Impossible?
6 Está tudo bem
Notas iniciais
POV Nico
Acordo com um sorriso nos lábios, mas ele logo se desfaz quando percebo que estou sozinho. Tudo não passara de um sonho. Nada daquilo aconteceu. Eu nunca dormi com Percy. Admito que não estou muito surpreso, afinal, por que diabos alguém como Percy ficaria com alguém como eu. Só em sonhos mesmo. Levanto-me sem nenhum animo, faço minha higiene matinal e me dirijo ao refeitório.
Acho que eu nunca serei feliz, nenhum filho de Hades nasceu para ser feliz. Eu já devia saber. Por que ainda tenho esperanças? Por que ainda tenho esperança de tê-lo ao meu lado? Por quê? Mas que droga. Eu odeio essa vida. Sou retirado de meus devaneios quando sou surpreendido por braços quentes e aconchegantes envolvendo meu corpo. É, acho que não foi um sonho.
– Bom dia meu fantasminha – diz ele me abraçando por trás.
– Percy, aqui não – advirto – e se eles virem...
– E qual é o problema? – interrompe ele, apertando mais o abraço, isso é uma tentação... Mas não. Não quero que eles saibam, vão ter nojo de nós, vão ter nojo de mim. Desvencilho-me de seus braços e o encaro.
– Se eles souberem – digo – o que eles vão pensar?
– Quem se importa?
– Percy, – encaro-o sério – uma hora eles vão descobrir, mas por enquanto, gostaria de manter em segredo, só por enquanto.
– Tudo bem – diz ele me dando um selinho – mas só por enquanto, não sei se vou conseguir me segurar por tanto tempo perto de você.
Ignoro este comentário e entro no refeitório, todos estão felizes, conversando animados, nem reparam na minha presença. Sento-me entre Hazel e Piper. Elas me dão um “oi”, mas logo voltam a fazer o que estavam fazendo. Concentro-me em minhas panquecas, em como elas estavam douradas e banhadas em mel. Elas são bem mais interessantes que as pessoas. Estava tudo indo bem, normal, mas como todos sabem... Não existe “bem” nem “sorte” quando se trata de semideuses. Uma névoa envolve a todos nós eu apago.
***
Abro os olhos e percebo que estou em uma espécie de porão. Não há janelas, apenas uma escada que leva a uma porta de madeira. Olho em volta e percebo que todos os sete, até mesmo Piper, estão com os braços e pernas amarrados em cadeiras e... Ah droga, eu também estou. Aos poucos, um a um vão acordando assustados.
– Mas o quê? – pergunta Leo abrindo os olhos, meio tonto.
– Ora, ora – diz uma voz – parece que o meu jantar acordou... – pelo visto, a voz vem de uma mulher, eu até diria uma mulher normal, se ela não tivesse uma calda de serpente no lugar das pernas.
– Q-quem é você? – pergunta Hazel apavorada.
– Oh, que falta de educação a minha, sou Lâmia.
– Tipo a demônia que devora crianças – pergunta Annabeth com um sorriso de canto.
– Prefiro o termo Ser Maligno.
– Comer crianças? – questiona Leo – Não sei se você sabe, mas isso é pedofilia.
– Cala a boca ou eu frito você agora mesmo – adverte a pedófila, quer dizer, demônia. – Por que aquela dali não acorda? – pergunta apontando para Piper.
– Ela está em coma – respondo sério.
– É realmente uma pena, – diz ela sorrindo – já volto.
Assim que ela sai, Frank se transforma em cobra, desce da cadeira, e volta a sua forma humana. Rapidamente, ele solta Hazel, Annabeth, Jason, Percy, Leo e eu. A porta se abre, e Lâmia aparece com duas facas e uma cara ódio. Seus olhos brilhavam como fogo. Naquele momento eu só pensei em uma coisa: fudeu.
– Vocês não vão fugir de mim – diz ela. Subitamente ela vem em nossa direção com as facas.
Saco a minha espada de ferro estígio parto pro ataque e invisto contra ela. São sete contra um, mas ela é muito forte. Ela desvia do primeiro ataque de Percy, mas não consegue desviar da minha investida. A luta vai correndo até que Lâmia em um movimento inesperado atira Jason contra a parede, e ele fica inconsciente.
Não sei se estou delirando, se perdi a sanidade, mas eu juro pelo Rio Estige que vi Piper abrir os olhos. Como eu sou burro. Fico tão distraído com Piper que sou golpeado na perna esquerda e caio no chão. Consigo me levantar, mas com dificuldade. Olho novamente para Piper e vejo que ela realmente está acordada. Ela se debate na cadeira e tenta se soltar.
Olho para trás e percebo que a luta ainda está acontecendo, e estamos com vantagem. Eles não vão precisar de mim por enquanto. Vou até Piper mancando e ela me encara assustada.
– Jason – é tudo o que ela diz. Desamarro suas mãos e seus pés enquanto ela repete “Jason” de cinco em cinco segundos. Isso já ta enchendo o saco. Quando finalmente eu a liberto ela vai correndo até Jason. E eu vou atrás dela. Ela se ajoelha ao seu lado e checou sua pulsação. – ele está vivo.
– Só está desacordado – digo e ela sorri. Olho para trás, a tempo de ver Lâmia se reduzir a pó (que tipo de pó?). Eles se voltam para nós e vem correndo. Vejo Percy correndo em minha direção. Ai Deuses, isso não vai dar certo.
Ele me envolve em seus braços e eu não posso dizer que foi ruim. Era bom ter alguém que se preocupa com você. Era bom ter um porto seguro. Era bom saber que não estou só. Mas ai, eu me lembro que não estamos a sós. Rapidamente me desvencilho de seu abraço e olho em volta. Graças aos Deuses todos estão muito concentrados na Piper e no Jason para ter percebido.
– Você está ferido – diz Percy preocupado – precisamos de ambrosia, rápido.
– Percy, calma – peço – não é tão grave assim. Ainda consigo andar.
– Hora de irmos – diz Leo se virando para nós – vamos?
Por sorte o navio não estava muito longe dali. Frank carrega Jason que ainda está inconsciente, Piper ainda está confusa, mas todos estão relativamente bem.
POV Percy
Sei que Nico é de outra época, também sei que mesmo hoje em dia isso é mal visto, mas acho que ele está exagerando. Eles não vão nos julgar, pelo menos não todos. Não quero vê-lo com medo, se escondendo de todos. Quero que ele fique feliz, ao meu lado. E é essa a minha missão. Vou mostrar pra ele que eu estou certo. Vou provar pra ele que não vão nos julgar assim.
Depois de chegarmos ao navio, Piper acordou, ainda não sabemos como e Jason também acordou. Eu, Nico e Annie estamos de prontidão e tudo está “normal” de novo. Eu e Nico estamos juntos, conversando sobre assuntos aleatórios, até que eu calo sua boca com um beijo.
– Percy – adverte ele.
– Calma – interrompo-o – está tudo bem.
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