Impossible

28 27º - (Re)Inovação.


27º — (Re)Inovação.

Assim se passaram duas semanas desde o dia em que Apolo disse que a amava.

Mas, naqueles quatorze dias, ela notou bem o que ele fazia.

Havia toques, suaves, quando dividiam a cozinha, quando caminhavam lado a lado, quando estavam sentados, quando passava por ele.

Todas às vezes, ela ficava tensa, não chegava a olhá-lo, mas tentava ignorar os dedos dele tocando sua cintura rapidamente, ou seu quadril ou então o braço dele esbarrando no seu, coisas pequenas que ela notava e que ao final de duas semanas mostrava seus resultados.

Era quase como se tivessem voltado a como ela era antes de reencontrar Logan.

Em cinco dias, ele a pegou de surpresa ao mexer em seu cabelo enquanto ela comia um biscoito.

No sexto, ele a ajudou a limpar seus curativos, os machucados quase sumindo, e ele aproveitou para tocar sutilmente em seu pulso.

Eram toques delicados, que a mantinham alerta pra ele e que com o passar do tempo acostumava-se.

Apolo também parecia notar isso, que seus toques já a relaxavam, e chegava mesmo a sorrir na direção dele.

Claro, ainda ficava tensa quando ele pousava a mão no meio de suas costas e tremia se ele tocasse seu ventre, onde estava ficando um pouco mais inchado.

Sua mãe demonstrou não se importar com a distancia dela, Zeus era todos os sorrisos possíveis, e todos pareciam se dedicar ao máximo para fazê-la confortável em casa.

Artemis só se sentiu mais culpada e se dedicou com tudo o que tinha para transformar aquela casa em um verdadeiro lar.

Conseguiu.

Às vezes, tinha que correr para vomitar, enjoava rápido e sentia-se mais cansada, e Apolo sempre estava ali com ela, fosse depois de lidar com a imprensa e o colégio deles, fosse quando estavam juntos.

Agora, Artemis se perguntava o que faria da vida.

Estava grávida, não porque quisesse, no entanto, não podia abortar. Só de pensar nisso, tremia, imaginando alguém fazendo aquilo com um ser humano.

Teria coragem de doar aquela criança?

E se ela saísse com os genes do pai?

Se machucasse alguém?

Seus dedos afagavam sua barriga um pouco mais inchada.

O que faria?

- No que você tanto pensa? – perguntou suavemente Apolo, acariciando os seus cabelos.

Olhou para cima, uma vez que estava deitada com a cabeça no colo dele.

Os olhos azuis sorriam.

- No... Futuro. – voltou o olhar para TV. – Um futuro que eu não sei o que fazer.

- Artie, não precisa se preocupar com isso agora.

- Mas, pense comigo, Apolo... O que vai ser dessa criança? O que vai ser de mim? Eu mal sequer suporto você me tocando às vezes, como vou cuidar dela?

Um silencio tenso tocou a sala de jogos, local que se tornou um santuário pra eles.

- Talvez você ainda não veja, Artie, mas eu tenho certeza de que você vai amá-lo, independente do que faça. – e lábios quentes tocaram em sua têmpora enquanto grandes dedos seguravam sua mão sob sua barriga. – Não pense nisso ainda.

Mas ela se perguntou como não poderia pensar naquilo?

Antes que pudesse expressar mais de suas dúvidas, a campainha soou. Apolo saiu de pensativo e a divertido em um segundo.

- Espere rapidinho, Artie.

Assim saiu.

Artemis ignorou a pontada da necessidade que tinha de te-lo por perto e continuou assistindo o programa.

Então, havia gritos, risadas, e o clima tenso que havia ficado na casa parecia ter sumido naquele instante. Sua curiosidade aumentava a cada minuto, contudo, manteve-se quieta.

Depois de algum tempo, ouviu a voz de Apolo dizer:

- Quero que conheça uma pessoa.

Artemis não estava preparada o suficiente ao que viu.

Ao lado de Apolo, um braço confortável e intimamente, havia uma mulher. Devia ter por volta da idade deles. Uma maravilhosa mulher.

Ela era linda, alta, magra, sua pele em um tom bronzeado perola, incríveis olhos azuis escuros, cabelos macios e sedosos no mais negro possível e vestindo-se tão bem quanto o próprio Apolo. Ela era... De tirar o fôlego.

Tão linda quanto Afrodite.

E Artemis não precisou de muito para ver como Apolo sorria para ela.

Dali, sentada, viu o casal perfeito que eles formavam.

Então, ela sorriu para sua pessoa, tão bonita quanto antes, para em seguida dar um passo em sua direção. As unhas dela eram bem feitas quando ela estendeu a mão para Artemis.

- Você deve ser Artemis. Prazer, sou Scarlet Mullër, ouvi falar muito sobre você.

Artemis encarou-a antes de acenar com a cabeça.

- Sou Artemis Bor... Solace, prazer.

Então, Apolo segurava delicadamente o braço gracioso dela.

- Scar, hum... A Artie não gosta muuuito de ser tocada...

Scarlet olhou dele para sua pessoa, mas em seguida sorriu, um sorriso deslumbrante que bateu diretamente no estomago da Artemis.

- Ah, sem problemas. Apolo, eu tenho que te contar muita coisa. Tava morrendo de saudades de você.

Tão suave e sutilmente quanto pode, sussurrou um licença, que ela não soube se ela foi ouvida porque Apolo e Scarlet riam e conversavam animadamente sobre alguma viagem que ela tinha feito em Paris.

Sua bile estava ameaçando seu autocontrole no momento em que entrou no banheiro e abaixou a cabeça perto da pia.

Scarlet.

O que era aquilo que estava sentindo no peito?

Aquilo que coçava e implorava para ela ir até Apolo e segurar a mão dele?

Droga, os remédios, o cansaço e aquela gravidez deviam estar consumido seu raciocínio.

Não soube o quanto ficou lá, daquele modo, mas no outro segundo tudo o que via era Scarlet, atrás de sua pessoa, olhando seriamente para seus olhos com os azuis escuros dela cheios de falsas conveniências.

Por um segundo, Artemis temeu aquela bela mulher. E o contraste entre elas era desgastante.

Scarlet sorriu, fechando a porta do banheiro.

- Olha, eu não sei o que você é do Apolo, mas posso perceber que é mais do que irmão. Não sei se ele já te comeu ou se ele prometeu coisas para você, mas quero deixar bem claro que não procuro concorrência. – e ela ergueu uma sobrancelha. – Eu vi onde ele pode ter desejado ficar com você. Você é até bonitinha, mas saiba que eu não quero você perto dele, nunca mais. Não me importa quem você seja. Fique longe dele, estava fazendo mal com suas loucuras e eu me preocupo com ele. Então, se você faz o mesmo, mantenha-se distante.

Com essas palavras finais que acabaram com Artemis, Scarlet saiu como se só tivesse passado um batom e já ria lá fora de algo que Apolo disse. Suas pernas tremeram de leve. Quem era aquela mulher? E como ela sabia tanto de sua pessoa?

Ainda tremendo, por ter lutado contra a vontade vomitar e por tudo o que tinha escutado, Artemis saiu caminhando diretamente para seu quarto, passando longe da cozinha, no instante em que uma mão quente segurou suavemente seu braço.

Olhou pra cima.

Apolo sorria em sua direção.

- Aonde vai?

Ali, parada, Artemis já enxergava o efeito de Scarlet nele.

Apolo não parecia mais cansado, parecia jovem, sorridente, alegre. Os olhos azuis tinham aplacado a dor e agora só se via a diversão tão típica dele antes de tudo.

“Fique longe dele, estava fazendo mal a ele com suas loucuras” a voz de Scarlet sussurrou em sua mente.

Com ela, ele sempre parecia no limite, exausto, centrado. Mas, agora...

Então a expressão de Apolo saiu da felicidade para a preocupação.

- Artie... Está tudo bem?

Como que em um timing perfeito, Scarlet apareceu atrás dele e olhou para sua pessoa.

Tudo o que Artemis pode fazer foi desviar o olhar do de Apolo e assentir, engolindo a seco.

- Só... Cansada.

- Quer que...

- Não, não precisa... Fique com Scarlet, faz tempo que vocês não se vêem... Eu... Eu vou deitar.

Antes que Apolo pudesse dizer mais alguma coisa, Artemis começou a subir as escadas, não sem antes escutar um: O que aconteceu com ela?

Scarlet devia ter dito algo engraçado, pois Apolo riu, e aquilo entrou profundamente no coração de Artemis.

“Fazendo mal... A ele”

Diferente do que falara, Artemis apanhou um tablet de Apolo e deitou-se na cama, não dormiu.

Contrario a isso, ela ligou o aparelho, esperou carregar e digitou o nome de Scarlet.

Sabia que era feio fazer isso, ainda mais por eles serem tão famosos, mas ela tinha que matar a duvida de quem era aquela mulher que tinha tanta conexão com Apolo.

Milhares de paginas sobre ela. Milhares e milhares.

Artemis abriu a primeira e leu:

“A super estilosa Scarlet Mullër, filha do grande contador Sir Klaus Mullër, se separou, nessa sexta, de seu atual namorado, Jack London, o pintor de Arte Contemporânea, após uma séria briga em um bar, na noite de quinta. Não se sabe muito, mas a queridinha das passarelas anunciou que não pretende voltar com ele. O que será que ela irá fazer agora?”

Artemis engoliu a seco e voltou para o buscador.

Sabia bem como encontrar a resposta.

Pos: Scarlet Mullër e Apolo Solace.

Foram os dois segundos mais longos da vida dela.

Então, milhares de fotos deles dois apareceram.

Apolo, sempre lindo, nas mais diferentes roupas nos mais diferentes lugares e eventos. Todos com um braço envolta de Scarlet que acompanhava a beleza do Solace. Eles eram de fato, um casal de tirar o fôlego.

Artemis, então, apertou em um que tinha uma reportagem.

“Scarlet Mullër, após oito anos junto de Apolo Solace, resolveu sair do que chamou de tempo de recuperação e voltou com tudo com seu novo namorado, Jack London. Ao que se parece, Scarlet não quis mais nenhum vinculo com Apolo, mas negou ao apresentarmos isso a ela. Disse que ainda são bons amigos e que tudo não passou de um mal entendido. E agora, meninas, quem irá lidar com o quebrado coração de Apolo Solace? Estarei na primeira fila.”

Artemis soltou o aparelho com um baque e ficou encarando o nada.

Uma dor, indescritível atravessou seu coração enquanto ligava um ponto ao outro.

Ela... Estava de volta.

Por isso tanta intimidade, por isso dos sorrisos de Apolo, por isso daquele contato.

Artemis parou de respirar.

Scarlet era a ex-namorada de Apolo.

A ex e única namorada de oito anos.

A namorada de oito anos de Apolo e que voltava com tudo.

O destino, sem duvida, devia odiar Artemis.

Ela não tinha mais duvida disso.