Um olhar, lágrimas rolando da pessoa a minha frente, de arma em punho, esta ainda apontada para mim. Mesmo em minha turva vista podia notar. Ele tremia. Ele estava nervoso. Não queria me matar. Conforme meus olhos começaram a se fechar, comecei a pensar em cada que tirei a vida, cada nome que escrevi naquele caderno maldito e infernal.

Misa... Eu nunca a amei, mas ela inegavelmente tentou me provar seu amor a todo custo. Seus olhos verdes, duas vezes tendo adquirido os olhos do shinigami, iam poder ver muito menos coisas do que se nunca os tivesse adquirido. Eu nunca liguei para ela, mas usar os sentimentos dela? Nunca pensei que pudesse ter sido cruel, talvez meus olhos tenham se fechado bem antes, e agora eles começassem a se abrir.

Ryuuk, ele me avisou tantas vezes, o caderno não veio para mim por eu ser especial, veio por obra do destino, e mesmo assim me enganei tantas vezes pensando que eu era o escolhido. Me chamei de Deus do novo Mundo. Eu não sou um Deus... Eu matei pessoas e as usei para chegar aonde queria. Eu esqueci minha missão, berrei poder. Isso me dói mas devo admitir, minha missão era boa, mas meus métodos impuros.

Mas afinal, que meio seria puro? A justiça de L? A justiça não é divina, ela veio dos humanos. Depois de tudo que eu vi não sei se posso dizer que qualquer humano seja puro.Senti um abraço. Isso nunca seria comentado, seria abafado e escondido. Mas o policial vingador, o assassino de Kira, me abraçou tentando me reanimar e me balançando. Ele sabia que eu também tinha o usado, feito ele pensar que era meu amigo assim como fiz com L. Mas ele não ligava. Ele apenas queria me ver bem. Tentei esboçar um sorriso e murmurei, disse a ele que eu devia ser tirado do novo mundo, assim como todos assassinos. Eu o agradeci. Ele apenas repetia que tudo ficaria bem.

Senti uma mão, fria demais para pertencer a qualquer humano, tocar meu ombro levemente. Olhei para o dono dela. L. Ou seu esprito, dane-se logo morrerei. L se abaixou e segurou minha mão, disse-me que ia me acompanhar na passagem. Que eu não temesse, que não estaria sozinho. Murmurei em mente "por que faz isso? Eu te enganei, fingi ser seu amigo." Ele sorriu e disse levemente, nem sempre, você esqueceu e foi meu amigo, o único que já tive. Me fez perder o medo dos sentimentos. Eu fui seu amigo e sempre serei Yagami,não se engane, eu o serei até o fim dos tempos.

Sussurrei tanto para ele quanto para Matsuda. Sussurrei um obrigado por ser meu amigo. Eu quis ser um justiceiro e fui morto por justiça... Irônico não? Sorri levemente enquanto meu corpo se esvaia. Apesar de tudo valeu a pena. Eu tive realmente amigos. E mesmo morrendo continuarei os tendo. Como disse nosso detetive, até os fins dos tempos. E isso faz tudo valer a pena. E pouco a pouco tudo se apagou, ficando só um cheiro de doce e um abraço apertado em minha memória, até que nem ela se fizesse presente.

Antes que isso ocorresse senti uma leve garoa começar e se transformar em uma forte chuva. Isso pode ter ocorrido horas, ou segundos após o tiro, não sei realmente te dizer quanto tempo isso levou. Ela lavou meus ferimentos e molhou o terno do policial que tentava me cobrir inutilmente com ele, dizendo que logo a ambulância chegaria. Eu pedi a chuva para que ela lavasse tudo, todo o mal e toda a dor do mundo. Todo o sangue inocente que eu derramara. Pedi apenas que ele nunca me lavasse do coração dos amigos que arranjei apesar de tudo.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!