In Wonderland
1 Prólogo
Notas iniciais

“Seria tão mais fácil se tudo fosse apenas um sonho e eu simplesmente acordasse!”
Nossa história começa no ano de 2025, quando Allen Liddell completa 16 anos. Allen era um garoto comum como qualquer outro, ombros largos, nem muito alto, nem muito baixo. Pele clara, cabelos negros e olhos incrivelmente verdes. Fazia pouco tempo que Allen havia se mudado para Londres com o seu pai, sua mãe e seu irmão. Allen havia nascido em Paris na França, mas toda a sua família era inglesa e todo o seu antepassado viveu em Londres.
Como qualquer outro garoto daquela idade, Allen não estava feliz em mudar de país e cidade, odiava o fato de ter que começar uma nova vida em um outro lugar. Porem era preciso, seus avós paternos haviam morrido em um trágico naufrágio e seu pai herdou toda a fortuna e bens da família. Assim Allen, sua mãe, seu pai e seu irmão mais velho Artemis, partiram para Londres indo morar na velha mansão dos Liddell que havia sido reconstruída anos atrás após o incêndio que custou a vida de parentes distantes.
A casa era comum apesar de antiga, tudo ali tinha um toque obscuro, como se aquele lugar guardasse lembranças de todo um século de horror e desespero. Allen odiava aquele lugar, mas nada poderia fazer. Nos primeiros meses tudo ocorreu bem, a nova escola era até interessante, ele finalmente tinha um quarto só para ele e não tinha mais que trabalhar meio expediente para ter dinheiro suficiente para bancar os seus jogos.
Certa noite Allen chegou em casa cansado e foi direto para o seu quarto. Deitou na cama e ficou fitando o teto até que o sono lhe tomou e ele adormeceu profundamente. De início nada viu, mas logo sua mente o levou para o mundo dos sonhos e ele estava em um barco, navegando sobre um rio de águas claras, o lugar era diferente e um tanto fantasioso, mas era muito belo. Ele olhava para todos os lados sem compreender o que estava acontecendo, naquele momento vozes tomaram o lugar, como se estivessem sendo trazidas pelo vento.
“Acalme-se Alice, é apenas um sonho!” Disse uma voz masculina.
“É mais que um sonho! É uma lembrança... que me deixa louca!” Respondeu uma jovem voz feminina.
“Então concentre-se. Respire, Está flutuando, novamente...leve...relaxe!”
“Fogo! Eu estou no inferno?”
“Não Alice, esqueça isso! Abandone essa lembrança, vá para o país das maravilhas.”
“Não consigo...estou presa...ao meu passado.”
“Vá para o país das maravilhas.”
“Eu bem que gostaria doutor, mas o país das maravilhas está destruído. Está morto para mim.”
“Esqueça isso. Agora, Alice... onde você está?”
Allen ouviu um barulho e olhou para frente, viu uma garota que aparentava ter a sua idade sentada ao seu lado, ela era quase idêntica a ele, aquilo o deixou confuso. De frente para a garota estava um coelho bem vestido e eles tomavam chá.
“Tomando chá com um amigo. Ele está diferente de alguma forma, as coisas mudaram.” Disse a garota ao lado de Allen
“Mudar é bom, é o primeiro passo na cadeia do esquecimento.”
“O que é isso? Você está louco?”
“Não estou louco!”
“Coelho?” Tudo começou a tomar uma forma estranha, a garota ao lado de Allen parecia confusa e desesperada, o coelho começou a tremer no momento que seus olhos esbugalharam.
“O que está havendo?” Perguntou a voz masculina.
“Tem algo errado?” A garota se levantou.
“Algo errado...errado...” Respondeu o coelho no momento que sua cabeça explodiu e todo o local foi coberto por sangue. O rio que antes era azul alvo se transformou em uma água barrenta misturada com sangue. As árvores se secaram e todo o local que antes era uma bela paisagem se transformou no lar da destruição.
“Não de novo não.” A garota começou a chorar.
“Não se apavore Alice, deixe o país das maravilhas ir até você!” Agora o fogo queimava fortemente sobre a água barrenta e o barco descia velozmente junto com a correnteza violenta.
“Poluição... Corrupção...Está me matando! O país das maravilhas está sendo destruído, minha cabeça está sendo destruída!” O barco virou e todos caíram dentro da água. Allen desesperado olhava para todos os lados buscando algo em que se agarrar, mas não havia nada.
“Esqueça isso, bloqueie este pesadelo! Acorde com a música!”
Allen abriu os olhos ainda um pouco confuso, logo percebeu que estava no quarto e o estranho acontecimento não se passava de um sonho, mas quem era aquela garota? E por que ele havia sonhado algo tão estranho? Os dias seguintes após aquele pesadelo se tornaram confusos para Allen, ele andava por toda casa fuçando ali, tirando outras coisas do lugar aqui, não demorou muito e logo encontrou algumas coisas que lhe informavam sobre o passado da sua família que o seu pai Willian tentou tanto esconder.
Certo dia, na biblioteca da mansão Liddell, Allen achou algo que iria mudar a sua vida para sempre. Dentro de um livro velho havia uma foto de um casal com suas duas filhas e uma das garotas era aquela que estava no sonho de Allen. Ele procurou mais um pouco e logo encontrou um velho diário cuja na capa estava um nome quase pagado. Alice Liddel.
Allen sentou-se e começou a ler.
“Não sei mais separar o que é real e o que é imaginário, não sei dizer se estou louca ou se fui escolhida para ser a campeã. O que fazer? Eu realmente não sei.
Me chamo Alice Liddell, tenho 19 anos e sou órfã, pois de certa forma causei o incêndio que levou a minha família. Vivo num orfanato e tenho acompanhamentos psiquiátricos, pois todos acreditam que estou louca. Quando eu era criança visitei um lugar que é conhecido como país das maravilhas, conheci criaturas incríveis e me apaixonei por aquele lugar, mas tive que voltar para casa.
Depois que meus pais se foram retornei ao país das maravilhas, mas tudo estava confuso, destorcido, e eu senti que o país das maravilhas corriam um grande perigo e meu dever era defende-lo, mas todos me diziam que isso era apenas um problema em minha cabeça e que o país das maravilhas não existia.
Fiquei um bom tempo sem ir ao país das maravilhas, mas logo ele veio até mim, de uma maneira trágica. Tudo estava destruído, todos os meus amigos se foram ou se perderam de alguma forma e eu precisava ser a campeã, precisava salva-los. Sinto que estou falhando e que logo não terei mais forças para proteger o país das maravilhas.”
Allen fechou o livro, estava confuso e decidiu esquecer tudo aquilo. Agora não se importava mais em descobrir quem foi Alice e porque havia sonhado aquilo, ele só precisava esquecer e tocar a sua vida pra frente. Assim fechou o livro e saiu da biblioteca, abriu a porta da frente e foi para rua, caminhou por um longo tempo. O céu estava nublado, já se passava das cinco da tarde e tudo indicava que logo iria chover.
Allen avisou algo que lhe chamou atenção. Atrás de uma árvore havia um coelho branco idêntico ao do seu sonho, ele segurava um relógio de bolso e parecia apreçado. O coelho fitou Allen e tocou o relógio depois correu, Allen correu atrás dele sendo levado para uma floresta que ficava ali perto. Ele parou e olhou para todos os lados, onde estava o coelho? Mas nada viu, assim ele andou mais um pouco até que encontrou uma toca de coelho ao lado de uma árvore. Ele se abaixou e olhou dentro do buraco para ver se via o tal coelho, mas acabou perdendo o equilíbrio e caindo dentro do buraco que parecia não ter fim, Allen não consegui guardar o grito dentro da sua garganta ainda mais quando coisas estranhas começaram a aparecer, camas, pianos, xícaras de chá e várias outras coisas tudo caia junto com ele.
O impacto com o chão foi intenso e ele desmaiou por um tempo. Quando abriu os olhos percebeu que não estava mais em Londres e sim em uma floresta muito bela, olhou ao redor e viu criaturas estranhas, borboletas multicoloridas e flores conversando entre si.
–Seja bem vindo, ao país das maravilhas.- Ele se virou e se deparou com um gato risonho.
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