Império das Cinzas: O Nascimento da Vilã
3 Capítulo 3
Os acontecimentos das últimas horas passavam em borrões nebulosos pela minha mente enquanto a carruagem balançava no caminho de volta à mansão.
Sempre imaginei como seria encontrar um homem como Naruto — o herói de pele bronzeada e olhos turquesa feito sob medida para fazer as leitoras suspirarem. Contudo, estar na pele da noiva indesejada era uma experiência miserável. Eu não podia culpá-lo totalmente. Sasori fazia questão de humilhar a família real em cada oportunidade; a coroa nos odiava, e com razão.
Por isso eu precisava romper aquele noivado. De acordo com as minhas memórias da história, a heroína principal só surgiria daqui a três anos. No livro original, Sakura surtou de ciúmes ao ver a atenção de Naruto voltar-se para a outra garota e cedeu sem reservas às manipulações de Sasori, virando espiã até ser executada por traição.
Quando dei por mim, os cascos dos cavalos já haviam parado. Eu estava de volta à mansão Akasuna.
No salão principal, a figura esguia de cabelos vermelhos estava sentada em uma poltrona de veludo, analisando papéis sob a luz fria das velas.
— Espero que tenha se divertido — a voz de Sasori cortou o silêncio como uma lâmina.
Um mau pressentimento me manteve paralisada. Ele ergueu os olhos opacos, me medindo da cabeça aos pés. Desviei o olhar. Ele já sabia. A casa Akasuna mantinha espiões em cada canto do palácio, e os rumores do meu escândalo já deviam ter chegado.
A governanta surgiu do corredor, as saias pesadas farfalhando com pressa.
— Veja o que ela aprontou, Mestre! — bufou a mulher, a cara azeda de indignação. — Outro escândalo com o príncipe! E ainda voltou com as roupas imundas!
Sasori levantou-se devagar. O ar fugiu dos meus pulmões.
— Ajoelhe-se, sua imprestável — a governanta rosnou, empurrando meus ombros com força em direção ao chão de pedra.
Mantive a cabeça baixa. Não havia uma única alma disposta a me defender naquela casa. O melhor a fazer era engolir o orgulho e não reagir para não agravar a punição.
— Não sei o que fazer com você — Sasori se aproximou, os dedos finos e frios segurando meu queixo com força excessiva. — Eu lhe dei um teto. Lhe entreguei o futuro Imperador de bandeja... E você me retribui destruindo o noivado?
Ele meneou a cabeça em negação.
— Eu tirei você daquele orfanato imundo para uma única função — seus dedos apertaram a minha pele até doer. — Para humilhar a família real.
Ao lado, a governanta sorria, saboreando cada segundo da minha humilhação.
— Acho que você precisa se lembrar do seu lugar nesta casa — Sasori soltou meu rosto com desprezo e deu as costas. — Deixo-a com você. Faz tempo que ela não passa por nossas aulas de boas maneiras.
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As paredes do Poço eram frias, úmidas e exalavam cheiro de lodo. A neblina condensada escorria pela pedra e pingava nas minhas costas.
Minha respiração vinha em deitados curtos. Eu vestia apenas uma camisola fina, ensopada de suor frio. Tentava manter os joelhos dobrados para evitar que as feridas provocadas pelo chicote da governanta encostassem no chão molhado. Meus braços, suspensos acima da cabeça por correntes de ferro pesado, já haviam passado da fase da câimbra e agora estavam completamente dormentes.
Aquela megera... Pensei, sentindo o metal enferrujado cortar a pele dos meus pulsos.
Um líquido morno e espesso escorria pelos meus braços em direção ao pescoço. A dor latejava em ondas. Eu não sabia quantas horas haviam se passado; meu estômago, depois de tanto roncar, desistira de pedir por comida.
A autora do livro nunca dera detalhes sobre as punições da vilã; apenas citava brevemente que Sakura era "disciplinada" quando desobedecia. Viver aquilo na pele era um pesadelo que nenhum leitor poderia imaginar.
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No final da tarde seguinte, encarava meu reflexo no espelho do vestiário do palácio.
Os cabelos rosa caíam soltos sobre os ombros, o rosto sem maquiagem e os olhos inchados denunciavam as olheiras profundas. Eu havia passado a noite inteira acorrentada no Poço — mais um movimento frio de Sasori, que sabia perfeitamente que hoje haveria um baile real e fez questão de me enviar exausta.
Ajustei as luvas pretas de tecido encorpado que cobriam meus braços dos dedos até os cotovelos. Elas eram a única forma de esconder os pulsos em carne viva e conter o sangramento. O vestido cinza-escuro, pesado e sem adereços, disfarçava as marcas em meu corpo.
A porta de madeira rangeu. Naruto apareceu no portal com uma expressão de profunda suspeita e irritação.
— Acha mesmo que eu caí no seu teatrinho de ontem? — a voz dele veio carregada de deboche, cruzando os braços ao me encarar. — "O noivado está cancelado"? Faça-me o favor, Sakura. Você passa a vida inteira me perseguindo e acha que vou acreditar que desistiu de mim por causa de um chá entornado? Se isso é mais uma das suas táticas ridículas para me fazer ir atrás de você, saiba que não funcionou.
Permaneci em silêncio, ajustando a dobra da luva. Não tinha forças para discutir.
Naruto franziu o cenho ao notar minha falta de resposta. Ele esperava um grito, uma defesa apaixonada ou até uma ameaça. Mas encarar meu rosto pálido e inexpressivo o deixou visivelmente desconfortável.
— Você está... quieta demais — ele murmurou, dando um passo involuntário à frente. Olhou para o meu vestido apagado e para as luvas escuras. — Por que está vestida assim? Não é o tipo de traje que você costuma usar para chamar atenção.
— Não quero me atrasar, Vossa Alteza — respondi, com a voz baixa e sem vida, ignorando suas perguntas. — Vamos?
A rispidez defensiva dele vacilou por um segundo, substituída por um choque sutil. Ele assentiu devagar, ainda me encarando com desconfiança, e indicou o caminho.
Caminhamos lado a lado em direção ao Salão de Bailes. Eu sempre quis presenciar uma festa de gala da nobreza: os vestidos rodados, as luzes de cristal, as valsas elegantes. Mas aquilo só era bonito para quem não estava sangrando por baixo do pano.
Cada passo meu era um suplício. O tecido pesado do vestido raspava contra os vergões das minhas pernas. Naruto, acostumado a me ver andando ao seu lado ostentando um sorriso orgulhoso, começou a desacelerar seus passos para me acompanhar. Ele olhava de relance para mim, esperando que a qualquer momento eu segurasse seu braço ou fizesse algum comentário fútil. Mas eu apenas mantinha os olhos fixos no chão.
Assim que cruzamos os portões do salão, a onda de sussurros nos atingiu.
Risinhos contidos ecoavam pelos cantos. Homens me encaravam com repulsa; damas cobertas de joias e maquiagem zombavam abertamente da noiva do príncipe, vestida pior do que uma serva. A tensão no salão era palpável: todos ali — incluindo o próprio Naruto — aguardavam o momento exato em que a noiva obsessiva faria seu habitual escândalo ao ser alvo de piadas.
Quando um grupo de jovens nobres se aproximou para cercar o príncipe e flertar abertamente com ele, testando meus limites, dei dois passos para trás.
— Vossa Alteza — murmurei, curvando a cabeça de leve. — Tenha um ótimo baile. Vou me retirar.
A atmosfera no salão pareceu congelar. As damas pararam de rir no meio do gesto; os nobres se entreolharam, confusos.
Naruto travou. Ele piscou várias vezes, totalmente desacreditado. Não houve taças quebradas. Não houve gritos de ciúmes. Não houve ameaças.
— Espera... o quê? — Naruto deu um passo em minha direção, a mão estendida no ar, a voz carregada de um choque que ele não conseguiu disfarçar. O orgulho dele estava visivelmente abalado. — Sakura, você não pode simplesmente ir embora no meio do...
Virei as costas antes que ele completasse a frase. Deixei para trás um príncipe estupefato e um salão inteiro em absoluto silêncio.
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O impacto do ar congelante dos jardins isolados nos arredores dos estábulos atingiu meu rosto como uma bofetada. Foi exatamente ao cruzar os arcos de pedra e sentir a brisa da noite que meu corpo ruiu.
Um arrepio violento rasgou minha espinha, vindo do fundo dos ossos. Eu estava congelando por fora, meus dentes batiam audivelmente e meus lábios tremiam sem parar. Porém, sob o tecido do vestido e na pele do meu rosto, a quentura era escaldante, quase insuportável. Minha cabeça girava em ondas pesadas, a pele estalava de febre e a infecção nos cortes das minhas pernas e pulsos finalmente cobrava seu preço. Foi ali, naquele contraste brutal entre o vento gélido e o calor interno, que percebi com clareza: eu estava queimando em febre.
Aproximei-me cambaleante do peitoril de pedra fria da fonte de água e encostei-me nele. Fechei os olhos. Dei um leve cochilo em pé, a mente flutuando em um torpor pesado e incerto, borrando a linha entre o sonho e o delírio febril.
Um estalo seco de galho quebrando na escuridão me fez despertar num sobressalto, o coração disparando no peito.
Pisquei devagar, os olhos ardendo pelo suor e pela quentura. Diante de mim, emergindo lentamente da penumbra, estava a silhueta de um homem alto envolto em uma capa negra de viagem com capuz. O porte revelava ombros largos, peitoral firme e a postura ereta. A linha da sua mandíbula era bem marcada, e a aura que emanava dele era perigosa, densa e estranhamente magnética.
Ao me ver ali — uma mulher sozinha encolhida perto da fonte —, ele a princípio hesitou. Sob o capuz, pareceu notar apenas uma figura frágil e machucada, sem saber de quem se tratava. Ele deu um passo lento em minha direção, movido por uma curiosidade contida. Contudo, quando a luz prateada da lua rasgou as nuvens e banhou o meu rosto, revelando meus traços e os marcantes cabelos rosados, a postura dele enrijeceu instantaneamente.
Eu vi o exato momento em que o choque sutil correu por sua mandíbula: ele acabara de reconhecer a infame noiva do príncipe.
Minha mente confusa e tomada pelo delírio nem conseguia processar se aquele homem alto era real ou apenas uma alucinação febril. Eu só sentia uma necessidade desesperada e visceral de desabafar com alguém — uma testemunha anônima que jamais falaria com a nobreza.
— Quer me matar do coração?! — soltei, a voz fraca e trêmula, levando a mão ao peito. — Será que não posso ter um minuto de paz nessa droga de lugar?
O desconhecido inclinou levemente a cabeça. Havia um charme perigoso na forma como ele se movia, calmo e seguro de si.
— O salão dos cocheiros fica do outro lado da propriedade, ao sul — observei, a voz arrastada pela febre, apontando na direção oposta ao notar o padrão simples da capa de viagem. — Se veio procurar bebida ou descanso, errou o caminho.
— Eu sei onde fica — respondeu ele. Sua voz era grave, rouca, carregada de um peso aveludado que fez todos os pelos da minha nuca se arrepiarem. Ele deu mais dois passos lentos, mantendo as mãos ocultas sob as dobras da capa, e seus olhos ocultos avaliaram minhas roupas com atenção. — A casa Akasuna por acaso não tem dinheiro para um vestido mais adequado? Enviar a noiva do príncipe vestida dessa forma... é uma escolha peculiar.
Soltei uma risada curta, seca e dolorida, que ecoou estranha pelo jardim silencioso. Sorri de verdade com o absurdo daquela pergunta, balançando a cabeça diante da ironia.
— Até você? — debochei, os olhos sonolentos e pesados fixos nele. — Até um cocheiro anônimo resolveu questionar o meu vestido feio? — revirei os olhos — É a melhor opção que o Sasori me permitiu usar. Ou você achou que eu escolhi vir parecendo uma mendiga por opção?
O homem deu mais um passo em minha direção. O aroma de couro e vento frio que emanava dele parecia preencher todo o espaço entre nós. Ele olhou ao redor, analisando a escuridão dos jardins desertos.
— Você está sozinha aqui fora, ferida e vulnerável — disse ele, a voz baixando um tom, tornando-se mais íntima. — Não tem medo do que possa acontecer? De que alguém se aproveite disso?
— Medo? — dei outro risinho fraco, inclinando a cabeça e balançando as mãos no ar. — Quem ousaria encostar um dedo em mim seria morto por Sasori antes do amanhecer. Não por amor ou proteção, claro... mas porque eu ainda não fiz tudo o que ele precisa nesta história. Ele só me quer viva se eu servir aos jogos dele.
Ele franziu o cenho sob o capuz, fazendo uma pergunta sutil, quase despretensiosa, mas afiada como uma lâmina:
— E o que você fez para merecer essa hostilidade do seu próprio irmão?
— Eu cansei — afirmei com a voz firme e límpida, apesar do tremor que vinha do fundo dos meus ossos. — Cansei de ser pisada pelo Primeiro Príncipe arrogante — continuei. — Eu simplesmente dei um fim no noivado. — Fiz uma pausa — Eu tentei... Sasori surtou... Perder a peça principal que usava para afrontar a coroa? — abaixei os olhos — Ele me mandou para o calabouço subterrâneo da mansão. Uma noite inteira pendurada por correntes de ferro recebendo "aulas de boas maneiras" com o chicote da governanta.
O desconhecido permaneceu em silêncio absoluto.
Devagar, levei as mãos ao topo dos braços. Em um gesto deliberado, comecei a puxar as luvas pretas de tecido encorpado. O tecido grudado ao sangue seco resistiu, fazendo-me arfar de dor, mas não recuei. Despi ambas as luvas, deixando cair o pano sobre a borda da fonte.
À luz prateada da lua, meus pulsos surgiram em carne viva, cortados profundamente até a carne pelo peso do ferro e das correntes do calabouço.
A linha firme da mandíbula do homem travou. Um vislumbre claro de choque passou pela postura dele ao encarar a extensão dos ferimentos. Ele deu meio passo à frente, desacreditado.
— E você veio a um baile real nesse estado? — a voz dele veio alterada, mais áspera e densa.
— Isso não é nada — respondi, sustentando o olhar dele com uma altivez inabalável.
Sem me importar com a modéstia ou com as regras da nobreza — algo impensável e escandaloso para qualquer dama —, segurei a barra do vestido pesado com as duas mãos e ergui o tecido cinza até a altura das coxas.
Ele deu um passo brusco para trás, o ar escapando de seus pulmões em um ruído contido. A luz da lua refletia nas minhas anáguas brancas — completamente encharcadas de sangue fresco que escorria dos vergões profundos, purpúreos e arroxoados causados pelo chicote nas minhas pernas.
Por um segundo eterno, o silêncio no jardim tornou-se sufocante.
O maxilar dele travou com tanta força que os músculos da sua mandíbula sobressaíram na penumbra. Seu olhar, antes calmo e analítico, incendiaram-se em uma mistura perigosa de choque e raiva pura por detrásda capa. A aura ao redor dele tornou-se tão densa e gélida que parecia cortar o próprio ar.
Ele deu dois passos rápidos à frente, fechando a distância entre nós.
— Quem fez isso com você? — a voz dele veio baixa, mas carregada de uma fúria sombria e contida que fez o chão ao nosso redor parecer tremer. — Que tipo de monstros vivem naquela casa para fazer isso a uma mulher e jogá-la em um baile real?
— Eu já disse... até parece que todos desconhecem os Akasuna — respondi, sem piscar, embora o aperto em meu pulso fizesse a dor latejar. — Para eles, eu sou apenas uma propriedade que desobedeceu. Uma peça que precisava ser quebrada para aprender a obedecer.
Ele afastou-se, mas seu olhar permaneceu cravado nas marcas brutais em minhas pernas.
— E você andou entre os nobres, ergueu a cabeça e sorriu? — ele perguntou, com a voz tomada por uma rigidez quase indignada, incrédulo com a loucura e a coragem daquela cena. — Você é louca?
Meneei a cabeça.
-Até em meus delírios eu questiono isso... — murmurei para mim mesma encarando aquele vislumbre da febre.
Soltei o tecido do vestido, deixando-o cair pesadamente sobre as pernas feridas, e encarei a sombra do capuz dele com uma chama ardente que nem a dor conseguia apagar.
— Porque eu não vou me dobrar — declarei, cada palavra lapidada com pura determinação. — E eu jamais daria a eles o prazer de ver a minha imagem ruindo na frente de todos. Se eu tiver que cair neste jogo, será lutando de pé, nunca me rastejando ou chorando pelos cantos.
Um fascínio sombrio passou pela postura do homem, sobrepondo-se à raiva de instantes atrás. Ele inclinou-se levemente em minha direção, a sombra do capuz quase tocando meu rosto.
— E você acha que consegue vencer esse jogo sozinha? — provocou ele, o tom rouco como um sussurro atrativo. — Uma vilã destruída pela própria família, sem exército, sem recursos e sem o apoio da coroa?
— Não sozinha — admiti, encarando-o fixamente. — Mas eu não sou ingênua. Eu sei exatamente o que está em jogo neste reino. — dei um sorriso de canto — Eu sei onde os espiões de Sasori estão posicionados, conheço as rotas secretas e outros segredos da casa Akasuna. — O sorriso dolorido no rosto — Sei exatamente o que está escondido no Selo do Norte... Coisas que nem o Imperador imagina.
O homem congelou. A atmosfera ao redor dele tornou-se perigosamente densa e imóvel.
— Por que eu deveria acreditar em uma palavra do que você diz? — ele testou, a voz gélida e afiada. — O que me garante que você não é apenas uma peça desesperada tentando salvar a própria pele?
— Porque eu não tenho mais nada a perder — respondi, dando um passo em direção a ele, ignorando a tontura violenta que fazia o chão oscilar. Até parece que um servo entenderia minhas motivações. Mas eu só queria colocar tudo aquilo para fora. — E quem não tem nada a perder não tem motivos para mentir. Sasori quer a minha cabeça por traição; se eu quisesse me salvar, teria implorado o perdão dele. Mas eu escolhi destruir o império dele. Eu só preciso de um aliado.
Sim. Só uma pessoa naquele universo teria poder para isso.
Um sorriso enigmático, perigoso e fascinado desenhou-se na linha firme dos lábios do homem sob o capuz. Ele avaliou a força no meu olhar, surpreso por ver tanta determinação em alguém cujo corpo estava prestes a colapsar.
— E você acredita que um aliado poderoso se interessaria pela causa de uma vilã destruída?
Acenei, com meus resquícios de força restantes.
— Se ele for inteligente o bastante para ver o valor das cinzas... sim — respondi, a visão escurecendo.
A febre da infecção e o cansaço extremo finalmente cobraram o preço final. O chão pareceu sumir sob meus pés.
— Sasuke Uchiha... — murmurei num último sopro de voz o nome que ecoava em minha mente.
Senti o meu corpo caindo à medida em que perdia o movimento. Antes que desabasse na relva molhada de orvalho, senti braços fortes e extremamente firmes me ampararem no ar com precisão impecável, prendendo-me contra um peitoral largo e aquecido.
Outra ilusão.
À medida que a escuridão me tratava, notei um brilho intenso e perigoso de um olhar embaçado em minhas vistas febris encarando-me com pura obsessão.
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