Renesmee Cullen's POV


Três dias se passaram.

Eu estava completamente bem, forte e saudável como antes. Como Jacob me garantira.

Já conseguia me alimentar normalmente e, claro, a sede havia voltado. Fui caçar há um dia atrás – parecia que eu não bebia sangue há séculos.

Eu sentia o sangue percorrer por minhas veias novamente, meu coração batia em seu ritmo rápido comum e eu podia ver a cor viva em meu rosto outra vez.

Aquela era uma típica manhã chuvosa em Forks, não havia sol em lugar nenhum. Eu me observava em frente ao espelho, sorrindo por estar tão bem.

Escovei meus cabelos e o prendi atrás pela metade, para que os fios não caíssem em meu rosto.

Vesti uma rouba bem quente, uma que eu não costumava usar no dia-a-dia. Calcei minhas botas de camurça e enrolei um dos meus cachecois por cima do colar que Jacob me dera no pescoço. Aquela poderia ser uma roupa adequada para ver Jacob. Fazia um dia que eu não o via e sentia saudades deles como se não o visse há tempos.

Fui até a sala e parei subitamente quando vi meu pai deslizando suavemente os dedos sobre as teclas do piano. A palavra músico seria pouco para descrevê-lo. Ele era um artista incomparável, que derrubaria qualquer pianista do topo do sucesso. Eu tinha sorte em tê-lo como pai e professor.

Me recusei a interrompê-lo, aproximei-me e encostei os cotovelos no piano, o observando. Ele assentiu com a cabeça para que eu sentasse ao seu lado no banco.

Papai retirou a mão direita do piano e eu coloquei a minha, acompanhando pelas teclas a melodia de sua mão esquerda. Era uma música que tocávamos quando eu era menor e que mamãe adorava nos ver tocar juntos.

Droga. Meus dedos travaram e eu toquei a nota errada.

– Acho que preciso treinar um pouco – eu disse.

Papai sorriu, e continuou a partir de onde eu errei.

– Agora você – disse ele com sua paciência sem fim.

Repeti as notas, finalizando a música com o mi da última oitava.

– Muito bom – ele estampou em seu rosto um sorriso largo.

Eu sorri também, e iniciei outra música, uma que eu sabia de cor. Papai ergueu uma sobrancelha e me fitou, enquanto eu pensava.

– Pai, pode me levar a La Push? – perguntei, embora ele já soubesse meu pedido.

– Hmm – ele me analisou da cabeça aos pés. – Isso explica a produção.

Eu parei de tocar e olhei-me também, corando.

– Não estou produzida.

Ele riu, levantou-se e pegou a chave do carro, andando em direção à porta.

– Bella? – tia Alice abriu a porta e quando me viu, sorriu com admiração.

– Nossa, Nessie! – disse ela – Está linda! Vai sair?

– Vou ver o Jacob – senti meu rosto ficar mais vermelho.

– Ah – ela ainda sorria – Entendi. Edward, onde está a Bella?

– Aqui, Alice! – mamãe gritou da cozinha, com uma voz monótona.

Tia Alice saltitou até lá, com uma pequena maleta de manicure. Eu ri ao visualizar a expressão incomodada de minha mãe todas as vezes que ela fazia suas unhas.

Entrei no Volvo do papai, e ele parecia pensativo enquanto nos afastávamos do chalé.

– Por que Jacob não veio buscar você hoje? – perguntou.

– Bom... – eu hesitei – Ele nem ligou pra mim. Quero fazer uma surpresa.

Ele balançou a cabeça e sorriu, depois suspirou, fechando a cara.

– O que foi, pai? – perguntei.

– Nada – ele me fitou. – Me prometa que não vai sair de perto de Jacob.

– Tá, eu prometo. – eu disse, desconfiada.

Ele assentiu e voltou a olhar para a estrada, acelerando a velocidade.

Paramos em frente à casa vermelha dos Black, eu dei um beijo em seu rosto, e ele esperou que eu entrasse.

Seth caminhava em direção à porta da casa, e virou-se para mim enquanto eu fechava a porta do carro. Suas mãos e sua camisa estavam sujas de graxa.

– Oi, Seth!

– Oi, Nessie! – ele começou a andar em direção ao carro. — O Jake está na garagem — disse ele enquanto aproximava-se para conversar com o papai.

Não esperei para ver e corri até lá, diminuindo os passos enquanto me aproximava.

Contornei a garagem e entrei devagar pela porta dos fundos, para que Jacob não me visse.

Ele estava tão concentrado que não percebeu minha presença. Sua camiseta branca estava com manchas de graxa, e sua bochecha esquerda também estava suja. Ele curvava-se para frente e mexia no motor de uma picape antiga, soltava uma ferramenta no chão e pegava outra, as vezes limpando o suor da testa com o braço.

Aquela cena me fascinou. Poucas vezes eu vira Jacob trabalhar. Ele ficava ainda mais lindo quando estava concentrado.

Eu andei nas pontas dos pés, me aproximei e tapei seus olhos com as mãos, prendendo o riso.

Ele pareceu se assustar, pegou minhas mãos e virou-se, sorrindo.

– Nessie! O que está fazendo aqui?

– Eu queria fazer uma surpresa. Não gostou?

– Claro que gostei! – ele beijou meu rosto, hesitando em seguida.

– Mas você devia ter me avisado para eu tomar um banho – ele esticou e soltou o tecido da camiseta, fazendo uma careta.

– Sem essa, Jacob! Não quero atrapalhar. E você está bem charmoso com toda essa graxa! – eu tentei limpar seu rosto com a mão.

Ele riu e empurrou minha mão para meu rosto, sujando-me também.

– Ai, pare com isso! – tentei parecer irritada, mas não conseguia parar de sorrir.

Jacob estava com o sorriso largo que me deixava sem fôlego iluminando seu rosto.

– Não vou sujar sua roupa nova. Está tão linda!

Meu rosto ardeu enquanto eu corava, e eu me ergui para beijar seus lábios.

Ficamos nos olhando nos olhos por um tempo, e como sempre, me perdi na intensidade do seu olhar.

– Quer ficar pra almoçar? – perguntou ele.

– Claro.

Jacob puxou um caixote velho, tirou a camiseta e colocou em cima, estendendo a mão para que eu sentasse.

Eu fiquei o observando trabalhar, enquanto ele continuava a mexer no motor do carro.

Seus olhos me encontravam de vez em quando, e eu suspirava ao admirá-lo, agradecendo internamente por ele ter escolhido a mim para ser seu imprinting.

– Então, Jacob...

Ele me olhou de repente, esperando.

– Quem é aquele lobo? — eu disse.

Ele hesitou e suspirou, depois começou a falar, os olhos fixos no carro.

– Bom... na verdade, é uma loba.

– Loba? – eu ergui as sobrancelhas. Até onde eu sabia, Leah era a única mulher que virava lobo.

– É. Leah não é mais a única.

– Nossa! – exclamei – De onde ela veio?

– De Seattle. Ela é órfã de pai e mãe, vivia com os tios. Não sabia de suas origens, seus pais tentaram escondê-la mas morreram há alguns anos. Ela foi manipulada por Susan, e... nós oferecemos abrigo para ela.

– Qual o nome dela? – perguntei, ainda surpresa.

– Andressa. Andressa Shell.

– E onde ela está agora? – eu parecia uma criança curiosa, especulando perguntas.

– Leah está a domando na floresta.

– Domando? – minha voz elevou-se – Como um animal selvagem?

– É, quase... – ele soltou uma ferramenta no chão, encostando-se no carro à minha frente. – Ela chegou aqui assustada, sem saber de nada sobre a transformação. Precisa controlar seus instintos.

– Ah – suspirei. – Deve estar sendo difícil para ela.

Jacob assentiu, franzindo o cenho.

– Quero conhecê-la – eu disse.

– Hmm... Não é uma boa ideia.

– Por favor? – eu quase implorei, me surpreendendo com minha própria atitude . Por que eu estava tão curiosa?

– Pode ser perigoso, Nessie. Ela pode machucar você.

– Não vou desgrudar de você.

Ele suspirou e sorriu, convencendo-se.

– Tudo bem. Deixe eu terminar com este aqui antes – disse ele, apontando para a picape.

Eu assenti e esperei, o observando trabalhar novamente.

Notas finais
E aí? O que acharam do capítulo?
Comentem! :)