Impossible

25 24º - Declarações.


24º — Declarações.

Artemis acordou assustada, suando gelado e completamente imóvel.

Havia sonhado com Logan. Com ele a machucando e fazendo coisas horríveis. Era um sonho horrível. Suspirou agradecida de que fosse só um sonho e foi passar a mão no rosto.

Mas antes que pudesse tocar sua pele, seus olhos caíram em sua mão, roxa, cortada, machucada... E a realidade bateu com uma força extraordinária.

Havia sido verdade.

Aquilo havia acontecido. Não fora um simples pesadelo, eram lembranças.

E com elas vieram uma de Apolo com ela no colo, ambos no banheiro, ela chorando.

Apolo.

Ele havia dormido com ela, cantado pra ela.

Apolo.

Virou-se a procura dele naquela enorme cama, mas o lençol frio avisou que ele já havia saído havia algum tempo.

O pânico inundou sua garganta e quando menos percebeu havia colocado uma blusa dele que havia encontrado e descia, no nível máximo que seus músculos e corpo machucado permitia, as escadas em direção a cozinha.

Como bem pensava, ele estava ali.

Lindo, forte, tomando um copo de café, com a mesma calça que havia dormido. Mas tudo se perdeu ao perceber que ele não estava sozinho.

Havia uma garota de cabelos cacheados e loiros a sua frente na bancada, milhares de papeis sobre ela, ambos parecendo sérios, com um outro garoto ao lado da loira.

Um garoto alto, de cabelos pretos e olhos verdes, também centrado no que ela dizia.

Então, olhos cinza sérios encararam sua pessoa e a expressão dela mudou de profissional para surpresa e tristeza muito rapidamente.

Atena.

E com ela veio os olhos verdes incríveis.

Poseidon.

Os nomes apareciam em sua mente, mas parecia tão fora do lugar.

Para em ultimo, olhos muito azuis e surpresos, esses que foi o único que ela se sentiu confiável e não precisou de tempo para perceber que era Apolo.

- Meus deus, Artie...

Antes que Atena pudesse abraçar seus ombros, esses que já começavam a tremer, Apolo segurou-a pelo braço e negou com a cabeça, sério.

- Ainda não, Atena.

Poseidon olhava fixamente para os dedos de Apolo.

- Apolo, ela é uma das únicas que Art deixa tocá-la, por que não?

- Porque, Poseidon, ontem Artie não me reconheceu.

Atena olhou para seus olhos, pasma, e a culpa bateu em Artemis. Não era que ela quisesse ter feito aquilo com Apolo, apenas que andava tão no limite. E os olhos cinza de sua amiga, preocupados e extremamente tristes por ter sido negada a chance de abraçá-la fitaram os seus a procura de algo.

Quando falou, a voz era baixa:

- Isso é verdade, Art?

Abaixando a cabeça, Artemis assentiu, lágrimas ameaçando cair de seus olhos.

- Oh, droga...

- Shh, Atena... – a voz de Poseidon veio baixinha e Artemis sabia que ele segurava as mãos de sua amiga. -... Relaxe, respire...

Ouvindo aquilo, sabendo que era por causa dela que Atena dizia coisas inaudíveis a ele em tom preocupado, as lágrimas começaram a cair de seus olhos.

Tudo o que tocava destruía com sua tristeza.

Tudo o que fazia era machucar os outros.

Então, braços fortes se apertavam a sua volta e Artemis se viu acomodando-se nas formas seguras de Apolo para chorar.

- Quer sair daqui? – perguntou ele baixinho, afagando seu cabelo. Artemis negou. – Quer tomar café da manha? Tem torradas, geléia de morango e suco, o que acha?

Com ele falando como se ela não estivesse tendo uma crise, Artemis percebeu o quanto de fome ela tinha. Sem nem mesmo perceber, já havia assentido e Apolo a levava para se sentar no local em que ele estivera, de frente aos papeis de Atena.

Ninguém disse nada quando Apolo colocou a comida pra ela um prato, mordendo um pedaço em cada um deles, e logo depois se postava as suas costas, os braços uma cada lado dela, seguros na mesa, fazendo um tipo de barreira de proteção para não a tocarem.

Foi só ali, olhando para sua comida e absorvendo o silencio, que Artemis notou o quanto devia estar machucando seus amigos, principalmente Atena, por negá-la ao contato.

Temerosamente de que ela tivesse de cara ruim, Artemis ergueu os olhos para fitar os de Atena e a pegou encarando seu rosto. Poseidon fazia o mesmo.

E ela se forçou a não pensar em quão feio deviam estar os machucados.

Antes que pudesse se segurar, Artemis soltou:

- Me desculpe, Atena.

E ela só sorriu, um sorriso mais calmo, como se o fato de lembrar o nome dela a relaxasse.

- Está tudo bem, Art, uma coisa de cada vez.

E Artemis assentiu.

- Eu só... Não posso... Agora.

- Art, não há pressão, demore o tempo que precisar.

- E se ela avançar que nem uma leoa em cima de você, eu seguro ela, Art – disse Poseidon com uma piscadela para sua pessoa. – Sabia que agora sou domador de leões?

E, sorrindo um pouco do humor de Poseidon e de Atena batendo nele, Artemis lembrou-se de que ele havia sofrido um acidente, há algumas semanas atrás.

Olhou-o, preocupada.

- Você não devia estar no hospital?

Mas foi Atena quem respondeu, bufando.

- Ele não quer ficar nem em casa, Art, fugiu do hospital, ficou dois dias forçados em casa e eu tive que mantê-lo quieto todos os dias que ele ia lá em casa. – Atena olhou para Poseidon de rabo de olho com uma expressão que devia ser de ódio, mas Artemis viu o amor ali. — Agora, fica pra lá e pra cá com muletas e sentindo dor.

- Tão chata e linda, como pode?

Artemis sorria no momento em que Poseidon afastou o rosto do de Atena, uma vez que havia a beijado, e mesmo Apolo riu da cara vermelha e sem graça da garota de ferro.

- Sou vaso ruim, querida, vai demorar a se livrar de mim.

- Ainda bem, porque ainda estamos brigados com sua parada cardíaca.

- E eu vou te socar assim que melhorar. – disse Apolo, com tom divertido. – Vai ter que voltar pra cama da Atena.

- Então, Apolo, não podemos fazer isso agora? Vem, me bate logo. Art, pega a chave do carro que eu vou levar Atena pra cama comigo.

- Idiota.

Mas todos riam do que Atena disse.

Com aquele clima mais leve, Artemis pegou uma torrada e começou a mordisca ao mesmo tempo em que os via brincar.

Apolo delicadamente segurava sua mão na mesa, acariciando-a enquanto falava mais seriamente com Atena, saindo do clima alegre pro de negócios, até Poseidon entrou naquele clima.

Ninguém disse nada do contato dele.

- Vamos ter que afirmar defesa ao próximo. – dizia Atena. – Não podemos chegar afirmando que foi homicídio doloso, que você já ia com vontade de esganar Logan, preciso que você minta e fale que por Art encontrar-se incapaz de praticar autodefesa, você, como capacitado, agiu em uma questão de vida ou morte.

Apolo havia matado Logan.

Aquelas palavras desceram como veneno em seu estomago e ela conhecia o gosto dele. Mas todos pareciam tão calmos conversando sobre aquilo.

Poseidon entrou na conversa.

- Você vai sair ileso, Apolo, se seguir isso. Meu pai tem amigos na política, amigos que devem favores a ele e estão dispostos a me ajudar agora.

- Poseidon...

- Não, Atena, eu não vou deixar meu amigo nessa sozinho se eu posso fazer algo, nem mesmo por causa do idiota do meu pai.

Atena ficou encarando Poseidon por um bom tempo, ambos se fitando, até que ela suspirou e pegou a mão dele entre as dela. Eles eram tão... Compatíveis.

- Vamos eu e você, ok?

- Sério, sem brigas?

- Apolo precisa da gente... — e Atena encarou seus olhos – e a Art também. Não precisa ficar preocupada, Art, nós vamos deixar Apolo limpo nessa, custe o que custar.

E Artemis sabia que ela dizia a verdade.

Eles tinham contatos, tinham poder e Apolo era um deles. Iam arrumar um jeito, mas aquilo não diminuiu sua culpa, por isso, quando Apolo voltou a dizer e acarinhar seus dedos, Artemis tratou de comer ainda que tivesse perdido a fome. Precisava se recuperar, rápido, precisava ajudá-los.

Meia hora depois, Atena se levantava fazendo planos com Poseidon para ir naquele mesmo dia a Dallas.

- Nós vamos ficar lá somente dois, Poseidon.

- Só o que preciso, querida, só isso.

E Artemis não entendia o porquê do medo de Atena, contudo, entendeu que eles estavam indo embora.

Então, antes que Atena pudesse sair dali e ficar fora por um dia, Artemis se colocou de pé, suas pernas tremendos, e andou calmamente até sua amiga. Essa que pareceu pasma.

Logo, havia braços ao seu redor e o cheiro de framboesa do cabelo dela invadia seu peito enquanto chorava.

- Oh, Artie... Eu fiquei tão preocupada... Oh, garota, louca, louca... – e apertava mais sua pessoa. A voz de Atena demonstrava que ela chorava também. -... Nunca mais faça isso, ta ouvindo? Nós sempre damos um jeito, o nosso jeito e você é uma de nós, jamais pense em se virar sozinha.

Sua melhor amiga.

- Nunca mais, Atena.

E ela a afastou seus ombros para fitar seus olhos, os cinza estavam quase azuis, a dona sorria.

- Vai ficar tudo bem, ok? Sua amiga advogada aqui sabe o que faz.

Então, havia uma mão grande e firme em seu braço. Poseidon sorria, os olhos verdes amigáveis.

- Você é uma de nós, Art, e Apolo também. Nem mesmo Chuck Norris pode com a gente.

Seus olhos estavam marejados quando eles se despediram, Atena com mais um abraço, Poseidon com um afagar de seu cabelo, sumindo pela porta.

Logo, só havia ela e Apolo.

Se virou para fitá-lo e ele já olhava para sua pessoa, os olhos azuis pensativos, perdidos, admirando sua pessoa. E sorriu ao perceber que fora pego.

Lindo. Sempre lindo.

- Está bem, Artie?

- Um pouco melhor... – sussurrou se aproximando dele e antes que pudesse se impedir, abraçava-o. – Bem melhor.

Ele riu.

- Fico lisonjeado por ser seu ursinho. – dedos em seu cabelo. – Ainda com fome?

- Não, preocupada.

- Com o que?

- Com você... E se você pegar cadeia por ter me salvado? E se...

Mãos seguravam seu rosto, olhos azuis fitavam os seus com segurança e confiança.

- Artie, eu faria tudo de novo, do mesmo modo, e eu confio em Atena e Poseidon, eles são bons trabalhando juntos, na verdade, inigualáveis se tratando de leis e crimes. Então, eu sei que ao final vou ter a minha ficha limpa. Caso contrario, eu vou aceitar a punição.

Só de pensar em punição, nele ficando longe, sem vê-lo todos os dias, seu coração se fechou e teve de apertar sua mão nas costas dele para saber que não estava vendo errado por trás dos olhos marejados.

- Eu não posso te perder, Apolo, não posso.

Ele ficou calado, somente a encarar seus olhos, afagando seu rosto, então, muito delicadamente ele colou seus lábios, um simples grudar, um simples tocar, mas que o suficiente para Artemis relaxar e abrir mais, permitindo-o se aproximar.

Mas Apolo não fez isso, apenas tocou seus lábios mais uma vez, descarregando adrenalina em seu coração, e olhou em seus olhos. Sorriam, ternos, suaves.

- Vem, quero te mostrar uma coisa.

Não dando tempo a ela de perguntar o que era, pois ele parecia extremamente ansioso, Apolo saiu puxando seu corpo em um ritmo que ela pudesse acompanhar, mas ainda assim rápido.

Logo, eles entravam no quarto dele e Artemis mal teve como acompanhar o que ele fazia após se sentar.

Ele apanhou um violão branco da parede, o caderno dele e sentou-se a sua frente de pernas cruzadas na cama, o instrumento pousando na coxa dele.

E ela soube que era o destino dele ser músico, ele era lindo daquela forma, a olhando com carinho e sorrindo no que ela classificou um sorriso sem graça.

- Abre na ultima pagina escrita – pediu ele.

Rapidamente, ela encontrou o que ele dizia, mas Apolo já dedilhava no violão, sem precisar dos acordes que ele havia escrito. “Little Things” dizia.

Olhou-o, sem entender.

Contudo, ele só sorria.

– Não surte, por favor, mas eu escrevi essa música pra você.

Ela piscou, surpresa.

- Pra mim?

- Foi antes... Daquilo. Eu ia te mostrar, mas não sabia ainda se eu estava certo, se era coisa da minha cabeça... – e ele negou sorrindo. – Não era. Por favor, relaxe, ok?

Não sabendo o que dizer, Artemis assentiu e o viu começar a cantar enquanto encarava seus olhos, os dele eram azuis, amáveis em sua direção.

A voz perfeita.

(Little things)[aqui]

Your hand fits in mine [Sua mão se encaixa na minha]

Like it's made just for me [Como se fosse feita só pra mim]

But bear this in mind [Mas tenha isso em mente]

It was meant to be [Era para ser assim]

And I'm joining up the dots [E estou ligando os pontos]

With the freckles on your cheeks [Com as sardas em seu rosto]

And it all makes sense to me [E tudo isso faz sentido para mim]

Era a música. Aquela música que ela havia visto ele cantar no dia em que chegar do pólo, a que ele tinha escondido e ficado sem graça ao perguntar se ela havia ouvido. Era por isso. Seus olhos se abriram, em surpresa, vendo-o apenas sorrir.

I know you've never loved [Sei que você nunca amou]

The crinkles by your eyes [As rugas embaixo dos seus olhos]

When you smile, [Quando você sorri]

You've never loved [Você nunca amou]

Your stomach or your thighs [Sua barriga ou suas coxas]

The dimples in your back [As covinhas nas suas costas]

At the bottom of your spine [No final da sua coluna]

But I'll love them endlessly [Mas vou amá-las infinitamente]

Como ele havia visto tudo aquilo nela? Melhor, como ela nunca tinha notado ele a encarando? E... Aquilo não fazia lógica. A não ser a lógica que seu coração sentia enquanto o fitava. Ele parecia nervoso, de um modo ansioso que ela nunca tinha visto. Mas, ele não a encarou ao cantar a outra parte:

I won't let these little things [Não vou deixar estas pequenas coisas]

Slip out of my mouth [Escaparem pela minha boca]

But if I do [Mas se eu deixar]

It's you [É você]

Oh it's you [Ah, é você]

They add up to [Que elas se referem]

I'm in love with you [Estou apaixonado por você]

And all these little things [E todas essas pequenas coisas]

Artemis não conseguia fazer nada. Nem se mover, nem respirar, nem mesmo desviar o olhar do dele que veio cheio de curiosidade sobre sua reação. Ela estava... Ele? Aquele homem lindo que sorria de canto, um homem talentoso como ele, estava... Não. Não podia.

You can't go to bed [Você não pode ir para a cama]

Without a cup of tea [Sem uma xícara de chá]

And maybe that's the reason [E talvez essa seja a razão]

That you talk in your sleep [Que você fala enquanto dorme]

And all those conversations [E todas aqueles conversas]

Are the secrets that I keep [São os segredos que guardo]

No, it makes no sense to me [Apesar de não fazerem sentido para mim]

Ela falava dormindo? O que será que ela já havia dito? Melhor, ele havia a visto dormir? A resposta estava nos olhos azuis. Sim, ele havia a visto dormir. As suas mãos tremiam, muito, e seu coração parecia que ia... Ela não sabia o que era aquilo.

I know you've never loved [Sei que você nunca amou.]

The sound of your voice on tape [O som da sua voz em gravações]

You never want to know how much you weigh [Você nunca quer saber qual o seu peso]

You still have to squeeze into your jeans [Você ainda tem que se espremer em seu jeans]

But you're perfect to me [Mas você é perfeita para mim]

Ele havia a visto vestindo as calças? Mas? Como? Desde quando ele havia gasto tanto tempo percebendo coisas tão pequenas sobre ela? Artemis percebia que seus olhos estavam marejando. Que tudo aquilo que ele dizia subia com força em seu peito. E doía, não do jeito ruim. De um jeito... Bom.

I won't let these little things [Não vou deixar estas pequenas coisas]

Slip out of my mouth [Escaparem pela minha boca]

But if I do [Mas se eu deixar]

It's you [É você]

Oh it's you [Ah, é você]

They add up to [Que elas se referem]

I'm in love with you [Estou apaixonado por você]

And all these little things [E todas essas pequenas coisas]

Apolo, tão perfeito, apaixonado... Por ela? Era tão difícil acreditar, mas havia tanta emoção na voz dele, o tipo de emoção que poucos cantores conseguem ter. Apolo... Mordeu o lábio. E nessa parte, ele não desviou os olhos dos dela a nenhum momento, os azuis sérios e serenos:

You'll never love yourself [Você nunca vai amar a si mesma]

Half as much as I love you [Metade do tanto que te amo]

You'll never treat yourself right darlin' [Você nunca vai se tratar bem querida]

But I want you to [Mas quero que você se trate bem]

If I let you know [Se eu te disser]

I'm here for you [Que estou aqui para você]

Maybe you'll love yourself like I love you [Talvez você vá se amar como te amo]

Oh...

As lágrimas que ela segurava caíram sob aquelas palavras. Era tudo o que ele havia dito a ela antes, era tudo o que ele pedira para ela... E que ele a amava. Mesmo sendo daquele jeito, estragado e danificado, ele a amava. Os olhos azuis eram realmente amáveis em sua direção.

I won't let these little things [Não vou deixar estas pequenas coisas]

Slip out of my mouth [Escaparem pela minha boca]

But if I do [Mas se eu deixar]

It's you [É você]

Oh it's you [Ah, é você]

They add up to [Que elas se referem]

I'm in love with you [Estou apaixonado por você]

And all these little things [E todas essas pequenas coisas]

Então, ele parou, puxando a ultima palavra um pouquinho e encarou seus olhos.

Ela sabia que ele esperava alguma reação de sua parte, algum passo para frente ou uma rejeição, mas tudo o que ela podia fazer era tentar associar o que ele havia cantado.

E que aquela música era para ela, não para qualquer outra garota, mas para ela.

Logo sua reação foi a mais confusa possível para ele.

Ela começou a chorar.

Não podia.

Aquilo não podia ser verdade.

Mas, quando ele deixou o violão de lado e veio abraçar seu corpo, seus próprios braços se enrolaram no pescoço dele e chorou ali.

- Ah, droga... Eu sabia que não devia ter dito nada... Olha, Artie, você não precisa admitir nada ou se forçar a dizer... Eu só... Precisava te dizer e... Agora você tá chorando... Merda, vamos esquecer isso, vamos deixar pra lá... Ah, não chora, Artie...

E ela nunca o tinha visto ansioso assim, falando sem parar. Apolo era sempre seguro, sempre sabia o que fazer ou onde pisar. Mas ali estava ele, com o rosto em seu cabelo, preocupado com que ela não pudesse gostar dele.

Como ela não gostaria dele? Ele era tudo o que ela tinha. Era algo por qual dava a vida.

E, mesmo não acreditando que ele estava apaixonado por ela, ela compreendeu que estava por ele, por cada coisa e cada passo que ele deu em direção a seus segredos, aos seus medos e os enfrentou com ela.

Então, suavemente, afastou-se e encarou os olhos azuis. Ansiosos. Tornando-o mais lindo ainda. Delicadamente, começou a deslizar o dedo pelo rosto de Apolo.

- Eu só não posso acreditar...

- No que, Artie?

- Que você goste de mim assim... – e suspirou o olhando. – Você merece tão mais do que uma menina cheia de problemas... Alguém com tantos problemas... Alguém danificado.

A expressão dele endureceu e antes que pudesse agir, a boca dele estava sobre a sua, em um beijo desesperado, um beijo que mostrava que tudo o que ele dissera era verdade, que ele estava apaixonado por ela.

Artemis chorava enquanto correspondia do modo que conseguia, doce, suave, do jeito dela.

Os olhos azuis estavam sérios ao encarar seu rosto, assim que se separaram sem ar, extremamente pertos, abraçados. A voz de Apolo era cortante ao dizer:

- Nunca, Artemis, nunca mais se chame de danificada. Não importa o que já disseram para você, eles não te conheciam, não haviam visto o que eu tinha visto e eu não sou perfeito, tenho defeitos. Não se deixe ser como Poseidon que só consegue enxergar o perfeito em Atena. – então, ele secava suas lágrimas com pequenos beijos. – Só sou eu Apolo, Artie, sem nada mais. E se for assim, você merece alguém muito melhor também. Porque você é perfeita, só não consegue ver isso – fitou seus olhos. – Você é perfeita, escute o que eu digo... E completamente digna de ser amada. Forte, divertida, linda... O que mais você quer? O que mais eu posso querer? É você, Artie, você.

E ela não soube o que fazer antes aquilo.

Nada além de deslizar os dedos nos cabelos loiros e lisos, fechar os olhos para sentir o cheiro de verão e beijá-lo, de um modo que nunca havia feito antes. Realmente beijá-lo, sem medo de ser tocada, como uma garota deve beijar um garoto.

Não soube quanto tempo sentiu os lábios dele sobre os seus, fortes, firmes, mas uma hora seu peito implorou por ar e teve que fitá-lo, ainda encantada.

Sem avisar, Artemis deslizou uma mão para debaixo do travesseiro que dormia.

- Abre a mão, Apolo. — Assim que ele fez, ela deixou cair uma pulseira masculina na palma dele. Ele a olhou, confuso. – Essa pulseira era do meu pai. Foi a única coisa que me sobrou dele, algo que eu amo muito, e eu quero que fique com ela, porque eu achei um dono a altura.

Os olhos azuis adquiriram um tom sério, tão lindo, tão perfeito e ela notou que era para ela aquele olhar.

- Mas eu não tenho nada para te dar, Artie.

- Sua música – e acarinhou o rosto de Apolo. – Sua música é a minha pulseira... Você me deu algo que só você podia criar e vale mais do que qualquer outra coisa.

E ela pensou que ele fosse negar seu presente, mas em vez disso, ele abriu a pulseira e colocou-a no braço, a moderna peça prateada caindo com perfeição nele.

Então, os dedos dele afagavam sua bochecha machucada. E era quase insuportável olhá-lo nos olhos sem chorar ao ver o carinho e o respeito que ela via ali.

- Eu sei que você não consegue dizer aquilo, eu consigo ler isso no seu rosto e entendi o que isso significa. Não a forçarei, nunca. Obrigada pelo presente, Artie.

Como resposta, ela o abraçou, com força, agradecendo que ele existisse.

E pelo resto do dia, passaram juntos, conversando e sorrindo, quietos, aproveitando o silencio da casa sem os pais deles, e, principalmente, aproveitando a companhia um do outro.

[...................................................]

Próximo Capítulo:

[...]

Logo, Apolo encontrava-se deitado a sua frente, a acarinhar seus curtos cabelos, e olhava seriamente em seus olhos.

O azul era aço e fogo ao mesmo tempo. Uma parede que queimava. Não de um modo bom, de um modo ruim.

E ela começou a ficar com medo.

O que havia acontecido? O que o medico havia dito a ele? O que era aquilo tudo?

- Artie... – a voz dele era velada e calma. – Precisamos conversar sobre algo.

Artemis não soube se ele ouvira seu engolir a seco quando assentiu, mas se sim, não deu nenhum sinal, somente... Continuou a traçar o quente polegar sob o machucado de seu rosto. Antes, ela não suportaria aquele toque, nem mesmo que ele se mostrasse tão perto.

Mas, ali estava, esperando-o começar e se perguntando por que seu coração estava tão pesado com aquela expressão dele.

Apolo suspirou, tocando suas testa e olhando profundamente seus olhos. Azuis triste, perdidos.

- Apolo... – sua voz era um fio. – O que aconteceu?

Então, ela viu algo que nunca tinha visto antes. Medo. Medo nos olhos de Apolo.

- É algo comigo?

- Shh, está tudo bem... – mas ela sabia que não estava. – Tudo bem.

- Apolo...

- Droga. – ele fechou os olhos. – Isso não podia estar acontecendo agora. Não quando você está tão machucada, não agora. Droga.

- Apolo... O que aconteceu? Você está me assustando.

- Não, fique, shh, está tudo bem.

Contudo, ela sentia algo errado e isso se intensificou quando os braços fortes dele se enrolaram a sua volta, com força, como se tivesse medo dela se partir, e o rosto de Apolo se afundou em seus cabelos curtos.

Artemis apertou-o.

- Apolo...

- Só fica assim, Artie, só um pouquinho.

[...]

Notas finais
Hoho, o que será que o médico disse?
Beijinhos açucarados,
Nívea ;*
Ps: Mais decepcionada mais e mais comigo por não ter tempo de responder voces >< #sad