Imprinting
10 Capítulo 5 - Jacob
Notas iniciais
Nessie arrancou o carro do estacionamento com uma habilidade incrível. Nós passamos por aquele amiguinho louro dela. Ele encarava o carro com uma sombra de dúvida no olhar.
– Quando você aprendeu a dirigir? – Perguntei.
Nessie rolou os olhos.
– Não é porque não tenho carteira ainda que não sei dirigir. – Ela deu um sorriso fraco. – Meus tios me ensinaram há um tempo.
– Claro. – Balancei os ombros.
Nessie olhava fixa para frente. Estávamos deixando La Push em direção à Forks.
O rosto dela era sério e duro. Seus lábios estavam franzidos. Não como se ela tivesse com dificuldade para dirigir – mas como se estivesse pensando em algo que a deixava magoada ou chateada. Senti uma pontada de culpa no peito. Não tinha sido certo eu ignorá-la por três dias se nada do que acontecera era culpa dela. Ela só queria me ajudar. E saber que ela se culpava por algo que não tinha nada haver me deixava entristecido. Quando ela desabafou comigo no estacionamento vi que ela estava a ponto de chorar ou de dar uma crise bem ali na minha frente. Eu jamais desejei causar algum tipo de sofrimento nela. E do jeito que ela falava, suplicando, parecia que tinha algo mais que quisesse me dizer. Eu via uma confusão incomum naqueles olhos cor de chocolate.
O iPhone dela disparou.
– Droga – Nessie puxou o celular do bolso –, pai? Fui fazer um trabalho na casa de uma amiga. Desculpe por não avisar, foi de última hora. O trabalho é para amanha… – Ela suspirou. – Não vou chegar tarde em casa. Não, não precisa vir me buscar. Também te amo. Tchau.
– Não devia mentir para o seu pai. – Falei.
Ela bufou.
Renesmee dirigia rápido – chegamos a Forks em um piscar de olhos. Porém ela não parou na cidade, continuou dirigindo direto, saindo de Forks. Fiquei me perguntando onde ela estava nos levando. Passamos da ponte e continuamos indo.
– Aqui – Ela disse. Entramos em uma estrada de terra apertada e irregular. Ela dirigiu por mais um quilometro e depois parou. – Desça.
Bati a porta do carro.
– O que estamos fazendo aqui?
– Espero que não tenha medo de andar na floresta, Jake. – Ela colocou as mãos no bolso da jaqueta de couro. – Queria ter trazido Colin. – Falou para si mesma, olhando para o chão.
– Quem é Colin?
– Meu lobo de estimação. – Sorriu. Lobo de estimação? – Ahn, por aqui. – Ela abriu caminho pelas árvores.
– Renesmee? – Corri atrás dela, arrancando os galhos de uma samambaia enorme. – Onde você está indo?
– Pare de fazer perguntas. Venha – chamou.
Para uma garota delicada e meiga, até que Renesmee se dava bem em trilhas. Ela conseguia ser mais rápida que eu. Saltava os galhos e andava com agilidade pelo mato. Eu não fazia ideia de onde ela estava indo. Só a seguia.
Depois de mais vinte minutos Nessie parou em frente ao muro alto de samambaias e passou por entre elas.
Estávamos numa campina perfeitamente circular. Ela devia ficar em alguma parte mais alta, por que estava banhada pelo sol da tarde. Flores roxas, brancas e amarelas cobriam a grama baixa.
– Que lugar é esse? – Perguntei.
– Um lugar que meus pais acharam quando eles ainda eram namorados. É bem perto da minha casa. Ela fica naquela direção. – Apontou para noroeste. – É aqui que eu venho para pensar.
– Um bom local. – Sorri.
Nessie não sorriu. Eu sabia que ela queria saber por que eu havia agido daquele jeito e por que eu terminara com Leah. Ela queria respostas.
– Nessie, eu…
Renesmee sorriu. Ela pegou na minha mão e sentou no chão. Sentei ao lado dela.
– O que aconteceu?
Respirei fundo.
– Leah me traiu. Com um idiota da reserva. – Senti meus olhos queimando.
– Jake, eu sei como é.
– Não! – Senti as lágrimas descendo pelo meu rosto. – Eu estou perdendo todos que eu amo! Primeiro minha mãe, depois Leah. Quem mais vai ser? Meu pai? Minhas irmãs? Meus amigos? Você?!
– O que aconteceu com sua mãe? – Ela passava a mão delicadamente pela minha nuca.
– Ela morreu – solucei. Formou-se um bolo na minha garganta. – Há seis meses. Em um acidente de carro.
Vi lágrimas caindo pelos olhos de Renesmee.
– Sinto muito, Jake. Não consigo imaginar essa dor. – Ela limpou as lágrimas do meu rosto com o dedo. – Só digo uma coisa: você não vai perder ninguém. Principalmente eu. Você está me ouvindo? Você nunca vai me perder. – Ela me puxou, acariciando meus cabelos, e eu deitei minha cabeça em suas pernas.
– Obrigada. – Limpei meu rosto.
– Vai ficar tudo bem, Jake. – Ela sorriu.
Seu rosto relaxou e eu vi aquela confusão em seus olhos de novo.
– O que foi que aconteceu? – perguntei.
Nessie riu.
– Deu para perceber? – Ela corou. – Sabe aquele garoto que eu estava falando no fim da aula?
Concordei com a cabeça.
– Era o meu ex-namorado do Alasca. – Seus olhos encaravam o nada. – Ele se mudou para cá por um semestre. Esbarrei com ele na loja onde comprei o vestido da festa.
Eu não fiquei feliz em escutar isso.
– Você está bem? – perguntei.
– Não sei ainda… – Ela passou a mão pelos cabelos ruivos. – Você vai para minha festa, não vai?
Eu sorri.
– Claro, não perderia por nada.
***
Acordei renovado na outra manhã. As tardes com Nessie pareciam realmente ter efeito em mim. Depois de ir sozinho para o carro – Nessie dissera que podia voltar sozinha para casa – eu corri ao centro para comprar o presente dela.
Renesmee dissera que se eu gastasse muito, ela ia ficar brava comigo. Ela gostava de coisas simples, mas eu não fazia ideia do quê.
Depois de rodar metade das lojinhas, encontrei uma coisa que parecia ser perfeita: uma pulseira trançada, com vários pingentes. Tinha um coração, um apanhador de sonhos pequenino com penas rosas e azuis, um lobo, uma flor e a palavra “Love” em madeira. Tinha de ser este.
Nunca voltei para casa tão satisfeito, minha família até estranhou.
Hoje eu iria entregar o presente dela quando chegasse à escola. Nessie dissera que só ia assistir aula até o quarto horário por causa dos preparativos.
Quando estacionei o carro na escola, vi o sorriso de Renesmee refletindo um pouco do sol da manhã que ainda aparecia pelas nuvens.
– Feliz Aniversário!! – Gritei e a puxei num abraço apertando, girando-a no ar.
– Obrigada! – Ela sorria de ponta a outra.
Estendi o pequeno pacote à ela.
– Juro que não foi caro… Só achei a sua cara.
Ela pegou o pacote com uma ruguinha entre os olhos e o abriu delicadamente. Quando a pulseira caiu em sua mão, ela arfou.
– Jacob… É, perfeito! Eu não sei como… – Ela me deu um abraço e tive que abaixar para que ela pudesse beijar minha bochecha. – Seu monstro gigante. – Ela riu.
Eu não conseguia parar de rir.
– Oh. Puta merda. – Ela xingou.
Olhei para baixo e depois para a direção em que ela olhava. Um garoto bonitão saiu de uma Mercedes preta em nossa direção. O tal ex-namorado.
Comecei a ficar com raiva.
– Riley! – Como ela conseguia ser gentil até com ele? – Devia estar na escola!
– A chuva de ontem causou alguns danos a dois prédios da escola… Eles deixaram o dia livre para os alunos hoje. – Ele sorriu. Duas meninas que passavam do nosso lado arfaram. Que nojo. – Feliz aniversário! – Ele estendeu os braços.
Renesmee cuidadosamente o abraçou de volta, hesitante. Depois de alguns segundos ela o abraçou mais forte e depois o soltou.
– Só vim dar parabéns mesmo e saber se você gostou do presente. Ontem não pude ver você abri-lo. – Era impressão minha ou ele tinha olhado incisivamente para mim por dois segundos?
– Adorei aquele colar. Obrigada – ela passou a mão no pescoço e tinha uma corrente pendurada. Um pingente de prata em forma de coração estava balançando levemente.
– Eu sabia que você ia gostar. – Ele riu. – Eu sei que você está pensando… Mas eu não vim para cá só para ver você. Marquei de ir à praia com o pessoal da escola.
– Você não devia se atrasar por minha causa… – Renesmee puxou algo da bolsa. Um convite branco e preto. – Eu consegui isto aqui para você, se você quiser ir… Minha família não vai estar então…
Ele riu. Eu não tinha entendido a piada.
– Tenho que ir. – Ele sorriu. – Tchau, Carly.
– Tchau! – Ela acenou. Depois se virou para mim. – Sem perguntas.
– Tudo bem – falei.
O resto do dia foi bem chato. Desejei bons preparativos para Renesmee quando a aula de espanhol acabou e depois tentei suportar o resto do dia. A festa dela começava as sete da noite, e não tinha hora para acabar. Então voltei da escola passei a tarde zanzando entre a cozinha e meu quarto, sem saber o que fazer. Quando deram oito horas eu saí de casa, tentando desvendar aonde era a casa de Nessie. Tinha um mapa no convite, mas não estava exatamente claro.
Até que achar a entrada não foi tão difícil – colocaram pisca-pisca coloridos em volta das plantas da entrada e durante todo o percurso até a casa. E que casa. Como não ficavam perdidos ali dentro?
Muitas pessoas estavam entrando na festa, outras estavam paradas na entrada conversando. Duas recepcionistas estavam paradas em frente à porta da casa coletando as senhas. Estendi a minha e elas me desejaram uma boa festa.
Dentro da casa estava escuro e coberto por luzes, pessoas dançavam numa batida alta. Pufes e mesas com comida estavam por vários lugares do enorme espaço, além dos garçons que seguiam com suas bandejas de bebidas. No extremo esquerdo do salão tinha um barman preparando coquetéis e perto da escada o DJ comandava a festa num palanque.
Antes que eu pudesse procurá-la, Renesmee apareceu.
Era a pessoa mais linda que eu já tinha visto em toda minha vida.
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