Renesmee Cullen's POV

- Obrigada, Rose – disse mamãe enquanto eu entrava no quarto.

- Interrompo? – perguntei timidamente.

- Claro que não, Nessie! – tia Rosalie beijou-me na bochecha. Seu rosto estava um tanto estranho, a testa levemente franzida – Você veio com Alice?

- Sim. Ela está na sala com o papai.

Ela sorriu e foi encontrá-la.

A expressão de minha mãe estava mais relaxada, porém seus olhos pousavam em mim com um ar pesado de culpa.

Ela não devia se sentir assim. Era tão injusto!

Me aproximei devagar e sentei na ponta da cama ao seu lado.

- Me perdoe, Nessie. – disse ela devagar. Seus olhos dourados suplicavam para mim.

- Não tem que se desculpar, mamãe – eu disse com convicção. – A culpa não é sua.

Ela suspirou, deu um meio sorriso e afagou minha bochecha.

Eu a puxei pelo braço e a abracei com força por cima dos ombros.

- Ah, meu amor – disse ela em meu ouvido – Como eu queria que não fosse assim! Como eu queria eu mesma ir resolver isso com Jane e deixar você de fora!

Uma onda de pânico pegou-me de surpresa.

- Não! – arfei, me afastando para olhá-la nos olhos – Mãe, por favor. Nem pense em fazer isso! Eu morreria se você...

- Shhh – ela me abraçou novamente. – Tudo bem, desculpe.

Eu a soltei e fitei minhas mãos.

- Quando vamos?

- Em uma semana – seu tom estava cauteloso.

Uma semana?! Eu tinha uma semana para ficar com ele!?

Eu queria protestar, mas permaneci em silêncio com medo de machucá-la com a culpa injusta.

Encolhi os ombros.

- O que você estava falando com tia Rose? – perguntei em voz baixa.

- Estávamos resolvendo algumas coisas da viagem. Eu e seu pai consideramos que precisávamos de um lobo por perto, então Seth vai conosco. E ela deixou Andressa ir também.

- Ah, eles também vão? – ergui as sobrancelhas.

- Sim. Desde que Rose vá nos visitar de vez em quando. Ela não quer ficar muito tempo longe de Andressa.

- Entendo.

Não era de se admirar que tia Rose fizesse isso por mim. Seu coração era imenso.

Ela mal havia adotado Andressa, e já estava abrindo mão dela para me proteger.

Eu também entendia que Andressa precisasse ir com Seth. Mais um imprinting afetado seria um grande problema.

O rosto de Jacob veio à minha mente como um relance. Eu queria tanto vê-lo! Queria poder dispersar da minha cabeça a última expressão que eu vira em seu rosto. Eu precisava ver seu sorriso de novo.

Suspirei profundamente.

Mamãe encostou minha cabeça em seu ombro e acariciou meus cabelos.

- Vai ficar tudo bem, amor.

**********************

Me preparei para dormir depois das onze, porém estava sem sono.

Encolhi-me na cama e tentei me aquecer do frio cobrindo-me com o edredom até o pescoço.

Minhas pálpebras recusavam-se a fechar com a imagem de Jacob vidrada em minha mente. Eu pensara nele o dia inteiro. Não como normalmente eu pensava, mas vê-lo daquele jeito – os olhos tristes, sem brilho, o sorriso encantador apagado nos lábios – estava me matando.

Quando ele iria falar comigo?

Ele soubera da notícia pela manhã, e até agora não havia aparecido.

Ele estaria me evitando? Achou melhor afastar-se antes de uma despedida oficial?

Eu sabia que ele odiava despedidas. E eu também.

Estremeci.

Não podia ser assim. Eu tinha que vê-lo, precisava abraçá-lo, tinha que aproveitar ao máximo o tempo que me restava para ficar com ele.

Mas uma semana era pouco demais.

Aliás, uma vida inteira não seria suficiente para me dar por satisfeita para tê-lo comigo.

Eu sabia que nossa... separação – era difícil pronunciar a palavra até em pensamento – não seria para sempre. Mas quanto tempo eu aguentaria ficar longe?

Eu nem conseguia me imaginar em um aeroporto acenando para ele enquanto me afastava, que dirá vivendo em um lugar onde ele não estivesse!

Mas pensando por outro lado, ficar comigo seria um perigo enorme para ele. Jane estava não só contra mim e minha mãe, mas contra todos que eu amava, inclusive ele. Eu não suportaria que ela machucasse meu Jacob. Seria doloroso demais. Seria pior que a morte – assim eu imaginava.

As lágrimas começaram a se acumular em meus olhos, e eu limpei meu rosto com as mãos.

Decidi que iria a La Push assim que amanhecesse. Eu não aguentaria mais esperá-lo.

A porta abriu-se devagar. Fechei os olhos e fingi um sono tranquilo. Minha cabeça estava perturbada demais para conversar com quem quer que fosse.

Ouvi passos lentos aproximando-se. Era o som de sapatos pesados, pés masculinos. Devia ser papai indo me dar um beijo de boa noite.

Senti ele sentar perto de mim e esperei por seu beijo frio.

Mas foram lábios quentes e macios que tocaram minha testa.

Meu coração acelerou e eu abri os olhos, perplexa.

Jacob estava a poucos centímetros de meu rosto. Eu o fitei, imóvel.

- Desculpe ter acordado você – disse em voz baixa.

- Não, eu não estava dormindo.

Ele abaixou os olhos, a testa franzindo-se levemente. Percebi que estava pensando no que dizer.

Depois voltou os olhos para mim novamente.

- Nessie... me desculpe. Desculpe tê-la deixado sozinha, mas eu fiquei chocado e tão perturbado quando soube...

- Não se desculpe. – interrompi – Por favor, não fique assim.

Toquei sua nuca e deslizei meus dedos entre seus cabelos curtos.

Jacob fechou os olhos devagar, e com a mão encostou minha testa na sua, seu hálito quente aquecendo meu rosto em um arfar pesado.

Ele beijou-me de um jeito suave e cuidadoso, e pareceu estar desfrutando de minha presença tanto quanto eu estava aproveitando meus primeiros minutos da minha última semana com ele.

Seus lábios ardentes deixaram os meus devagar, a boca agora franzindo-se como se precisasse segurar a respiração.

Olhei em seus olhos, e o castanho-escuro penetrante em sua íris agora preenchia-se com uma camada molhada prestes a transbordar para fora.

Eu queria poder impedir que as lágrimas caíssem de seus olhos, mas os meus agora estavam também úmidos demais para ver seu rosto.

Fechei-os e deixei que as gotas quentes descessem por minha face.

Jacob me puxou para seu colo e eu me aninhei ao seu peito ardente. Ele manteve o queixo sobre minha cabeça, e acariciava meu braço enquanto eu soluçava.

Não era só eu que precisava ser consolada. Ele também estava tão infeliz quanto eu, e esta era a razão pela qual meu coração desfazia-se em pedaços.

Tombei a cabeça para trás para ver seu rosto.

Seus olhos úmidos encontravam meu olhar de uma modo profundo e totalmente transparente.

Ele podia ver meu interior, assim como eu podia sentir a dor angustiar sua alma.

O imprinting fazia nossos corações sentirem o que o outro sentia, em uma harmonia silenciosa que o amor nos proporcionava.

Suas lágrimas eram as minhas, assim como as minhas eram as dele.

Eu podia me ver em seu sofrimento como um espelho.

Endireitei-me em seu colo e o abracei por cima dos ombros, seus braços grandes apertando minha cintura.

Pousei minha cabeça em seu ombro e ele encostou os lábios em meus cabelos sobre minhas orelhas.

- Eu te amo – sussurrou, e eu pude sentir a intensidade de suas palavras.

- Eu também te amo – apertei-o com mais força, e desejei nunca mais ter que sair de seus braços.

Notas finais
Olá, pessoal!
Além do capítulo, como está indo a fic? Vocês tem sugestões para mim?
Comentem! :)