Improvável?!
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Andrew queria dizer a si mesmo que estava surpreso com o que acabara de ouvir, mas seus sentidos lógicos não permitiram que ele fizesse isso. Não podia ser um hipócrita, não conseguia mentir nem para os outros, quem dirá pra si mesmo. Já havia pensado a respeito e como não queria magoar o amigo tentou agir da melhor forma possível, ou ao menos o que ele achava ser a melhor maneira.
-Isso não seria errado?
-O que seria errado?
-Nós dois, juntos?
-Por que seria errado?
-Dois homens, isso não é normal é?
-Você se acha normal?
-Er...
-Você me acha normal?
-Bem, realmente, não somos muito “normais”.
-Mas isso não importa. O que importa é o que eu sinto e o que eu sinto é puro, é amor. E isso não é errado. É?
-Acho que não! Mas...
-Sim. –Gui o encorajou a continuar. Ainda permanecia ajoelhado.
-Poderia, por favor, se levantar? Não gosto de ficar te olhando assim. –Guilherme se levantou e ficou parado de pé, na sua frente. –Por favor, sente-se de uma vez. –E ofereceu a beirada da sua cama dessa vez.
-Me desculpe, acho melhor eu ir embora.
-Por que?
-Porque você não gosta de mim como eu gosto de você. –Falou seguindo em direção à porta.
-Posso te falar a verdade?
-Prefiro assim. –Novamente se virou para olhar Andrew nos olhos.
-Realmente, antes de sexta-feira eu te considerava como meu amigo, agora já não sei mais o que sinto por você.
-E isso é bom? –Finalmente se sentou onde Andrew havia indicado.
-Sinceramente não sei.
Guilherme baixou os olhos, escondendo a tristeza de não ter obtido uma resposta. Andrew olhava pra cima, como se esperasse uma ajuda. Depois de um tempo que nenhum dos dois nunca poderão dizer quanto foi, finalmente Andrew falou:
-Quer me ajudar a descobrir? –Ao terminar de dizer, estendeu a mão.
Guilherme olhou para a mão estendida, olhou para os olhos do amado. A mão estava posicionada para um aperto de mãos. Então ele direcionou sua mão esquerda para o encontrou, o que deixou Andrew confuso, quando as mãos estavam bem próximas, Guilherme não apertou e sim girou a mão estendida entrelaçando os dedos do amigo aos dele. Olhou bem nos olhos de Andrew, que parecia um tanto surpreso se aproximou devagar do seu rosto e vendo que ele não o deixaria ser beijado diretamente, mudou de “alvo” e deu um beijo na bochecha, depois disse:
-Com todo prazer. Vou te fazer despertar em você o mesmo que despertou em mim.
-Obrigado!
-“Obrigado” por quê?
-Por fazer vir à tona um “Eu” que eu nem sabia que existia. Obrigado por me tornar vivo e obrigado por me amar.
-Agora acha que não é mais errado.
-Não sei, mas do jeito que você colocou ficou tudo tão lindo.
-Não está me iludindo está? Não vai tentar descobrir só porque eu disse algo lindo?
-Não. Não estou te iludindo. Você realmente conseguiu me deixar confuso e me fez ter vontade de ir até o fim agora, para descobrir o que sinto de verdade por você.
-Fiz?
-Sim
-Estranho, sinto que a única coisa que fiz foi falar a verdade.
-Pois então continue assim. Prometo não mentir pra você, em hipótese alguma.
-Posso te dar um beijo?
-Tipo, um beijo de verdade?
-Tem beijo de mentira?
-Você me entendeu, me refiro a um beijo de língua como as pessoas dizem.
-Não sei “beijar de língua”.
-Por enquanto não, ainda estou me acostumando a ideia de ter um homem...
-Termina.
-Espera, estamos namorando? –Falou rápido, como se as palavras fossem desabar em cima dele caso não dissesse.
-Acho que sim. Você não quer?
-Quero. –Antes que Guilherme pudesse responder Andrew o deu um selinho.
-Por que fez isso?
-Não sei. –E se deitou, fazendo Guilherme imitá-lo. Finalmente soltaram as mãos. Porém Andrew não gostou de ficar como estava e entrelaçou agora os dedos da mão direita. Ficaram um tempo mágico deitados, sem dizer nada um para o outro. Apenas olhando, contemplando-se.
-Pensei que fosse dizer "não".
-Eu já imaginava que fosse me dizer algo do tipo, então pensei em todas as respostas possíveis para não te magoar. E acho que escolhi a melhor.
-Acha?
-Sim! E sabe mais o que eu acho?
-Não. O que?
-Seus olhos, são lindos.
-Você!
-Eu o quê?
-Você é muito lindo. E eu acho que te amo. De verdade, mesmo sem nunca ter amado e sem saber o que é o amor.
-E você me deixou sem palavras.
-Que horas são?
-Já passa das 17 horas, melhor ir pra casa. Meu pai logo logo chegará.
-Queria poder ficar mais. -Mas não pode, então vá.
-Mereço um beijo antes? -No rosto. -Se levantaram e Andrew deu um beijo no rosto do, agora, namorado.
-Quando posso te ver de novo?
-Na escola!
-Você me entendeu!
-A gente conversa, agora vai. Meu pai não pode te ver aqui.
-Ok. Mas não esquece, eu acho que amo você, então se cuida. -Você também!
Notas finais
Me desculpem por isso :/
https://www.facebook.com/andreluis.tosegomes
Fale com o autor