Imprinting
35 Evolução
Notas iniciais
Bom, eu pensei que este seria o último capítulo, mas as ideias vieram de um jeito que foi impossível terminar por aqui.
Talvez eu termine em um capítulo ou dois, ainda não sei...
Quero agradecer a TODOS os comentários, vocês me deram muitas ideias durante o desenvolver da história, e nesse capítulo foram de extrema importância! Obrigada!
Boa leitura e espero que gostem! ^^
Renesmee Cullen's POV
Agulhas. Facas afiadas. Não, inúmeras espadas precisamente amoladas eram enfiadas por todo meu corpo, começando pelos membros superiores, seguindo para os inferiores e concentrando-se no caminho direto ao meu coração, dando guinadas profundas por meu peito fazendo meu corpo contrair-se para frente, a fim de tentar impedir a tortura totalmente sem saída.
Meus músculos e tecidos pareciam ser rasgados em inúmeros pedaços, meus ossos mais espessos tremiam e oscilavam como colunas de ferro sendo forçadas a partirem ao meio.
Uma pressão de mil toneladas pesava em minha cabeça, também empurrando as espadas e atravessando-as em meu cérebro, o que até pensar tornava-se uma tarefa difícil.
Mas não se tratava apenas de mim. Também havia Jacob, com seu corpo enorme tremendo encostado ao meu, sem que eu pudesse fazer nada para escondê-lo de Jane, para impedir que ele sentisse tudo aquilo. Eu queria reduzi-lo a um pequeno filhote de lobo, envolvê-lo em meus braços e escondê-lo junto ao meu peito.
Ele ainda erguia o focinho e me empurrava, mesmo sem forças, mas eu não sairia dali. Agarrei-me ainda mais em seu pêlo e fechei os olhos, procurando uma maneira de raciocinar.
Eu não sabia onde estavam meus pais, muito menos os três vampiros que os mantinham ocupados. Agora, mesmo se eu abrisse os olhos não veria nada, tudo o que eu podia captar era um borrão em tons de verde e vultos passando de um lado para o outro, e eu não conseguia distinguir quem eram.
Comecei a me preocupar com meu pai, ele estava agora sozinho com os dois vampiros. E onde estava minha mãe? Ela havia detido Susan e fora ajudá-lo? Eu queria desesperadamente estar envolta em seu escudo. Era impossível suportar aquela dor por muito tempo, eu morreria em poucos segundos.
Mas de repente algo bom e estranho aconteceu. A dor estava... cedendo? Não, não estava. Era apenas um orifício no meio daquele oceano perturbador que havia sido aberto no momento que pensei no escudo à minha volta.
A minúscula sensação de alívio foi tão intensa que me fez estremecer. Aquilo aconteceu de verdade ou eu estava apenas delirando?
Ignorei a segunda opção e tentei me concentrar com toda a força que ainda me restava. Pensei o mais claro possível na camada forte e protetora do escudo me envolvendo, criando cortinas de ferro impermeáveis a qualquer poder maligno. A lembrança foi se expandindo lentamente por minha cabeça, tornando-se quase verdadeira à medida que eu me esforçava. Quase.
A dor ainda me atormentava, afinal o que eu estava usando era apenas uma lembrança, não o próprio escudo. Mas as apunhaladas ficavam cada vez mais fracas, mais lentas, como se alguém estivesse desacelerando o tempo e limitando a passagem das espadas para meu corpo.
Jacob estava abaixado, apoiando o peso do corpo nas patas, e tentava se levantar ao gemer baixinho.
Começando a ter esperanças de que aquelas lembranças estavam funcionando de alguma forma, arrastei-me de joelhos mais junto a ele, abracei-o com mais força e coloquei minha mão abaixo de seu olho direito, mostrando-lhe meus pensamentos.
Esforcei-me ao máximo que pude, imaginando o escudo o mais intacto possível passar em volta dele também. Jacob arfou, os olhos arregalaram-se e me fitaram com uma confusão clara. Embora a dor ainda o afetasse, senti seu corpo relaxar um pouco, assim como eu também estava mais aliviada.
- Nessie! – ouvi a voz de minha mãe. O som parecia familiar, como se ela houvesse chamado por mim várias vezes, mas eu não prestara atenção.
Minha mente estava em guerra entre as lembranças e a realidade angustiante, o que fez minha cabeça começar a dar voltas. Meus dedos cederam à força que faziam no pêlo de Jacob, e meu corpo desabou sobre ele, meus pulmões contraindo-se para recuperar o ar. Não entendi inicialmente, mas logo percebi que estava extremamente cansada, minhas forças esvaiam-se cada vez que eu forçava os pensamentos. Eu usara meu poder de mostrar minhas lembranças em um nível mais elevado, com sensações e influências com a realidade. Não sei como, mas eu havia feito aquilo.
Eu não conseguia mais manter o escudo claro, minha visão oscilava em pontos negros, e eu piscava para continuar enxergando. Tive de me concentrar para permanecer respirando.
Pensei que tudo estava perdido, e que minha tentativa de lutar contra o poder de Jane fizera minha vida e a de Jacob durar apenas um curto espaço de tempo, mas de repente o escudo verdadeiro contornou-nos, fazendo a dor acabar completamente. Minha mãe estava à nossa frente e avançava para Jane, tentando derrubá-la no chão.
Jacob ficou inquieto, e soltava sons estranhos pela garganta tentando chamar minha atenção. Eu reconhecia sua preocupação mesmo em sua forma de lobo.
- Estou bem. – Garanti-lhe, tentando projetar uma voz firme.
- Nessie! – Meu pai apareceu ao meu lado, tirando os fios de cabelos que me cobriam o rosto. – Você está bem?
- Bella! – A voz de tia Alice surgiu ao longe, ela correu até nós. – Bella, pare! Eles estão vindo!
Mamãe parou a mão fechada em punho no ar, quase alcançando o rosto de Jane. Elas estavam em posição de batalha, ambas prontas para atacar uma à outra. Jane arquejou ao ouvir o que tia Alice disse.
- Quem está vindo? – Perguntei em um fio de voz a meu pai.
- Os Volturi – disse ele. – Vieram buscar a irmã.
Mamãe recuou e juntou-se a nós. Jane olhava em volta, provavelmente procurando um jeito de escapar.
- Alice, quanto tempo? – perguntou mamãe.
- Trinta segundos – ela olhou para Jane. – Não há mais tempo para fugir.
- Jacob, saia daqui – disse minha mãe. – Leve Nessie com você.
- Eu já ouço os pensamentos – interveio papai. – É melhor ficarmos juntos.
Três capas negras apareceram a poucos metros antes do tempo estimado. Eles pararam ao ver a irmã. Aro estava no meio dos outros dois, Caius e Alec.
Jacob meneou a cabeça na direção do papai, “falando” com ele. Ele assentiu e me pegou nos braços, colocando-me em cima do lombo de Jacob. Segurei-me com força e ele pôs-se de pé.
Já faziam mais de seis anos que eu vira os Volturi. Porém, eles ainda provocavam o mesmo frio estranho em meu estômago, aqueles olhos vermelhos a me fitarem da mesma maneira da primeira vez.
- Aro. – Papai deu um passo à nossa frente.
Mamãe preferiu ficar ao nosso lado, cercando-nos com o escudo. Agora, além de Jane havia o poder de Alec, que eliminava todos os sentidos e sensações. Tia Alice aproximou-se à nossa esquerda.
- Edward Cullen – disse Aro em um tom amigável, sem sair do lugar, desviando os olhos para mim e Jane. – Há quanto tempo.
- Suponho que vieram por uma causa familiar – continuou papai ao também olhar par Jane, que estava imóvel como pedra.
- Certamente. – Aro deu um passo à frente. – Jane, querida irmã... Estamos à sua procura há meses!
Jane mexeu os pés, inquieta e temerosa.
- Nunca é tarde para se fazer justiça, Aro. – ela ergueu o queixo, embora a expressão fosse vencida. – Eu apenas vim terminar o que deveríamos ter feito há anos.
- Aro tem consciência da decisão que teve – interveio tia Alice. – Não é mesmo, Aro?
Ele assentiu devagar.
- Você desprendeu-se da nossa família, Jane – continuou Aro com as mãos juntas, dando um passo a cada respiração. – Por quê? Por mera vingança?
- Por justiça. Para garantir nosso segredo em segurança. É o que fazemos.
- Já resolvemos este assunto, irmã – ele inclinou a cabeça para mim. – Embora eu ainda tenha minhas dúvidas...
- Não tenha. – Mamãe falou pela primeira vez, e pôs-se ao lado do meu pai. – Como disse, já resolvemos este assunto.
Aro sorriu levemente, e voltou-se para Jane novamente.
- Agir sem o nosso consentimento? Manter um transfigurador como refém? Usar vampiros desconhecidos como aliados? – ele inquietou os olhos para os vampiros no chão, que eu percebera agora que estavam mortos. – Você irá voltar-se contra nós? – ele estendeu as mãos para os lados, usando uma voz comovida – Contra seus irmãos?
De uma coisa eu tinha certeza. Jane era a favorita dos Volturi, e, além disso, juntamente com Alec, ela garantia boa parte da segurança da guarda. Os Volturi nunca tinham uma luta justa pela presença dela no clã, e ela não seria punida de maneira rigorosa.
Aro não a deixou responder, e fez um gesto chamativo para Caius e Alec.
- Perdoe-me, preciso tomar providências. Mas não serei muito rude.
Eles flutuaram até Jane e cada um tomou os braços dela, que mesmo relutante entregou-se ao ato.
- Acompanhem-na até os limites de Forks e esperem-me. – Ordenou Aro. – Preciso conversar com meus amigos.
- Você sabe o que há por vir – protestou Jane enquanto era levada. – Ela pode não ser mais uma criança, mas é imortal e possui sangue humano nas veias. E ainda há o poder...
- Conversaremos sobre isso em casa – ele ergueu uma das mãos, e os demais Volturi desapareceram do nosso campo de visão.
Aro estava sozinho, portanto não lutaria. Mas ele me fitava com uma obscuridade fulminante, com uma curiosidade maior que a da primeira vez que me vira.
Meu pai soltou um rosnado baixo e feroz enquanto ele se aproximava.
Notas finais
Beijinhos! :)
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