Impossible?
2 Um amor pode morrer?
Notas iniciais
POV Percy
Já estamos discutindo assim há semanas. Eu não agüento mais. Annabeth está cada vez mais distante e chata. Eu nem me lembro o porquê de estarmos discutindo dessa vez. Às vezes eu acho que o nosso namoro está bem perto do fim, mas aí eu me lembro de como era antes disso tudo e não tenho coragem de terminar. Não quero vê-la triste.
– Ah, eu desisto – diz Annabeth e vai embora em passos fortes.
–Annie espera! – chamo, mas ela não ouve, ou simplesmente me ignora com raiva.
Às vezes me pergunto se isso é só uma fase, ou se acabou mesmo. Por que ela ficou assim? O que está acontecendo? Minha cabeça está muito cheia, preciso conversar com alguém. Logo avisto Nico do outro lado da proa, olhando pro nada. Faz tanto tempo que não consigo ter uma conversa decente com ele. Sinto que ele foge de mim. Sempre que eu tento conversar com ele, ele encerra o assunto, ou diz que está ocupado, ou simplesmente me ignora.
Vou até ele e sento ao seu lado. Ele leva um susto e logo cora, ele fica tão fofo corado... O QUÊ?!? Vou ignorar os pensamentos idiotas antes que eu acabe falando besteira em voz alta.
– Oi Nico
– Oi. – sussurra ele em um som quase inaudível. – O-o que você quer? – gagueja ele.
– Sei lá... Conversar – olho para ele – faz tanto tempo que a gente não conversa...
– Eu não quero conversar – suspira.
– Desde quando você é assim tão cabisbaixo? – pergunto
– Desde quando você se importa? – responde e sai andando. Mas eu o impeço e seguro o seu pulso, e um arrepio percorre a minha espinha. Não vou deixá-lo ir.
POV Nico
Como se já não bastasse o meu coração virar uma escola de samba sempre que eu o vejo, ele tinha que vir até mim, ele tinha que puxar assunto, ele tinha que ser assim. Depois de dar um fora em Percy, me levanto e decido ir para qualquer lugar longe de Percy, mas esse filho da mãe tinha que segurar o meu pulso. Sinto um arrepio na espinha assim que ele me toca. Pergunto-me o que eu fiz para merecer isso?
– Percy, me solta – peço calmamente sem nem olhar para ele.
– Só depois que você responder a minha pergunta – diz ele – Por que você foge das pessoas? Por que você foge de mim?
–Percy, – olho-o nos olhos – isso são coisas que você nunca vai entender.
– Eu entenderia se você me dissesse.
– Não Percy, você não entenderia. – ele solta o meu pulso e eu vou para o mais longe possível dele.
Quando finalmente o turno acaba, eu deito em minha cama e começo a pensar. Depois daquilo, eu não falei mais com ele. Sinto uma pontada no coração quando penso no fato de que ele nunca será meu. Eu já tentei esquecê-lo, eu já tentei seguir em frente. Mas não dá. Maldito seja Eros. E pensando nisso, adormeço.
***
Olho em volta e vejo que estou em um lugar escuro, assim que meus olhos se acostumam, percebo que é uma espécie de sala de estar. Tem uns móveis bonitos e bem arrumados, seria um bom lugar para se morar, se não fossem o aspecto sombrio.
– Nico – chama uma voz, uma voz que eu conheço muito bem.
– Cupido – digo e logo um anjo de olhos demoníacos aparece bem a minha frente. Ele esboça um sorriso no rosto, um sorriso que apesar de bonito, pode botar medo em qualquer um.
– Vejo que não mudou muito desde a ultima vez que nos vimos – continua Cupido – continua fugindo de si mesmo...
– E o que você tem com isso? – interrompo-o
– Cuidado com jeito que você fala com um deus mocinho – adverte Cupido – eu vim aqui para ajudá-lo. Você já sofreu muito.
– Eu sofri por culpa sua – digo o que é mais que obvio.
– Não é bem assim que o amor funciona meu caro Nico. – explica ele com uma voz calma – O amor é a magia mais poderosa que existe, uma magia que não pode ser controlada por ninguém. O amor, ele simplesmente nasce em você. O meu único trabalho é juntar as pessoas.
– O Percy ama a Annabeth – retruco
– Do mesmo jeito que um amor pode nascer, um amor pode morrer. Pense nisso Nicolas di Angelo – e antes de eu poder responder, ou até mesmo pensar, tudo escurece novamente.
***
Acordo suando frio e assustado. Olho em volta e percebo que estou em minha cabine. O que Eros quis dizer com aquilo? Um amor pode morrer? O meu amor por Percy pode morrer? Ou ele estava se referindo ao amor do Percy pela Annabeth? Só sei que isso é coisa de mais para um semideus raciocinar. Sou retirado de meus devaneios quando ouço alguém batendo em minha porta.
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