Impossible

30 29º - Revelações.


Notas iniciais
Então, chegamos ao capítulo maaaais cobiçado HAHA *o* E ele vai para Mary Crovenew por sua MARAVILHOSA recomendação >< Mil de milhares de obrigadas, Mary, sério mesmo *-* Minha semana tava exaustiva, mas eu amei entrar aqui e ver todas essas coisas lindas, sério, me dá tanto orgulho e só pra constar estamos nos ultimos capitulos *Nívea chorando* Putz, acho que tô de TPM KKK'' Enfim, com vocês, Revelações ^.~

[Música The Piper Kites — Arms] [Aqui]

29º — Revelações.

Artemis nunca se sentiu daquela forma que se sentia deitada em sua cama.

Todo seu corpo doía, cansado, mas só havia agrado e prazer naquilo. Não havia medo, havia satisfação. E, deitada de costas, ainda nua sob a coberta que Apolo havia puxado, com os dedos dele deslizando pela lateral de seu corpo, os olhos azuis a fitando com um sorriso de canto, vividos e alegres, Artemis se sentiu... Normal.

Como se não tivesse um péssimo passado e apenas desfrutasse da companhia e paixão de quem amava.

Encarando-o, Artemis ainda podia ouvir o que ele disse antes dele cair em um sono calmo. “Eu te amo” disse ele, baixinho, sob seu ouvido, beijando suavemente sua pele enquanto ainda estava ofegantes e torpes.

Agora, ela o olhava e somente via amor.

Não conseguira dormir, por isso, o assistiu fazer isso, mas não se incomodou em desviar os olhos quando esse acordou e que agora beijava delicadamente seu ombro.

- Você deveria estar dormindo – sussurrou ele, contra uma marca, roçando os lábios nela. – Por que não dormiu, Artie?

Ela suspirou.

- Não sei.

- Não sabe ou não quer saber?

Cuidadosamente, ela não disse nada, ao sentir os dedos dele deslizando para o meio de suas costas, deixando-a tensa, para em seguida voltarem a roçar no externo.

Apolo olhava atentamente sua reação.

- Eu... Não sei, mesmo. – e sorriu de leve ao entender o que ele fazia. – Mas... Gostei de te ver dormir... Você andou cansado.

- Hum, isso preocupação na sua voz, Artemis?

Agora, seu sorriso se abriu ante a visão de um Apolo divertido e brincando com sua pessoa. Ele delicadamente afagou sua bochecha.

- Eu gosto de te ver sorrindo, Artie... Devíamos tentar isso mais vezes.

E, incrivelmente, ela corou e desviou o olhar.

Foi o necessário para Apolo rir, compreendendo bem o que seus pensamentos sujos tinham pensado. A risada dele era... Linda. Igualmente a voz dele.

Artemis ficou somente a sorrir bobamente para aqueles olhos azuis amáveis.

- Isso só faremos mais vezes quando você quiser, Artie. Você quem escolhe.

Ela teve vontade de perguntar se era normal desejá-lo outra vez tão rápido, mas manteve-se quieta, olhando-o descer os dedos por seus ombros. E ela nunca se sentiu tão ciente de que estava nua.

Procurou outra direção.

- Se eu quiser... Agora?

- O que? Já? Droga, nem me alonguei...

E, pela primeira vez, vendo-o fingir que estava perplexo e inocentemente pasmo, Artemis riu.

Ela realmente riu, a alegria borbulhando como champanhe em seu peito enquanto todo seu corpo vibrava com aquela brincadeira boba. Era tão bom olhar para um Apolo brincalhão quando tudo o que ela sempre tinha por perto era o protetor e o cuidadoso.

Ele sorria, de canto, no momento em que parou e tudo o que restava era um repuxar de lábios em seu rosto. O sorriso dele era espetacular.

Despenteando, os olhos brilhando e sorrindo preguiçosamente, Artemis nunca o tinha visto mais bonito.

- O som do seu riso é... Calmante – sussurrou Apolo, a mão dele acarinhando seu quadril. – Devia mostrar isso as pessoas, Artie.

E ela corou, abaixando os olhos.

Ficaram calados por um tempo.

A suave brisa noturna trazia para dentro o cantar das folhas farfalhando, de alguma coruja piando e mesmo a água do chafariz que havia no jardim dos fundos.

Artemis suspirou. Não conhecia essa tranqüilidade, não até conhecer Apolo.

Não havia medo, pânico, terror. Havia paz, quietude e a certeza de que ninguém a machucaria.

E foi pensando assim, vendo Apolo fechar os olhos como se também apreciasse aquele momento, notando a mão dele quieta ao final de suas costas, que ela resolveu que não havia mais para onde correr e nem o porquê de correr.

Respirou fundo. Era à hora.

Começou baixinho:

- A.. Primeira vez que Logan me abusou eu tinha oito anos. – e ouviu Apolo para de respirar, mas não poderia continuar se o olhasse. E devia isso a ele. – Eu não entendia nada daquilo, era nova, mas já tinha ouvido outras meninas mais... Avançadas brincarem de falar sobre aquilo. Eu me lembro... Era uma tarde de domingo, minha mãe e o pai dele havia saído para algum evento importante e era normal que eu ficasse com Logan... Mas naquele dia ele estava estranho... Ele me olhava diferente... E eu não entendi o que ele queria que eu fizesse... Eu não gostava daquilo, mas ele não ligou. Ele me fez... Me fez... Eu não sei como dizer isso... Tocá-lo... Eu assistia tudo aquilo pasma, em choque, enquanto ele segurava minha mão. Foi tudo tão rápido, uma hora eu estava ali, no banheiro com ele, na outra ele me ameaçou de matar meu cachorro caso eu contasse para minha mãe... – hesitou. – Ele nem precisava ter me ameaçado, eu estava em choque demais para dizer ou fazer algo além de ficar no jardim, olhando minhas bonecas...

Silencio.

Silencio tão espesso que Artemis poderia tê-lo tocado.

Então, a mão de Apolo apertava devagarzinho seus dedos que tremiam. E foi o necessário para que ela continuasse antes que ele dissesse algo.

Já sentia as lágrimas escorrendo, o medo subindo, mas tinha de dividir aquilo com ele.

- Isso continuou... Por mais quarto anos... Ele se tornou mais agressivo... Às vezes me batia, às vezes me machucava... Uma vez, ele estava fumando... Tinha começado a época mais louca do colégio dele e ele tinha entrado junto... Ele... Ele pegou o cigarro... Me chamou até ele... E então... – parou para respirar. -... Então colocou aquilo na minha pele... Eu sentia... Sinto... A dor cada vez que eu sonho com aquele momento... Às vezes eram charutos, outras ele simplesmente esquentava uma colher e colocava na minha pele... Minha mãe me perguntava o que aconteceu... E começaram as mentiras... Foi o cachorro... Uma queda... Uma doença... Um descuido... Eu era um pouco desastrada quando pequena... E minha mãe acreditava naquilo que eu dizia... Não era culpa dela... Foi então que ele tomou coragem ao ver que eu o protegia... Que eu não estragava o feliz casamento da minha mãe... Eu tinha doze anos quando ele pulou os limites do toque e me estuprou pela primeira vez.

Agora, Artemis sentia a mão de Apolo tremendo e teve de levantar o olhar para o dele. Os azuis já a encaravam, como deviam ter feito durante toda sua confissão.

E estava dilatado, perigosos e cheios de raiva.

- Eu mataria aquele filho da puta mais uma vez – disse ele numa voz extremamente fria e controlada que era pior do que se ele estivesse gritando. – Eu teria o torturado.

Mas Artemis não podia com aquilo, por isso, voltou a abaixar o olhar. Ela sabia que uma hora aquele ódio seria mudado, que ele começaria a sentir nojo e por isso não queria ficar para ver.

Se encolheu e continuou, em voz baixinha, inerte em lembranças.

- Doeu... Eu já conhecia mais sobre... Sexo... Mas ainda assim, doeu... Era de madrugada, eu estava estudando quando ele chegou no meu quarto... Ele já era muito maior do que eu, mais forte, na época certa de pegar garotas do colégio... Mas eu nunca soube o que eu tinha para que ele me quisesse tanto... Eu... Eu implorava para ser a mais feia possível... Nada adiantava... E eu vi que não adiantaria... Eu lembro que eu tentei correr... Ele segurou meu cabelo... Fechou o punho e me socou... – hesitou. – Eu fiquei sem ar, parada... Parada tempo o suficiente para ele conseguir tirar minha... Minha calcinha e levantar meu vestido... Eu tentei gritar, mas eu recebi outro soco... E tudo ficou fora de sintonia... Na hora que eu voltei para mim, uma dor... Uma dor que eu nunca tinha sentido queimou... Queimou tudo... E quanto mais eu chorava, implorando para que ele parasse, mais ele se sentia... Excitado... Foi a primeira vez que ele me machucou gravemente... E também foi a primeira vez que eu vi que não tinha saída... – engoliu a seco. – Por isso... Por isso que eu não podia te suportar em cima de mim, Apolo... Por que ele sempre ficava por cima... E nesse mesmo dia, enquanto eu tentava me livrar dele e daquela dor, eu olhei para a porta aberta... E vi... Vi o pai dele...

Antes que pudesse dizer algo a mais, Apolo puxou seu corpo para os braços dele e a apertava com força, o rosto em seu cabelo, mas Artemis tinha que continua, independente de suas lágrimas ou de como seu corpo tremia.

- Chega, Artie...

Ela não podia se impedir. Havia guardado aquilo por tempo demais.

- O pai dele... O meu padrasto que minha mãe confiava... Apenas se encostou na batente e ficou olhando seu filho investir em mim... Não fez nada quando eu chamei ele... Parecia que foi ali só pra dizer: “Vai, filhão”... – soluçou. – E eu não tinha mais como parar aquilo... Quando Logan saiu do meu quarto naquela noite, com o pai dele sorrindo pra ele... Havia tanto sangue... Tanta dor... E foi ai que entrei em pânico pela primeira vez... Eu comecei a limpar tudo... Eu chorava enquanto escondia o lençol e minhas roupas, depois de limpar o chão e fui tomar banho... E eu tentei me matar... – Artemis apanhou a mão de Apolo e delicadamente passou o dedo dele em cima da marca em seu pulso. – Eu fiz isso naquela noite... Mas tudo o que consegui foi ficar de cama alguns dias... E deixar Logan mais ansioso.

Silencio.

A voz de Apolo era baixa e controlada:

- Quanto tempo?

- Até quatro anos atrás...

- Isso é... Recente.

Engoliu a seco, assentindo.

- Eu cansei de ser machucada... Minha pele vivia cheia de hematomas, marcas, cortes de faca, de socos, de cigarros... Mas eu não decidi isso do nada... De alguma forma, minha mãe ainda era feliz... E eu prezava isso... Principalmente depois que comecei a ter medo de tudo e ela era a única que ficava perto de mim e me consolar... Ela pensou que eu estivesse ficando esquizofrênica... Eu odiava as pessoas me olhando... Desmaiava se elas me tocavam... Ficava fora de mim se tentavam me segurar... Somente minha mãe e Logan me tocavam... E Logan se tornou mais agressivo... Me batia de todas as formas... Me xingava... Às vezes, me espancava tanto que eu fingia que estava doente porque não conseguia ficar de pé... – parou para respirar. – Era em janeiro... Nossos pais tinham viajado... Ele fez uma festa, aproveitando o ultimo dia antes de nossos pais chegarem... Ele me prendeu no quarto... Com ele e mais cinco amigos... – e seus olhos encararam, cheios de medo, Apolo que a olhava daquela forma confortante, mas que não fora o necessário para impedir suas lágrimas... -... Logan foi o primeiro... Brincando com os amigos e me batendo... Então, ele me estuprou na frente de todos eles... E eu nunca me senti mais humilhada... Só mais suja quando os outros cinco, como se eu fosse um brinquedo, me estupraram também... Depois disso, quando fiquei sozinha, eu jurei que ninguém mais me tocaria e liguei para a policia... Denunciando Logan por abuso sexual... Naquele mesmo dia, eu apanhei tanto... Logan pareceu entender que iria para a prisão e fez o favor de me machucar tanto que a policia mesma me mandou para o hospital... Fiquei internada, o médico contou tudo pra minha mãe... Eles se divorciaram... A mídia caiu em cima do caso, minha mãe gasto boa parte da fortuna escondendo isso e Logan foi preso.

Artemis ficou em silencio.

Havia dito.

Havia dito pela primeira vez o seu passado a alguém além dos policiais... E ela não sabia o que devia esperar de Apolo. Que dizer, além do nojo e da indignação de estar com algo quebrado e destruído, de que ele deveria jogá-la fora e ficar com Scarlet.

E quando ele não disse nada, apenas continuou imóvel, Artemis não suportou.

Tanto por ter dito, quanto pela reação dele, Artemis correu ao banheiro e vomitou tudo o que não tinha, até mesmo a bile.

Seu corpo nunca havia tremido com tremia naquele momento, mesmo tentar se manter ajoelhada era um sacrifício enquanto se segurava na borda do vaso, regurgitando. Seus olhos se encheram de lágrimas.

Por que havia dito?

O que esperava dele?

Flores e romance?

A realidade era outra. E ela devia estar acostumada com ela.

Vomitou mais.

Então, havia um braço forte entorno de sua cintura, a mantendo no local e a outra os permitia ficar quietos.

Artemis tremia sob os espasmos.

Apolo estava ali.

Sua garganta ardia no momento em que Apolo os levantou, com cuidado, e delicadamente a carregou para debaixo do chuveiro que em algum momento ele devia ter ligado.

Não suportou olhá-lo tanto quanto não se suportava sob as próprias pernas. Parecia ter engordado tanto que não podia se quer se mover. Não sem cair.

E Apolo quem consertou isso, passando os braços a seu redor e entrando no banho junto com ela que tudo o que podia fazer era chorar.

Não soube quanto tempo ficou ali, quietinha, soluçando, até ele se afastar um pouco. De algum modo, encontrara forças para cravas suas unhas no antebraço, em puro pânico.

Não podia ficar sozinha. Não sabia o que poderia acontecer.

- Eu não vou te soltar, Artie, só preciso pegar o sabonete.

Aos poucos, começou a relaxar, e apreciou o modo como ele afagava e limpava sua pele, de forma carinhosa, calma, tomando o máximo de cuidado para não assustá-la. Mas, para ela, nada mais importava. Apolo poderia tocá-la como quisesse.

E ela não ligou, contrario a isso, se prendeu a ele no momento em que os lábios dele desceram firmes, seguros e calmos para os seus, a boca massageando a sua e dizendo muito mais do que as palavras de conforto.

Só existia Apolo no mundo dela.

E faria o que fosse necessário para nunca perder, nem que mesmo fosse a amizade dele.

Olhou-o assim que esse se afastou e segurou seu rosto em mãos, seus cabelos molhados, a água escorrendo por seus corpos, e os incandescentes olhos azuis que encaravam com o misto de amor e compaixão.

- Eu queria ter te protegido dele, Artie... Queria ter estado lá, batido nele e não deixado que ele te machucasse tanto... – sussurrou ele, baixinho. – Mas não pude, então, quero que saiba que eu estou aqui, para o que der e vier, se tiver medo, se acordar no meio da noite após um pesadelo, qualquer coisa, Artie, qualquer coisa... E antes que pense que faço isso por pena, eu não faço... Eu faço por amor, Artie... Porque eu te amo e espero que saiba disso.

Seus olhos estavam cheio de lágrimas no momento em que assentiu. Ela queria tanto dizer, tanto, mas não conseguia. Mesmo confiando a ele seu corpo e seus segredos, aquelas três palavrinhas eram tão profundas a ela.

Tão bem guardadas que ficou somente a encarar Apolo, os olhos azuis dele, os cabelos loiros, o rosto bonito e bronzeado.

E soube que aquilo era o que ela precisava.

Do que eles precisavam.

Foi assim, depois que fecharam o chuveiro, que eles vestiram uma roupa e se deitaram na cama que Artemis não teve duvidas que de precisaria dizer.

Apolo não disse mais nada, não precisava, apenas segurou firmemente sua cintura no momento em que se deitaram, pousou o nariz em seu cabelo e sussurrou um:

- Eu te amo, Artie.

Artemis não precisou de mais nada para relaxar.

Ela não sabia se isso ia durar.

Ela não sabia se tudo o que o motivava era a vontade de descobrir o que tinha acontecido a ela. Mas, pela primeira vez, ela não se importou, pousando uma mão aberta sobre o coração de Apolo a sua frente e levantando o rosto para encará-lo.

Então, antes que pudesse se impedir de dizer, lutando contra todas as suas defesas e olhando para aqueles olhos azuis curiosos, sussurrou:

- Eu... Eu te amo, Apolo.

O corpo dele travou sob seus dedos. Só para o coração dele pular ainda mais rápido. Os olhos azuis se arregalaram de surpresa. E ela se perguntou se fez algo errado.

Havia dito o que ele queria ouvir, não havia? E havia feito certo, não havia? O que... Acontecera então?

- Artie...

Então, ele a beijava suavemente.

Naquela noite, percebendo que ele ficaria encarando seu rosto após dormir, Artemis caiu no sonho mais tranquilo que já tivera, calma. Havia amado Apolo fisicamente e entregara a ele tudo o que podia.

Só se perguntava se aquele seria o necessário.

Pois ela não tinha duvidas, o amava. Mais do que amava a si mesma ou sua própria vida. Amava-o de alguma forma doentia e tinha medo de que ele aceitasse isso.

Mas, naquele momento, não falou nada, apenas desfrutou dos braços dele.

Notas finais
Awn, deuses, vou morrer de chorar KKK''