Como posso contar...

Não sou o tipo de cara normal, ninguém mesmo entende minha propensão a me excluir das atividades escolares e ser inteligente e o segundo da turma.

Agora estou no meu quarto com minha mãe surrando a porta para obter uma explicação.

Ouu...Droga! – Não queria causar confusão nem lágrimas, só queria dizer — Adeus. Eu pensei, refleti... e fui ao maldito enterro de Carllota Shay. Onde me leva ate esse momento olhando o teto branco com minhas lâmpadas de luz negra ao lado da fosforescente.

Posso te julgar rapaz – Foi um homem negro que disse sentando ao meu lado na cama.

Não pode não, ela deveria ter atravessado! Detalhe, sem ajuda! – Levantei minha cabeça do travesseiro para encara-lo vestido no habitual uniforme laranja com seu cabelo rastafári, bem vivo aos meus olhos e bem morto para todos as outras pessoas. – Assim como você Costela! – alfinetei.

Então voltando ao julgamento – Me ignorou. Bufei e deitei-me, mamãe parou de socar a porta. Minha cabeça zunindo. – Não deveria ter atacado aquele fantasma, sua energia foi drenada e sabe quão isso é arriscado?

Ah...não me lembre que posso morrer a qualquer instante, já é bem difícil conviver com os “mortos” sabendo que dependem da minha energia para ir para só Deus sabe onde e vivem me perseguindo de forma...- Parei e pulei da cama, a morena atravessou a parede de meu quarto, olhando para algo sobre o ombro então nos chocamos.

Ai...- ela gemeu e andou dois passos para longe, ainda com meu olhar de espanto virei o rosto para encarar Costela que agora aparentava estar tenso.

Q-que-f-faz-a-aqui? – Gaguejei, senti o suor em minhas mãos, a camisa pegajosa de sangue agora grudando ao meu corpo, o cansaço me alcançando.

Preciso entender... — Os olhos dela arregalaram seu veludo negro redondo – você não parece bem!

Claro que não sua sugadora! – Costela rugiu antes de sumir com uma brisa rápida invadindo o cômodo, senti cabelo ser bagunçado.

A minha vizinha “recém-morta” estava em “espirito” no meu quarto. Por que isso era um choque? Sou tipo de cara estranho que tem um mundinho próprio, nesse caso meu “mundinho” tem fantasmas e coisas fantásticas acontecendo onde sou privilegiado! Sou uma fonte de poder energia “cósmica” que dá passagem ao mundo dos mortos energizando um buraco no espaço dimensional “Buraco 15” a ligação entre divino e físico.

Quando Brad um colega, ligou a três dias anunciando o falecimento prematuro e violento de Miss Shay, tremi nas bases e deixei uma lágrima tomar espaço em meu rosto. Por quê? Cresci vigiando os passos daquela morena, de pele branca, maçãs do rosto proeminentes e rosadas, sorriso largo e simpático, pateta e delicada. Sonhei ser seu príncipe dia e noite, então com 14 anos isso á três anos atrás, e sem chances de ser “normal” o suficiente para namora-la, decide ignorar aquele jeito amigável que me deixava aturdido.

Sou esse “ Abridor de portais” não remunerado de almas, costumo levar umas surras de um fantasma aqui outro ali, e vivo, errado! Sobrevivo todos os dias entre esse mar de confusão!

Conheço “reflexões espirituais” o tempo todo, na rua, no colégio e raramente no meu quarto, exceção Costela, esse cara me perturbava e “pagava” para não o atravessar, nada de dinheiro, entretanto, com explicações e proteção para não ser “drenado”. Bem ate então minha energia poucas vezes, ou melhor, nunca sofreu muito com esses babacas que fogem da luz, ate agora.

- Preciso que vá embora.

Não é como se o “Senhor vejo gente morta” tenha escolha, estou aqui e preciso entender, certo morri, contudo, não deveria ter ido para algum lugar bem longe de Seattle? E quanto aquele buraco? Qual é! Deveria ter me sugado? Não acredito que assustou toda minha família no meu enterro! Sabe sangrar pelo ouvido não é o mesmo que chorar Benson! E por que consigo te sentir? Como, sei lá, consistente?– ela usou seu dedo longo e fino e cutucou minha clavícula. Senti frio muito frio com aquele toque.

Eu – então tudo ficou preto.

Notas finais
Comentem.
Ta, ta uma merda...huahauha
Criticas são de boa