In Your Arms
1 Snow
Notas iniciais
Eu me baseei nas palavras do Ruki sobre PLEDGE "Uma canção de inverno". E como todo mundo sabe que eu amo neve... (e ela está presente em 90% das minhas fics XDD).
[In your arms]
Era uma noite de inverno como outra qualquer. Faltava pouco para o natal e as luzes pisca-pisca pareciam tomar conta de toda a cidade. Papais Noeis de todos os tamanhos, folhas de visgo.
Estava nevando, Taka amava a neve. Então talvez não fosse uma noite tão qualquer assim. Noite passada não tinha nevado.
Enquanto fumava um cigarro, se debruçou no parapeito da janela. A brisa gélida fez com que seu corpo se arrepiasse por inteiro, mas ele não se importava. Era tão bom ver tudo coberto por aquele tapete de gelo. Sempre nos invernos, Tokyo se vestia de branco, como uma suntuosa noiva.
Por mais apurado que fosse o senso crítico de Takanori, ele não conseguia ver o menor defeito naquela visão: As luzes da metrópole acesas, enquanto os flocos caíam. Porque ele amava tanto a neve? Foi a pergunta que brotou em seus pensamentos, assim, sem mais nem menos.
Buscou a resposta em algum lugar de sua mente. Nada. Tudo era branco como os flocos que se precipitavam do céu. Provavelmente ele nunca tinha parado pra pensar nisso antes.
Quando o cigarro acabou, ele saiu da janela, colocando o resto deste no cinzeiro próximo. Olhou para o relógio digital de sua cabeceira, marcava 00:07. Ele estava cansado e queria deitar, mas viu a luz da sala ainda acesa. Ele ainda estava trabalhando.
Caminhou até a porta do corredor, parando para observar. O outro estava tão entretido em seu notebook que nem mesmo o havia notado.
Aquela era sempre uma visão. Já faziam mais de dez anos desde que o vira pela primeira vez, e ainda assim Takanori nunca parecia pronto para olhar pra Kouyou sem ficar estático.
Talvez fosse apenas a beleza. Não, provavelmente não era. Beleza era uma coisa relativa. Era bem verdade que Kou sempre conseguia ficar mais belo aos olhos dele, mas não era isso.
Era alguma coisa nos olhos dele. Alguma coisa em como o cheiro de Kouyou sempre o acalmava. Em como o sorriso era sempre enigmático e doce. E os toques... Ah, aqueles toques sempre faziam com que Taka se sentisse único.
-Chibi, ainda está acordado? – a voz forte de Kouyou o tirou de seus devaneios.
Taka voltou a focar seus olhos nele. Agora, ele exibia um sorriso gentil nos lábios, mesmo que os olhos estivessem cansados. Naquele momento, Takanori teve certeza de que não poderia ter dado a ele um nome mais perfeito: Uruha.
-Nee, estava pensando se você está com sono. – perguntou.
-Hmm, não muito, quero terminar isso. – Uruha respondeu, indicando o computador.
-Ok. – Taka soou um pouco contrariado e deu a volta, para voltar ao quarto.
-Eh, por que a pergunta Chibi? – Kou voltou a falar.
-Porque eu estou. – respondeu.
-Ah, estou te atrapalhando eu...
-E eu queria dormir nos seus braços.
Uruha sorriu, fechando o notebook e deixando os óculos de aro negro sobre a mesa. Deu um beijo nos lábios de Taka e o abraçou enquanto eles iam para o quarto.
Takanori se apoiou no peito de Uruha, sentindo aquele perfume que tanto amava, enquanto o mais alto puxava os lençóis para cobri-los.
-Está nevando, Taka. – Uruha falou, antes de fechar os olhos.
De repente, uma imagem se formou na mente do menor. Uma imagem de quando os cabelos ainda não eram descoloridos, e tudo o que o futuro lhe guardava eram sonhos. Sonhos que ele queria realizar. Sonho de um dia ter uma banda, poder cantar as canções que amava escrever.
Subir em um grande palco e deixar que sua voz embalasse os anseios de todos os corações na platéia. E ter Kouyou ao seu lado.
-Está nevando, Taka. – Kouyou disse esticando a mão para recolher o primeiro floco de neve do inverno.
-Ehh, tenho que recolher as partituras, vão molhar quando a neve derreter. – Taka afirmou com um muxoxo.
-Porque você não deixa molhar e pede ao inverno pra te dar outra? – essas coisas sem sentido eram a cara de Kouyou. Às vezes ele parecia viver num mundo só dele, sempre seguindo seu ritmo sem se preocupar.
Mas por alguma razãp, Takanori apenas deixou as partituras caírem, na neve que começava a se formar no chão. Estavam os dois no meio da praça, há várias quadras de casa.
-Às vezes quando perdemos uma coisa que achamos que queremos, ganhamos outras que não sabíamos querer.
-Olha se isso tudo é pra dizer que você detestou a música, não precisava esse papo todo de inverno e...
-Onde você quer estar daqui a dez invernos, Taka?
Taka parou pra pensar na resposta. E corou levemente, sabendo que não diria a resposta para Kou.
-Mas nee, não se esqueça de dar ao inverno uma canção então.
Talvez... Uruha estivesse certo. Porque o sonho que Taka teve naquela noite, não era mais um sonho.
“As coisas não terão um fim em um sonho profundo.”
Notas finais
Fic boba porque não sei escrever fluffy ~
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