Notas iniciais
Não me matem! Estou de volta depois de mais um longo recesso. Concluir esta estória tem sido mais complicado do que eu pensava rs. Mais uma vez, minhas infinitas desculpas pelo sumiço. Explicações nas notas finais.

EDUARDA

Ainda era bem cedinho quando acordei, talvez por volta de 6h da manhã. Levei alguns segundos até despertar realmente e me situar tentando me dar conta de onde estava. O teto e as paredes que me encaravam não eram familiares, mas o perfume que tomava conta do ambiente foi o que me trouxe à tona. Não importava onde eu estava, ela estava ali comigo. E como se confirmando esse pensamento, ela mexeu-se ainda no seu sono tranquilo, me fazendo perceber a proximidade do corpo pequeno que me abraçava. A cabeça apoiada em meu ombro, e os cabelos negros — de onde vinha o perfume — estavam espalhados sobre nós duas.

Sorri amplamente ao olhar para ela, não queria estar em outro lugar que não ali, com Manuela em meus braços, e sabendo que agora tudo estava bem entre nós.

Não sei quanto tempo passei observando-a, redecorando cada traço daquele rosto que conhecia tão bem. Passei os dedos sobre as sobrancelhas bem desenhadas que traduziam cada emoção dela: quando estava brava, elas se arqueavam de modo docemente ameaçador, e quando ficava preocupada ou se concentrava em algo, formavam uma pequena ruga onde se encontravam.

Deixei-me viajar no tempo até alguns meses atrás, ainda nas primeiras semanas do nosso namoro. Eu tinha ido passar um fim de semana na casa da minha avó e nós ficamos sem nos ver. Na segunda-feira seguinte ao meu retorno, nós faltamos à aula e ficamos na casa dela matando as saudades. Manu tinha inventado uma desculpa para a mãe, dizendo que não tínhamos aula, já que, justamente naquele dia, a minha sogra não precisava comparecer à empresa na qual trabalhava. Passamos a manhã inteira em seu quarto, conversando, brincando, aproveitando a presença uma da outra. Mas apenas como amigas, a porta permaneceu aberta todo o tempo que estávamos lá para não levantar suspeitas.

Foi naquela manhã que me dei conta de que precisava de Manuela mais do que pensava.

''Estávamos sentadas em sua cama, eu na beirada, de costas para Manu, e ela atrás, mexendo no celular. Me surpreendi quando ela passou seus braços pela minha barriga, me abraçando e deitando a cabeça em meu ombro. A sua respiração leve batia de encontro a minha pele, trazendo o ar morno vindo direto de seus pulmões. Sensação maravilhosa aquela! Tive que me esforçar para tentar esconder o arrepio que tomou conta de todo o meu corpo naquele momento. Em vão. A quem eu queria enganar? Poderia mentir (descaradamente), dizer que ela não mexia comigo. Mas de que adiantaria? O desespero das batidas do meu coração contou toda a verdade a ela. E ela sorriu. Sorriu lindamente para mim, acelerando ainda mais meus batimentos, mostrando o que eu achava impossível. Um coração poderia bater naquela velocidade sem que fosse um infarto? Mas do que entendo eu de Biologia? O importante mesmo era ali, naquele momento, as sensações que a presença dela causava em mim. Um beijo despretensioso no ombro, um suspiro. Sorrisos involuntários de ambas as partes, uma sensação de leveza que me fazia imaginar que talvez estivesse em um sonho, voando, apenas aproveitando a tranquilidade e o silêncio que palavra nenhuma poderia substituir.

"Meu Deus! O que ela está fazendo comigo?", eu pensei naquele momento, ao sentir seus lábios passeando lentamente pelo meu pescoço e nuca.

Já não era dona da minha respiração. O coração? Daquele ali eu já desistira há tempos. Senti-la ali, tão pertinho de mim... Mágico! Incrível! O risco de a mãe dela aparecer a qualquer momento, elevava a adrenalina. Um beijo. Foi tudo o que arriscamos. Mesmo assim, depois do que eu julguei ser bastante tempo (um fim de semana) sentir seus lábios de encontro aos meus, a sensação incrível era a mesma. O choque que passava por todo o meu corpo quando ela me tocava, a tremedeira nas mãos, o suor frio... Era tudo culpa dela. Manuela, o nome da minha perdição."

–-- Posso saber o que colocou esse sorriso bobo aí nos seus lábios? — eu abri ainda mais o sorriso ao perceber que os olhos azuis tremulavam e se abriam para mim

Me virei na cama, de maneira a ficar de frente para Manuela e depositei um pequeno beijo em seus lábios.

–-- Bom dia, amor — falei, colocando uma mecha de cabelo negro para trás de sua orelha — Dormiu bem?

–-- Bom dia — respondeu preguiçosa — Maravilhosamente bem, mas a senhora não vai me enrolar... Porque tava rindo igual boba agora a pouco?

–-- Tava pensando na gente — respondi e ela sorriu

–-- Huum, pensando em quê, exatamente?

–-- Apenas relembrando alguns momentos que passamos juntas e me dando conta do quanto você sempre me fez bem

Vi suas bochechas corarem lindamente e recebi um beijo apaixonado em resposta.

–-- Uau! — falei quando o ar faltou e tivemos que nos separar — Preciso anotar isso para repetir sempre que quiser ganhar um beijo desses — brinquei e logo notei uma expressão maliciosa em seu rosto.

Manu se aproximou novamente, como se fosse me beijar, mas só roçou seus lábios macios nos meus antes de me empurrar, fazendo-me deitar de costas na cama e sentar-se sobre mim com uma perna de cada lado do meu corpo, me pegando completamente de surpresa. Encarei-a e notei que a expressão de quem tinha intenção de aprontar intensificara-se.

–-- Que cara é essa? — questionei.

–-- Nada — sorriu — Só estava me lembrando de umas coisas que aconteceram ontem à noite.

–-- O-ontem à noi-te? Mas ontem não aconteceu nada.

–-- Exatamente! Você provocou e fugiu da raia — lábios caminhando pelo meu pescoço... isso nunca terminava bem...

–-- P-provoquei? — era impressionante como a gagueira tomava conta de mim naqueles momentos

–-- Uhum — uma mordida na ponta da orelha que me arrepiou até a alma — Pensa que eu esqueci de você deixando aquela toalha cair de propósito?

–-- Mas foi você que começou! — protestei

–-- E de madrugada? Fui eu que comecei também? — ela agora se ergueu, somente o suficiente para me olhar

Eu lembrava do episódio, mas fora um acidente, nem sabia o que estava acontecendo até Manu me acordar reclamando.

–-- Eu tava dormindo, amor. Juro que foi sem querer — tentei explicar

–-- Você vai tentar me convencer de que aquela mão boba, muito bem direcionada por sinal, foi "sem querer"?

–-- É — falei simplesmente enquanto ela ria incrédula

–-- Tudo bem, eu acredito em você

–-- Acredita?

–-- Uhum — murmurou antes de me beijar novamente

Aquele beijo safado que ela dava quando queria provocar um incêndio no meu corpo. Eu, claro, sempre correspondia à altura. E o fogo ardia dentro de mim. Minhas mãos apertavam sua cintura quando ela se remexeu sobre o meu quadril, me fazendo soltar um gemido involuntário, antes de se separar de mim e me olhar daquele jeito cafajeste e falar:

–-- Oops, foi sem querer

–-- Sem querer? Eu vou te mostrar o "sem querer" — me sentei na cama, ainda com ela em meu colo e devolvi o beijo de segundos antes

Eu só conseguira me conter para não matar a saudade que estava de Manuela na noite anterior graças ao cansaço provocado pelo longo dia no mar, que aliás, eu não imagina que cansava tanto. Depois do filme, eu simplesmente apaguei, não dando chance para que acontecesse nada, mas nada me impedia de fazê-lo naquela manhã.

Antes de terminar o beijo, Manuela já puxava a minha camiseta, tirando-a e jogando em qualquer lugar. Fiz o mesmo com a dela e nossos lábios voltaram a se chocar. Nenhuma de nós duas usava sutiã, facilitando as coisas. Desci minha boca sobre seu pescoço alvo, beijando e dando leves mordidas enquanto minha mão subia em direção aos seios. Manuela deixou a cabeça pender para trás com um pequeno gemido, me dando livre acesso àquela área sensível. Eu intercalava beijos entre sua boca, pescoço e orelha enquanto meus dedos brincavam com seus mamilos, deixando-os ainda mais rígidos.

Cada gemido que ela soltava, me incentivava a continuar e me excitava de forma absurda, tamanha era a saudade que eu estava do seu corpo, do seu cheiro, de tudo nela. Fui descendo meus beijos pela sua clavícula e recebi o incentivo de sua mão, puxando os cabelos da minha nuca, me direcionando para onde ela queria que eu chegasse. Sorri com satisfação pelo seu gesto, e não me fiz de desentendida, abocanhando seu seio logo em seguida, fazendo-a arquear as costas. Sustentei seu corpo espalmando a mão que estava livre na base de sua coluna enquanto sugava avidamente um seio e massageava o outro. Aqueles gemidos gostosos de Manuela, que me levavam à loucura, já preenchiam o quarto.

Num movimento rápido, girei sobre ela, deitando-a na cama e recebi um olhar de matar quando parei para observar o belo corpo à minha frente.

–-- Vem — a palavra dita mais em tom de ordem que de pedido, foi a única coisa necessária para me fazer obedecer de bom grado

Avancei novamente sobre ela, tomando seus lábios nos meus em um beijo que nos deixou ofegantes. E mais uma vez eu desci por seu corpo, dando menos atenção aos seios, mas nem por isso deixando-os passar despercebidos. Meus beijos agora já alcançavam sua cintura, fazendo um caminho pelo abdômen liso que voltara a ter aquele bronzeado em apenas uma semana que voltara a frequentar a praia. Parei abaixo do seu umbigo, sem afastar o rosto dali, olhei para cima e perguntei em tom de provocação:

–-- Posso?

–-- Deve — a resposta foi sussurrada, quase um gemido de antecipação

Posicionei as mãos dos dois lados do shorts que ela usava e o puxei juntamente com a calcinha, tendo o auxilio de seus quadris que se levantaram, facilitando o processo.

Sem demora, mergulhei nela, como um nadador mergulha em uma piscina, e a encontrei receptiva, ansiosa à minha espera. Seu cheiro era inebriante, envolvente, único. E não foi surpresa nenhuma quando a toquei com a língua e me recordei que o gosto não ficava para trás. A umidade convidativa que chegava a escorrer, sinal do seu desejo, me fez gemer enquanto a fiz minha novamente depois de tanto tempo.

MANUELA

Duda estava insaciável naquela manhã, mas eu não podia culpá-la, e muito menos me eximir de culpa. Ela não era a única louca de saudades, e fiz questão de provar isso no tempo em que ficamos ali na minha cama. Me entreguei de corpo e alma, assim como ela também o fez, vezes e vezes sem conta.

–-- Nossa... — falou ofegante ao cair na cama ao meu lado

–-- Isso foi... — concordei, também sem fôlego

O silêncio pairou por alguns segundos até repetirmos juntas, em meio a sorrisos cúmplices:

–-- Nossa

–-- Amor — chamei quando nos recuperamos totalmente

–-- Oi, meu bem — Duda virou-se, acariciando meu rosto

–-- Tô com fome — confidenciei e ela soltou uma gargalhada

–-- Agora me conta a novidade — falou, ainda em meio aos risos — Vamos tomar um banho e depois vemos o nosso café da manhã, tudo bem?

–-- Ok — concordei, mas a convenci de que banhos separados eram a melhor escolha, tendo em vista que dificilmente conseguiríamos tomar um banho juntas sem nos rendermos ao desejo e aos apelos de nossos corpos.

Estávamos na cozinha, conversando trivialidades enquanto eu fervia a água do café e olhava as torradas no forno quando a campainha tocou. Era Julia.

–-- Vim ver se ainda estavam vivas depois da maratona de sexo quente que com certeza rolou ontem à noite — debochou, sentando-se à mesa ao lado de Eduarda, que sorriu envergonhada.

Inconveniente a minha amiga? Não viram nada.

–-- Júlia! — reclamei

–-- O que foi agora? Eu disse alguma mentira?

–-- Tecnicamente, sim — Júlia me olhou como se eu fosse uma estranha — Ontem à noite não rolou nada

–-- Pode até ser, mas esses sorrisos pós-sexo são inconfundíveis! Acordaram com a corda toda hein — balançou as sobrancelhas sugestivamente, e Duda engasgou com o café

Júlia ficou lá em casa, nos fazendo companhia por um bom tempo e eu sabia que ela estava protelando para falar algo, provavelmente alguma bobagem que fizera e não sabia como contar. Ela sempre fora assim, era só aprontar alguma que vinha correndo para o meu lado.

Ela trouxe as coisas de Eduarda que haviam ficado na casa dela, e minha namorada, sob o pretexto de arrumar tudo no quarto de hóspedes — que minha mãe fizera questão de frisar que era onde ela ficaria, ao invés de no meu quarto, provavelmente ligando A + B — deixou-nos a sós.

–-- Fala — incentivei assim que Duda saiu.

–-- Fiz merda — Júlia confessou, sem rodeios, sem enrolação, como costumava ser entre nós.

–-- Ok, agora eu quero a novidade — debochei.

–-- Fui procurar a Alice hoje cedo. Ela gosta de correr na orla e eu resolvi provocar um "encontro casual".

–-- Imagino que ela não tenha gostado nada desse encontro, né?

–-- Porque ninguém me contou, Manu? — Julia parecia angustiada, e pude perceber que ela nunca tivera a intenção de magoar Alice.

–-- A gente não tinha o direito de interferir. Isso é assunto seu e dela. E, afinal, eu pensei que mais cedo ou mais tarde você fosse se dar conta que a Alice acabou se apaixonando por você, sua tonta.

–-- Como eu pude ser tão cega? Quase não pude acreditar quando ela me contou, mas agora eu percebo que faz todo o sentido do mundo. Só a burra aqui que não conseguiu entender tudo antes de acabar fazendo ela se machucar.

–-- Qual o tamanho do estrago? — indaguei.

–-- Além de quebrar o coração dela? Nada demais, mas ela não quer mais ficar comigo, à partir de agora é só amizade preto e branco.

–-- E porque isso é ruim? Afinal, você não perdeu a amizade dela, e eu sei que não se apaixonou.

–-- Tá brincando? Não sabe o que é aquela mulher na cama! Um furacão! Não acredito que vou ficar sem isso — reclamou, desolada, me fazendo rir de incredulidade.

–-- Você vai pro inferno! — falei e ela riu tristemente — É sério, a garota sofrendo e você só consegue pensar nos orgasmos que ela te deu?

–-- Alguém falou em orgasmo? — Duda perguntou rindo, retornando à sala com Dobby em seu encalço.

–-- Você tem cara de quem tem entendido bem desse assunto, né, Eduarda? — Júlia sacaneou, deixando minha namorada encabulada.

Duda me olhou, como que pedindo que eu a defendesse.

–-- Não adianta me olhar assim, quem mandou mexer com ela?

–-- Deixa quieto, eu só vim perguntar onde fica a ração desse garotão aqui — disse passando a mão nos pelos do labrador — Aliás, eu nem sabia que ele tava aqui, mas escutei um choro manhoso lá nos fundos

–-- Mamãe deixou ele lá ontem quando saiu, pra ele não fazer bagunça enquanto eu estivesse na praia com vocês

–-- Entendi, mas... Eu ainda tô curiosa, o que vocês estavam falando sobre orgasmos? — brincou, provocando Júlia

–-- Eu só tava falando o quanto a Júlia é safada, nenhuma novidade — respondi rindo — A Alice sofrendo e ela lembrando do sexo que elas tinham

–-- Ah, isso? — virou-se para a minha amiga — Você, realmente, não vale nada — brincou, fazendo com que ríssemos do tom falsamente sério que usou — Mas agora eu vou deixar a Manu falando o quanto você é cachorra e vou cuidar do outro cachorro — virou-se novamente para mim — Amor, a ração...

–-- Ah, acho que a Lúcia deixou dentro daquele armário que fica lá atrás, perto do canil

–-- Tudo bem — falou, saindo em direção aos fundos da casa, com Dobby a tira-colo — Vem menino, vamo papar, vamo?

–-- Manu, eu sei que já falei, mas não vou cansar de repetir que adorei sua namorada

–-- É, ela causa esse efeito nas pessoas — zombei, mas sabia que era a mais pura verdade. Eduarda cativava a todos, em todos os lugares por onde passava, ela simplesmente era incrível.

–-- Ei! — Júlia chamou minha atenção de volta para si — O assunto sou eu e não a sua namorada perfeitinha — falou emburrada.

–-- Tudo bem, senhorita "sou safada e fiz merda", como posso ser útil? — ironizei.

–-- Eu realmente gosto da Alice, mas...

–-- Mas não tanto quanto ela gosta de você — completei, sabendo o que viria a seguir.

–-- O que eu faço, Manu?

–-- Já cogitou deixar de galinhagem, ou tentou ficar com uma pessoa só, ao menos uma vez na sua vida?

–-- Você sabe que sim, e nunca deu certo. Por isso eu desisti da monogamia há tempos, cansei de sofrer e arrastar as pessoas ao meu redor junto comigo.

–-- Porque você não dá uma chance à Alice? Talvez ela seja a mulher que você tanto procura.

–-- Você sabe que as coisas não são assim... Se eu não consegui me envolver em todo esse tempo que a gente se conhece, não acho que vá acontecer — pelo seu suspiro, eu pude notar o cansaço, que não era físico, mas psicológico.

Júlia nunca dera certo com mulher nenhuma em sua vida. Sempre que se acertava com alguém de quem gostava, ela mesma acabava dando um jeito de estragar as coisas. Nunca conseguira manter um compromisso que não terminasse por traição, falta de confiança ou ciúmes (esse último, por parte de suas namoradas). A única por quem Júlia conseguira se apaixonar verdadeiramente, fora a primeira garota com quem ela ficou.

A "falecida", como eu e meus amigos nos referíamos a ela na ausência de Júlia, — ela nunca revelara seu verdadeiro nome, e nós respeitávamos isso devido ao sofrimento que sempre vinha à tona quando o assunto era esse — era uma garota que ela conhecera aos 14 anos, quando foi com o pai, passar férias de fim de ano, na casa de uns parentes distantes, no sul do Brasil. Ela conhecera a garota, se apaixonara perdidamente logo à primeira vista e foi correspondida. Foi seu amor de verão, mas tudo teve fim quando ela teve que retornar ao Rio e nunca mais teve contato com a "falecida".

Julia tinha o péssimo hábito de fingir que tudo estava bem, era orgulhosa demais para desabafar. Eu era a única que conseguia arrancar algo dela ocasionalmente.

Quando conheci a Júlia três anos atrás ela já ficava com a Alice e elas sempre se deram bem como amigas coloridas. Bem, isso até Alice se apaixonar pela cafajeste da minha amiga e as coisas terminarem como terminaram.

Depois de mais algum tempo de conversa, no qual Eduarda se juntou a nós, Júlia levantou-se, dizendo que iria embora. Meu convite para o almoço, que àquela altura já estava quase pronto, foi recusado, ela tinha que trabalhar mais tarde. Não insisti, sabendo que Júlia precisava de um tempo só pra ela. Marcamos de nos encontrar à noite em sua casa com o restante da "família".

Eduarda e eu tínhamos acabado de arrumar mesa quando ouvi o portão da garagem sendo aberto. Minha mãe logo entrou pela porta da cozinha.

–-- O cheiro é bom e a fome, como sempre, enorme — brincou ao deixar a bolsa num canto e vir me abraçar.

–-- Como foi a viagem?

–-- Cansativa, mas o importante é que consegui resolver tudo — respondeu se soltando e indo em direção à minha namorada — Como vai, Eduarda?

–-- Bem, D. Marina, e a senhora? — a seriedade de Duda chegava a ser engraçada

–-- Estou bem, agora que vou poder aproveitar minhas férias. Fico feliz que tenha decidido se juntar a nós, afinal de contas — virando-se novamente para mim — E então, tem comida pra mim ou vou ter que me virar?

–-- Mãe, vai tomar o seu banho, que eu sei que a senhora tá louca pra tomar, quando descer nós almoçamos

Ela concordou, e depois de mais algumas perguntas para Eduarda sobre o que ela estava achando do Rio, foi em direção ao quarto.

–-- Agora eu sei de onde saiu essa sua fome — Duda brincou quando ela saiu e ganhou um tapa de brincadeira

Terminamos de ajeitar as coisas na mesa e mamãe não demorou muito a descer com um vestidinho floral que combinava com o clima quente do Rio. Logo nos servimos e começamos a comer em um clima bem agradável.

Marina estava bem receptiva com Eduarda e parecia querer saber absolutamente tudo sobre a vida da minha namorada. Eu estava estranhando aquele comportamento da minha mãe, afinal, ela nunca dava ponto sem nó. Minutos mais tarde, minha mãe confirmou minhas suspeitas.

Duda acabava de contar um caso de "amor de irmãs" entre ela e Jéssica quando foi interrompida:

–-- Mas e então, Eduarda, já vi que você é gente de bem, uma boa menina, mas o que eu realmente quero saber é: quais são as suas intenções com a minha filha?

EDUARDA

Ainda era bem cedinho quando acordei, talvez por volta de 6h da manhã. Levei alguns segundos até despertar realmente e me situar tentando me dar conta de onde estava. O teto e as paredes que me encaravam não eram familiares, mas o perfume que tomava conta do ambiente foi o que me trouxe à tona. Não importava onde eu estava, ela estava ali comigo. E como se confirmando esse pensamento, ela mexeu-se ainda no seu sono tranquilo, me fazendo perceber a proximidade do corpo pequeno que me abraçava. A cabeça apoiada em meu ombro, e os cabelos negros — de onde vinha o perfume — estavam espalhados sobre nós duas.

Sorri amplamente ao olhar para ela, não queria estar em outro lugar que não ali, com Manuela em meus braços, e sabendo que agora tudo estava bem entre nós.

Não sei quanto tempo passei observando-a, redecorando cada traço daquele rosto que conhecia tão bem. Passei os dedos sobre as sobrancelhas bem desenhadas que traduziam cada emoção dela: quando estava brava, elas se arqueavam de modo docemente ameaçador, e quando ficava preocupada ou se concentrava em algo, formavam uma pequena ruga onde se encontravam.

Deixei-me viajar no tempo até alguns meses atrás, ainda nas primeiras semanas do nosso namoro. Eu tinha ido passar um fim de semana na casa da minha avó e nós ficamos sem nos ver. Na segunda-feira seguinte ao meu retorno, nós faltamos à aula e ficamos na casa dela matando as saudades. Manu tinha inventado uma desculpa para a mãe, dizendo que não tínhamos aula, já que, justamente naquele dia, a minha sogra não precisava comparecer à empresa na qual trabalhava. Passamos a manhã inteira em seu quarto, conversando, brincando, aproveitando a presença uma da outra. Mas apenas como amigas, a porta permaneceu aberta todo o tempo que estávamos lá para não levantar suspeitas.

Foi naquela manhã que me dei conta de que precisava de Manuela mais do que pensava.

''Estávamos sentadas em sua cama, eu na beirada, de costas para Manu, e ela atrás, mexendo no celular. Me surpreendi quando ela passou seus braços pela minha barriga, me abraçando e deitando a cabeça em meu ombro. A sua respiração leve batia de encontro a minha pele, trazendo o ar morno vindo direto de seus pulmões. Sensação maravilhosa aquela! Tive que me esforçar para tentar esconder o arrepio que tomou conta de todo o meu corpo naquele momento. Em vão. A quem eu queria enganar? Poderia mentir (descaradamente), dizer que ela não mexia comigo. Mas de que adiantaria? O desespero das batidas do meu coração contou toda a verdade a ela. E ela sorriu. Sorriu lindamente para mim, acelerando ainda mais meus batimentos, mostrando o que eu achava impossível. Um coração poderia bater naquela velocidade sem que fosse um infarto? Mas do que entendo eu de Biologia? O importante mesmo era ali, naquele momento, as sensações que a presença dela causava em mim. Um beijo despretensioso no ombro, um suspiro. Sorrisos involuntários de ambas as partes, uma sensação de leveza que me fazia imaginar que talvez estivesse em um sonho, voando, apenas aproveitando a tranquilidade e o silêncio que palavra nenhuma poderia substituir.

"Meu Deus! O que ela está fazendo comigo?", eu pensei naquele momento, ao sentir seus lábios passeando lentamente pelo meu pescoço e nuca.

Já não era dona da minha respiração. O coração? Daquele ali eu já desistira há tempos. Senti-la ali, tão pertinho de mim... Mágico! Incrível! O risco de a mãe dela aparecer a qualquer momento, elevava a adrenalina. Um beijo. Foi tudo o que arriscamos. Mesmo assim, depois do que eu julguei ser bastante tempo (um fim de semana) sentir seus lábios de encontro aos meus, a sensação incrível era a mesma. O choque que passava por todo o meu corpo quando ela me tocava, a tremedeira nas mãos, o suor frio... Era tudo culpa dela. Manuela, o nome da minha perdição."

–-- Posso saber o que colocou esse sorriso bobo aí nos seus lábios? — eu abri ainda mais o sorriso ao perceber que os olhos azuis tremulavam e se abriam para mim

Me virei na cama, de maneira a ficar de frente para Manuela e depositei um pequeno beijo em seus lábios.

–-- Bom dia, amor — falei, colocando uma mecha de cabelo negro para trás de sua orelha — Dormiu bem?

–-- Bom dia — respondeu preguiçosa — Maravilhosamente bem, mas a senhora não vai me enrolar... Porque tava rindo igual boba agora a pouco?

–-- Tava pensando na gente — respondi e ela sorriu

–-- Huum, pensando em quê, exatamente?

–-- Apenas relembrando alguns momentos que passamos juntas e me dando conta do quanto você sempre me fez bem

Vi suas bochechas corarem lindamente e recebi um beijo apaixonado em resposta.

–-- Uau! — falei quando o ar faltou e tivemos que nos separar — Preciso anotar isso para repetir sempre que quiser ganhar um beijo desses — brinquei e logo notei uma expressão maliciosa em seu rosto.

Manu se aproximou novamente, como se fosse me beijar, mas só roçou seus lábios macios nos meus antes de me empurrar, fazendo-me deitar de costas na cama e sentar-se sobre mim com uma perna de cada lado do meu corpo, me pegando completamente de surpresa. Encarei-a e notei que a expressão de quem tinha intenção de aprontar intensificara-se.

–-- Que cara é essa? — questionei.

–-- Nada — sorriu — Só estava me lembrando de umas coisas que aconteceram ontem à noite.

–-- O-ontem à noi-te? Mas ontem não aconteceu nada.

–-- Exatamente! Você provocou e fugiu da raia — lábios caminhando pelo meu pescoço... isso nunca terminava bem...

–-- P-provoquei? — era impressionante como a gagueira tomava conta de mim naqueles momentos

–-- Uhum — uma mordida na ponta da orelha que me arrepiou até a alma — Pensa que eu esqueci de você deixando aquela toalha cair de propósito?

–-- Mas foi você que começou! — protestei

–-- E de madrugada? Fui eu que comecei também? — ela agora se ergueu, somente o suficiente para me olhar

Eu lembrava do episódio, mas fora um acidente, nem sabia o que estava acontecendo até Manu me acordar reclamando.

–-- Eu tava dormindo, amor. Juro que foi sem querer — tentei explicar

–-- Você vai tentar me convencer de que aquela mão boba, muito bem direcionada por sinal, foi "sem querer"?

–-- É — falei simplesmente enquanto ela ria incrédula

–-- Tudo bem, eu acredito em você

–-- Acredita?

–-- Uhum — murmurou antes de me beijar novamente

Aquele beijo safado que ela dava quando queria provocar um incêndio no meu corpo. Eu, claro, sempre correspondia à altura. E o fogo ardia dentro de mim. Minhas mãos apertavam sua cintura quando ela se remexeu sobre o meu quadril, me fazendo soltar um gemido involuntário, antes de se separar de mim e me olhar daquele jeito cafajeste e falar:

–-- Oops, foi sem querer

–-- Sem querer? Eu vou te mostrar o "sem querer" — me sentei na cama, ainda com ela em meu colo e devolvi o beijo de segundos antes

Eu só conseguira me conter para não matar a saudade que estava de Manuela na noite anterior graças ao cansaço provocado pelo longo dia no mar, que aliás, eu não imagina que cansava tanto. Depois do filme, eu simplesmente apaguei, não dando chance para que acontecesse nada, mas nada me impedia de fazê-lo naquela manhã.

Antes de terminar o beijo, Manuela já puxava a minha camiseta, tirando-a e jogando em qualquer lugar. Fiz o mesmo com a dela e nossos lábios voltaram a se chocar. Nenhuma de nós duas usava sutiã, facilitando as coisas. Desci minha boca sobre seu pescoço alvo, beijando e dando leves mordidas enquanto minha mão subia em direção aos seios. Manuela deixou a cabeça pender para trás com um pequeno gemido, me dando livre acesso àquela área sensível. Eu intercalava beijos entre sua boca, pescoço e orelha enquanto meus dedos brincavam com seus mamilos, deixando-os ainda mais rígidos.

Cada gemido que ela soltava, me incentivava a continuar e me excitava de forma absurda, tamanha era a saudade que eu estava do seu corpo, do seu cheiro, de tudo nela. Fui descendo meus beijos pela sua clavícula e recebi o incentivo de sua mão, puxando os cabelos da minha nuca, me direcionando para onde ela queria que eu chegasse. Sorri com satisfação pelo seu gesto, e não me fiz de desentendida, abocanhando seu seio logo em seguida, fazendo-a arquear as costas. Sustentei seu corpo espalmando a mão que estava livre na base de sua coluna enquanto sugava avidamente um seio e massageava o outro. Aqueles gemidos gostosos de Manuela, que me levavam à loucura, já preenchiam o quarto.

Num movimento rápido, girei sobre ela, deitando-a na cama e recebi um olhar de matar quando parei para observar o belo corpo à minha frente.

–-- Vem — a palavra dita mais em tom de ordem que de pedido, foi a única coisa necessária para me fazer obedecer de bom grado

Avancei novamente sobre ela, tomando seus lábios nos meus em um beijo que nos deixou ofegantes. E mais uma vez eu desci por seu corpo, dando menos atenção aos seios, mas nem por isso deixando-os passar despercebidos. Meus beijos agora já alcançavam sua cintura, fazendo um caminho pelo abdômen liso que voltara a ter aquele bronzeado em apenas uma semana que voltara a frequentar a praia. Parei abaixo do seu umbigo, sem afastar o rosto dali, olhei para cima e perguntei em tom de provocação:

–-- Posso?

–-- Deve — a resposta foi sussurrada, quase um gemido de antecipação

Posicionei as mãos dos dois lados do shorts que ela usava e o puxei juntamente com a calcinha, tendo o auxilio de seus quadris que se levantaram, facilitando o processo.

Sem demora, mergulhei nela, como um nadador mergulha em uma piscina, e a encontrei receptiva, ansiosa à minha espera. Seu cheiro era inebriante, envolvente, único. E não foi surpresa nenhuma quando a toquei com a língua e me recordei que o gosto não ficava para trás. A umidade convidativa que chegava a escorrer, sinal do seu desejo, me fez gemer enquanto a fiz minha novamente depois de tanto tempo.

MANUELA

Duda estava insaciável naquela manhã, mas eu não podia culpá-la, e muito menos me eximir de culpa. Ela não era a única louca de saudades, e fiz questão de provar isso no tempo em que ficamos ali na minha cama. Me entreguei de corpo e alma, assim como ela também o fez, vezes e vezes sem conta.

–-- Nossa... — falou ofegante ao cair na cama ao meu lado

–-- Isso foi... — concordei, também sem fôlego

O silêncio pairou por alguns segundos até repetirmos juntas, em meio a sorrisos cúmplices:

–-- Nossa

–-- Amor — chamei quando nos recuperamos totalmente

–-- Oi, meu bem — Duda virou-se, acariciando meu rosto

–-- Tô com fome — confidenciei e ela soltou uma gargalhada

–-- Agora me conta a novidade — falou, ainda em meio aos risos — Vamos tomar um banho e depois vemos o nosso café da manhã, tudo bem?

–-- Ok — concordei, mas a convenci de que banhos separados eram a melhor escolha, tendo em vista que dificilmente conseguiríamos tomar um banho juntas sem nos rendermos ao desejo e aos apelos de nossos corpos.

Estávamos na cozinha, conversando trivialidades enquanto eu fervia a água do café e olhava as torradas no forno quando a campainha tocou. Era Julia.

–-- Vim ver se ainda estavam vivas depois da maratona de sexo quente que com certeza rolou ontem à noite — debochou, sentando-se à mesa ao lado de Eduarda, que sorriu envergonhada.

Inconveniente a minha amiga? Não viram nada.

–-- Júlia! — reclamei

–-- O que foi agora? Eu disse alguma mentira?

–-- Tecnicamente, sim — Júlia me olhou como se eu fosse uma estranha — Ontem à noite não rolou nada

–-- Pode até ser, mas esses sorrisos pós-sexo são inconfundíveis! Acordaram com a corda toda hein — balançou as sobrancelhas sugestivamente, e Duda engasgou com o café

Júlia ficou lá em casa, nos fazendo companhia por um bom tempo e eu sabia que ela estava protelando para falar algo, provavelmente alguma bobagem que fizera e não sabia como contar. Ela sempre fora assim, era só aprontar alguma que vinha correndo para o meu lado.

Ela trouxe as coisas de Eduarda que haviam ficado na casa dela, e minha namorada, sob o pretexto de arrumar tudo no quarto de hóspedes — que minha mãe fizera questão de frisar que era onde ela ficaria, ao invés de no meu quarto, provavelmente ligando A + B — deixou-nos a sós.

–-- Fala — incentivei assim que Duda saiu.

–-- Fiz merda — Júlia confessou, sem rodeios, sem enrolação, como costumava ser entre nós.

–-- Ok, agora eu quero a novidade — debochei.

–-- Fui procurar a Alice hoje cedo. Ela gosta de correr na orla e eu resolvi provocar um "encontro casual".

–-- Imagino que ela não tenha gostado nada desse encontro, né?

–-- Porque ninguém me contou, Manu? — Julia parecia angustiada, e pude perceber que ela nunca tivera a intenção de magoar Alice.

–-- A gente não tinha o direito de interferir. Isso é assunto seu e dela. E, afinal, eu pensei que mais cedo ou mais tarde você fosse se dar conta que a Alice acabou se apaixonando por você, sua tonta.

–-- Como eu pude ser tão cega? Quase não pude acreditar quando ela me contou, mas agora eu percebo que faz todo o sentido do mundo. Só a burra aqui que não conseguiu entender tudo antes de acabar fazendo ela se machucar.

–-- Qual o tamanho do estrago? — indaguei.

–-- Além de quebrar o coração dela? Nada demais, mas ela não quer mais ficar comigo, à partir de agora é só amizade preto e branco.

–-- E porque isso é ruim? Afinal, você não perdeu a amizade dela, e eu sei que não se apaixonou.

–-- Tá brincando? Não sabe o que é aquela mulher na cama! Um furacão! Não acredito que vou ficar sem isso — reclamou, desolada, me fazendo rir de incredulidade.

–-- Você vai pro inferno! — falei e ela riu tristemente — É sério, a garota sofrendo e você só consegue pensar nos orgasmos que ela te deu?

–-- Alguém falou em orgasmo? — Duda perguntou rindo, retornando à sala com Dobby em seu encalço.

–-- Você tem cara de quem tem entendido bem desse assunto, né, Eduarda? — Júlia sacaneou, deixando minha namorada encabulada.

Duda me olhou, como que pedindo que eu a defendesse.

–-- Não adianta me olhar assim, quem mandou mexer com ela?

–-- Deixa quieto, eu só vim perguntar onde fica a ração desse garotão aqui — disse passando a mão nos pelos do labrador — Aliás, eu nem sabia que ele tava aqui, mas escutei um choro manhoso lá nos fundos

–-- Mamãe deixou ele lá ontem quando saiu, pra ele não fazer bagunça enquanto eu estivesse na praia com vocês

–-- Entendi, mas... Eu ainda tô curiosa, o que vocês estavam falando sobre orgasmos? — brincou, provocando Júlia

–-- Eu só tava falando o quanto a Júlia é safada, nenhuma novidade — respondi rindo — A Alice sofrendo e ela lembrando do sexo que elas tinham

–-- Ah, isso? — virou-se para a minha amiga — Você, realmente, não vale nada — brincou, fazendo com que ríssemos do tom falsamente sério que usou — Mas agora eu vou deixar a Manu falando o quanto você é cachorra e vou cuidar do outro cachorro — virou-se novamente para mim — Amor, a ração...

–-- Ah, acho que a Lúcia deixou dentro daquele armário que fica lá atrás, perto do canil

–-- Tudo bem — falou, saindo em direção aos fundos da casa, com Dobby a tira-colo — Vem menino, vamo papar, vamo?

–-- Manu, eu sei que já falei, mas não vou cansar de repetir que adorei sua namorada

–-- É, ela causa esse efeito nas pessoas — zombei, mas sabia que era a mais pura verdade. Eduarda cativava a todos, em todos os lugares por onde passava, ela simplesmente era incrível.

–-- Ei! — Júlia chamou minha atenção de volta para si — O assunto sou eu e não a sua namorada perfeitinha — falou emburrada.

–-- Tudo bem, senhorita "sou safada e fiz merda", como posso ser útil? — ironizei.

–-- Eu realmente gosto da Alice, mas...

–-- Mas não tanto quanto ela gosta de você — completei, sabendo o que viria a seguir.

–-- O que eu faço, Manu?

–-- Já cogitou deixar de galinhagem, ou tentou ficar com uma pessoa só, ao menos uma vez na sua vida?

–-- Você sabe que sim, e nunca deu certo. Por isso eu desisti da monogamia há tempos, cansei de sofrer e arrastar as pessoas ao meu redor junto comigo.

–-- Porque você não dá uma chance à Alice? Talvez ela seja a mulher que você tanto procura.

–-- Você sabe que as coisas não são assim... Se eu não consegui me envolver em todo esse tempo que a gente se conhece, não acho que vá acontecer — pelo seu suspiro, eu pude notar o cansaço, que não era físico, mas psicológico.

Júlia nunca dera certo com mulher nenhuma em sua vida. Sempre que se acertava com alguém de quem gostava, ela mesma acabava dando um jeito de estragar as coisas. Nunca conseguira manter um compromisso que não terminasse por traição, falta de confiança ou ciúmes (esse último, por parte de suas namoradas). A única por quem Júlia conseguira se apaixonar verdadeiramente, fora a primeira garota com quem ela ficou.

A "falecida", como eu e meus amigos nos referíamos a ela na ausência de Júlia, — ela nunca revelara seu verdadeiro nome, e nós respeitávamos isso devido ao sofrimento que sempre vinha à tona quando o assunto era esse — era uma garota que ela conhecera aos 14 anos, quando foi com o pai, passar férias de fim de ano, na casa de uns parentes distantes, no sul do Brasil. Ela conhecera a garota, se apaixonara perdidamente logo à primeira vista e foi correspondida. Foi seu amor de verão, mas tudo teve fim quando ela teve que retornar ao Rio e nunca mais teve contato com a "falecida".

Julia tinha o péssimo hábito de fingir que tudo estava bem, era orgulhosa demais para desabafar. Eu era a única que conseguia arrancar algo dela ocasionalmente.

Quando conheci a Júlia três anos atrás ela já ficava com a Alice e elas sempre se deram bem como amigas coloridas. Bem, isso até Alice se apaixonar pela cafajeste da minha amiga e as coisas terminarem como terminaram.

Depois de mais algum tempo de conversa, no qual Eduarda se juntou a nós, Júlia levantou-se, dizendo que iria embora. Meu convite para o almoço, que àquela altura já estava quase pronto, foi recusado, ela tinha que trabalhar mais tarde. Não insisti, sabendo que Júlia precisava de um tempo só pra ela. Marcamos de nos encontrar à noite em sua casa com o restante da "família".

Eduarda e eu tínhamos acabado de arrumar mesa quando ouvi o portão da garagem sendo aberto. Minha mãe logo entrou pela porta da cozinha.

–-- O cheiro é bom e a fome, como sempre, enorme — brincou ao deixar a bolsa num canto e vir me abraçar.

–-- Como foi a viagem?

–-- Cansativa, mas o importante é que consegui resolver tudo — respondeu se soltando e indo em direção à minha namorada — Como vai, Eduarda?

–-- Bem, D. Marina, e a senhora? — a seriedade de Duda chegava a ser engraçada

–-- Estou bem, agora que vou poder aproveitar minhas férias. Fico feliz que tenha decidido se juntar a nós, afinal de contas — virando-se novamente para mim — E então, tem comida pra mim ou vou ter que me virar?

–-- Mãe, vai tomar o seu banho, que eu sei que a senhora tá louca pra tomar, quando descer nós almoçamos

Ela concordou, e depois de mais algumas perguntas para Eduarda sobre o que ela estava achando do Rio, foi em direção ao quarto.

–-- Agora eu sei de onde saiu essa sua fome — Duda brincou quando ela saiu e ganhou um tapa de brincadeira

Terminamos de ajeitar as coisas na mesa e mamãe não demorou muito a descer com um vestidinho floral que combinava com o clima quente do Rio. Logo nos servimos e começamos a comer em um clima bem agradável.

Marina estava bem receptiva com Eduarda e parecia querer saber absolutamente tudo sobre a vida da minha namorada. Eu estava estranhando aquele comportamento da minha mãe, afinal, ela nunca dava ponto sem nó. Minutos mais tarde, minha mãe confirmou minhas suspeitas.

Duda acabava de contar um caso de "amor de irmãs" entre ela e Jéssica quando foi interrompida:

–-- Mas e então, Eduarda, já vi que você é gente de bem, uma boa menina, mas o que eu realmente quero saber é: quais são as suas intenções com a minha filha?

Notas finais
Primeiramente, meu pequeno testamento de explicações. Sei que devo a vocês ao menos a consideração de explicar esse hiato tão grande nas postagens. Esses últimos meses não foram nada fáceis em vários aspectos da minha vida, mas principalmente no que diz respeito à minha família. E o principal motivo de eu ter parado de escrever foi que a minha avó sofreu dois AVC's, sendo um deles por erro médico e negligência do hospital em que estava internada. Não tive cabeça para escrever absolutamente nada, nem para terminar o capítulo que já havia começado. Foram 3 meses de angústia, vendo uma das pessoas mais importantes da minha vida em coma e com os médicos dizendo que já haviam perdido as esperanças. Me desestabilizei emocionalmente, até minhas notas na faculdade sofreram uma queda enorme, uma vez que eu quase não comparecia às aulas. Mas enfim, estou de volta, minha velha rabugenta, graças a Deus acordou do coma, já está em casa e ficando melhor a cada dia. Então eu decidi que era hora de voltar. Disse uma vez e repito: posso demorar 10 anos para terminar, mas não desisto de Eduarda e Manuela, tem muito de mim nessas meninas. ************* Agora sobre o capítulo: alguém ainda lembra quem é Eduarda e Manuela? kkkkkkk Beijos e meus agradecimentos a quem não desistiu de mim e das meninas
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.