In His Last Breath

1 Capítulo único


Notas iniciais
É uma one bem dramática e curtinha, pois eu não via uma jeito de continuar com isso, sem partir meu próprio coração (eu faço muito isso).Escutei o início da música Land Of Snow And Sorrow do Wintersun, e deuses, só o início me deu a ideia, porque a letra não tem basicamente nada a ver com a história, só por ela soar muito bem com o ritmo de leitura e dar o drama necessário.Então, leiam escutando essa música:http://www.youtube.com/watch?v=cZB6JVllJSg#t=248Boa leitura, docinhos!

Percy não conseguia se perdoar por tudo que fez Annabeth passar.

Viu por entre as grades da jaula os peões de Gaia trabalharam rapidamente, para o que vinha a seguir. Era o que ele mais temia o tempo inteiro.

Ele moveu os pulsos, buscando aliviar a dor e forçar a algema de terra, sem sucesso. Respirou fundo e sentiu o ar sujo arranhar a garganta.

— Annie... — chamou, virando o rosto para a loira toda encolhida sobre os joelhos, os braços presos nas costas, como ele.

Ela engoliu em seco e olhou para ele. Percy ao mesmo tempo queria fugir do seu olhar e queria abraça-la com toda a força que podia.

— Será que ainda há tempo para que...? — Annabeth perguntou, mordendo o lábio.

Percy olhou para frente, estudando as paredes rochosas.

Estavam numa caverna subterrânea, um buraco perdido debaixo da superfície. Ele queria ter fé em alguma coisa que seus amigos iriam aparecer a tempo de salvá-los, que iriam derrotar Gaia e que eles fugiriam dali a salvo. Mas ele sabia que isso era impossível. Que eles não tinham chance alguma. Que não havia escapatória.

— Acho que, bem... — sentiu o olhar dela em si e sentiu vergonha por tentar mentir e também por não saber mentir. — Eu... Duvido muito que eles consigam.

Ela suspirou e Percy deu de ombros.

— Quase tudo pronto — um ciclope exclamou, batendo continência para a parede.

— Ótimo... — uma voz retumbou das profundezas. As algemas de terra dissolveram-se. — Um tempinho para os pequenos apaixonados se despedirem...

Sua risada ressoou do chão até o teto, como se apenas a vibração de sua voz pudesse colocar todo o lugar abaixo.

— Contracorrente não voltou ainda? — Annabeth sussurrou.

— Não — ele disse, as sobrancelhas franzidas.

Ele não entendia, ela sempre voltava. Mas desta vez, Contracorrente havia caído num precipício perto daquela caverna onde estavam e agora seus bolsos estavam mais vazios do que nunca. Percy se sentia abandonado, como se a espada nem tivesse voltado para ver a desgraça do semideus.

Annabeth gemeu e seus olhos brilharam com a luz fraca das tochas.

— Então... — sua voz falhou e ela precisou engolir. — Esse é o fim?

Seus lábios tremiam e suas sobrancelhas se uniram.

Percy umedeceu os lábios, meneando com a cabeça.

Ela escondeu o rosto entre as mãos e os soluços balançaram seus ombros.

— Annabeth! Olhe pra mim! — seus olhos cinza nunca aparentaram tanto cansaço e tristeza. — Eu sinto muito. — agora, as lágrimas molhavam as suas próprias bochechas. Fazia muito tempo que não havia se permitido chorar.

— Pelo que?

— É tudo minha culpa. Se você não tivesse me conhecido ou qualquer coisa parecida...

Silenciou-o com o indicador.

— Jamais conseguirei me arrepender dos momentos que passamos juntos, Cabeça de Alga, sejam eles bons ou ruins.

Percy não conseguia ver seu rosto direito por causa da luz fraca, mas sabia que mesmo cansada, ferida, abatida e fraca, ela ainda era a menina, garota, mulher mais linda que ele já havia conhecido.

— Você... — umedeceu novamente os lábios secos. — Tornou-se minha vida, Annabeth. Eu amo você, com a mesma força que segurei o céu.

— E eu amo você desde o bendito dia que babou naquele travesseiro — o moreno passou a mão no rosto quente e molhado pelas lágrimas dela e a trouxe mais perto para um beijo.

O beijo foi carinhoso e lento, quase como um pedido de desculpas.

— Esse beijo foi bom, mas nosso beijo subaquático foi o melhor de todos — ela disse tentando rir, mas acabou se engasgando em lágrimas.

Ele concordou com a cabeça, sorrindo e chorando. Fechou os olhos. Quando os abriu, seus olhos nunca estiveram tão verdes como naquele momento.

— Está na hora — uma voz soou das profundezas.

A porta da jaula se abriu num estrondo e algo encapuzado, completamente trajado em preto, se aproximou com uma lâmina brilhante e afiada.

A terra os empurrou para fora e os guiou a força até o meio da caverna vazia onde se havia criado algo como um altar.

Percy segurou a mão de Annabeth e se pôs a sua frente, de costas para a lâmina, como se houvesse algum modo de protegê-la.

— Que menino corajoso... Mas não poderia ser melhor. Dois coelhos em uma cajadada só! — vangloriou Gaia.

Quando a espada atravessou a carne e se retirou, os dois caíram deitados, lado a lado. Da mesma forma que uma vez fizeram em um piquenique num belo dia de verão antes de Percy perder a memória.

“— Você pensa no futuro? — Percy perguntou deitado ao lado de Annabeth sobre uma toalha xadrez vermelha e branca estendida numa clareira, o sol e o vento tocando suas peles.

— Eu tento. Tento todos os dias. — ela se deitou de lado, apoiando o rosto na mão. — Mas é sempre tão difícil. Tantos monstros, tantos empecilhos...

— Eu sei — o moreno se deitou como a garota e mexeu no cabelo loiro dela. — O futuro é incerto demais para nós.

Ela concordou com a cabeça e apertou a mão dele contra seu rosto, de olhos fechados.

— Eu tenho você, afinal de contas — ele não disse nada, a estimulando a continuar. — Sabe, pra mim não faz diferença aonde vamos parar, o que acontecerá, enquanto eu tiver você ao meu lado... — suspirou, abrindo seus olhos tempestade — Nada disso tem importância. Eu terei você e isso me é suficiente pela minha vida inteira, independente de quanto pouco tempo ela dure.

Percy fez um carinho no rosto dela e sorriu.

— Eu serei para sempre seu, Annabeth. Juro pelo rio Estige.

Um trovão se ouviu ao longe.

— Isso é o tipo de promessa que nem os deuses podem quebrar.

— Quem disse que esse é o tipo de promessa que eu quero quebrar?”

Ele acariciou o rosto dela com a mão ensanguentada, da mesma maneira que tinha feito tempos atrás.

— Vamos renascer? — perguntou, mexendo no cabelo da nuca dela.

Annabeth levou sua mão até o rosto dele, quase sem forças. Fez como ele fazia em seu rosto e concordou, com os olhos cheios de lágrimas.

— Eu amo você — ela assumiu em um murmúrio.

— Te vejo no outro lado — Percy sussurrou, beijando-lhe os olhos tempestade fechados de sua amada.

Uma lágrima escorreu de seus olhos verdes quando percebeu que o peito dela não se movia mais. Olhou mais uma vez para o belo rosto machucado de Annabeth, tentando gravar todos os traços de sua beleza delicada e forte de alguma maneira em sua mente.

Por um momento, ele pensou em todos que deixaria para trás e a tristeza esfriou seu coração fraco. Sua mãe, seu pai, seus amigos, seus sonhos, seu futuro, tudo.

E deu seu último suspiro, sorrindo, pois sabia que encontraria Annabeth novamente. E isso lhe bastava.

Por toda a eternidade.

And the white snow is falling from the starlit sky
And the stars are shining like your eyes
You are so beautiful
And I will follow them in this cold winter night
So I'd find my way to you this time

Land Of Snow And Sorrow — Wintersun

Notas finais
É, eu sei. Como eu pude fazer isso com o casal que eu amo e shippo? Não faço a menor ideia, mas eu chorei escrevendo isso, então...Deixem reviews, bontinhos e cuidado com as trolladas dos amiguinhos nesse 1 de abril! Beijos ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!