In All Shades Of Blue

1 In All Shades Of Blue - 1° Capítulo


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UM

– PRIMEIRO DIA DE AULA!!- foi assim que eu acordei, com o som da voz da minha mãe berrando no meu quarto! Olhei o relógio, sete horas!

– Só mais cinco minutos e eu prometo que estou pronta em dez!- eu não estava nem um pouco animada pro primeiro dia de aula. Eu queria mais tempo com os meus livros e com a minha cama que naquele exato momento, era o lugar mais feliz do mundo.

– Anda Margoth! É seu primeiro dia de aula minha querida!- minha mãe se chama Susan, ela não é minha mãe de verdade, é minha madrasta. Eu a chamava de mãe porque, na realidade ela foi a única mãe que eu tive contato. Susan me adotou como sua e me deu seu sobrenome. Os parentes dela me consideravam parte da família também. Susan nunca pode ter filhos então ela vive dizendo "Você foi uma benção que o Chris me trouxe!", Chris é meu pai. Christian. Minha mãe de verdade se chamava Rachel e sumiu quando eu era muito pequena. Abandonou o meu pai quando eu tinha 2 meses de nascida. Meu pai morreu quando eu tinha 2 anos então... sua falta, nunca me doeu muito. Susan me contava muitas histórias sobre ele, de como ele era incrível, corajoso, forte e bonito. Sempre dizia que eu tenho seus olhos, seu senso e bom gosto. Ele parecia um homem muito interessante. Susan é uns centímetros menor que eu. Tem cabelos castanhos em um ondulado perfeito! Olhos castanhos claros e naquele momento um olhar de pena e compreensão. Eu estava estrategicamente aninhada debaixo do cobertor e, depois de um tempo que pareceu uma eternidade com ela me olhando, ela falou- Eu entendo querida mas, você precisa ir! Talvez seja uma boa ideia!!

– Por favor mãe! Pense com carinho na ideia de estudar em casa! Por favor!- assim, eu não sou antisocial nem nada mas... a minha família e o Zack (meu melhor amigo) eram os únicos seres que me entendiam. O resto da humanidade pra mim era mais insignificante do que o cocô do cachorro do meu vizinho (e eu ODEIO o meu vizinho!).

– Margoth! Você tem 16 anos! Precisa de uma vida! Saia com alguns amigos, beba um pouco e se divirta!

– QUE MÃE EM SANTA CONCIÊNCIA MANDA A FILHA DE 16 ANOS BEBER?!- a minha! Ela não era louca, muito menos irresponsavél. Ela só queria que eu fizesse o que os outros fazem, só que ela esqueceu de uma coisa, eu não sou os outros.

– Por isso que eu falei "um pouco"!- ela falou com o dedo no ar em sinal de advertência.

– Mãe estou bem! Não preciso de escola, você sabe o quanto sou inteligente!

– Ande Margoth! Não vou falar outra vez!

– Agora quer dar uma de mãe durona?- ela me olhou com olhar de reprovação

– Escolhi sua roupa está aqui.- ela apontou para a cadeira ao seu lado — Tome um banho e desça, tome o café que lhe preparei, a Poppy vai aparecer a qualquer instante!- AI MEU DEUS A POPPY NÃO!

– MÃE NÃO, A POPPY NÃO! TÁ ME CASTIGANDO É ISSO?- ela queria rir mas segurou muito bem o riso. Poppy é uma garota de 17 que morava no fim da minha rua. No geral passávamos o verão juntas mas, esse ano ela foi viajar para a casa dos avós em algum lugar que não me lembro. Minha mãe é amiga da mãe dela (e madrinha de casamento). Poppy era uma garota... não metida mas, ela era bem... "nojenta", ela era uma garota de nariz em pé, nada parecida com a Poppy que me emprestava suas bonecas e que me ensinou a fazer tranças. Eramos amigas quando crianças mas, depois dos catorze, não sei porque, perdemos a afinidade. Desde então, parece que ela tem dedicado a vida a me ignorar. Eu também aprendi a não lhe dar bola. Minha mãe um belo dia disse que eu teria que ir para o colégio com ela TODOS OS DIAS! Ela ia tanto na ida quanto na volta sem dirigir uma palavra a mim, eu fazia o mesmo. MAS, devo confessar, ela era linda. Tinha olhos verdes, parecendo duas amêndoas perfeitamente redondas e os cabelos castanho mel ondulados, com uma franja que escondia um poucos suas super-bem-feitas sobrancelhas, um sorriso cativante e curvas frágeis como a de uma boneca Barbie, mas nem por isso, menos sexy. Estudaríamos na mesma escola aquele ano.

– Eu estou sem tempo, ela vai te levar até você tirar a carteira de motorista.- eu queria tirar essa bendita carteira o mais rápido possível! Não teria muita utilidade a não ser ir para a escola e para a livraria no centro da cidade, porém me livraria de vez de ter que ir para o colégio com a Poppy, coisa que eu já fazia á um ano e meio. Minha mãe olhou com uma cara tipo "Estou orgulhosa da minha atitude!".

– Ok.- revirei os olhos e levantei para pegar minha roupas da mesma forma que uma múmia levanta da tumba, olhei pra minha mãe que sorria pra mim. Aquilo me fez sorrir. Eu estava sem jeito em tão, como todas as vezes que fico envergonhada, olhei para o chão. Então do nada, minha mãe pega meu rosto entre as mãos, olha no fundo dos meus olhos e diz:

– Menina você faz ideia do quanto você é incrível?- seus olhos brilhavam!

– Ai Deus!- revirei os olhos.



Notas finais
*Margoth se pronuncia Margô