dor na voz.
—O que esperava de youkais inferiores? ela sorriu. -Ah, você sabe o que é ser inferior. Quando o encontrei era um simples fragmento de sua essência perdida no inferno. Quase sendo devorada por espíritos mundanos!
—Não abuse, Suiko! -um tentáculo saltou de dentro da cortina, enrolando-se no pescoço da youkai, que permanecia impassível. -Ainda posso matá-la com apenas um pensamento!
—Aí não terá seu precioso corpo. –Ela ri. –Não seja ingrato, se pode fazer isso agora é porque te dei um corpo provisório onde colocou sua alma suja!
—Maldita... Maldita hora que conheci criatura igual a você. -a criatura geme, como se sentisse fatiga e dor.
—Sou a melhor coisa que conheceu, meu querido.
—Malditos Inuyasha e a garota humana...Sesshoumaru...culpa deles eu estar assim...
—Parece que nosso ódio pelos Inuyoukai é o que nos mantêm vivos. –ela riu. –Afinal, você não é o ser que foi antes. É apenas o ódio dele que ainda vive e resiste... O ódio que sente pelo chamado Inuyasha é que ainda mantem sua parca existência.
A Inuyoukai ri, abrindo a cortina e olhando a coisa disforme diante dela.
—Inutaisho me tirou aquilo que eu mais prezava, seus filhos o reduziram ao que você é agora. -disse a mulher. -Em breve, iremos ter tudo o que queremos!
"—Ria mulher", a figura se dizia em pensamento, "em breve, o único vitorioso serei eu...Naraku."
X.X.X.X.X.X.X.X.X.X.X.X.X.X.X.X.X.X.X.X
Uma semana depois...
Sesshoumaru a beijou no pescoço, como fazia todos os dias, desde que aquele dia na cabana. Ele a cortejava sem tréguas, e não hesitava em acariciá-la. Mas não compartilhavam do mesmo leito há dias, como se ele apenas esperasse que se tornassem marido e mulher para voltar a tê-la novamente por inteira.
Anna ronronou com suavidade e este som o deixou mais excitado ainda.
Um ruído próximo o fez se afastar de Anna. Era Tomishiro que parecia constrangido, e por não dizer satisfeito, ao ver seu mestre e Anna juntos.
—Diga o que houve. -ordena o youkai.
—Senhor...temos visitantes.
—É o monge que ordenei que viesse ao castelo celebrar minhas núpcias?
—Não...-ele baixa o olhar. -Trata-se de Muneyoshi-sama.
O semblante de Sesshoumaru ficou sombrio e ele tratou de ir até o visitante.
—Quem? -indagou Anna ao idoso.
—O primo de primeiro grau de Sesshoumaru-sama. -respondeu. -É nítido que nunca se suportaram. Muneyoshi sempre quis o título de líder do clã dos Inuyoukais. E as constantes viagens do meu mestre sempre foi principal argumento dele para fazer os demais membros do clã indagarem se Sesshoumaru-sama liga para o nosso futuro.
—E ele veio fazer o que aqui?
—Certamente já sabe sobre você.
Anna seguiu Sesshoumaru, e o viu próximo a uma comitiva. Um youkai, parecido com Sesshoumaru saiu de uma liteira. Eram parecidos, o que mostrava o parentesco entre eles, mas tinha ombros fortes e traços um tanto mais brutalizados que os de Sesshoumaru. Os longos cabelos prateados eram presos por um rabo de cavalo alto. Com um gesto, ele estende a mão para alguém da liteira, e uma bela youkai sai dela.
Ela era alta e esguia, pele alva e tinha um sorriso misterioso nos lábios. Pela maneira que Sesshoumaru olhou pra a jovem, percebeu-se que ele a conhecia.
—Muneyoshi...o que o trás as minhas terras?-foi logo indagando. -E quem é ela?
—Esta é minha esposa Suiko, primo. -apresentou-a rapidamente. -Vim, porque meus emissários me falaram de seu... casamento.
Sesshoumaru fitou a youkai. Era a mesma que vira na mata há uma semana atrás. Estranhou que era pudesse ser a consorte de seu primo.
—Emissários? Humm...quer dizer, espiões primo. -sorriu com desdém.
—Aquela é ela? -Muneyoshi apontou com o olhar para a Anna. -Sesshoumaru, enlouqueceu? Quer se casar com uma...youkai gato? -disse as últimas palavras com visível nojo.
—Modere suas palavras, primo. Ou terei que arrancar sua língua. -o Inuyoukai respondeu com frieza, franzindo levemente o cenho.
—Você deve se casar com um dos nossos, para não colocar nossa linhagem em risco! -Muneyoshi se mostrava irritado. -Já não basta seu pai ter manchado o nome de nosso clã colocando no mundo um hannyo bastardo, agora quer misturar nosso sangue com o dela?
Anna cerrou os punhos, a garra machucava sua mão e ela se controlava para não avançar e rasgar a garganta daquele insuportável. E a mulher dele não parava de encarar Sesshoumaru sensualmente, o que fez Anna experimentar um novo sentimento...ciúmes mortal.
—Não tem nada a dizer, minha dama? -Sesshoumaru perguntou a Anna de repente, com calma.
Anna se aproximou de Sesshoumaru, ficando ao lado dele e sorriu friamente para Muneyoshi.
—Não, meu lorde.
— Acha que todos irão apoiar este matrimônio sem cabimento? Ela não é nem sequer uma dama que mereça ser amante de um lorde!
—Eu sou filha de lorde Yamashura. Senhor das terras além do Vale. -respondeu Anna com uma certa irritação.
—De um perdedor. -sorriu Muneyoshi, que teve seu sorriso arrancado dos lábios quando Anna avançou sobre ele, mas sendo detida por Sesshoumaru com apenas um braço.
—Meu marido! -disse a misteriosa Suiko. -Por favor...
Muneyoshi olhou para a esposa e em seguida faz uma reverência a Sesshoumaru.
—Perdoe meus modos.
—Deveria pedir perdão a minha noiva, Muneyoshi. Em breve será sua senhora. -respondeu Sesshoumaru. -Não a queira como inimiga...ou a mim.
—Novamente peço perdão por meus excessos...meu Lorde.
—Tomishiro, leve-os para o quarto de hóspedes. -ordenou Sesshoumaru ao servo.
Tanto Muneyoshi quanto Suiko acompanharam o servo, mas não antes de lançarem sobre Anna olhares hostis e frios, percebidos por todos.
—Todos em sua família irão me hostilizar assim.
—Não. Sei que há aqueles que me são fiéis e apoiarão minhas decisões, sejam elas quais forem. E isso a aborrece?
—Se não se importar que eu arranhe alguns rostos atrevidos! -se referindo a Suiko.
—Não me importo, se isso lhe fizer bem. Amanhã pela manhã, outros chegarão. Está preparada?
—Sim. -e se retirou quando viu Rin chegando e chamando-a para andar pelos jardins.
Nisso Jaken se aproximou.
—Jaken...quero que fique sempre ao lado delas. Não deixe que ninguém ouse levantar a mão para elas, se o fizerem...
—Sessssshoumaru-ssssama acredita que alguém ousaria tanto em ssssseu casssstelo?
—Não sentiu?
—O que? -confuso.
—Um cheiro pútrido... familiar... -estreitou o olhar, sentia algo errado.
Capítulo 8:
—Tolo idiota! Quase estragou tudo! Sua inveja por Sesshoumaru quase colocou tudo a perder! -Suiko dizia com calma surpreendente, admirando a lua da janela de seu aposento, e depois olha para seu "marido" sentado no futton, imóvel.
Ela se aproxima dele, tocando seus cabelos e se ajoelha ao lado dele, abraçando-o como se fosse um bebê.
—Se já não estivesse morto, Muneyoshi... eu o mataria agora por isso. -os olhos de Muneyoshi são iluminados pela luz pálida da lua, mostrando-os sem vida como os de um cadáver. -Mesmo sendo um boneco, o ressentimento que carregava em vida por seu primo era forte... terei que ser mais cuidadosa. Afinal...Não podemos fazer nenhum mal ao futuro corpo de Naraku...-e sorriu dando um beijo no rosto frio dele. -Boa noite, "querido".
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Dois dias depois.
O monge que iria realizar a cerimônia não havia chegado. E este fato estava fazendo com que o senhor do castelo ficasse irritado. Sesshoumaru usava um quimono de casamento branco e azul claro, seus cabelos estavam presos por um rabo de cavalo e ele mantinha presas em sua cintura suas espadas.
—Hmm...eu não estranharia se o monge houver sido morto a caminho daqui. -comentou Tomishiro preocupado a Jaken.
—Sssseria posssssível que aquelessss que sssse opõem ao Sssssssshoumaru. -ssssama ousassssem tanto?
—Não creio. Mas não confio em Muneyoshi e nem na fêmea que o acompanha.
—Eu também não confio nela. -Jaken neste momento relata ao velho servo o que havia acontecido dias atrás na floresta e de ter visto Suiko por lá, e o arrepio que sentiu ao revê-la.
—Hmmmm. -Tomishiro ficou pensativo e preocupado. -Isso não é bom...
—Não messsssmo!
Os dois servos notaram a mudança de expressão em Sesshoumaru, por seus planos de desposar Anna naquele dia estarem sendo frustrados. Não estava acostumado a ser contrariado.
O castelo estava cheio pelos parentes de Sesshoumaru e nobres youkais, aliados e vassalos de sua família, que chegaram nos últimos dois dias para a realização da cerimônia. Alguns desgostosos pela escolha da noite, outros indiferentes, mas um número considerável era fiel ao seu senhor e suas decisões.
Olhou de relance Muneyoshi e Suiko, ele parecia não esconder o fato de que apreciava o fato de que a cerimônia não iria se realizar, ela parecia indiferente naquele momento.
Cerrou os punhos, se controlando.
Foi quando notou a mudança no ar. Como se um grande poder se aproximava. Poder este que era notado por todos no castelo, e fazia Muneyoshi estremecer e sua consorte não escondia a surpresa.
Sesshoumaru nem sequer se alterou.
Os céus se abriram, e uma carruagem atravessou as nuvens, puxada por youkais dragões, guiados por outros tipos de youkais. A carruagem pousou no centro do castelo. Os servos que o guiavam imediatamente abriram a porta para que a pessoa que levavam saísse. Curvaram-se em total respeito a ela.
Sesshoumau ergueu apenas uma sobrancelha diante da ilustre visita.
—Por que o espanto, Sesshoumaru? Seria algo extraordinário uma mãe aparecer para assistir ao casamento de seu único filho?
—Mãe...
Os longos cabelos prateados de Inu Kimi estavam presos em um elaborado penteado, ornado por joias. As roupas feitas da mais pura seda, colorida, poderiam fazer qualquer mortal desavisado crer que estava diante de alguma divindade. Servos olharam com admiração a mulher que ali estava, e todos os presentes, com exceção do senhor do castelo, se curvaram diante dela.
—Grande Matriarca! -Jaken curvou-se, após ter se perdido em sua admiração pela entrada triunfal da mais respeitável mulher daquele clã.
—Mãe. Realmente me surpreende que tenha saído de seu castelo para vir a este mundo.
—Sesshoumaru. -Ela fechou os olhos. -Eu não perderia o seu casamento por nada deste mundo ou do outro. Espero não ter chegado atrasada para a cerimônia.
—Ainda não houve uma cerimônia.
—A noiva desistiu? -ela o provocou, sorrindo com ironia.
—Acha que alguma fêmea fugiria do privilégio de ser minha esposa? -respondeu a provocação e o sorriso.
—Pelo visto ainda não aprendeu a ser humilde. Isso é bom! -a dama ficou séria. -Não é de todo parecido com seu pai então.
—Desculpe-me minha senhora .-Tomishiro apareceu ainda mantendo uma postura humilde. -Mas o monge que iria abençoar a união não chegou.
—Creio que nem aparecerá. -concluiu a senhora olhando para Muneyoshi. -Como a Grande Matriarca, basta que minhas bênçãos sejam dadas para esta união. Prepare a cerimônia.
Todos se surpreenderam com a decisão da senhora. Sesshoumaru sorriu e ordenou que todos se preparassem e trouxessem a noiva, depois ficou ao lado de sua mãe e cochichou:
—Por quê?
—O que? -ela pareceu se fazer de desentendida observando uma tapeçaria. -Feitos por mãos humanas, mas um trabalho razoável!
—Por que veio para realizar este casamento? Nunca saiu de seu castelo, nem quando seu marido a trocou por este mundo. -e frisou a frase. -E nem quando eu o segui quando criança.
—Não faça reclamações como se fosse um fraco, Sesshoumaru. Eu não dei a luz a um fraco, mas a um líder! -ela o repreendeu com delicadeza. -Fiquei feliz que tenha finalmente escolhido uma esposa para dar continuidade ao nosso clã.
—O que mais sabe sobre minha futura esposa?
—Que ela é mais do que aparenta. -a senhora dos Inuyoukai caminhou, seguida pelos servos, até o alto do salão principal onde iria ser realizada a cerimônia e aguardou, fazendo um sinal para que Sesshoumaru ficasse ao seu lado. -Como seu primo reagiu às suas bodas?
—Considero Muneyoshi orgulhoso e vaidoso demais para enxergar seu lugar.
A matriarca sorriu:
—Eu consideraria a precaução de jamais dar as costas a ele, meu filho.
O salão estava cheio, e os murmúrios se sobressaiam. Todos se perguntando os motivos de seus senhores estarem agindo assim. Foi quando os murmúrios cessaram, pois Anna adentrou o salão. Ela estava lindamente vestida com um quimono branco, com sakuras bordadas em fios de ouro, e os cabelos presos em um coque. Rin entrava com ela e a menina correu para ficar ao lado de Jaken, que fez sinal para que a menina ficasse quieta.
Sesshoumaru a fitou com admiração e não conseguiu deixar de sentir orgulho da sua escolha.
—Realmente, eu compreendo sua decisão. -a matriarca comentou.
Anna parecia tensa, e caminhou pelo salão com os olhos fixos em Sesshoumaru. Notou a bela mulher, parecida com ele ao seu lado e indagou quem seria. O senhor do castelo estendeu a mão para a sua noiva, e ela aceitou.
"—O que estou fazendo?"-ela se perguntava, enquanto ficava ao lado de Sesshoumaru. -"Que força é esta que ele possui que me faz querer ficar com ele, ao mesmo tempo que minha razão pede que eu corra para bem longe?"
A bela dama ergueu os braços, pedindo que os convidados ainda permanecessem em silêncio e começou. Ela disse algumas palavras, e o noivo fez os votos de eterna aliança e proteção. Quando Anna percebeu, já estava casada com Sesshoumaru aos olhos de seu povo.
Um murmúrio de felicitações entre os convidados fora ouvido, o que demonstrava que nem todos apoiavam tal união. Uma longa fila se formou para os cumprimentos quando os noivos se ergueram.
Se reuniram para um banquete de comemoração, mas a tensão no ar era visível. De um lado os que apoiavam a decisão de Sesshoumaru, seja por lealdade ou por obrigação polida. Do outro, os que estavam próximos a Muneyoshi e compartilhavam sua visão de que o líder de seu clã não estava tomando decisões acertadas.
—Devo mandar esvaziar o salão? -Sesshoumaru sugeriu a Anna, sem tirar os olhos de Muneyoshi e sua companheira.
Ao notar que Sesshoumaru estava ficando tenso e zangado, Anna sorriu, tentando tranquilizá-lo.
—Ordenar que partissem seria tomado como um insulto que poderia ser usado contra nós mais tarde.
—Tem razão.
—Tenho algo a perguntar. -comentou Anna e ele a fitou. -Quem é a senhora que celebrou o casamento?
—Minha honorável mãe. -respondeu com simplicidade, bebericando um gole de saquê.
—Sua mãe?! -Anna não escondeu sua surpresa com a revelação. -Por que não me disse antes?!
—Sesshoumaru. -a voz da Matriarca o chamou. -Devo dizer que o que me atraiu a seu casamento foi a notícia de que sua esposa seria uma hannyo gato. Mas confesso que me surpreendeu tanto a beleza dela quanto a sua sagacidade ao lidar com a situação de ódio entre os seus.
—Estas não são suas únicas qualidades.
—Sabia que as youkais gatos possuem uma alta capacidade de reprodução? -Anna engasgou com o comentário da matriarca. -Se já a levou ao seu leito, talvez ela até esteja esperando um herdeiro seu. -ela começou a rir diante do constrangimento da nora. -Você já adiantou as núpcias! Impaciente como o pai. Ele fez o mesmo comigo. Nem esperou a celebração do matrimônio.
—Acho que não preciso saber disso, mãe. -bebendo saquê, visivelmente constrangido.
O banquete transcorria "tranquilamente", chegou um momento em que Sesshoumaru se afastou com a mãe, para conversarem com mais privacidade. Anna passou a ficar apenas na companhia de Jaken e Rin. A menina não cabia em si de felicidade, e até mesmo o pequeno servo já estava se acostumando com a ideia, e sorria devido à ingestão do saquê que era servido. Foi quando o sorriso no pequeno youkai desaparecera.
Anna percebeu a presença de Suiko e ela sentou-se ao seu lado, dando um sorriso.
—Não sei se é corajosa ou tola, hannyo. Metade dos aqui presentes desejariam cortar sua garganta neste momento. -disse, se servindo do saquê especialmente selecionado para o senhor do castelo.
—Se eles o fizerem, encontrarão a morte logo em seguida diante da fúria de meu marido e de minha sogra, que abençoou a nossa união. -respondeu sem se alterar.
—Sesshoumaru não merece ser nosso lorde.- disse Muneyoshi aparecendo de repente diante de Anna, assustando-a. -Ele traiu nosso clã ao desposar uma mulher de sangue sujo como o seu!
Anna sentiu-se imensamente insultada! Como ele ousava falar desta maneira de sua família, de sua ascendência? Sem pensar, ela se ergueu e o enfrentou.
—O sangue que corre em minhas veias pertence a famílias poderosas e orgulhosas! Os ancestrais de meu pai eram os orgulhosos defensores de terras em toda a ilha! E os ancestrais de minha mãe eram poderosos samurais, que lutaram em guerras em nome do shogun! Meça suas palavras, cão sarnento ao se referir a eles!
Anna mal terminara de proferir estas palavras e o rosto de Muneyoshi transfigurou-se em uma expressão de fúria, que o fazia parecer um demônio. Muneyoshi a agarrou pelo braço e a ergueu do chão como se fosse leve como uma pluma.
A hannyo não conseguiu conter uma expressão de espanto e horror ao fitar aos olhos e as presas pontiagudas do Inuyoukai.
—Como se atreve a tocar minha mulher?
Anna mal tivera tempo de perceber que quem estava atrás dela, indagando Muneyoshi com tamanha frieza, e fúria, era Sesshoumaru. Muneyoshi a lançou contra o marido, que a amparou com facilidade e a depositando no chão com suavidade. Logo em seguida, os olhos de Sesshoumaru ficaram escarlates e suas faces transfiguram-se, tornando-o uma fera.
Em seguida, ele agarrou Muneyoshi pelas vestes e o jogou a metros de distância, fazendo-o voar sobre as cabeças dos convidados.
Então, os elegantes convidados do clã se transformaram em feras e avançaram uns contra os outros, lutando entre si, desferindo golpes que em homens comuns e youkais menos poderosos seriam mortais. Mas eles se erguiam e voltavam a avançar, lutando ferozmente.
Jaken e Tomishiro puxaram Rin e Anna para a segurança provisória embaixo das mesas, onde alguns servos já se encontraram, enquanto outros haviam sabiamente fugido.
—Isssso não é bom! -exclamou Jaken.
—Estou com medo, Anna-chan! -Rin abraçou a hannyo, tremendo.
—Não se preocupe pequenina. -dizia Tomishiro. -Há tempos que eu não via lutas assim, mas Sesshoumaru-sama sabe cuidar de si.
—Estas lutas acontecem com frequência? -Anna espantou-se.
—Bem...-Tomishiro parecia sem graça. -Há desafios constantes entre eles, para verem quem é o mais forte, mas lorde Sesshoumaru sempre venceu aqueles que o desafiavam com facilidade. Logo se acalmam e tudo volta ao normal.
—Tudo isso é culpa minha! Eu devia ter ido embora ao invés de ter ficado e aceitado a decisão de Sesshoumaru assim!
—Não é verdade. -a voz da Inu Kimi, que permanecia em pé inabalável, observando as lutas, era tranquila. -Eles temem as mudanças que os novos tempos trazem. Eles sentem que o tempo dos youkais reinarem soberanos por este mundo está com os anos contados.
—Como?
—Eles acreditam que mantendo a pureza de nossa raça, nós continuaremos a reinar absolutos. -ela fechou os olhos e sorri. -Há tempos meu falecido marido já percebia tais mudanças. E por isso tinha tanto apreço pelos humanos. Via na união entre youkais e humanos, a única maneira de sobrevivência das famílias de grande poder.
Ela observava a luta com ar de tédio.
—Infelizmente, caberá aos fracos a extinção ou o exílio se não se adaptarem a esta mudança.
Em seguida ela olhou discretamente a nora, que tentava acalmar a menina humana.
—Infelizmente estes tolos que não apoiam meu filho não perceberam que a prole nascida desta união, será forte o suficiente para enfrentarem tais mudanças e protegerem os seus. Mas, creio que devo parar estas lutas. -a Matriarca deu um sorriso discreto. -Não seria um sinal de boa sorte, o noivo matar seus convidados durante a celebração do casamento.
Anna, Jaken, Rin e Tomishiro a olharam com espanto. A poderosa Inuyoukai simplesmente afastou vários familiares com um gesto de sua mão, jogando-os contra a parede e ordenando com o olhar que parassem e sendo obedecida imediatamente.
Sesshoumaru estava a ponto de rasgar Muneyoshi com suas garras em dois, quando sua mãe se colocou entre os dois, com inabalável calma.
—Sesshoumaru...já chega. Já demonstrou a Muneyoshi o seu devido lugar. -ela lançou um olhar repreensivo a ele. -Creio que apesar de ter passado boa parte de sua vida por conta própria, sua noiva raramente deve ter sido testemunha de tanta infantilidade!
Subitamente, Suiko apareceu tocando o ombro de seu consorte e ordenando a servos que o levassem aos seus aposentos para que cuidasse dele.
—Assim que se recuperar, quero-o longe de minhas terras...primo. -disse Sesshoumaru voltando a sua fisionomia normal. Assim que eles sumiram, Sesshoumaru fitou a mãe. -Ele colocou suas mãos nela. Você sabe que ele poderia matá-la com apenas um gesto.
—Eu sei. E ela também sabe disso... -e acrescentou lançando um olhar para a direção de Anna. -Mas mesmo assim não rebaixou-se a ele. Gosto de sua esposa a cada momento! Imagino que sua vida dificilmente cairá no tédio ao lado dela.
—Hunf...vou me recolher. -caminhou até a esposa e estendeu a mão a ela. -Vamos.
Anna olhou para os convidados, que pareciam voltar ao normal e assumirem a aparência aristocrática de antes. Os servos tratavam de limpar a bagunça e a retirar os móveis danificados, agindo como se nada houvesse acontecido.
—Não era a celebração de casamento que eu almejava para nós. -disse o lorde.
—Isso é comum?
—Desde que assumi a liderança, não. -respondeu com sinceridade. -Ninguém é tolo o suficiente para me desafiar mais de uma vez.
A tomou pelo braço, conduzindo-a pelos corredores, em direção aos seus aposentos. Assim que as portas se fecharam, ele a tomou nos braços, beijando seus lábios com ardor.
Esperou muitos dias para possuí-la e estava ansioso demais para satisfazer o desejo que o consumia. E com satisfação, foi prontamente retribuído. Ele a amou e a possuiu com tanta intensidade e paixão, que Anna achou que iria enlouquecer de tanto prazer. Exausta, adormeceu profundamente em seus braços, pouco antes do amanhecer.
O que nenhum dos dois sabiam, e somente os deuses tinham conhecimento...era que esta união fora abençoada...com frutos.
Continua...
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