In London

2 Descobertas!!!


Ainda não eram 6 horas da manhã quando acordei, calcei a bota e me levantei. Aquele quarto me trazia inúmeras recordações, quantas vezes brincamos ali... eram muitas lembranças, logo percebi as lágrimas se formando. Mas isso deveria parar, eu tinha que ser forte, apesar de tudo eu tinha que seguir.

Resolvi ir a cozinha comer algo, já que meu estômago doia de fome. Hoje seria um dia de muitas novidades e também o dia do reencontro com o meu pai, já que acabei indo para a cama sem nem tê-lo visto. Eu sentia um aperto por isso, por ele não ter se preocupado nem me procurado para saber se tudo estava bem. Me sentia esquecida e deixada de lado... e sempre que pensava nisso lágrimas se formavam e novamente as tinha de engolir.

O mais difícil para chegar a cozinha era devido a longa escada e o meu quarto ficar no segundo andar. Respirei fundo e comecei a descer, não podia fazer muito esforço para que houvesse uma nova fratura, então tentei descer o mais devagar possível. Mas antes de chegar na metade da escada tive que parar, pois veio uma dor intensa então me sentei até recomeçar o trajeto.

–Posso ajudar senhorita? – disse uma voz já com as mãos nos meus braços me ajudando a erguer.

–Obrigada. – disse olhando um pouco para baixo. Mas quando levantei a cabeça pude ver o jovem motorista, como ele era bonito. Oh não, haja naturalmente. Com certeza eu devo estar vermelha.

–Posso ajudar a descer a escada? – perguntou ele educadamente.

–Acho que não precisa, creio que consigo ir sozinha. – me segurando no corrimão.

–Tem certeza? Posso levá-la até onde desejas. Será melhor para que não force o seu pé.

–Não se preocupe, ontem consegui fazer esse trajeto.

Ele apenas assentiu com a cabeça, apenas dei o braço pra que ele pudesse me ajudar a descer, o que foi bastante gentil da parte dele.

–Obrigada. – agradeci assim que chegamos ao último degrau.

–Estou a sua disposição senhorita. – e ainda fez uma reverência.

Como assim reverência??? Estamos no século 21, eu nunca vi nenhum homem fazendo isso. OI??

Ok, depois de vê-lo seguir em direção a porta principal e depois desaparecer, segui para a cozinha. Fiquei surpresa ao encontrar tantas pessoas por lá. Então Rachel veio em minha direção.

–Bom dia senhorita... err quer dizer Cath. O que faz de pé tão cedo?

–Bom dia Rachel e a todos. Bom eu não consegui dormir mais, na verdade precisei de tomar um daqueles comprimidos que você deixou, e agora me deu fome então vim em busca de algo. – sorri.

–Mas desceu a escada sozinha? – perguntou ela assustada.

–No começo sim, depois aquele motorista me ajudou.

–Oh céus, que bom que o Henry apareceu nesse momento. A senhorita poderia ter me chamado, era só ligar para a cozinha que eu teria ido num instante. – ela até continuou a falar mas ao pronunciar Henry eu parei de escutar.

–Rachel, aquele é o Henry? Henry Bennet? Irmão de Suzan Bennet e filhos do John Bennet? – tentei associar uma coisa a outra.

–Sim, o Henry. Se lembra dele?

Oh céus, aquele é o Henry com quem costumávamos brincar de pique por todo o jardim. Corríamos atrás um do outro, não pode ser, ele agora está trabalhando para o meu pai? Como motorista? Não posso acreditar, e como não o reconheci? Mas ele está tão bonito, tão forte e tem cara de homem. Oh céus... como posso não ter o reconhecido?

–Claro, claro que sim. Era um grande amigo. Mas como não o reconheci. Ele está tão... tão... – estava buscando uma palavra pra descrevê-lo.

–Bonito, não está? Ele mudou muito. – disse ela sorrindo. – já deve ter muitas namoradas.

–E a Suzan? Onde está?

–Suzan está estudando em Cambridge, mas como já estamos em julho logo ela estará por aqui para as férias. – disse sorrindo.

Uau! Sabia da inteligência de Suzan, mas não imaginava que ela estava estudando em Cambridge. Comi algo o mais rápido que pude, como daki a pouco mais de uma hora seria servido o café da manhã resolvi comer apenas o suficiente para que meu estômago parasse de roncar.

Antes que pudesse terminar de comer John entrou na cozinha a sua procura a indicando que seu pai a procurava e estaria aguardando no seu escritório. Não perdi tempo e peguei o rumo para o escritório, pela primeira vez ele se preocupou comigo nesses últimos dias. Mas apesar de tudo eu sentia sua falta, falta do meu pai.

Andei o mais rápido que pude em direção ao escritório. Pouco antes de alcançá-lo reparei que uma mulher loira vestida com um roupão vermelho. Deveria ser a nova namorada do meu pai, ouvi alguns empregados comentando sobre uma tal de Blair e que ela se hospedaria aqui durante a semana.

Esperei que ela desaparecesse e então voltei a caminhar em direção ao escritório. Antes de bater na porta, respirei fundo. Esse seria um reencontro com o meu pai, a quanto tempo nos encontramos. Desde a última vez que vim aqui... ele não foi ao Brasil me ver, ele nem sequer me ligou desde a morte da minha mãe. O que eu poderia expressar, tanta coisa se passa dentro de mim, tristeza, raiva, alegria, esperança e mágoas. Porque ele não me visitou nesses últimos oito anos, porque não me ligou neste ano? Muitas coisas me perturbavam, mas somente quando abrisse aquela porta poderia então descobrir o real motivo.

–Entre. – meu pai disse assim que bati na porta. Realmente tremi quando ouvi a voz dele... a quanto tempo não ouço essa voz e o sentimento de saudade tomou conta de mim.

Abri a porta e quando entrei ele estava sentado analisando alguns papéis sobre a mesa.

–Olá. – ele então levantou a cabeça e pode me ver. Eu ainda não sabia o que estava sentindo... e apenas o encarei. Ele me encarava com uma expressão surpresa, quando finalmente se levantou e veio em minha direção.

–Minha filha. – veio me abraçando. – Quanto tempo minha querida.

Ele me abraçou o mais forte que pode, devido ao braço quebrado. Quando ele me soltou pude perceber que secava os olhos e que algumas lágrimas teimavam em escapar. Então ele apenas se virou sorrindo para mim.

–Quanta saudade de você. – falava ele enquanto me indicava uma poltrona para sentar. – Como você cresceu Catherine, já é uma mulher. E se parece tanto com a Julia.

Me parecer com a minha mãe... era algo que todos costumavam afirmar. Não só aqui, mas nossos amigos no Brasil por diversas vezes afirmaram isso. Para mim era algo muito significativo, quanto mais agora. Ser essa lembrança viva de sua existência.

–É o que todo mundo diz. – abri um sorriso.

–Minha querida, me desculpe não ter ido ao Brasil. Gostaria de ter estado ao seu lado nesse momento difícil. Gostaria de ter ido te buscar. – falou ele com uma expressão de dor.

–Eu entendo, a vovó explicou sobre os seus compromissos e por isso não pôde.

–Sei que isso não é justificativa, mas... sinceramente me desculpe. – falou ele novamente deixando escapar algumas lágrimas. – Como pude deixar a minha filha num momento como esse.

Apenas o observei. Até hoje não entendo o motivo pelo qual meus pais se separaram, mas por inúmeras vezes pude perceber que ele ainda gostava dela. Porém minha mãe sempre se afastava, nunca dava muita atenção. Apesar de tê-la visto chorando algumas vezes depois de conversar com meu pai ou de ler as cartas que trocaram por um bom tempo.

–Por outro lado fico muito feliz de que tenha vindo morar conosco. Foi a melhor notícia que recebi nesses últimos dias. – disse ele forçando um sorriso.

–No Brasil, seria complicado não é? Morar sozinha nesse estado é bem difícil. – falei.

–Sim... com toda a certeza. – concordou ele. – Mas para mim é ótimo ter minha querida filha aqui.

Sempre que vinha em minhas férias, meu pai e eu costumávamos passar longos períodos juntos. Todas as suas folgas nós passeávamos pelo interior de Londres, visitar as águas termais de Bath e as pequenas cidades, os vilarejos, as ruínas de castelos. Esses eram nossos passatempos preferidos, era o nosso momento juntos. Mas, como seria agora? Com meu pai namorando, além dos compromissos no parlamento. Quanto mais que a eleição estava próxima. Meu pai era membro da câmara baixa do parlamento, ou seja dos deputados. Por sua descendência poderia estar na câmara alta se tivesse seguido a carreira a princípio, já que meu avó era tido como conde, porém por escolha meu pai preferiu ser eleito e assumir seu cargo no parlamento.

–E como será agora? – perguntei baixinho.

–Você estará mais livre do que nunca para fazer o que quiser. Se quiser cursar algo, ou não. Investir no seu futuro. No que quiser minha querida. Estará livre.

Não sei se realmente estaria livre...

–Catherine, você está ciente de que algumas coisas mudaram. Certo? – assenti com a cabeça – hoje você irá conhecer a Blair. – ele falava pausadamente e percebia que analisava minha reação. – Ela está muito ansiosa para te conhecer. Você irá gostar muito dela, é uma excelente pessoa e tem me ajudado muito. Ela quis muito dar uma festa de boas vindas para você, mas não achei que seria conveniente diante de tudo o que aconteceu.

–Oh... – uma festa, ainda bem que não foi possível realizar

–Já está na hora do café – disse ele se levantando – vamos?

Por mais que quisesse não conseguiria guardar mágoas do meu pai. Não sei o que acontece comigo... não posso, é como se fosse contra tudo o que sou. Eu o amava demais, apesar de tudo. Tantas vezes quando criança sonhei em morar nesta mansão. De me mudar para este país, mas nunca imaginei que isso realmente fosse se tornar real. Nesses últimos anos, muita coisa mudou e parei de pensar tanto na Inglaterra. Como a vida dá voltas e aqui estou eu.

Segui com meu pai para a sala onde seria servido o café da manhã. À mesa já estava a minha avó e John já começava a servir quando chegamos. Eu não estava com tanta fome, então apenas tomei um suco e comi uma torrada. Era engraçado ver o tratamento da minha avó com o meu pai, apesar de já ser um homem maduro, ela sempre fora assim e era o que tornava o café um momento de descontração.

–Sua avó se esquece que já posso me cuidar sozinho. –disse meu pai aos sussurros.

Vovó era uma mulher deslumbrante, sempre sorridente e que adorava fazer compras. Mas ao contrário do que muitos pensam, ela não comprova apenas coisas pra ela, mas também para asilos, orfanatos, os filhos dos empregados eram os mais privilegiados pela condessa todo ano em duas datas específicas, Natal e aniversário ganhavam ótimos presentes. Como era bom estar com ela novamente, poder rir. Ela era uma mulher especial.

Percebi que a mulher que havia visto mais cedo não veio para tomar café conosco. Meu pai pediu desculpas em nome dela, já que estava um pouco indisposta. Ainda é estranho pensar que meu pai está namorando, já que sempre pensei num possível retorno dele com a mamãe.

Após o café minha avó já insistiu para que eu descansasse mais, sabia da diferença de horário e o quanto ainda estava cansada pela viagem. Mas descansar era a última coisa que eu queria fazer, como queria sair andando por ai, descobrir tudo que há de novo para se descobrir em Londres. Apesar da minha vontade eu ainda estava impossibilitada de fazer tudo o que queria e segundo a minha avó o médico exigiu para que ela me fizesse ter o máximo repouso possível e logo agendasse uma consulta para verificar como andava o processo de regeneração do osso, sendo assim a fisioterapia já deveria estar marcada, principalmente para recuperação do movimento do braço, pois a fratura que sofri no pé não chegou a quebrar de forma que demorasse a voltar ao normal.

Então voltei para o meu quarto, a fim de tentar dormir um pouco já que o sono estava pegando. Sabe quando se está com sono, cansado mas mesmo assim está agitado e por causa dessa agitação não consegue dormir? Estou dessa maneira, parece que tudo é entediante e ao mesmo tempo interessante.

Tentei desfazer as malas que continham meus objetos pessoais e minhas fotografias, Rachel havia desfeito as malas com roupas e sapatos e já havia ajeitado tudo no guarda roupas e então ficara apenas meus livros, minhas fotos, minha agenda...

Comecei a pegar o conseguia, os porta retratos que pude trazer com lembranças da minha mãe, fotos dos meus amigos e mesmo dos meus avós maternos. Minha mãe não tinha irmãos, dessa forma quando meus avós morreram fomos as únicas que restaram. Dessa forma só tinha minha família inglesa.

Não pude conter as lágrimas ao ver as fotos dos momentos alegres que passamos juntas, de tudo que compartilhamos. Pude colocar uma foto nossa da minha formatura do colegial no criado que ficava próximo a minha cama.

Ajeitei o máximo que consegui as minhas coisas, transformar aquele quarto em um lugar mais aconchegante, aliás mais aconchegante pois com todas as suas estruturas era mais do que eu poderia pedir.

Caminhei até a janela e pude ver que algumas crianças brincavam no jardim, percebi que Henry estava com eles. Como poderia estar tão diferente e como posso não o ter reconhecido, com aqueles enormes olhos azuis. Ele brincava com as crianças, um menino extremamente ruivo e uma garotinha loira. Como ele estava bonito, nunca poderia imaginar que ele se transformaria nesse homem.

Quando éramos crianças costumávamos correr por toda a casa, sempre que ia para o interior ele e sua irmã vinham comigo para poder andar a cavalo e nadar no rio. Henry era três anos mais velho que eu e Suzan apenas um ano, eram ótimas pessoas. Enquanto ainda o observava brincar, pude ver o sorriso de cada um deles, de alegria e naquele momento voltei a reconhecer aquele maravilhoso sorriso que sempre me encatara. A janela estava aberta, como era um típico verão inglês uma brisa leve batia em meu rosto, fechei os olhos por um momento para aproveitar aquela deliciosa sensação. Quando voltei a abrir meus olhos pude perceber que ele me encarava, senti minhas bochechas queimarem deveria ter ficado muito vermelha. Não sabia o que fazer e não conseguia me mover, ele apenas gesticulou com a cabeça e deu um sorriso torto. Nesse momento consegui sair de cena e voltei para minha cama.

Eu ainda não havia conversado com ele, desde a minha chegada e desde o momento em que descobri quem ele é. Não havíamos nos encontrado novamente. Tentei esquecer um pouco disso e de como ele estava incrivelmente lindo. Então resolvi ler um dos meus livros, que consegui trazer Abadia de Northanger de uma escritora inglesa, Jane Austen. Vejam só... mesmo que se eu quisesse a Inglaterra não sairia de mim, já que essa é minha autoria favorita.

Tentei me distrair o máximo que pude, mas os gritos intermináveis da crianças não me deixavam, estavam alegres demais e sinceramente eu gostaria de poder pedir um pouco dessa alegria toda. Nunca me senti tão melancólica e introspectiva.

Buscava me concentrar no livro e não percebi quando peguei no sono, quando me dei conta Rachel já estava no meu quarto, separando alguma roupa.

–Rachel, o que faz aqui? – perguntei ainda sonolenta.

–Senhorita, alguns amigos de seu pai vieram para um jantar e ele gostaria que estivesse presente. Então tomei a liberdade de separar uma roupa.

–Oh Rachel, mas quantas horas são?

–Minha querida, já passam das três da tarde.

Como eu peguei nesse sono tão profundo?

–Até trouxe um lanche, pois a senhorita não desceu para o almoço e como o Henry veio te chamar e percebeu que estava dormindo. Não queríamos incomodá-la.

O Henry esteve aqui? Mas ele não é motorista? Como assim ele veio me chamar e a porta estava aberta? Como ele sabia que eu estava dormindo? Fiquei martelando essas perguntas na minha cabeça por um tempo.

–Mas o Henry não é motorista? – foi a única coisa que consegui perguntar.

–Bom... sim, mas ele terá uma tarefa diferente daqui para frente. Então, ele também ajuda em casa.

Já estava tudo muito confuso o suficiente e eu ainda tentava raciocinar da melhor forma possível, depois de despertar de um profundo sono.

–Nossa, meu estômago está roncando. – enquanto atacava o lanche que ela havia trago. – Mas Rachel, me diga uma coisa. Como será esse jantar? É algo de gala? E que amigos do meu pai virão? Não estou apresentável nesse momento, acabei de sofrer um acidente e estou toda roxa, além de não poder nem calçar um salto.

–Calma, calma. Ele já pensou nisso, é apenas um jantar simples com a sua família e um ou dois amigos do seu pai que virão.

–Minhas primas também virão?

–Creio que sim, soube hoje que elas estão ansiosas para te reencontrar.

Essa notícia me animou para o jantar que estava sendo preparado, como queria reencontrar as minhas primas, queridas amigas. Seria bom para passar o tempo, para distrair de tudo. O melhor é que estávamos no mês de julho e grande parte das pessoas estava de férias, o que contribuiria para melhor aproveitar o momento com elas.

–Sua avó te mandou esse vestido. – disse Rachel me mostrando um vestido preto que estava pendurado na parede.

–Que belo vestido, mas como vou usá-lo sem salto? E não tenho sapatos para essas ocasiões.

–Minha queria Catherine, você se esqueceu que a condessa Sophie McWayans pensa em tudo? Ela não se esqueceu de nenhum detalhe, trouxe dois belos pares de sapato para que você pudesse escolher o que for melhor e mais confortável. E ninguém irá repara por não estar de salto.

Minha avó é realmente incrível, como ela pode pensar em tudo dessa maneira? E não trouxe apenas aquele belo vestido, mas também outras roupas de festa, para renovar meu guarda roupa. Sabia que eu ainda estava impossibilitada de andar por longos períodos no shopping e então os trouxe para mim.

–Ela nunca para de me surpreender. – comentei.

As 08:00 p.m. os convidados começaram a chegar, pela janela pude perceber algum movimento e vi que eram poucos carros, o que me fez agradecer inúmeras vezes. Já estava pronta e estava pensando em descer quando alguém bateu a minha porta. Para minha surpresa era o Henry, que estava lindo com seu terno e gravata.

–Boa noite senhorita. – disse sorrindo discretamente.

–Boa noite.

–Seu pai pediu que viesse buscá-la e que a ajudasse a descer as escadas. – eu deveria estar com cara de boba, já que não conseguia deixar de encará-lo.

–Ahn... tudo bem.

–Está muito bonita senhorita McWayans. – disse ele.

–Ahn... obrigada, Henry. – sua expressão era de surpresa, então questionei — Porque você não me disse quem era em nenhum momento?

–Ahn... senhorita, não queria incomodá-la. Passou por diversos momentos, além do mais não é da conduta de um empregado ficar se apresentando ou importunando. – disse ele sério e com a cabeça um pouco mais baixa.

–Henry, você nunca me importunou. Esqueceu que sempre fomos amigos?

–Não. Eu nunca me esqueci Cath. – disse olhando em meus olhos e o Cath saiu quase como um sussurro.

Ele não sabia da vontade imensa que tinha de abraçá-lo, como sentira sua falta durante esse tempo. Lembrar dos momentos alegres no rio me fez rir, por vezes eu e Suzan o empurramos e ele sempre levava na esportiva tudo que faziamos. A única coisa que pude fazer foi sorrir.

–Eu não esperava te encontrar como motorista de Eveny Street.

–Você sempre soube da minha paixão por carros. E do quanto sempre gostei dessa casa. Não sei se me veria fazendo qualquer outra coisa.

–Sim, isso é verdade. – então sorrimos.

–Desculpe não ter me apresentado antes, mas é apenas que... bom, eu não sabia como o fazer e você não havia me reconhecido. Ahn...

–Agora nós já nos reconhecemos – falei – e podemos continuar a ser amigos.

Percebi que ele não falou nada, apenas fez que sim com a cabeça. Henry sempre fora um rapaz muito educado, apesar de que vivia fazendo gracinhas para cima de mim.

–Bom, acho que já está na hora de irmos, senão irá perder o jantar. – falou ele já estendendo o braço para mim.

–Sim, vamos.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.