Impossible Dunat
3 Três - I just want you to know who I am...
Notas iniciais
P.O.V Nat
– Duca? — arqueei uma sombrancelha tentando me acalmar — O que você tá fazendo aqui?
Ele me encarou por uma fração de segundo antes de responder.
– Nat...posso entrar? — Duca disse baixinho. Ele estava envergonhado.
– Depende, o que 'cê quer? — coloquei uma mecha de cabelo atrás da orelha e falei com a voz firme. — Se for pra me dizer pra ficar longe da Bianca pode dar meia volta e vazar.
Lembrei da cena de mais cedo. O que diabos eu estava fazendo? Ele estava triste, aquela matéria provavelmente tinha acabado com ele. E eu estava sendo a maior idiota do mundo. Droga, Nat. Por que pelo menos uma vez na sua vida você não consegue fazer as coisas certas?
Mas pensando bem, ele merecia. Duca não teve piedade de mim quando me botou pra fora da Academia Gael. Não se importou se eu estava machucada ou se era inocente quando gritou comigo e me chamou de bandida. Nem um pouco. Eu podia morrer e ele não ligaria.
– Não, não é pra isso. — sua voz me despertou. Duca suspirou. — Eu fiquei sabendo do cara que matou o Alan...e eu fui injusto com você, Nat. Queria pedir desculpas.
Gelei. Fiquei plantada ali. Ele veio se desculpar. Duca agora sabia que eu era inocente.
– E aí, posso? — mais uma vez fui acordada por ele. Balancei a cabeça positivamente e deixei ele entrar. Fechei a porta e tranquei.
Sentei no sofá e ele se sentou na minha frente.
– Olha, eu sei que eu pisei na bola contigo. Fui um babaca. — começou e eu fiquei quieta encarando o chão, esperando ele continuar. — Eu achei que você tinha contado do encontro com o Alan pro Lobão.
– Pois é, Duca. Quantas vezes eu te disse que eu era inocente? — disse e eu levantei o olhar. — E você vivia me acusando. Me expulsando da academia, me chamando de bandida...Eu não pude me despedir do Alan. Eu tive que me esconder pra fazer isso, sabia?
Minha raiva aumentava com cada palavra e eu segurei as lágrimas.
– Eu sei, eu sei. — suspirou. — Não precisa ficar lembrando. Meu irmão tinha acabado de morrer, eu tava nervoso.
– Eu também fiquei nervosa com a morte do Alan. Eu também sofri.
–Eu sei. — Duca murmurou e me encarou. Segurei o olhar. — E agora eu vi que eu errei feio com você.
Meu coração disparou e um pouco de esperança se manifestou dentro de mim. Ele sabia que eu era inocente. Talvez...não. Ele tinha a Bianca.
Duca era o meu ponto fraco, e eu odiava isso.
Voltei meu olhar para o chão e apertei meus lábios, minha boca formando uma linha fina. Respirei fundo e olhei pra ele.
– Então você acredita em mim agora? — perguntei, esperançosa.
Talvez as coisas estivessem finalmente dando certo pra mim. Algum tempo depois eu estaria fora da Khan, jogando limpo. Eu finalmente seria feliz.
Meu coração martelava contra meu peito. Eu estava realmente acreditando que tudo poderia dar certo. E então ele me respondeu.
– Não.
Foi como se alguém enfiasse uma faca no meu peito.
– Eu só vim me desculpar. Pra mim você ainda é a Nat, a namorada do Lobão.
Olhei em seus olhos e a sensação de ser esfaqueada não ia embora. Meus olhos já estavam marejados. Desviei o olhar para a porta.
Idiota! Ele não tinha mudado. Continuava o mesmo covarde estúpido e certinho de sempre. A raiva tomou conta de mim e eu o olhei de volta, incrédula. Soltei uma risada leve e Duca ficou quieto.
– Você é um idiota. — falei em tom acusatório.
– Bem, se você não quer aceitar as minhas desculpas eu vou embora. — Duca se levantou.
– Espera. — agarrei seu pulso e fiz ele olhar pra mim.
– Você vem na minha casa, dá uma de bom moço e acha que tá tudo bem? — falei mais alto, me aproximando. — Quem você acha que é?
– Me solta. — ele sussurou e eu não soltei.
– E se eu não quiser, hein? O que o bom moço vai fazer? — eu queria bater nele. Idiota. Covarde. Arrogante.
– Vai me jogar na rua de novo? — continuei.
– Nat, me larga, por favor. — Duca engoliu em seco.
– Vai me chamar de bandida outra vez? — meu sangue fervia de raiva e eu não ia conseguir conter as lágrimas por muito tempo. Eu queria que ele sentisse culpa.
– Para com isso. — sua voz saiu mais baixa.
– Vai me bater? — me aproximei mais ainda e ele desviou o olhar para o chão. Senti meu coração acelerar outra vez. Estávamos perigosamente próximos e eu tinha que me controlar.
Olhei para a sua boca e respirei fundo. Ele não ousava me encarar.
– Eu é que devia te meter a porrada! — gritei indo pra cima dele. Eu esmurrava seu peito. Duca tentava se defender erguendo os braços. — Eu nunca faria nada pra prejudicar você ou o Alan, seu idiota!
– Nat, para! Eu não quero te machucar! — ele tentou me segurar mas fui mais rápida e passei por baixo de seu braço.
– Você já me machucou, sai! — gritei outra vez, e senti as lágrimas quentes nas minhas bochechas. Merda. Eu não me importava com mais nada. — E vir aqui, Duca...só me deixou pior. Era isso que você queria?
– Claro que não. — ele deu um passo para a frente.
Ele me olhava ofegante. Eu estava com raiva de mim mesma. Era uma fraca. Não devia ter deixado ele entrar. Não devia ter nem olhado na cara dele!
– O que você quer, Duca? — funguei. — De verdade, olha no meu olho e diz: o que você quer de mim?
Não obtive resposta. Ele continuava me encarando, sem reação. Duca se aproximou e então eu senti seus lábios nos meus.
And I'd give up forever to touch you
(E eu desistiria da eternidade para tocá — la)
Cause I know that you feel me somehow
(Pois eu sei que você me sente de alguma forma)
You're the closest to heaven that I'll ever be
(Você é o mais próximo do paraíso que eu chegarei)
And I don't want to go home right now
(E eu não quero ir para casa agora)
Nossas línguas travavam uma batalha e nada mais importava. Eu estava com tanta saudade. Eu não ligava se ele fosse embora e não me procurasse mais depois.
Uma lágrima solitária escorreu pelo meu rosto. Parei o beijo e respirei fundo. Duca me olhou sem fôlego e eu limpei as lágrimas que insistiam em vir.
– Não chora Nat, por favor. — ele beijou a minha bochecha e limpou outra lágrima. — Me desculpa.
– Não é isso. — ele acariciou meu rosto. — É que...argh. Você tem a Bianca, se o Lobão descobre que eu olhei pra você hoje...E eu sei que daqui a pouco você vai se arrepender e ir embora.
– Shh...Eu não vou embora. A Bianca terminou comigo. — Duca respondeu e me abraçou.
And all I can taste is this moment
(E tudo que posso sentir é esse momento)
And all I can breathe is your life
(E tudo que posso respirar é a sua vida)
Cause sooner or later it's over
(Porque mais cedo ou mais tarde isso acabará)
I just don't want to miss you tonight
(E eu não quero sentir sua falta essa noite)
– Mas você não acredita em mim. — olhei pra baixo. — Duca, eu sou inocente. Eu nunca faria isso.
– Eu sei. — ele assentiu e acariciou meus cabelos. — E o Lobão?
– Eu só tô com ele pra me vingar. Eu quero que ele apodreça na prisão. — a lembrança de Lobão me irrita.
– Você não muda né? Aí ó, continua a mesma marrenta de sempre! — Duca sorriu e eu não pude evitar, sorri junto.
– Não mesmo. — beijei o canto de sua boca. E a realidade me atingiu como um soco. — Duca, vai embora. Eu não posso, você não pode. Você vai desistir, vai ir embora e eu vou me ferrar outra vez. Vai embora, por favor.
Duca me soltou e eu segurei o choro. Seria melhor pra nós dois. Ele ia embora e eu seguiria em frente. Bem, pelo menos era o que eu esperava.
Ele pegou minha mão e se sentou na cama, me fazendo sentar do seu lado.
– Presta atenção, Natália. — disse sério. — Eu não vou pra lugar nenhum, e você também não. Eu vou ficar aqui com você. Eu vou ficar aqui porque eu quero ficar perto de você, e eu não dou a mínima pro que as outras pessoas pensam de você. Eu não ligo pro Lobão. Eu não vou sair daqui. Entendeu?
Eu sorri e o abracei. Eu só podia ter ficado doida. Segurei seu rosto e o beijei.
And I don't want the world to see me
(E eu não quero que o mundo me veja)
Cause I don't think that they'd understand
(Porque eu não acho que eles entenderiam)
When everything's made to be broken
(Quando tudo estiver destruído)
I just want you to know who I am
(Eu só quero que você saiba quem sou)
– Confessa. Confessa que você tava com saudade da gente — eu disse e ele me deu um selinho.
– É...Não muito. — respondeu, dando de ombros.
– Bem, não é o que parece. — eu ri.
– Não? — Duca arqueou uma sombrancelha.
– Não. — eu sorri amarelo. — Vai dizer que você não pensou em mim?
– Pensei sim. — ele olhou nos meus olhos e sorriu. — Pensei em cada pedacinho de você.
Eu me deitei e ele se deitou do meu lado. Ergueu — se nos cotovelos e me beijou.
– Sabia que lutar com você é bom? — disse e eu assenti sorrindo. — Mas te beijar é muito melhor.
Colei minha boca na sua. Era tão bom estar com Duca. Eu me sentia feliz. Eu podia ser eu mesma. Ele me completava.
Estávamos no meio de um beijo quando alguém forcou o trinco da porta pelo lado de fora. Gelei. Me separei dele e olhei para a porta assustada. Duca me olhava assustado também e eu voltei meu olhar para ele, desesperada.
– É o Lobão.
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