In The Circus

1 Capítulo 1 - Abertura.


Notas iniciais
Yah, mais uma fic *--------------------*
Esta sera dividida em 3 capitulos.
Relembrando: O plot da fic foi feito sobre metaforas, então nao se assustem com o que lerem.
Boa leitura ^^

Jinki saiu calmamente de sua residência, e fechou o casaco grosso assim que sentiu o vento gélido de inverno lhe tocar. Trancou a porta e respirou fundo. Não havia motivo para sair e nem aonde ir, porém, ficar lamentando seus problemas dentro de sua casa vazia não estava em seus planos. Sua vida estava cada vez mais difícil, de modo que nem ele próprio conseguia imaginar.

Deu alguns passos e saiu do pátio que pertencia à sua casa, fechando os olhos antes de continuar; parecia uma tarefa difícil encarar o mundo com tantos problemas. Como tudo aquilo poderia ter acontecido em tão pouco tempo e tudo ao mesmo tempo? Como? Não havia resposta, assim como não havia esperança. Talvez fosse apenas sua má sorte ou seu destino, não poderia saber. Nunca imaginou que seus pais se recusariam, depois de anos, a pagar sua faculdade de medicina. Nunca pensou que poderia perder sua namorada para um professor caduco e chato. Nunca imaginou que poderia perder a única coisa de bem material que lhe pertencia naquela maldita cidade: sua casa.

Seguiu caminho pela rua em que morava. Não sabia para onde ia, mas talvez seus pés soubessem. A rua estava coberta de neve e pouco movimentada, e talvez por isso muitas pessoas já estivessem muito bem agasalhadas dentro de suas casas quentes. Estava realmente frio naquele final de dia, mas nem por isso Jinki conseguia sentir algo além da solidão; nem mesmo o frio era maior que aquele sentimento. Nem a beleza da capital daquele país sobre a luz do pôr do sol lhe importava, porém ele sabia que era uma imagem linda, mas não tinha nem um pouco de importância naquele momento. Somente as resposta inexistentes importavam agora.

De longe, avistou uma grande multidão de pessoas indo somente em uma direção, sorridentes. Não havia notado que seus pés o haviam levado para perto do centro da cidade, mas pelo menos conseguiu se distrair quanto a isso. Seguiu até a multidão, não entendendo a si próprio ou o motivo daquela aglomeração toda, e somente quando avistou uma enorme tenda entendeu o motivo de tudo aquilo: o circo estava na cidade.

Céus, como ele havia se esquecido daquilo? Esperou tanto por aquele dia. O dia em que conheceria o circo. Havia feito tantos planos com sua namorada, queria levá-la até lá e se divertir com a mesma, porém, por culpa do destino, aqueles planos ingênuos nunca se realizariam.

Comprou seu ingresso e seguiu para dentro da tenda. Nunca havia ido a um circo antes, mas ao contrário do que esperava, não estava nem um pouco animado e talvez por este motivo tivesse levado diversos empurrões até entrar ali. Poderia não ser à toa que entrara naquele local. Queria esquecer pelo menos por alguns minutos seus problemas e, quem sabe, rir e se divertir um pouco.

Escolheu um banco afastado de todos os outros e sentou-se no mesmo – não queria conversar com vizinhos, colegas ou conhecidos que ele sabia que estariam ali. Rolou seus orbes castanhos por todo o local até parar no círculo central da tenda; era bastante grande, assim como passou sua vida inteira imaginando-o. Jinki havia esperado tanto tempo para estar dentro de uma tenda como aquela e ver um espetáculo como aquele que começaria em poucos minutos, mas agora todos os anos que havia esperado não pareciam existir, não havia uma parcela de importância de estar ali.

Assustou-se quando sons altos deram início ao espetáculo e surpreendeu-se quando viu animais ferozes no centro do local, sem nenhum tipo de item de segurança, porém foi rápida a participação deles. Não houve tempo nem para seu raciocínio, ou talvez Jinki não conseguisse acompanhar o show, e logo entraram os malabaristas. No começo foi divertido vê-los fazer tudo aquilo, ter a agilidade que poucos têm e usá-la daquela forma era realmente incrível, entretanto Onew deveria achar outra coisa para ocupar sua mente, aquilo estava sendo pouco.

Rolou seus olhos mais uma vez pelo local inteiro, desta vez parando em uma figura ao lado do palco, sentada sobre algumas caixas, sozinha. Notou que ele olhava de uma forma preocupada para o centro do círculo, como se a qualquer instante pudesse acontecer algum desastre ou explodir uma bomba ali. E foi por esse olhar e por sua curiosidade que Jinki levantou-se e se aproximou do rapaz. Onew já estava bastante perto, mas ainda assim o rapaz continuava vidrado no espetáculo, sem notar sua presença ali. E de certa forma aquilo era algo bom, pois nem mesmo Jinki estava se dando conta de que a cada passo dado, chegava ainda mais perto do rapaz que estava roubando-lhe a atenção.

Aproximou-se até se sentar em uma das caixas, assim como o outro fazia. Não era uma boa ideia se relacionar com pessoas de circo, Jinki já escutara aquilo várias vezes durante sua vida inteira, mesmo não conhecendo ninguém com prática naquele assunto. Mas algo era maior que si e o fez ir até lá, e o mesmo sabia que não era apenas sua curiosidade que lhe permitiu seguir até ele.

Quando as luzes do final do show dos malabaristas acenderam-se, Jinki pôde ver cada detalhe do rosto do outro. Era realmente belo mesmo com toda a maquiagem pesada que o mascarava; seus traços fortes ainda eram visíveis, eram lindos de uma forma diferente. Seus cabelos castanhos estavam bagunçados, mas longe de um bagunçado feio, Onew sabia que era devido à ausência da peruca que alguns fios não haviam voltado para seus devidos lugares. Seus olhos eram de uma cor clara, indecifráveis, não por sua cor, que ficava entre o azul e o verde, mas sim pelo que não existia ali: o brilho natural. Entretanto o que mais chamava a atenção nele não eram seus olhos e nem seus fios desalinhados, era sua maquiagem, diferente da dos palhaços que estavam agora no centro da tenda, divertindo o público.

No lugar de um sorriso, havia apenas lábios negros e mortos.

No lugar de olhos chamativos, havia apenas lágrimas de tinta.

No lugar de vida, havia a sombra da morte.

Não, aquele definitivamente não era um palhaço que deveria estar no palco e nem em um circo, ele era um pierrot.

– Por que você não está lá? – perguntou por impulso, se referindo ao centro do local onde os outros palhaços estavam. De fato, ele não queria trocar palavras com aquele ser, algo lhe dizia que não era uma boa ideia, mas ainda assim era tentador.

– Porque eu não devo estar lá – respondeu baixo e fraco, em sua voz parecia não haver vida, assim como no resto do seu corpo. Ele era diferente; era como um fantoche. – Você não deveria estar aqui, deveria estar vendo o espetáculo.

– Não consigo quando você rouba toda a atenção dele. – E pela primeira vez viu o rosto completo do menor, sua primeira teoria só se afirmava: ele era realmente muito bonito. Entretanto, seu rosto, ainda com toda aquela maquiagem, estava péssimo. Jinki podia ver claramente as olheiras envoltas nos olhos cansados. Onew sabia que ele estava doente.

Engoliu em seco com medo da reação do outro, talvez aquelas palavras tenham soado de forma estranha, mas não era daquela forma que Jinki queria que soasse, longe disso.

– Por que você não deve estar lá? – Desviou o olhar com medo da forma que o outro lhe olhava; era como um pedido mudo que saísse dali ou que o ajudasse a sair daquele local.

– Porque eu não faço parte daquele show. – Respirou fundo depois de responder. Era um pouco doloroso dizer aquelas simples palavras, porém ele sabia que tais palavras eram verdadeiras e não havia nenhum motivo para contar mentiras sobre elas. E de nenhuma outra. Baixou a cabeça, escondendo totalmente seu rosto.

– Desculpe-me – Jinki lamentou e logo em seguida se praguejou por ter perguntado aquilo, mas não sabia que aquela seria a resposta do pierrot.

– Por que? Você não tem culpa nenhuma por eu ser diferente, ninguém tem. Talvez, somente eu tenha. – Quando levantou sua face existia um sorriso fraco presente ali, dando um contraste diferente em seu rosto. Aquela maquiagem não combinava nada com o sorriso belo e encantador como aquele que Jinki via.
Onew apenas o olhou confuso quando saiu do transe em que o sorriso do menor o havia colocado. Não entendia nada.

– Por que você é diferente? – Antes de fazer a pergunta, olhou mais uma vez nos olhos claros do outro e respirou fundo, talvez não fosse uma boa ideia perguntar aquilo, poderia ser íntimo demais, mas teria que fazê-lo, sua curiosidade era maior que os limites que Jinki havia criado para aquele tipo de conversa.

– Por um simples motivo: eu não sou um carnívoro. – Sorriu orgulhoso, desta vez deixando seus lábios grossos se alargarem. Era encantador como o branco ficava bem no preto em um instante como aquele.
Desta vez Jinki não se deixou levar pelo sorriso do outro, as palavras gritavam no seu interior, não o deixando em paz para ficar apenas olhando. E quando deu por si, olhava novamente confuso para o risonho pierrot. Jinki estava assustado, mais do que nunca.

– Eu não me alimento da carne das pessoas que vêm aqui nos ver. Eu me alimentava dos sorrisos, das risadas e da felicidade de todos vocês. Nós todos éramos assim, mas nenhum de nós imaginava que algum dia passaríamos a nos alimentar de algo real, da carne deles.

– C-como? – perguntou gaguejando. Estava mais supresso agora e ainda duvidava de como o pierrot conseguia pronunciar aquilo tão tranqüilamente.

Eles eram animais.

– Vá para casa, eu não quero que você seja uma vitima deles – disse preocupado com o maior enquanto via alguns palhaços agradecendo a plateia que aplaudia freneticamente. Era um bom show, afinal. – Você tem o perfil que eles procuram. Por favor, não fique. Vá! – gritou. Havia visto um dos palhaços vindo em sua direção. O palhaço que ele mais temia e o que mais amava. Por culpa dele tudo aquilo estava acontecendo, somente MinHo era o culpado, por tudo. Se Jinki não saísse de lá naquele momento poderia ser tarde demais.

E o mais velho continuava parado, em transe, ainda tentando absorver aquelas palavras.

– Você parece delicioso, então vá.

– Hey pierrot, quem é seu amiguinho?

Talvez pudesse ser tarde demais.

– Eu não sei – disse baixinho, estava com medo por ele e pela pessoa desconhecida que havia conversado por alguns minutos. O fato era que aquele frágil pierrot temia o outro palhaço, todos na realidade, mas aquele era diferente. Seus sentimentos foram diferentes.

– Jinki. Meu nome é Jinki. – Onew continuava perdido e sua expressão continuava a mesma, estava confuso, estava mergulhado nas palavras que aquele pierrot havia dito.

– Interessante. Bela escolha, pierrot, ele parece ser delicioso. – O maior sorriu, seus olhos eram grandes e mais negros do que a noite do lado de fora da tenda. E mesmo com toda aquela maquiagem alegre e colorida, ele transmitia pavor e malícia. Um palhaço carnívoro. – Aproveite seu prato ou o dê para mim. – Sorriu vitorioso, por fim, passando a língua pelos lábios vermelhos e tirando um pouco da maquiagem presente ali. Ele sabia que aquele pierrot era fraco, ele tinha sentimentos e era exatamente isso que o enfraquecia.

– Não! – O menor, que até então estava quieto, apenas observando, levantou-se e gritou desesperado. Nunca havia feito isso, nunca havia ido contra um deles. – Não faça nada com ele! Fique com minha carne. – Olhava piedoso para o maior, o sorriso do mesmo ainda existia na sua face para a aflição dos outros dois presentes ali. – Vá, Jinki! – Virou-se e empurrou o corpo do outro, querendo o obrigar a sair dali. Não que Jinki quisesse ficar, mas e o pierrot?

O que aconteceria com o pierrot que ele havia encontrado?

– Vá! – o menor gritou de novo, dessa vez empurrando mais o corpo do outro. E todo aquele esforço deu certo, Jinki entrou no meio da multidão e se deixou levar, e com ele se foram as forças do pierrot que agora estava caído no chão.

– Não quero sua carne podre! – O maior chutou o outro e cuspiu nele, saindo dali logo em seguida.
Jinki já estava do lado de fora do circo, queria voltar lá e entender tudo aquilo, mas a multidão não o permitiu e agora não daria mais, de qualquer forma.

Ele teria que voltar no dia seguinte e tentar descobrir tudo o que não havia entendido naquela noite, e também descobrir o nome do pierrot.

O tão frágil pierrot.

Notas finais
e entao? Quero reviews com suas opinioes, ok?!
Dependendo posto antes mesmo do que eu programei
Até ~~