— Então, Lina... Se você subtrair este número desse aqui...

— Hm...?

Sentados em uma mesa branca, Roxas e Lina mantinham-se em silêncio boa parte do tempo, bem próximos, enquanto o loiro ensinava a mesma matemática, matéria da qual a garota tinha suas dificuldades. Ambos, próximos, eram amigos fazia muito tempo, porém, eles já haviam notado que isso já estava mais além do que uma "amizade colorida". Lina tinha medo de se declarar, Roxas achava isso desnecessário, então, a situação não estava nem quente e nem fria, apenas ficava na mesma. Apesar de que, certas vezes, Roxas tinha vontade de perder o controle...

— Lina? — Ele chamara a atenção da mesma.

— Sim? — Ela erguera o rosto, para encará-lo. Mas, ficando vermelha repentinamente, sua face estava muito próxima da dele. Surpreso com isso, Roxas também encabulara-se, ficando levemente vermelho, as palavras sem escapar direito de seus lábios.

— Lina, eu... — O rosto dos dois se aproximavam cada vez mais, e, enquanto Lina fechava os olhos por trás dos óculos, o loiro erguia a mão em direção ao rosto da mesma. Estavam separados por menos de dois centímetros até que...

— LINAAAAAA! — A voz vinha por trás do muro. Era infantil, fina, estridente. Equilibrando-se sobre o muro, Nina, com os braços esticados, perdia o equilíbrio para a frente, caindo no jardim dos fundos da garota. De imediato, Lina e Roxas se afastaram. Ambos vermelhos, mas preocupados, levantando-se e correndo até a menor, estatelada no chão. Os dois, erguendo-a, a observavam dar tapinhas no próprio corpo, tirando vestígios de grama e terra. — Lina!

— N... Nina! Está tudo bem com você?! — A garota ajeitava os óculos na face, enquanto Roxas mantinha seu rosto um tanto virado. Nina, ofegante, segurara as duas mãos de Lina, olhando-a.

— Esqueça-me! Preciso da sua ajuda! — A garota então parou, olhando perplexa para Roxas, ao lado da amiga. — O que é que ele está fazendo aqui? — Perguntara de forma direta.

— Ah... É que...

— Estava ajudando ela com matemática e...

— Cara, eu devo estar com muita sorte de encontrar vocês dois juntos! — Nina sorrira, segurando com cada mão a mão dos amigos. — Vou explicar a situação pra vocês, mas antes disso vamos correndo até a casa de Sora!

— Sora? O que houve? — Roxas e Lina pareciam tensos, mas estavam dispostos a ir.

— Longa história, vamos!



Correndo de forma bastante célere, Riku adentrava em uma rua após a praça central de Destiny Islands, focando-se em procurar uma casa em específico.

— Cadê, cadê... — Ele repetia consigo próprio. Localizado o ponto, parara de avançar, de forma brusca. Ansioso, batia em um portão, clamando em tom alto. — TIDUS! TIDUUUUS!

— Ei, ei, calma aí, cara! — A voz vinha do interior da casa. — Eu já tô indo. Espera... — Passado alguns segundos, o portão se abrira e um Tidus de cabelos molhados e só de bermuda dava as caras. — Riku? Aconteceu algo? Nunca te vi assim e...

— Preciso de um grande favor! — O rapaz de cabelos prata encarava o loiro, um leve sorrindo surgindo em sua face.



— Jogar basquete? — Roxas corria perplexo, seguido de Nina e Lina em seu encalço. — Por mim, pode ser, mas por que eu e Sora?

— Riku está sem um time! — Nina tentava arrumar fôlego, em meio a correria. — Ele me contou isso mais cedo e, bem... Achei que a Lina poderia te pedir isso, mas como estavam juntos... Fiz logo isso... Vamos torcer pro Sora aceitar e... É claro, se puder, agradeceria muito se o fizesse, Roxas...

— Ali, a casa do Sora! — Lina apontava para o meio de uma rua, com um portão de madeira aberto. — Vamos lá!

— SORAAAAA! — Nina gritava, acelerando e tomando a frente dos três. Já alcançando a entrada, ela parara, enquanto Sora, acompanhado de Kairi, os olhavam perplexos. — Sora, Kairi! — E, desabando sobre os próprios joelhos, ela respirava meio mal, cansada e sem fôlego. Os dois casais, aproximando-se aflitos da garota, mantinham feições preocupadas. Mas sem esperar, Nina segurara a mão de Sora, olhando-o com uma determinação que moveria uma montanha do lugar. — Sora! Por favor, aceite entrar no time de basquete do Riku!

— O que...? — Sora olhava de Nina para Kairi, e da ruiva para a menor novamente. — Como assim? E o time do Riku...?

— Três se formaram, um se machucou na semana passada... E... ARGH! — Ela parara pra respirar fundo.

— Vou buscar um copo d'água! — Kairi adentrara a casa de Sora, indo falar com a mãe do mesmo.

— Daí o Axel... E o Riku... Ele queria montar um novo time e... Eu resolvi ajudar... Ele foi falar... Com Tidus... E Squall... Daí fui... Chamando Roxas e você...

— Nina? — Riku aparecera no portão, junto de Tidus. Assustado com o fato dela estar ajoelhada no chão, mas sem demonstrar sua preocupação em sua face, ele se aproximara dela, erguendo-a e mantendo-a em pé, usando o braço como apoio, segurando-a pela cintura. — O que houve? Você tá bem?

— Eu tô ok, Riku. Só corri demais, não estou acostumada...

— Riku! Eu entro pro time! — Sora estava tão surpreso com a situação tanto quanto a maioria e o exagero de Nina, mas também se manifestando, Roxas sorrira.

— Também tô nessa. Sora e eu não somos muito altos, mas somos rápidos e ágeis, coisa que faz muito jogador de basquete, não?

— Vocês tem certeza? — Riku os encarava, sério. — Não precisam fazer isso, vocês sabem, né?

— Cara, ser jogador de basquete dá "status" com as garotas! Claro que eles querem. — Tidus ria, animado. — Não é, Lina?!

— Ah, eu não sei disso não! — O rosto dela corara com a pergunta repentina. — Não faça perguntas idiotas, primo idiota!

— Ah, que amor! — Ele dissera, estendendo os braços, querendo abraçar a garota. — Me abrace com toda essa fofura!

— A água! — Kairi voltava correndo para o grupo, trazendo em mãos o copo e logo o repassando para Nina. A garota dera grandes goles e adotava uma postura mais correta, enquanto Riku a largava.

— Obrigada... Acho que fiz exagero por pouca coisa, né? — Estava um tanto envergonhada.

— Você me ajudou, eu deveria estar grato. — Riku pousara sua mão sobre os cabelos da garota, bagunçando-os ainda mais. Ela se encolhera, mas sorrira com aquilo.

— Mas espera aí, um time de basquete tem que ter pelo menos cinco pessoas e... Temos quatro. Riku, Sora, Roxas e Tidus. Precisamos de mais um! — Lina contara, encarando o grupo.

O silêncio reinou. Não contavam com isso.

— Talvez... Eu... Acho que posso falar com o meu irmão. — Roxas deixara sair.

— Ventus? Mas ele não estava no outro conjunto de ilhas com dois amigos? — Lina mantinha um semblante pensativo.

— Ele volta amanhã. Estava com Terra e Aqua apenas tentando vender alguns objetos que acharam no fundo do mar. Ventus não perderia o festival de esportes!

— Acha que ele topa mesmo entrar nessa? Seria só pro festival mesmo, não precisamos formar em definitivo o clube escolar e...

— Ventus e eu não sabíamos em que clube entrar, e como somos baixos pra idade... Ah, isso pode ser divertido! Aposto que ele topa! Se não topar, eu o forço, haha! — E em conjunto, Lina e Roxas sorriram ao mesmo tempo, encarando um ao outro.

— Pessoal... Nem sei como agradecer vocês. — Riku deixara outro raro sorriso escapar, até Tidus apoiar o braço em seus ombros.

— Agradeça-nos ganhando! E esfregando o troféu na cara do Axel, aquele lá devia ficar na dele as vezes! E que baita cara chato, que eu saiba, dois caras da equipe de vôlei dele também tinham se formado. Aposto que também deve estar por aí feito um doido procurando gente pra fechar equipe! — O loiro cruzara os braços, fechando a cara.

— Bom, ahn... — Riku olhara discretamente para Sora e Kairi, virando o rosto pro resto do pessoal. — Gente, acho que já está na nossa hora, o restante deixamos pra amanhã, apenas falta falar com Ventus. Chega de atrapalhar a vida do Sora na casa dele. — O garoto de cabelos prata ia fazendo movimentos sugestivos, indicando o portão para todos. — Cara, valeu mesmo! Vou marcar treinos para as próximas duas semanas, Kairi pode acompanhar e nos ajudar, se quiser, é claro.

— Mesmo? Então o farei! Os treinos seriam após as aulas? — A ruiva cruzara os braços, olhando o amigo.

— Bem isso, eu passo os horários depois. Tchau, gente!



Nisso, Tidus acompanhara Lina e Roxas até a área onde os três moravam próximos, deixando Sora e Kairi para trás, além de Riku e Nina caminhando sob o céu quente que, mesmo sendo 16hs da tarde, ainda estava firme e os fritava de modo imperdoável. O rapaz, retirando algum dinheiro do bolso, fora em uma sorveteria e comprava dois picolés, de estranho tom azul, nomeados como "Sea Salt Ice Cream" e, sentando-se na beira da fonte que tinha na praça, eles saboreavam os sorvetes, tentando aliviar parte do calor.

— Que disposição, heim? Se corresse mais rápido e se não fosse uma garota, eu te chamava para a equipe de basquete. — Riku rira, assim como Nina, que mantinha o picolé na boca.

— Oh, e se não fosse uma garota? Mas rápida? Vou tomar isso como um elogio!

— Não...

— Hm? — Ela o encarara.

— Seja uma garota mesmo. Rápida, mas uma garota. Fica bem melhor assim.

O comentário foi tão repentino que o rosto da garota corara, deixando claro que havia ficado sem graça. Notando que a citação poderia ter sido um tanto direta, ele quis mudar de assunto.

— Nina... Eu preciso fazer uma pergunta pra você. É uma curiosidade particular. — O tom sério perpetrara a voz dele de forma tão intensa e brusca que a pegara de surpresa novamente. Ela o encarou, o picolé entre os lábios, o rosto inocente. Por algum motivo, ela já podia imaginar o que ele ia perguntar, mas não falara nada, apenas o aguardou.

"- Isso não é bom! Se ele perguntar algo, prenda as memórias dela. Não deixe que ele saia de lá, entendeu? Se não fizer isso, eu não vou me controlar!

— Certo... — O tom de voz da menina saíra fraco, enquanto desenhava em seu caderno."

— O que existe...

"NÃO DEIXE QUE ELE CONTINUE!"

Além...

"NAMINÉ!" "A vontade dele é muito forte, não consigo, eu..."

do mar? — Ele finalizara a pergunta. Ele encarara Nina, que também o observava. Ela parecia em choque, quieta, o sorvete pingando na perna da mesma.

"Tum-dum... Tum-dum..." O coração palpitara.

"IMPEÇA-A AGORA! Não deixe que ela fale!"

— Eu... É... — Mas então Nina se calara. Seu corpo estremecera, os olhos arregalaram. Soltando o sorvete, levara ambas as mãos até a cabeça, pressionando-a. Sentia dor, parecia se segurar, o ar lhe faltava. Sacudia o rosto de um lado para o outro, os olhos se fechando com força. — Ah... AAAAAAAAH!

— Nina?! NINA! — Riku se ajoelhara diante da garota, tentando segurar os braços dela, enquanto as mãos da mesma estavam agarradas aos cabelos. — Nina, fala comigo!

— Minha cabeça dói! Riku! AAAAAAH!

"Faça com que ela fique de bico fechado, dê um jeito que ela não se lembre de nada, ao menos por enquanto."

— Nina?!

"Estão tentando controlar como posso!"

— Riku... Por favor... — Os olhos da garota iam perdendo a vida. — Por favor... Salve-me... Salve-se...

— O que? — E então ela perdera a consciência, caindo de borco, nos braços do rapaz. — Nina? NINA, ACORDA!

Notas finais
Cheguei a conclusão que a história será concluída entre 10 e 15 capítulos. (Ou seja, vai levar entre 10 e 15 anos para ela ser concluída, haha.)