In All Shades Of Blue

3 In All Shades Of Blue - 3° Capítulo


\"\"

TRÊS

Durante o trajeto ela foi me contando como estava o clima de Chicago durante suas férias de verão. Eu escutava atentamente. Em questão de meses ela se tornou alguém tão diferente e legal, não pude deixar de suspeitar que talvez, fosse um plano maligno. Então resolvi perguntar.

– Tá querendo aprontar alguma comigo, por isso tá sendo tão legal?- eu estava olhando para os meus dedos e a minha voz quase não saiu. Ela deu uma risada.

– Porquê eu faria isso?- ela sorria

– Não sei...- eu estava sem jeito

– Eu faria isso?- ela estava olhando para a estrada então se virou para me encarar por um instante e então voltou sua atenção para a estrada — Eu achava que você me conhecia. Sei, ficamos tempos sem nos falar mas, o que te faz pensar que eu mudei tanto a ponto de começar a fazer planos malignos? Eu não faria isso. Não com você. Confesso, tive meu período patricinha má mas, isso passou.- ela me deu um sorriso. Eu me senti mal por ter dúvidado dela. Eu estava me sentindo culpada.

– Ai Poppy! Desculpa! É que...- suspirei — você mudou, talvez tivesse mudado de novo. Eu não sei.

– Olha, para de bobeira. Agora somos amigas certo?- chegamos no colégio. Ela desligou o carro mas ainda estavamos lá dentro em silêncio e eu por dentro travando uma luta contra o meu medo. O pavor percorrendo o meu corpo. Isso estava me dando nausêas. Partes do meu estomâgo que eu nem sabia que existiam se contraiam! Ela percebeu meu nervosismo, pegou na minha mão e falou. — Tá tudo bem. é apenas o início de um dia de aula. Amanhã será o segundo e tudo vai ficar bem.- ela me deu um sorriso. Senti um leve alivio. Respirei fundo e levantei o olhar, vi o Zack parado na escadaria do colégio, as mãos no bolso, o cabelo castanho mel bagunçado, camisa xadres por cima de uma camisa branca sem estampa, calça jeans e converse. Ele era meu melhor amigo mas devo confessar, era um gato. Poppy viu que eu o olhava e falou surpresa. — Meu Deus aquele é o Zack???- ela estava chocada.

– Sim...- respondi sem jeito.

– Como ele se tornou esse gato??- eu ri com o que ela falou e ela riu também.

– Ele mudou. As pessoas mudam não é mesmo?- ela sacou o que eu quis dizer e olhou para baixo sem jeito.

– É, elas mudam, mudam mesmo. Mas,- ela mudou de assunto — ele era um saco de ossos!!

– Puberdade! Veja eu, agora tenho peitos, menores que uma laranja, porém, maiores que quando eu tinha 13 anos!- rimos alto dentro do carro então ouvimos o sinal tocar, nos olhamos. Ela me deu um olhar de "pronta?", fiz que sim com a cabeça.

– Você pode pegar na minha mão se quiser, você fazia isso nos nossos primeiros dias de aulas, só que agora você não anda mais com aquele pano fedorento para cima e para baixo!- ela riu enquanto eu revirava os olhos.

– Ok, sua chata vamos logo! Vamos nos atrasar no primeiro dia!

– Isso será ótimo para o nosso histórico escolar.- ela deu uma risada e pôs o braço em volta do meu pescoço, o Zack estava subindo as escadas mas se virou ao ouvir a risada da Poppy. Quando ele nos viu, ficou perplexo! Seus olhos se arregalaram e sua boca abriu em um "O" perfeito. Eu ri. Então Poppy falou. — Esse ano,- ela deu uma pausa, olhou em volta e deu um suspiro de quem depois de anos, respira finalmente o ar puro de uma manhã gloriosa — Vai ser épico honey, prometo.- ela deu uma piscada para mim e se atirou no pescoço do Zack. Eu me olhou por cima dos ombros dela e sem emitir nenhum som, apenas com os movimentos da boca, perguntou "O que deu nela?", dei de ombros. Ele riu e a abraçou. Ela saiu dos seus braços e o segurou pelos ombros, e o analisou dos pés a cabeça. — Como você ficou tão gato Garibaldo?- ele revirou os olhos em exasperação. — Ok, ok, parei! Vamos, se não iremos nos atrasar.- Zack olhou chocado para mim.

– Você está usando maquiagem?! — revirei os olhos e fiz que sim com a cabeça — Uau, você tá uma gata!- revirei os olhos de novo!

– Eu sei! Foi eu que a convenci e a maquiei!- Poppy se entrometeu. Então o abracei, ele me levantou, me rodopiou e antes de por no chão, me deu um beijo na bochecha. Depois que nos comprimentamos, Poppy se agarrou no braço dele e então passamos pelas portas da escola.

A Mount Academic School High era uma escola bem grande com um corredor largo e haviam armários nos dois lados do corredor, eles faziam um espaço entre si e nesses espaços, estavam as portas para as salas. O corredor estava parcialmente vazio, haviam alunos perdidos procurando suas salas, e monitores auxiliando um ou outro aluno que perambulava perdido no corredor. Peguei na minha mochila o horário das aulas, química, sala 7 C.A, então para começar bem meu 1° dia, aula de química!

– Aula de química honey?- falou Poppy olhando o meu horário, ela estava com o dela na mão e falou — Que droga hein! A minha primeira aula é de História Americana, sala 4 C.B.

– A minha também. Vamos para a mesma sala Poppy.- Zack parecia perdido com o horário dele.

– Que maravilha!- a Poppy já estava afim do Zack! Revirei os olhos com a ideia. — Fui honey mas você, — ela pegou Zack pela gola da camisa — Vai comigo! Nos vemos daqui a uma hora Margoth!

– Boa sorte Margoth!- ele falou enquanto ela saiu o arrastando escadas a cima e me deixaram lá, parada, sozinha, e com medo de entrar na sala.

Parei na porta. Mãos soando e o coração na garganta. Eu precisava entrar. Pus a mão na maçaneta e a girei cuidadosamente. A brecha que se abriu da porta, uma brecha minúscula, foi o suficiente para fazer todo o barulho da sala de aula (que já não era muito) se estinguir em um silêncio absoluto enquanto todos olhavam para mim. Da pequena brecha pude ver algumas pessoas, nenhuma conhecida claro, e eu estava completamente ciente de que pudiam me ver também. Todos lá parados me olhando e eu com medo de entrar. Até que eu o vi. Um menino loiro, com uma pequena mecha, do que deveria ser uma franja pois, o cabelo dele estava tão bagunçado (mais que o do Zack!), que eu não sabia dizer se era uma franja ou apenas um comprimento do cabelo que ficava pendurado na cabeça dele. Aquele garoto definitivamente não teve a menor força de vontade de pegar um pente para controlar os fios rebeldes do seu cabelo extremamente liso. Tinha olhos sedutores azuis turquesa, o mesmo turquesa do meu pingente. Camisa preta, "Rockeiro!", logo deduzi, calça jeans escura e o all star mais surrado que eu já vi, o tênis estava tão desgastado que de, vermelho acho, estava num marrom avermelhado. Ele sentava de um jeito estranho, uma perna lá na frente e a outra um pouco atrás da cadeira. Ele olhava atentamente para frente até que me viu, senti meu rosto queimar mas não virei os olhos, continuei o encarando. Ele me encarava curioso com uma expressão que parecia dizer "Quem diabos é essa garota?". Eu fiquei menos de 5 minutos lá, até que enquanto estávamos fazendo contato visual, alguém puxou a porta. Uma mulher gorda pegou desprevenida bisbilhotando a sala. Ela era branca, mais do que eu. Ela apareceu na porta e ficou me olhando. Reparei que parecia não ter pescoço pois, havia uma papada debaixo do pescoço (acho que era um pescoço, apesar que, parecia o papo de um sapo), e apesar de não estar calor, transpirava que nem uma porca! Estava com uma camisa laranja florida e uma saia vermelha e uma sandália de salto baixo da mesma cor que a saia, usava também um óculos de armação simples vermelho, ela segurava uma prancheta. Ela tirou os óculos e eu fiquei a olhando. Ela parecia dócil.

– No que posso lhe ajudar minha jovem?- ela tinha uma voz meio... aguda demais. Se ratas falassem, teriam a voz dela. — Você é dessa aula?- fiz que sim com a cabeça. — Então o que faz ai fora? A aula já começou. Sou a Sra. Lancaster, professora de química e literatura inglesa.- ela estendeu a mão e eu a apertei.

– E, eu, é que... eu...- droga eu não conseguia parar de gaguejar. Ela me olhava com uma cara de quem estava se esforçando para entender.

– Respire fundo.- ela sussurrou calmamente. obedeci, e então depois de calma, falei.

– Meu nome é Margoth Williams Campbell.- sussurei

– Oh,- ela parecia admirada- fico feliz Srta. Campbell. Entre.- eu entrei e os olhos dos outros alunos me seguiam, estava procurando um lugar quando ela me parou e me pegou pelo braço. — Turma essa é a Srta. Margoth Campbell,- "OH NÃO, POR FAVOR NÃO, NÃO ME APRESENTE A TURMA!" pensei, adiantou? NÃO! Vi o garoto dos olhos turquesas rir quando viu meu desespero, corei. — Ela será colega de vocês durante as minhas aulas, então tratem-a bem. Certo turma?

– Sim.- responderam num som onissono

– Pode sentar querida.

Eu queria um buraco para me enfiar! Mas não tinha, então procurei a cadeira mais distante possível. A sala estava cheia, então sentei na penúltima carteira da fileira, o garoto dos olhos turquesas estava na penúltima carteira da fileira á minha direita. Eu o olhei e ele ficou me observando sentar na cadeira, ele chegou puxou a cadeira e a mesa e ficou mais perto de mim. Ignorei. peguei meu caderno e uma caneta e deixei tudo em cima da mesa. Ele se inclinou para o lado e cochichou comigo imitando a voz da professora "Pode sentar querida", então ele riu. Riu sozinho, de uma piada que só eu e ele havíamos ouvido, e uma piada que só ele achou graça. Ele me olhou e percebeu que eu não dei bola. Eu não o olhava direitamente, eu apenas o observava pelo conto dos olho, ele abriu o caderno, arrancou uma folha e escreveu algo e pôs na minha mesa. Eu não queria abrir a folha para saber o que ele havia escrito, tinha uma ideia do que seria. Passei a vida toda ganhando bilhetes assim. Ele se inclinou mais uma fez e sussurrou.

– É pra você abrir o papel.- ele tinha uma voz grossa, rouca e bem sexy. A professora percebeu que ele estava falando comigo, mas eu continuava olhando para frente, apesar de não prestar a miníma atenção em prótons e elétrons. Eu estava prestando a atenção no garoto dos olhos turquesas. A professora resolveu o chamar a atenção.

– Sr. Adams, está comentando sobre a matéria com a sua colega de classe?

– Sim Senhora. Estava explicando para ela que prótosn tem carga positiva e o elétrons negativa.- eu fiquei parada, tentando não transmitir nenhuma expressão, acho que consegui.

– Srta. Campbell, se ele lhe pertubar e se tiver alguma dúvida sobre a matéria, se dirija a mim, isso vale para todos.- essa última parte da frase ela falou com o tom mais alto para alertar aos outros. — Certo?- todos concordaram.

– Abre a porra do papel!- ela falou num sussurro enfurecido! Revirei os olhos mas resolvi ler. Peguei o papel deixado debaixo do meu caderno. Nele estava escrito.

"a professora gostou de vc. Me chamo William Richard Adams :) Tenho 17 anos."

Escrevi de volta.

"Oi, Sr. Adams, me chamo Margoth Campbell. Tenho 16 anos :) Pare de me pertubar ok? ;) "

Ele leu e riu. Tornou a escrever.

"Bela letra a sua. Quer conversar depois da aula?"

O quê? Conversar? Então me lembrei do que a Poppy falou "Eu quero te ajudar, sei o quanto é difícil para você fazer amigos. Eu já conheço todo mundo do colégio! Vou te apresentar a todos, mas você também terá que fazer uma forcinha certo?". Eu sou desconfiada mas, talvez a Poppy o conhecesse, pensei em perguntar pelo bilhete mas, deixei pra depois. Não sabia se deveria confiar nele. Ele tinha cara de garoto encrenqueiro. "É só uma conversa Margoth!", meu subconsciente me notifica. Ok, uma conversa não mata. Escrevi.

"Ah, obrigado pelo elogio! Ok, depois da aula."

O sinal bateu exatamente 20 minutos depois. Todos nós saímos da sala, e então William apareceu, pegou minha mão e saiu me puxando para as entranhas do colégio.

–Ei espera!- tentei argumentar. Ele parou e se virou para me encarar, seus olhos estavam com uma expressão que não sei distinguir e explicar. Não era ódio, nem raiva ou algo parecido. Não sei definir.

– Calada! Quer parar na detenção no primeiro dia de aula!- fiquei calada, mas nem por isso com menos medo. Ele me levou pelo corredor gigante quase correndo! Ele me puxava desesperadamente pelo corredor. Eu tropeçava nos meus próprios pés. Então eu vi a Poppy de braços dados com Zack, eles ficaram me olhando espantados e confusos. Eu estava com medo! Onde ele iria me levar? Porque me levar? Oh Deus! Eu olhava desesperadamente para Poppy e o Zack como alguém que implora socorro. Mas eu estava implorando! Eles estavam assustados. Eles se olharam perdidos. Então William virou a esquerda e eu perdi Poppy e Zack de vista. Oh Deus! O que esse cara vai fazer comigo? "Ótima ideia Margoth, ótima ideia!", era tudo o que passava na minha cabeça mas, não era hora para autocritica.

Ele foi me arrastando até chegarmos no campo de futebol americano atrás do colégio. Era grande, como um campo deveria ser, ele me arrastou para debaixo da arquibancada, lá no fim das fileiras de acentos. Ele sentou e me olhou, eu estava apavorada, os olhos arregalados e a respiração falha. Eu não sabia o que esse cara ia fazer comigo. Ele era forte, não era musculoso, mas tinha força suficiente para fazer qualquer coisa comigo. Eu estava tão apavorada que nem me mexia! A reação normal de um ser humano normal era o que? Correr. O que eu fiz? Fiquei parada porque minhas pernas não estavam respondendo meu cérebro e tinha certeza que tinha me mijado. Fiz um leve movimento e percebi que não. Ufa! Menos mal! Ele ainda estava lá me olhando, um pouco ofegante, respirando com a boca aberta, o cabelo mais bagunçado ainda! Até que sua voz forte e sexy quebrou o silêncio.

– Você não vai sentar?- completamente apavorada, meio hipnotizada eu acho, o obedeci, apesar de estar hesitante. E então sentei ao seu lado mas deixando um espaço entre nós e sem em nenhum momento tirar meus olhos dele. Pus minha mochila no canto ao meu lado sem tirar os olhos dos seus olhos turquesas, que naquele momento por falta de mais iluminação estavam azul escuro. Ele me olhava cauteloso, os olhos assustados e arregalados. — Então... você é bem interessante sabia?- ele pegou na minha mão e entrelaçou os dedos entre os meus. Eu, interessante? Ele me conhecia a... uma hora? O que ele queria? Porque tinha me arrastado até lá? Onde queria ir com isso? Quem era ele? Seus olhos não me davam resposta, mas ali, naquele lugar onde alguns raios de sol se infiltravam entre os acentos, eu vi mil constelações nos seus olhos, mais estrelas que em qualquer céu, que em todas as galáxias juntas, e seus olhos brilhavam mais que a manhã que se prolongava do lado de fora da arquibancada, seus olhos brilhavam numa expectativa que era palpável! Naquele momento, eu senti o infinito nos tocar. Eu tinha mil perguntas, e ele, todas as respostas para os enigmas do meu universo.

Notas finais
* C.A- Corredor de baixo (1°andar)
* C.B- Corredor de cima (2°andar)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.