Improvável?!
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Quando acordou, a primeira coisa que foi fazer foi ver as condições das marcas. Estavam quase invisíveis, só precisaria ir com uma blusa de manga comprida ou algo do tipo que tudo estaria bem. Então fez o procedimento padrão de escola, se despediu do pai, que estava indo novamente pra rua, mas dessa vez era pra conferir se o emprego estava garantido e fazer as coisas necessárias.
Como sempre, foi a pé. Fones no ouvido, e capuz na cabeça, as mangas compridas tampavam os braços com algumas marcas. O caminho foi feito normalmente, carros e ônibus passavam por ele. Pessoas indiferentes a tudo que passavam na sua cabeça. Ao menos era o que ele achava.
Quando chegou na escola o novato já estava sentado na carteira atrás da dele. "Bom Dia" Andrew disse tentando parecer educado.
-Oi! Ainda bem que veio.
-Por que?
-Por que sim!
Andrew fez uma careta estranha e se sentou. Ficou usando o celular e ouvindo música até o sinal soar.
"Alunos, hoje iremos a uma visita de campo!" Quem falava era o professor de Geografia, todos pareciam animados, menos Andrew. Odiava as visitas de campo. Motivos? Vários: tinha que ir de ônibus no meio de outras 30 pessoas, dividir um lugar na condução, fazer dupla com alguém pra fazer um relatório, observar lugares chatos e inúteis. A vida é mesmo ingrata.
-Como funciona isso?
-Bem..., a gente vai de ônibus até um lugar, faz dupla com alguém e depois faz um relatório.
-Posso fazer com você?
-O que?! — Aquilo era tanto uma pergunta quanto uma exclamação, não fazia sentido o que ele estava dizendo. Uma pessoa, de carne e osso estava pedindo pra fazer um trabalho com ele.
-Tudo bem... Não precisa fazer. -De veras, o novato parecia decepcionado.
-Não, não foi isso. É só que... Nunca, ninguém quis fazer trabalho comigo.
-Não entendo o motivo. -Todos já estavam se dirigindo à porta, então Andrew apenas apontou para a porta com a cabeça e se virou.
-O que exatamente faremos? -Guilherme recomeçava a conversa, eles já se encontravam no ônibus.
-Uma pesquisa de campo idiota sobre a estação de tratamento de água. O nome, "pesquisa de campo" é só um nome legal que quiseram dar. É simplesmente uma visita de observação.
-Teremos até quando para entregar o trabalho?
-Possivelmente na próxima aula. Creio que tenhamos uma semana.
-Pode ficar tranquilo, não vou deixar tudo pra você fazer.
-Não tinha pensado nisso.
-Quanto tempo vamos demorar pra chegar? Não gosto de andar de ônibus, me sinto enjoado.
-Uns 20 minutos.
-Poderia trocar de lugar comigo? Ficar perto da janela ajuda, o vento me acalma.
Como resposta Andrew simplesmente se levantou e se retirou do lugar. Porém enquanto saia, o veículo passou por um trecho ruim, o que provocou alguns solavancos. E Guilherme que estava se preparando para levantar acabou "passando" a mão pelo bumbum do outro que estava cedendo o lugar. Como foi um acidente, ambos fingiram que nada aconteceu, porém, Andrew sentiu algo estranho. Algo novo.
A viagem foi percorrida em silêncio. Nenhum dos dois lados sabia o que dizer. Os minutos se arrastaram num grande tédio. Até que finalmente chegaram.
A visita, como Andrew previra seria uma completa perda de tempo. Nada de interessante foi aprendido. Portanto, tudo ficou basicamente como estava.
No caminho de volta, Guilherme recomeçou a conversa:
-Onde é a sua casa?
-Por que pergunta?
-Para que eu possa ir lá para fazer o relatório. Ou prefere ir na minha?
Andrew nunca fora na casa de alguém que não fosse seu parente. E seu pai ficaria irado caso alguém entrasse na casa dele sem ele saber.
-Não precisa. A gente faz pela internet mesmo. Não precisa gastar seu tempo saindo de casa.
-Tudo bem...
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