Impossible
21 20º - Incomum.
Notas iniciais
20º — Incomum.
Artemis suspirou antes de se virar para encarar seus amigos que estavam em uma discussão acirrada sobre Logan.
Encontraram-se todos em um dos quartos “presidenciais” do hospital, Poseidon sentado contra os travesseiros na maca, Atena parada bem ao lado dele a segurar sua mão e Apolo estendido em uma poltrona, todos perdidos em pensamentos e discussões.
– Mas não temos nenhuma prova de que foi ele, Apolo – disse Atena, extremamente calma. – Pode ter sido realmente um acidente.
Poseidon bufou.
– Desculpe eu discordar disso, loira, mas acho que a van doida que saiu daquela estradinha não tinha nada de bom.
– Mas isso ainda não implica que foi ele, Poseidon. Eu precisaria uma ligação direta para levá-lo a menos ao tribunal.
– Atena está certa, Poseidon, precisamos mais do que isso... – Apolo passou as mãos no rosto. – Filho da Puta.
Estranhamente, Poseidon riu. Parecia um som estranho tanto por ele estar machucado como por causa do clima pesado, mas todos sorriram um pouquinho.
– Apolo, garotinho de ouro, tá xingando?
– Cala a boca, idiota. – mas Apolo claramente brincava.
Artemis aproximou-se do resto do grupo e achou melhor jogar a bomba que vinha segurando desde dois dias atrás, desde quando Poseidon conseguira sair da UTI e vir para o quarto, desde que ela percebeu e deu tempo de pensar que havia uma saída.
Um péssimo fim, mas não deixava de ser uma saída.
– E isso daqui pode incriminar alguém? – Artemis jogou uma pequena pasta sobre as pernas de Poseidon.
Pasta essa onde continha fotos do carro de Poseidon, ele entrando no hospital. E um pequeno recado:
Ele foi só o primeiro, Artemis.
Vou tirá-los um a um de você.
Sabe o que fazer para evitarmos isso.
Aquele... Maldito.
Havia sido culpa dela que Poseidon estava naquela cama.
Atena olhou pasma para sua pessoa.
– Você tem isso ha quantos dias, Art?
Deu de ombros.
Sabia que tempo era essencial no trabalho de Atena, então, não se entregaria ainda. Artemis vinha planejando tudo muito lentamente.
– Algum.
Os três olharam para ela, preocupados.
Mas tudo o que ela fez foi puxar o moletom pra mais embaixo, encobrindo a sua mão, e abaixar os olhos.
– Artemis, nos conte.
Ela negou.
– Isso é tudo o que posso oferecer, Atena. E, Poseidon, me desculpe por isso.
O garoto de olhos verdes deu de ombros.
– Eu adoro ter vida estilo 007 mesmo, sem problemas.
– Ainda assim, me desculpa – e olhou para Atena, séria. – Coloque guardas na porta, nenhum que tenha cabelos negros e corte militar, fique perto de Poseidon por agora, Atena. Por favor, prometa que não vai o deixar sozinho e que vai cobrar a identificação das enfermeiras e médicos, promete?
Ela olhou confusa para sua pessoa.
– Art, o que há de errado?
– Só prometa.
– Tá, prometo, não vou deixar Poseidon sozinho.
Então, se virou para Apolo que olhava aquilo tudo com os olhos azuis extremamente sérios.
Aqueles olhos seguraram os seus com curiosidade, mas ela podia ver que outras coisas borbulhavam por trás.
– Eu preciso de sua ajuda hoje. Eu não quero ir sozinha no evento... – e ela finalmente corou, quebrando toda a pose de durona que tinha aguentado até ali. Apolo ergueu uma sobrancelha, claramente surpreso. – É só que... Eu... Preciso de acompanhante... E pensei que talvez... Você pudesse... Sabe... Ir comigo... Mas, droga...
– Isso é um pedido pra sair comigo?
Artemis deu um sorriso envergonhado para ele, dando de ombros.
Poseidon riu daquilo tudo, mas Atena manteve-se quieta e Artemis sabia que sua amiga estava pensando rápido, tentando associar todas aquelas informações.
– Você... Pode ir?
Apolo sorriu, assentindo.
– Vou com você.
– Será que Afrodite tem algum vestido pra mim?
[...]
Era um grande evento, pensou Artemis enquanto esperava Apolo abrir seu lado do carro.
Ela só tinha que manter as aparências, se manter calma e então tudo estaria resolvido. Apolo não podia nem mesmo desconfiar.
Ah, droga, e se ele desconfiasse?
– Respire – disse para si mesma, se olhando pelo pequeno espelho.
Seus olhos estavam sexys e bonitos naquela noite. E isso iria importar.
Quando Apolo lhe entregou a mão, Artemis escorregou seus dedos aos dele e levantou-se em seus saltos, implorando para seu vestido não fazê-la cair.
Era um clássico tomara que caia, colado até o quadril, mas as rendas subiam em torno de seus braços e suas costas nuas. Um toque de ousado dourado e comportada.
Só Afrodite poderia desenhar aquilo para ela.
Apolo sorriu ao fechar a porta.
– Você está linda, Artie.
– Obrigada por me acompanhar nessa tortura.
Ele riu baixinho ao mesmo tempo em que a puxava para andar no tapete vermelho.
Flashes e mais flashes, vozes chamando-os, fãs de Apolo e toda aquela loucura que ela percebeu que não a incomodava tanto como das outras vezes. Talvez fosse por estar acompanhada de Apolo. Ou talvez pela idéia que se plantava em sua mente.
De toda forma, quando pediram uma foto dela com Apolo, Artemis simplesmente sorriu e deixou, sem lembranças, sem medos, só havia concentração.
Então, estavam dentro.
– Acha que vai demorar muito isso daqui? – perguntou Artemis, sorrindo para alguma pessoa que ela desconhecia, mas que acenou pra ela.
Apolo deu de ombros.
E ela tinha de dizer, ele estava deslumbrante em um clássico terno, fazendo aquela roupa parecer um verdadeiro smoking.
– Pode demorar horas e horas, mas podemos ir embora antes.
Ela sorriu de lado.
– Vou te avisar quando quiser ir embora.
Artemis e Apolo deram ao máximo em seu social, principalmente ela que a todo o momento apertava ansiosa a mão dele.
Dali a poucos minutos, sabia o que a esperava. Aquilo tudo era somente uma cena para o que realmente viera fazer.
A noite estava quase acabando quando ela recebeu a mensagem que tanto esperava.
Seu coração pulou, seu corpo tremeu, contudo, se forçou a parecer o mais normal possível com Apolo a encarando.
Haviam tomado três taças de champanhe, no instante em que uma cantora começou a cantar “Cry Me A River”, bem lentamente.
Seguindo os seus instintos, Artemis sorriu para Apolo que conversava com um grupo de homens de negócios e apertou delicadamente o braço dele.
Todos os olhos viraram-se para sua pessoa.
– Senhores, posso roubá-lo de vocês um minutinho? – perguntou amavelmente.
Apolo sorriu para os caras.
– Licença.
Assim que estiveram alguns passos longe deles, Artemis se virou para ele, bem tensa, e apontou para onde todos os casais dançavam.
Apolo ficou pasmo.
– Dança comigo?
Ele pareceu não precisar pensar muito sobre aquilo. Ela sabia que era uma chance única, ainda que todos seus medos fossem se reacender, mas precisava tanto estar com ele.
Sem dizer nada, Apolo guiou seu corpo até o centro e delicadamente passou um braço ao redor de sua cintura. Afundava todos os seus medos ao deslizar a mão para a dele, apagando qualquer coisa.
Só havia ela e Apolo, dançando.
Quase sem ar, Artemis encarou-o, sem saber mais o que fazer. Ele fora tão bom com ela. Sempre fizera tanto para deixá-la estável e em casa.
Seu estomago se apertou.
Aqueles olhos azuis sempre eram carinhosos com ela.
– Obrigada. – sussurrou baixinho, notando o modo como bailavam com graciosidade pelo grande salão. Apolo ficou confuso. – Por tudo.
– Artie, tem algo errado? Você não está agindo... Naturalmente.
E ela sabia que não estava mesmo.
Mas ela tirara aquela noite para parecer ao menos normal.
Uma noite normal com Apolo, independente do que traria a ela depois. Ou do que tivesse tendo que afogar por causa de seu medo. Apolo já havia a tocado e por isso que conseguia aguentá-lo colar seus corpos e guiá-la.
Suavemente, apertou os dedos nos cabelos da nuca dele, admirando-o.
Ele era tão lindo.
Sorriu um pouquinho.
– Nada de errado. – e ela queria que aquilo fosse verdade. – Nada com o que se preocupar.
– Artie...
– Apolo, está tudo bem, garanto.
Os olhos azuis procuraram algo nos seus antes dele suspirar.
– Ok... Eu já disse que você está linda essa noite?
– Já.
– Deixe-me dizer de novo, está linda.
Ela sorria ao pousar o rosto contra o ombro de Apolo, sentindo movimento que seus passos faziam, a mão dele em suas costas ou mesmo o modo como ele pousava a bochecha contra seu cabelo.
Era somente ela e ele.
Um momento que ela nunca se esqueceria de como estava segura e feliz nos braços de Apolo.
Suspirou, a fechar os olhos.
– Artie... – sussurrou ele em seu ouvido. – O que foi que aconteceu? E não venha me dizer que foi nada... Você não tem agido da sua forma normal desde que Poseidon entrou no hospital. Aconteceu mais alguma vez, não aconteceu?
E ela sabia que seria brigar em vão. Por isso, o apertou mais contra si enquanto dizia:
– Eu recebi aquele recado na manha em que Poseidon entrou no hospital. Eu já sabia quem era que tinha feito aquilo tudo, mas não podia contar pra Atena ainda. Então, esperei e soube que hoje era o dia certo. Mas... – ela hesitou.
– Mas?
– Eu recebi outra pasta daquelas.
– E não me disse nada?
Artemis já sentia os seus olhos se enchendo de lágrimas.
– Eu não podia, não até agora, Apolo...
– Quem ele ameaçou dessa vez?
– Você... – e ela ignorou todos os seus medos de ser tocada ao apertá-lo mais contra si – Ele te ameaçou, Apolo.
– shh, está tudo bem, ele não vai chegar perto de mim, Artie.
– Mas e se...
– Não, ele não vai – e ele beijou o topo de sua cabeça. – Está tudo bem, sabe disso não sabe?
Vai ficar tudo bem, pensou ela ao mesmo tempo em que assentia e deixava-se ser guiada para ele.
Entretanto, logo a música acabava.
Então, finalizada, Apolo girou sua pessoa, sorrindo, e olhou em seus olhos.
Os azuis eram puro fogo.
Fogo que derreteu seu coração.
– Artie, obrigada pela dança.
Ela sorriu.
– Obrigada por tudo, Apolo.
Ele assentiu, antes de colar um beijo em sua testa. Foi só ai que ela percebeu que chorava um pouco.
Sorriu bobamente.
– Vou lá no banheiro.
– Estarei te esperando no bar.
Ela concordou, vendo-o se locomover com facilidade entre as pessoas, assistindo o quão lindo ele era.
Assim que ele não podia mais enxergar sua pessoa, Artemis caminhou em direção ao fundo do salão. Ela não chegou a se quer passar perto do banheiro, caminhava para a saída dos fundos.
Saída essa que ela já tinha ido olhar antes.
O beco estava escuro no momento em que saiu para ele.
O clima estava mais frio do que o esperado, mas quem ela ia se encontrar não havia sumido como ela pedira para acontecer. O homem em uma roupa de gala, cabelo em corte militar e sorriso de lado olhou sua pessoa dos pés a cabeça.
E foi o suficiente para todo o seu passado bater com força.
Nojo.
Medo.
Agonia.
Não... Engoliu a seco, mantendo-se ali.
Calmamente, ele saiu das sombras e aproximou-se, sorrindo.
– Está muito bonita, Artemis.
Ela procurou ignorar o modo como suas pernas começaram a tremer ou como seu estomago implorou para vomitar o que não tinha. Seus olhos verdes o fitaram com força.
– Eu vim, como você pediu. Não toque em nenhum dos meus amigos.
Logan assentiu com a cabeça enquanto puxava um fio de seu cabelo.
– Eles não me importam se eu tenho você, querida. Agora, me desculpe por isso.
Antes que ela pudesse saber o que era, Artemis sentiu algo contra sua boca, algo estranho que fez nevoa em sua mente.
E a ultima coisa que viu antes de cair na escuridão, foi Logan segurar seu corpo nos braços. Ao final, ele havia levado o premio.
E Artemis não se importava de pagá-lo.
Ela encarou o céu, estrelado, bonito enquanto a sensação de desespero engolia sua consciência.
Apolo.
Ela havia feito aquilo por Apolo.
Nada mais importava.
[...]
Apolo começou a fica impaciente, sentado na mesa do bar. Artemis não deveria demorar tanto assim.
Virando o resto do seu copo de whisky, Apolo levantou-se e caminhou diretamente para o banheiro feminino. Perguntou a primeira mulher que saiu se havia alguma garota de vestido dourado e cabelo ruivo lá dentro, mas todas elas responderam da mesma forma: não havia ninguém assim lá.
O pânico se instalou em seu peito.
Ela estava estranha, calma demais para aquilo, sem medo de ser tocada. E Artemis nunca seria assim.
Onde ela estava?
Um pequeno vibrar chamou atenção em seu bolso. Desde quando ele havia levado o celular ali?
Foi quando percebeu que não era o seu e sim o novo blackberry de Artemis. E havia uma nova mensagem. Esta, estava em branco e sem remetente.
Confuso, ele entrou na caixa de mensagem e abriu a anterior aquela.
“Uma hora antes de terminar. Porta dos fundos. Você tem apenas vinte minutos pra chegar lá ou nada feito. O tempo passa, Artemis”
E foi como juntar um mais um.
Apolo não pensou quando saiu correndo para a parte dos fundos, passando pelos corpos e abriu a porta com tudo.
Não havia nada.
Somente frio e... No chão, esquecido, a pequena bolsa preta que Artemis estava usando. Ela havia ido.
Artemis havia aceitado o que Logan tinha imposto.
– PORRA. – gritou, exasperado. – PORRA, ARTEMIS.
Sem pensar muito bem, porque sua mão tremia de raiva e algo a mais que ele desconhecia, Apolo discou os números familiares de Atena.
Ela atendeu rapidamente.
– Oi, Art.
– Atena, Logan levou Artemis.
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Próximo Capítulo:
[...]
Apolo parou hiperventilando, encarando o modo como o saco ia e vinha.
Sua blusa estava suada, suas mãos queimavam e seu peito doía daquele modo maldito que fora a causa dele ter ido lutar.
Artemis.
Sua Artemis estava por ai.
Com um louco.
– Atena?
– Sim, Apolo?
– Há alguma lei em que você possa mexer para que uma pessoa se livre de prisão perpetua?
– Hum... – o tom dela era confuso. – Tem, por quê?
– Porque quando eu pegar Logan, eu não vou parar – e encarou os olhos cinza da loira. – Eu vou matá-lo, Atena.
Esses olhos que ficaram mais sérios ainda.
– Considere-me sua advogada, Apolo.
[...]
Notas finais
GALEEEERA, olha que coisita mais linda que eu comprei da Cegonha:
*um pequeno dragão negro e de olhos verdes com um sorriso fofo no rosto aparece em meus ombros. Nivea faz carinho nela* Leitores, essa é a Solé, meu novo animalzinho de estimação >< Ah, mas ela é beeeem mais complicada que isso, de acordo com o que a Marie Chérie disse (pq ela tbm tem um, o magavilhoso Tommy *o*) "ele é um vampirinho/dragão muuuuuuuito fofo que se alimenta de reviews e até conversa com vocês, dependendo do humor dele u_u Então, não deixem ele passar fomeeee!!! Recomendações é a sobremesa favorita dele." Não é a coisa mais linda? *o*
Solé ronronando: RAWR.
Nívea: Bem que a Marie disse que eles são mal comportados KKK'' Para de pedir comida u.u
Solé: RAWR, RAWR, RAWR...
Nívea: Viu? Ela é esfomeada, então, não deixem que ela entre em extinção hehe Anyway, até a próxima people *o* Diz tchau, Solé.
Solé: RAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAWR *sorrindo*
Nívea: Exibida, só porque é linda hehe Até e não esqueçam "Recomendações é a sobremesa favorita dela." Tchaaaau *o*
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