Impossible
22 21º - Ligação.
Notas iniciais
21º — Ligação.
Às vezes, a vida podia ser transformada em um inferno. E seus demônios podiam ser piores do que bicho papões.
Era isso que Artemis pensava, encolhida contra a cama de lençóis de seda e sentindo cada parte do seu corpo doendo, seus músculos queimando.
Logan suspirou.
– É bom estar com você de novo. – disse ele enquanto fechava a braguilha de sua calça jeans e arrumava a blusa social que havia por cima. – As rapidinhas com você sempre são as melhores.
O estomago de Artemis se revirou ante aquelas palavras.
Sentia-se suja, imunda, cansada e, acima de tudo, usada como um brinquedinho.
Encobriu seu corpo com o tecido da cama e tentou em vão ignorar a dor entre suas pernas ou a queimação em suas costas. Precisava dormir, urgente, para sair daquele pesadelo.
Mas, Logan segurou seu rosto, colando um beijo em seus lábios.
Os olhos castanhos dele sorriam.
– Volto mais tarde, querida. E nem pense em fugir, estou de olho em você.
Assim, ele saiu, parecendo feliz e contente, trancando a porta após fechá-la.
Artemis olhou para a algema que havia em seu tornozelo.
Como ele queria que ela fugisse?
Esperava que ela fosse algum tipo de mutante? Só podia ser idiotice.
Não olhando para o liquido vermelho que escorria por seu corpo, Artemis caminhou para o banheiro e abriu o chuveiro. A água que caia era rosada.
Tentava não ligar para o seu couro cabeludo doendo ou para a ardência nos cortes de seus ombros, por isso, se forçou a pensar em Apolo.
Como queria que ele estivesse ali.
Ele não permitiria, mas tão pouco teria sobrevivido se ela não tivesse feito aquilo. Logan podia ser bem cruel quando se tratava dela. Ela sempre fora premio dele.
Um premio quebrado.
Artemis se encolheu sob a água e chorou.
Estava perdida.
[...]
Apolo socou mais uma vez o saco de areia a sua frente.
– Não vai adianta nada quebrar todos os ossos de seus dedos – dizia Atena, sentada em algum lugar dali.
Coisas que ele não ligava.
Estava cansado, estava estressado e acima de tudo estava preocupado de um modo nunca ficara com ninguém em relação a Artemis.
E a culpa só aumentava ao pensar que ela fizera aquilo por ele. Socou com mais força o saco.
Sua culpa.
Ele devia tê-la protegido, mantido-a perto, cuidado dela.
Mas, não, tinha permitido que o maior assassino da vida dela a tivesse nas mãos outra vez.
Droga.
Apolo parou hiperventilando, encarando o modo como o saco ia e vinha.
Sua blusa estava suada, suas mãos queimavam e seu peito doía daquele modo maldito que fora a causa dele ter ido lutar.
Artemis.
Sua Artemis estava por ai.
Com um louco.
– Atena?
– Sim, Apolo?
– Há alguma lei em que você possa mexer para que uma pessoa se livre de prisão perpetua?
– Hum... – o tom dela era confuso. – Tem, por quê?
– Porque quando eu pegar Logan, eu não vou parar – e encarou os olhos cinza da loira. – Eu vou matá-lo, Atena.
Esses olhos que ficaram mais sérios ainda.
– Considere-me sua advogada, Apolo.
[...]
Apolo passou três semanas.
Três malditas semanas, procurando tudo o que podiam encontrar sobre Logan ao lado de Atena. Assim como grande parte do pessoal de seu pai também estava fazendo. Mas tudo o que encontravam eram milhares e milhares de prédios e casa no nome Davidson.
Ele estava seriamente pensando em que merda aquilo daria.
Suspirou.
– Eu preciso achar ela, Atena. Droga. Nem pra ela estar com o celular.
– Provavelmente não queria ser encontrada.
– Foda-se... Porra.
– Apolo, acalme-se, eu não preciso de uma mente conturbada aqui – e ela entregou mais um maço de papeis em sua direção. – Eu também estou preocupada, então relaxa ai.
Sabendo que o que Atena dizia era verdade, Apolo tratou de procurar dar doses de maracujá pra seus músculos e ia começar a sublinhar algo quando seu celular tocou.
Como ele andara tocando loucamente todos esses dias, apenas o atendeu, colocando-o entre o ombro e ouvido.
– Alo?
Não havia nada.
Era um silencio profundo.
Então, havia o som de um choro, um som baixinho que ganhou volume até que ele prendeu com força o celular no ouvido.
Seus olhos encontraram os de Atena.
– Artie? É você?
Um soluço.
Som de água.
– Apolo...
O seu alivio foi tão imenso de escutar ela, ouvir a voz baixa e tímida, que teve de se segurar contra a parede para não voltar a cair em sua cadeira.
– Oh, deus, Artie, ainda bem... Onde você está?
– Eu... Eu... Eu não posso dizer, Apolo, eu nem devia estar no telefone. – ela chorou ainda mais. – Eu precisava ouvir sua voz.
– Artie, está tudo bem, respire... Agora, Logan está por ai?
– Não, ele saiu há... Algum tempo.
Apolo fechou os olhos, tremendo.
– Ok, Artie, continue conversando comigo. Como você está?
– Com... Frio. – outro soluço – Com medo, Apolo.
– Eu sei, Artie, eu sei – e ouvir aquilo sem poder fazer nada, nem tocá-la, ele se sentiu impotente, devastado. Abaixou a cabeça. – Eu vou te tirar daí, tudo bem?
– Não, Apolo, você não pode... Ele vai matar você.
– Shh, está tudo bem, eu vou dar um jeito... Onde você está?
– Eu... Eu não sei... Parece alguma casa antiga... Mas eu não consigo ver pela janela, ela tá fechada com madeira... Tá tudo muito escuro, Apolo... Eu... Eu – e ele quase podia vê-la encolhida, chorando em um canto. – Apolo...
– Estou aqui, Artie. Feche os olhos e se concentre em minha voz.
Atena apareceu ao seu lado, apontando com um polegar em um sinal positivo. Eles haviam conseguido rastrear a ligação. Com êxito.
Às vezes, Apolo amava a tecnologia.
Ele suspirou.
– Eu quero que você se lembre daquele dia no banheiro, Artie... Você se lembra como foi segurar a minha mão?
Uma fungada.
– Lembro.
– Então, finja que está a sentindo agora, minha mão está sobre a sua... Eu estou passando meu polegar no meio da sua palma... Você está olhando nos meus olhos... Está tudo bem, Artie, tudo tranquilo. – suspirou – Isso, relaxe, só há eu e você. Ninguém mais para te machucar. Nada.
A voz dela era estável ao sussurrar:
– Estamos bem.
– Isso, Artie, tudo bem.
Então, havia o som de algo estranho batendo no chão, algo caindo.
O celular quicou, fosse lá o que tivesse acontecido, fazendo Apolo gritar o nome de Artemis.
Logo, só o mudo da linha.
Apolo não pensou duas vezes ao jogar o celular no bolso, correr escada abaixo e puxar o que ele sabia que era sua arma mais letal, também mais cruel.
Mas quem disse que ele se importava naquele momento?
Artemis havia aguentado três semanas.
Vinte e um dias que ele sabia que ela sofria.
Tudo o que era de mais importante era tirar Artemis de lá.
E Atena pareceu compreender bem sua fúria, pois no instante em que desceu, ela segurava as chaves de seu porsche e havia um endereço em um pequeno papel.
– Isso é de onde veio a ligação. – disse ela. – Já irei começar sua defesa agora. E, Apolo, tome cuidado.
Poucas palavras ele arquivou.
Só havia uma coisa em sua mente: salvar Artemis.
E matar Logan.
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Próximo Capítulo:
[...]
Com o pé, Apolo empurrou a porta do quarto e o que viu o fez perder toda a respiração.
Artemis.
Sua Artemis encontrava-se nua, machucada como ele nunca tinha visto, cheia de sangue, com Logan segurando seus cabelos na mão enquanto deixava exposto o pescoço dela. Esse que ele fazia pequenos cortes com uma faca.
Ela parecia não conseguir mais lutar contra ele, apesar de manter as mãos no pulso em que segurava os fios ruivos, sentada no chão imundo e chorando.
– Me solta... – implorava ela, com um fio de voz. – Logan, por favor.
– Eu quero que implore mais, sua vadia, isso não é suficiente.
Antes que pudesse se segurar, Apolo soltou a corda que vibrava com a pressão e viu quando a seta passou exatamente o pulso em que segurava os cabelos de Artemis.
Logan gritou e olhou-o, pasmo.
– O que?
– Solte-a, agora – sua voz estava fria, cortante. Arrumou uma segunda flecha com perfeição. – Dê dois passos para trás.
[...]
Notas finais
Desculpem,
Beijinhos açucarados e RAWR,
Nívea ;*
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