Cap. VII – Pequenos segredos

Toda a Fairy Tail, inclusive suas figuras mais desligadas já estavam notando a notória mudança de Laxus Dreyar em relação a Cana Alberona. O loiro não havia perdido sua personalidade forte ou ficado meio abobado como Alzack, até porque isso não seria do seu feitio, mas claramente alguma coisa havia mudado. E havia uma pessoa bastante incomodada com as investidas sutis ou talvez não tão sutis assim do Dreyar: Combolt Macao.

O mago era bastante conhecido por ter sido abandonado pela esposa e depois disso ter assumido um comportamento galinha e nesse instante atual meneava o que deveria fazer da mesa onde estava sentado observando a maga no balcão bebendo e conversando com Levy e Lisanna. Em um período breve alguns anos atrás, depois de uma festa arrebatadora da guilda e muito álcool os dois já haviam compartilhado o mesmo leito, mas nunca passou disso. O problema era que atualmente a garota parecia cada vez mais distante.

Cana sempre esteve muito perto, ao alcance da mão e agora aparentemente estava caída por um homem mais jovem e mais poderoso. Isso com certeza não fazia nada bem a auto-estima do pai de Romeo. Tsk... Não ia perder para um pirralho. Então, de repente, quando as duas garotas se despediram da mulher o homem teve sua chance de chegar para... Hum... Chamar para uma missão?

Sentou-se casualmente ao lado dela e recebeu um cumprimento, só que ela não parecia assim muito disposta a conversar, não com ele pelo menos.

- Então, como anda? Já está nova em folha?

- Sim, como se nunca tivesse caído. – disse a morena olhando para sua caneca –

- Nossa, que bom... Que tal uma missão para comemorar?

Os olhos violetas da mulher o fitaram com certa descrença, realmente Macao estava chamando-a para fazer alguma coisa de novo? Sério, era hilário ver como agora que ela não tinha o menor interesse ou vontade de ter a atenção dele naquele sentido ele parecia tão disposto a cortejá-la. Deu um meio sorriso enquanto tomava um gole de sua caneca.

- Eu passo, Macao. Por que não chama o Wakaba?

- Ah qual é, Cana... Vamos lá, para lembrar os velhos tempos...

Uma das sobrancelhas dela se ergueram em sinal de descrença, velhos tempos uma pinóia. Cana não queria voltar a uma época em que possuía tão pouco amor próprio quanto era possível. As pessoas devem evoluir, não regredir.

- O problema das velhas histórias é que nunca lembramos delas como realmente aconteceram e sim como queremos lembrar. – disse a maga se levantando – A gente se vê por aí... – a mulher acenou para Loki que estava fazendo uma visita a guilda – Hey Loki, como assim você vem visitar e não senta para beber comigo?

Macao ficou estático olhando para ela se afastar enquanto uma certa garçonete dava um sorrisinho travesso. Com certeza um novo casal estava para ser formado na guilda, e com certeza o mago da chama roxa não era protagonista.

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Em uma mesa mais ao canto, de onde poderia ter uma ampla vista do salão estavam sentado um grupo de quatro magos. E um deles já estava realmente impaciente com a situação que se transcorria no balcão, o que raios aquele velhote tanto queria com a Cana, ou melhor, com SUA Cana. Ela aparentemente já tinha deixado claro que não queria nada com ele.

Simplesmente foi um deleite aos seus ouvidos privilegiados ouvi-la dando um fora tão bem dado nele. Sinceramente, a morena era boa demais para se envolver com um mago tão medíocre como o Combolt e isso não era porque estava interessado nela. A Alberona é uma maga de primeira linha com mais poder mágico no mindinho do que aquele idiota em três vidas, sem dizer que a diferença de idade é cavalar. Quatorze anos. Por Mavis, ele quase tinha idade para ser pai dela.

Tudo bem que a mulher passou por uma fase ruim de baixa auto-estima extrema na qual amor próprio aparentemente não existia em seu repertório, mas afinal de contas quem nunca teve um momento ruim. Entretanto hoje ela aparentemente aprendeu a se dar mais valor e a se respeitar para então ser respeitada e estava bastante orgulhoso dela por isso.

Mas como nada na vida eram flores, obviamente que ela tinha que sair de perto de um idiota para ir para perto de outro. Loki estava descaradamente dando em cima dela agora e ela tinha a melhor das reações, fingia que não notava. Realmente a morena parecia ter um dom para ignorar certas coisas ao seu redor. Às vezes, Laxus notava como ela parecia ver o mundo de uma perspectiva particular, como nos jogos mágicos. Todos extremamente preocupados com o Pandemônio e Erza lutando enquanto ela bebia tranquilamente.

E isso não queria dizer que não estava preocupada, apenas se preocupava de seu próprio jeito. A maneira com que ela lida com seus fãs também é tão boba... Enquanto Erza batia em todos, Mirajane os afastava com uma atitudes bizarras, Lucy ficava quase azul de constrangimento, Cana aproveitava a bajulação e depois simplesmente os deixava com cara de idiotas.

Um pequeno rosnado, já estava ficando realmente com ânsia de começar uma briga só para poder acertar o espírito celestial sem ser notado. Tudo o que precisava fazer era soltar uma faísca que acertasse Elfman que falaria alguma frase de virilidade e terminaria soltando o primeiro soco e o resto era história. Um sorriso levado brotou nos lábios do loiro que quando estava prestes a começar a terceira briga do dia, Gildarts apareceu na guilda, entrando por uma parede lateral e em seguida visualizando Loki tentando abraçar Cana de lado e foi tudo lindo...

O velho o acertou antes que pudesse sequer notar o que aconteceu, a filha começou a brigar com ele que fez um bico, Natsu pulou em cima da mesa o desafiando e terminou sendo enterrado no teto, Gray riu e recebeu uma labareda bem no meio da fuça, ao se levantar derrubou o bolo de Erza que entrou em choque, Elfman apareceu de algum canto e pisou no bolo da Titânia que acertou um murro nele, Lucy se desesperou e pegou Happy no colo numa tentativa idiota de usá-lo como escudo, Gajeel pulou do segundo andar quebrando a mesa para começar a lutar com Natsu, alguma coisa acertou Bixlow que entrou na briga, Fried saiu correndo para o balcão para proteger Mirajane de qualquer objeto voador não identificado, fizeram Ever derrubar Martini no vestido e ela devolveu o favor gritando meia dúzia de impropérios e petrificando alguns desavisados...

Nada como mais um dia comum naquela guilda louca. O mundo estava ruindo ao redor e Laxus achava graça, seu pequeno pedacinho do pandemonium. Com a visão periférica viu a morena tentando sair do meio da confusão usando algumas cartas para se proteger e obviamente que não perderia a oportunidade de ir atrás. Nesses momentos se sentia um grande babaca, mas não podia fazer nada a respeito, seus instintos eram muito fortes. Simplesmente era um tipo de atração fatal.

Malditos instintos dracônicos!

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Às vezes coincidências eram tão convenientes.

O Dreyar estava voltando para Magnólia após uma missão relativamente longa, sete dias, geralmente voltaria andando, mas havia se cansado e machucado um pouco, então apesar de quase sentir arrepios ao pensar em andar de trem, teria que fazê-lo. Caminhou até a cidade mais próxima da estrada que seguia e agora estava sentado na simplória estação de trem.

Aquela era uma linha adjacente que passava por pequenas aldeias do interior onde não havia um fluxo muito grande de passageiros, por isso, a quantidade de trens era limitada e provavelmente a viagem cheia de escalas. Laxus grunhiu instintivamente só de pensar, mas continuar andando estando com o ombro direito machucado era como chamar magos errantes para ataca-lo e não estava com vontade de lidar com isso.

Neste instante estava sentado no banco, com as longas pernas esticadas e os braços cruzados sobre o peito. A mochila estava ao lado junto com o pesado casaco de plumagem cinza. Estava prestes a tirar um cochilo quando um rajada de vento bateu trazendo um perfume singular de canela e álcool. Só podia ser brincadeira. Era impossível encontrar Cana ali, até onde se lembrava tinha ouvido que ela pegou uma missão do lado oposto de onde estava agora. Não é como se ficasse xeretando para saber da vida dela, ele apenas tinha uma audição muito boa e a Mirajane falava demais. Resolveu ignorar, deveria ser só loucura de sua cabeça.

Entretanto, mais algumas lufadas de vento e o mago teve que abrir os olhos para conferir que NÃO podia ser Cana. E para sua surpresa, o que ele encontrou após dar uma olhada na pequena estação era exatamente a mulher. A não ser que alguma outra morena de curvas generosas usasse calças capri bege, cinto com coraçõezinhos, e jaqueta curta laranja onde por baixo ele tinha certeza que havia um top azul.

Ela estava sentada de costas para onde estava num banco da lanchonete que ali havia e tinha chegado agora, porque ele não a havia visto ao chegar. Levantou-se com um meio sorriso nos lábios e caminhou até onde ela estava com uma garrafa pequena na mão de cerveja. A bolsa de penas estava do lado e ela aparentemente conversava com a moça do balcão.

Chegou perto e curvando um pouco o tronco pôde falar perto do ouvido dela.

- Hey garota bonita, posso te pagar uma bebida?

E a reação dela não poderia ser mais surpreendente. Provavelmente ver um demônio não a deixaria tão assustada. Os olhos violetas se arregalaram e ela aparentemente gostava de repetir seu nome.

- Lax-Laxus...?

- É, sou eu Cana, parece assustada em me ver.

- O que faz por aqui? Você não costuma andar de trem...

- Eu é que deveria perguntar, sua missão não era do outro lado do reino? – uma sobrancelha se arqueou –

- Hum... Como sabe disso?

O loiro ficou meio vermelho e coçou a nuca.

- Mirajane não é conhecida por descrição.

- Hum... Sei... Mas isso não responde o que faz aqui!

- Assim como você pretendo pegar um trem, mas então, o que faz por esses lados? Só tem aldeotas por aqui.

- Er... Eu me perdi durante uma... Conexão...

Okay, aquilo não soou nem um pouco convincente.

- Nossa, se perder do outro lado do reino e vir parar aqui é dose! – o loiro riu e sentou-se ao lado dela –

- Eu acho que meu senso de direção foi herdado do velhote! – deu os ombros –

Ombros tensos, desculpas esfarrapadas e podia jurar que parecia que ela estava tentando se livrar dele. Tinha alguma coisa muito errada ali e Cana não parecia exatamente disposta a cooperar contando a verdade. Quando o trem chegou ela deu um pulo do banquinho deixando pago suas bebidas e correu para entrar, em uma tentativa tola de despistá-lo.

Tranquilamente pagou o que consumiu e saiu andando, encontrando com ela no corredor. Infelizmente tinha um trânsito dos passageiros já presentes que a impediu de correr. Passou o braço em volta da cintura dela e abriu caminho pelas pessoas chegando um camarote.

- Hey, não... Meu assento é para lá...

- Eu peguei esse camarote só para mim, é mais confortável...

- Mas... Eu...

- Sossega, Cana...

Ali tinha história e o Dreyar decidiu que não tiraria os olhos dela até descobrir o que estava acontecendo.

- Argh!! Você é irritante!

Dito isso ela se sentou de um lado, perto da janela com os braços cruzados e as bochechas infladas de raiva. Ela ficava uma graça irritada. Sentou-se de frente a ela e fechou os olhos ao sentir que o trem entrou em movimento.

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Depois de quase meia hora de crise de riso, Cana finalmente pôde se conter diante da adorável cena de Laxus, o grande mago do trovão, neto de Makarov Dreyar, o homem que venceu o humano mago santo mais forte do reino enjoado mal conseguindo abrir os olhos.

Algumas vezes ele tentou lhe mandar um olhar ameaçador, mas sem sucesso. O resultado foi muito mais cômico do que assustador. E nesse momento a loura estava ficando com pena dele.

- Por que não pede um remédio para dormir? É melhor estar adormecido do que assim...

- Não. – disse tentando parecer forte –

- Homens! – bufou a morena olhando pela janela –

Oh Mavis, estava muito perto de seu destino e não tinha ideia de como iria despistar Laxus. Céus, por que raios tinha que encontrá-lo naquela droga de estação de trem! Estava em uma linha adjacente que seguia pelo interior, cidadezinhas menos movimentadas, não era para ele estar lá.

Estava contando com a sorte para quem sabe ele não dormir um pouco e assim poder esgueira-se para seu destino sem problemas, mas Kami, que homem teimoso, ele parecia muito disposto a manter-se acordado e passando mal.

- Já chega, Dreyar! – a morena se levantou –

Uma sobrancelha loura se ergueu e observou como ela se aproximou e fez pressão sobre seus ombros largos numa tentativa de deitá-lo no banco da cabine, com a cabeça apoiada na mochila preta. Ela tinha olhos decididos.

- Agora feche a droga dos olhos e tente dormir um pouco, está me dando pena te ver assim!

- Tudo bem... – o loiro deu um sorriso torto –

A Alberona permaneceu alguns minutos ajoelhada ao lado mexendo nos fios dourados tentando passar algum conforto a ele. Estava realmente preocupada apesar de ser cômico e realmente precisava saltar dali duas estações.

- Qual o problema, Cana?

- Nani? – sussurrou baixinho –

- Por que esse desespero todo em escapar do meu campo de visão? Está com problemas?

Indagou com os olhos ainda fechados.

- Não sei do que está falando, agora cale a boca e durma!

A maga levantou-se rapidamente voltando ao seu lugar original. Realmente Laxus cogitou a ideia de adormecer, mas nem mesmo aquele enjoo terrível o faria tirar os olhos dela. Ficou em silêncio durante a próxima hora dando a impressão de ter dormido, ela não se movimentou muito nesse meio tempo, mas a respiração estava pesada.

Quando o trem começou a desacelerar o mago teve certeza de que tinha razão em se preocupar. Ouviu-a mexendo provavelmente na bolsa azul de penas e sussurrando algo que muito provavelmente não ouviria se não fosse um dragon slayer.

- Sleep.

E então uma moleza se abateu sobre o corpo masculino, não o suficiente para derrubá-lo, Cana não tinha usado muita magia, estava quase como que só garantindo que ele permaneceria dormindo, afinal ela achava isso. Em seguida ouviu um desculpe e em seguida a porta da cabina abrir e fechar. Nesse instante os olhos acinzentados se abriram e fitaram o teto. Estava levemente sonolento. Se fosse um não-mago estaria em sono profundo, se não estivesse sob alerta também, mas como não tinha nenhum dos dois pré-requisitos conseguiu quebrar facilmente a magia, apesar de devido ao enjoo não ter conseguido neutralizá-la por completo.

Juntando toda a força de vontade que tinha ergueu o corpo, pegou sua mochila e saiu da cabine encontrando um funcionário que lhe avisou que o trem já estava saindo. Ignorou-o e saltou do trem.

Continua...

Notas finais
Olha, como eu havia dito resovi dar uma pequena reviravolta na história para vcs sabem... Não perder a graça. Estava com medo de vcs enjoarem de ficarmos o tempo todo só em cima do relacionamento deles. No proximo capitulo vai entrar uma nova personagem que vai abalar... kkkkkkkk Ou pelo menos mostrar que nada acontece por acaso...
Esperando seus comentários minhas lindinhas! Obrigada pelos que já recebi!

Kisskiss