In Repair
2 Capítulo 2
Carly:
Como cheguei a essa translucidez mordaz?
Nossa sou do tipo de garota que...Não sei dizer quem sou, tento ser agradável, no entanto sou poço de provocações com minha língua.- Ei, não da forma...bem, tenho um humor afiado, simpatia expansiva, costumo ficar ao redor do meu irmão mais velho e ter minha fragilidade “tonta” como uma ferramenta de egoísta defesa deliberada. Não sou de toda errada tampouco certa. Gosto definitivamente da minha vida agora ex-vida, onde apesar dos meus defeitos como histeria, questionamentos exacerbado, problemas respiratórios graves, dona da razão. Dizem que sou a perfeita donzela em perigo, tipicamente “romance água com açúcar”, a sem-graça que não tem personalidade marcante. As pessoas são assim julgadoras, elas julgam, pois toda atitude pode ser julgada. E tudo pode ser justificado! Sempre justificado.
Costumo julgar depois de questionar e justifico assim que entendo, é simples, sou simples e imperfeita e não boa bastante para alguns. Assim que me enxergo. Tampouco boa para meu reflexo no espelho.
Tinha cuidado ao atravessar a rua, só que dessa vez o destino ou o livro dos mortos tinha meu nome — e quebrei- atravessei a rua distraída demais no meu novo tab-pear e vislumbrei o suficiente de um caminhão de bolo-gordo antes de ser acertada em cheio.
A dor foi cortante e fatal. Ainda estou assustada. Aquele fim de tarde seria o contar de três dias inteiro do atropelamento, ainda não entendo, me enxergo viva, só as pessoas que tanto amo ou conhecia não me veem. Estou morta e sou um ferrado de um fantasma.
Não vi luz, nem escuridão e nem o sono eterno!- Estou aqui com minha consciência intacta, olhando um moreno desmaiado no chão de seu quarto.
Nos últimos anos eu o encarava no elevador, no hall, na escola e em todo lugar, pois parecia sempre ao meu redor como um fantasma – costumava pensar.
Só que era minha ilusão que o garoto estranho fosse tão perturbado ao ponto de me “perseguir”. Ilusão. Agora sabia que ele estava com essa meleca o afundando, para sequer lembrar meu nome.
Bufei — em vida nunca chegaria tão próximo do Geek, só que “nesse plano”, ficar o olhando com sua pele pálida, o rosto marcado de suor, sangue e terra tão calmo e Nossa! Como ele era forte, seu peito largo, subindo e descendo -sinal que respirava — com seus ombros grandes, sua camisa estava apertando tantos seus músculos que nunca reparei ali antes.
Afastei-me – comecei andar de um lado ao outro a frente à cama de casal de Benson e ao lado de seu corpo no carpete. — Toda aquela sujeira de ser um espirito e o fato do vizinho “estranho” me enxergar, somado a um buraco...levantavam questões essas:
Por que Benson me atacou? E como o repeli sem mover um dedo? – em três dias não consegui ainda entender “esquema” do pós vida.
Suspirei cansada ainda que não tivesse corpo algum para cansar, sentei na cadeira ao lado da janela podendo ver o céu cinzento de Seattle em meio ao outono.
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