Notas iniciais
Gente, essa é minha primeira fanfic, então peguem leve comigo. Haha! Beijo no "core" e divirtam-se!

Mais um dia normal no colégio. Valentões colocando as cabeças de nerds no bueiro, patricinhas rebolando pelos corredores. Mais uma segunda-feira... e acordei atrasada, pra variar. Já era de se esperar.

Pulei da cama igual a uma gazela e corri para o banheiro quando vi que o Sol já estava nascendo. Saí cinco minutos depois de banho tomado, cabelos cuidadosamente penteados, enrolada em uma toalha e cantarolando uma música do Simple Plan.

Abri meu guarda-roupa e olhei de cima para baixo várias vezes. E a dúvida do dia era: o que usar? Nunca tive essa preocupação para me vestir. Não quero dizer que sou relaxada, mas nunca me importei com isso. Sempre vestia a primeira roupa que via ou os sapatos que vinham em minha mente enquanto tomava meu banho, assim, não gastando tanto tempo.

Mas hoje era um dia diferente, mesmo sendo uma segunda-feira. Hoje era meu primeiro dia de aula em minha nova escola. Queria causar... ahn... Queria causar uma boa impressão.

Eu sei que é um pensamento ridículo, mas queria ser um pouco mais importante esse ano. Sempre fui a que todos sabiam o nome, mas não “dão muita bola”, se é que me entende. Sempre tive amigos, sempre fui muito social, mesmo que um tanto tímida, mas não sou do tipo “maria vai com as outras” que ficam no pé das líderes de torcida. Também não fico de conversinhas fúteis com os garotos populares, e mesmo se ficasse, as líderes de torcida iriam querer discutir comigo e eu não sou dessas.

Sou do tipo que fico na minha quando alguém não me quer por perto. Não vale a pena brigar com essas garotas. Tenho muitas coisas para fazer, diferente delas. Elas ficam “dando em cima” dos garotos e se achando as donas do que não são, já eu sou preservada.

Depois de um tempo, escolhi minha roupa. Achei algumas peças e as combinei em vários aspectos para parecer moderna e... desnecessário, não?... está bem!... atraente. Pronto, falei. Juntei uma blusa rosa escrito “I woke up like this” , um short com alguns palmos acima do joelho, um salto azul e um cinto de cor nude.

Fiz uma maquiagem leve. Apenas lápis preto, uma sobra clara e um batom rosa bem marcante. Já o cabelo, escovei-o somente a parte da frente e deixei atrás o meu ondulado para finalizar com um resultado mais natural e coloquei um arco bem fofo mas nada chamativo, para ninguém ficar olhando o que tem na minha cabeça ao invés do que estou vestindo. Mesmo que quisesse ser notada, não queria ser o centro das atenções. Algo dosado, nada extremo.

Peguei minha pulseira da sorte, um cordão e um anel lindo que estavam em cima do criado-mudo. Eu realmente precisaria daquilo. Um pouco de sorte não faz mal a ninguém. No final, acabei gostando do resultado.

Desci as escadas e encontrei meu pai abrindo algumas cartas. Algumas, não. Na verdade, várias. Só no primeiro olhar já percebi que eram mais contas a serem pagas. Meu pai me viu descendo as escadas e logo escondeu as cartas atrás de sua maleta onde guarda todos os seus documentos “super-secretos”. Ele não me deixa nem chegar perto daquela maleta, sempre diz que são coisas de trabalho, mas sei que ele está me escondendo algo. Algo, particularmente, muito importante para ele. Sempre desconfiei que tinha algo ali que era de minha mãe. Ele nunca me falara sobre ela.

Minha mãe nos abandonou quando eu nasci. É meio estranho dizer que ela nos abandonou, já que eu vim ao mundo por meio dela, mas nem meu pai sabe me explicar. Ele diz que quando acordou, ela não estava em lugar algum. Depois de vários meses eu cheguei embrulhada embaixo de um lençol, dentro de uma cesta. É um pouco bizarro, eu sei, e não faz sentido. Minha mãe não aparentava estar grávida, pelo o que meu pai diz. Como ela teria ficado grávida se meu pai não desconfiava de nada? Não tem como esconder um filho do marido. É impossível.

Coisas estranhas estam acontecendo desde meus doze anos e, só pra você ter uma idéia, estou com dezesseis. Muito tempo, não é? Desde meu aniversário de doze anos, minha vida não é mais normal. Na verdade, ela nunca fora normal. Mas, voltando ao foco, em meu décimo segundo aniversário, minha festa acabou em ruínas. Sim, ruínas. Sei que é meio medieval essa expressão e tal, mas isso foi só para você perceber a gravidade.

*flashback modo on*

Eu estava correndo atrás das minhas amigas, Mylena, Sarah e Alice e estávamos brincando de pique-ajuda na rua, já que estava deserta. A rua era em frente a um parque que sempre ficava lotado de manhã até ao entardecer. Quando, de repente, vi um vulto negro atrás das árvores. Parei bruptamente. Olhei para as árvores do parque em minha frente à procura da criatura envolta nas sombras. Depois de instantes, minhas amigas me chamaram e um trovão ressoou além do vale. Começara a chuviscar. Minhas amigas me chamaram outra vez. Virei-me na direção delas e corri em sua direção.

Ouvi meu pai me chamar antes de cair no chão e bater a cabeça. Fui atirada a uns três metros para trás em um só golpe. Minha cabeça doía e sentia como se meu corpo fosse de metal amassado, pesado e deformado. Minha boca estava seca e minhas orelhas zuniam. Por um terrível momento, não via nada. Sentia meus olhos arregalados tentando ver através da escuridão. Sabia que havia luz, mas simplesmente, não a via. Então minha visão clareou e eu a vi. A criatura era um tipo de mulher-serpente, da cintura para cima era uma mulher estranhamente bizarra (N/A: um LIKE para mim...), com presas no lugar dos dentes. Da cintura para baixo era uma serpente. Na verdade, duas na parte inferior, no lugar das pernas. Seus olhos felinos de uma cor amarela doentia me encaravam como se eu estivesse com uma placa escrita ‘sobremesa’ pendurada em meu pescoço. Até que meu pai gritou:

– Dracaenae da Cítia. Mulheres-dragão. – Isso fez com que ela virasse em sua direção e... sibilasse? Aquilo era uma língua bifurcada de serpente?

Ela se virou para mim outra vez e me lembrei do que meu pai me ensinara uma vez sobre essa criatura. Aquela monstra era da mitologia grega. Já ouvira falar dela, quando meu pai, sem ao menos eu perguntar, começava a me explicar como eram os deuses, os hérois e os monstros. Saí de meus desvaneios assim que a dracaenae sibilou outra vez.

Me levantei quando Sarah gritou, e percebi que ela estava tentando distrair a criatura para que eu corresse. Olhei para o chão à procura de algo que pudesse desviar a atenção da criatura de Mylena e Alice, que por algum motivo, a dracaenae olhava-as atentamente. Ela as observava em transe, como se quisesse ver através delas, estudando-as e a seus movimentos, enquanto elas, minhas amigas, andavam devagar para trás.

Olhei novamente para o chão e à dez metros dali havia um grande pedaço de madeira, do tamanho da minha coxa. Deverá servir, pensei. Corri em sua direção e agarrei-a como se outra coisa no mundo não importasse. Era minha única chance. Virei-me na direção do monstro (ou seria monstra?).

– Ei! Aqui! Olhe para mim! – berrei, balançando as mãos para cima, querendo ser notada. E funcionou. O monstro se virou e sibilou para mim. Depois colocou as mãos para trás e tirou de lá dois chicotes, um em cada mão. Eita, maravilha! Duelo histórico. E no noticiário do jornal...

Expectativa:

"Tantas armas pra escolher (N/A: só que não) e a menina escolheu um pedaço de madeira. Que menina corajosa, pena que perdeu"

Realidade:

"Dracaenae derrota menina em duelo. Que pessoa em sã conciência lutaria de chicote para pedaços de pau? (N/A: levadinhos! Que coisa feia! Estão precisando de uma lavagem cerebral!!! [para os que não entenderam, sabe de nada inocente.]) Essa menina tinha alguma ausência de lógica, só pode!".

Enfim... Seria uma droga!

A dracaenae deslizou com suas pernas, ou melhor, caudas, que são duas por sinal, para minha direção. Pensei que era lenta igual às cobras que já tinha visto no zoológico, mas para meu azar, estava errada. Qual é? Eu tinha 12 anos, okay?

Ela deslizou rapidamente até mim com uma cara de puro ódio, o que fez que minhas pernas ficassem bambas. Nenhum “Perseu” irá aparecer e me salvar agora como ele fez com a princesa Andrômeda, então vou acabar com ela sozinha, pensei.

Ergui a madeira com facilidade, enquanto o espaço entre mim e a criatura ia diminuindo pouco a pouco. Cinco metros, quatro, três... Até que ela desferiu um golpe em minhas pernas, mas eu, de algum modo, consegui pular quando faltavam milímetros de distância entre o chicote e meu pé.

Levantei a madeira e tentei desferir um golpe em seu tórax, mas ela desviou enquando, ao mesmo tempo, ela virava e percebi que ela estava tentando encontrar uma posição melhor. Andei de lado, junto com ela. Eu a analisava, tentando descobrir qual seria seu próximo ataque. Olhavá-a em seus olhos no objetivo de intimidá-la.

No último segundo, ela me chutou para longe e senti que fora isso que fizera em seu primeiro golpe. Caí na grama molhada e percebi que ela me jogara com mais força desta vez. Um sentimento que nunca sentira com tal força estava se formando dentro de mim. Raiva.

Me levantei, ignorando a dor em meu tornozelo e corri em direção a dracaenae. Me sentia mais forte a cada passo, como se a raiva estivesse alimentando minha energia. O mais estranho foi ver um vestígio de medo nos olhos da dracaenae.

Mesmo ainda focada nela, conseguia ver a tensão dos meus convidados ao estar presenciando um duelo bem em sua frente, mas minha prioridade era proteger a meu pai e minhas amigas. Vi nos olhos deles um certo horror pela minha expressão, disso eu não tenho dúvidas. Meu pai estava horrorizado olhando para a dracaenae, tentando entender como a mitologia grega poderia sair de livros.

Quando me aproximei da dracaenae, ergui a madeira e acertei a lateral esquerda do seu rosto. A pancada foi tão forte que a dracaenae girou. Mas antes de conseguir me estabilizar por causa da velocidade, a dracaenae foi rápida e tentou me acertar com seu chicote na minha barriga. Consegui desviar, mas como eu estava meio lenta naquele momento, saí um pouco tarde de mais. Fui atingida, mas o chicote não fez nada mais que um arranhão e por pouco o chicote me transformaria em fatias de "Sophie" gigantes.

Abaixei a madeira, fingindo estar cansada e quando a dracaenae veio para cima de mim outra vez, desferi um golpe para sua cabeça novamente, tentando imortalizá-la. Acertei sua cabeça em cheio, fazendo-a, finalmente, cair no chão.

Larguei a madeira quando percebi o que acabara de fazer. Eu acabara de lutar sozinha com uma dracaenae. Olhei para minhas mãos, assustada. Ergui os olhos na direção das minhas amigas e ela estavam olhando para mim. Pensei que elas fossem me olhar como um monstro pior do que uma dracaenae, mas ao invés disso, ela correram até mim e me abraçaram.

Disseram que fui corajosa e me consalaram enquanto os convidados iam embora aturdidos, como se não estivessem entendido o que havia acontecido. Mas eles estavam lá o tempo todo. Viram a briga desde o começo. Como poderiam parecer confusos? Mas decidi deixar para lá e andei na direção de meu pai que me olhava um pouco surpreso e, ao mesmo tempo, um pouco cauteloso.

*flashback modo off*

Meu pai está afastado depois disso. Ele está mais preservado, quando queremos ser gentis. Ele quase não conversa comigo, só troca uma palavra ou outra como “Oi”, “Tchau”, “Já está tarde, vá dormir”. Isso é o que ele diz e só. Tento não demonstrar que estou zangada, mas não estou mais aguentando. Estamos assim a anos e quero um pai que se preocupe comigo.

– Isso são contas, não são?. – pergunto friamente.

– Não, filha. Isso só são uns papéis do trabalho, mas são sem importância. – diz ele, mas percebo a surpresa que passou por um milésimo de segundo pelos seus olhos e um vestígio de nervosismo em sua face.

– Pai, eu sei que você está escondendo algo de mim. – digo com um olhar repreendedor.

– Não é nada, filha.

– Está bem, — digo, suspirando — mas saiba que isso não me convenceu. – digo, indicando o término da conversa.

Pego uma maçã e um suco de laranja e volto para o meu quarto. Como a maçã, depois bebo o meu suco e vou escovar meus dentes para retocar o batom. Depois de alguns minutos vendo se meu short está rasgado ou minha blusa suja, vejo que não há nada de errado com a minha roupa, já que tive esperiências muito agradáveis, para não dizer o contrário.

Desço, novamente, as escadas e vejo as horas em meu celular. Depois de alguns instantes vendo os números que inundavam a tela do meu telefone, vi que já eram 7:10.

Se eu disse “inundavam”? Sim, eu disse. Eu sou disléxica, infelizmente. Todas as palavras e números... qualquer coisa que eu quisesse ler ou que necessitava, pelo menos, o mínimo de minha atenção, fazia com que eles flutuassem para fora da página ou qualquer outra coisa.

Quase entrei em desespero. Peguei minha bolsa em cima do sofá da sala e fui pra cozinha chamar meu pai. Faltavam dez minutos para mim chegar à minha nova escola.

– Pai, estou atrasada. Me leva, por favor? – perguntei, fazendo cara de cachorro sem dono.

– Está bem, Sophie. Mas só dessa vez, O.K?

– Tudo bem. Agora vamos, porque se não, vou chegar atrasada em meu primeiro dia de aula.

Notas finais
E aí? Devo continuar? Vocês que mandam, seus gatos! Comentem!