In My Life
29 Capítulo 29
Notas iniciais
—YoonGi hyung, que horas são? — questionou Taehyung, sentado no sofá da sala de espera daquele hospital.
O platinado revirou os olhos e pegou o celular, sorrindo de lado ao ver a fotografia que estava em sua tela de fundo.
Ele estava ao lado de sua mãe, poucos centímetros mais baixa que YoonGi. Eles estavam em Daegu, a mulher usava um de seus vários vestidos verdes floridos e o filho usava um moletom e calças jeans.
O sorriso desfez-se assim que ele lembrou do pior dia de sua vida.
“A mulher cheia de hematomas chorava e soluçava graças aos socos e aos chutes que recebia do marido. Ela o amava com todas as forças, porém o motivo maior de não deixá-lo era o medo que tinha, sempre soube que ele era um homem perigoso.
—Para, seu desgraçado — gritou Min YoonGi, as lágrimas saíam de seus olhos aos montes e ele não fazia a menor ideia de quantas vezes tinha pedido para que o homem parasse.
—Cala a boca, pirralho — falou, seco, enquanto continuava a socar o rosto da mulher, que pedia para o filho de cabelos platinados se afastar, com medo do marido machucá-lo.
YoonGi socou a parede e passou a mão em seu nariz, olhando para ela logo depois, tinha um líquido vermelho ali, era sangue. Sua vontade era matar aquele maldito ou expulsá-lo de casa, porém não podia.
Por que sua mãe tinha de ter casado logo com aquele homem? Ele era um alcoólatra sem limite algum, todas as noites voltava para casa às duas da madrugada e sempre espancava a esposa, mãe de YoonGi. O platinado odiava o padrasto e mais ainda aquela situação, todavia não podia fazer nada. Sempre que se metia na discussão para defender a mãe acabava desacordado.
—Por que você faz isso? — questionou YoonGi e tentou levantar apoiando-se na parede, já que seu corpo todo doía bastante — O que ela fez para você? Maldito dia em que minha mãe se casou com você.
Ele desferiu um soco bem no meio do rosto do homem de quase cinquenta anos, que caiu sobre a mesa de centro redonda, quebrando-a. O homem olhou para o enteado com um sentimento de raiva estampado no rosto, enquanto seus olhos emitiam puro ódio pelo rapaz de cabelos platinados.
—Você vai se arrepender — ameaçou e levantou com dificuldade, indo para cima de YoonGi, que desviou e correu até seu quarto, mesmo juntando todas as suas forças, sendo seguido pelo padrasto.
Sua respiração estava ofegante e ele puxou a gaveta de cima do criado-mudo próximo à sua cama, retirando dali sua arma. YoonGi sabia que não deveria usar aquilo em local algum que não fosse nas missões, porém estava cansado de ter que aguentar aquela terrível situação sem fazer nada.
—Te achei, pirralho — Ouviu a voz grossa do padrasto e virou-se, o que fez o homem rir alto — Vai atirar em mim? Você nem sabe pegar direito nisso, Suga, pare de brincadeirinhas e venha aqui.
O homem carregava a mãe de YoonGi pelos cabelos, enquanto a mulher chorava e implorava que o marido a soltasse.
—Para você é YoonGi, Min YoonGi — O platinado estava fora de si, a raiva havia tomado conta de seu corpo — Se afasta da minha mãe, antes que eu atire.
O homem deu mais uma gargalhada alta e arqueou a sobrancelha de forma sarcástica, era óbvio que aquele garotinho minúsculo não iria atirar, achava que YoonGi não tinha coragem de disparar contra ele. Ele estava errado.
—Solta a minha mãe, estou a pedir pela segunda vez — falou e ergueu a arma, mirando no braço do homem. Não desejava matá-lo, apenas deixá-lo machucado e com medo de fazer aquilo novamente.
—E se eu não soltar? Você irá realmente atirar em mim? — questionou e chutou o estômago da mulher — Cala a boca, vadia.
Aquilo foi, definitivamente, a gota d’água.
Tudo ocorreu em uma fração de segundos, porém pareceu ser bem menos tempo, talvez até milésimos. Antes que Min YoonGi se desse conta do que estava a fazer, viu o homem com a mão no peito, de onde saía muito sangue, e ajoelhado no chão, ainda sem acreditar que o “pirralho” realmente havia feito aquilo.
O platinado jogou a arma em um canto qualquer e correu para socorrer a mãe, que estava bastante machucada, graças a aquele monstro.
—Vai ficar tudo bem agora, omma — Abraçou-a com cuidado e sentiu as lágrimas da mulher molharem sua camiseta, ela estava em choque — Certo?
—V-Você… — Respirou fundo e evitou olhar para o corpo de seu marido, agora ex, no chão, tendo seus últimos segundos de vida — … Matou alguém, YoonGi?!
O platinado suspirou e afastou-se da mãe, que o olhou, sem acreditar que de fato seu filho, seu pequeno e indefeso YoonGi, que sempre apanhava dos amiguinhos no colégio, havia sido capaz de tirar a vida de alguém.
—Me desculpe, omma — Suspirou e afagou os cabelos da mãe — Foi necessário.
—Eu queria dizer que entendo, YoonGi — falou e olhou para o filho — Porém você matou alguém, meu filho, tem a menor noção do quão errado isso é? Você tirou a vida de uma pessoa, não importa o quão ruim e desprezível uma pessoa seja, YoonGi, você nunca pode fazer isso!
Não demorou muito tempo para que a mulher desmaiasse nos braços do filho, que, com certa dificuldade, levou-a para o quarto e deitou-a na cama da forma mais confortável que conseguiu. Olhou para ela por alguns minutos e retornou à sala de estar, não podia negar que metade dele estava sentindo-se culpada pelo que o platinado havia feito, porém a outra metade estava aliviada por aquele sofrimento ter acabado.
Já tinha matado muitas pessoas, graças ao seu trabalho, em sua maioria criminosos que colocavam a maior parte da população em risco. Nunca tinha matado um inocente, tomava o máximo de cuidado com isso.
Umedeceu os lábios e arrastou o corpo sem vida do padrasto para o quintal, encarando o morto com certo nojo. Aquele homem tinha sido culpado por todo o sofrimento de sua mãe e agora ele estava morto.”
Fale com o autor