Impossible
16 16º - Ligação.
Notas iniciais
16º — Ligação.
Por uma semana, Artemis não falou com Apolo.
Não só porque ainda lembrava a sensação dos lábios dele contra os seus, como também por causa da provas que vieram perfeitamente após o beijo deles, na segunda feira.
Para isso, ela se enfiou entre os livros e estudou, como nunca tinha estudado. Apolo tão pouco a procurou.
Quando se esbarravam pela casa, ambos pediam desculpa e ia para o lado que queriam. Parecia que uma guerra tinha sido declarada.
Uma guerra que estava matando Artemis por dentro.
Estava pensando sobre isso, voltando com um copo de água para seu quarto, quando escutou algo que a fez parar bem ali.
Em um ritmo suave, a voz de Apolo ecoava baixinho pelo corredor. Então, ele parava, dizia algo para si mesmo, um minuto em silencio e então o som do violão outra vez.
Artemis compreendeu o que ele fazia antes mesmo de começar a se aproximar do quarto dele e ver pela porta entreaberta, Apolo sentando em sua cama, um violão negro no colo e um lápis pousado no caderno aberto aos seus pés.
Sorriu para aquilo.
Ele estava compondo. Seus dedos eram hábeis nas cordas.
– Dois para cima, um para baixo e... – ele sorriu ao anotar no caderno. – Só mais dois deles assim. Ok, nada mal.
Ele parecia um louco.
Um lindo louco falando sozinho.
E Artemis não pode deixar de admirá-lo naqueles trajes de equitação, o que a fez pensar que ele devia ter chegado por agora do hipódromo onde jogava pólo eqüino com Poseidon. Seus cabelos loiros caindo bagunçados sobre o rosto dele.
Então, ele começou a cantar. Naquele tom maravilhoso. (n/a: A música é Little Things).
Your hand fits in mine [Sua mão se encaixa na minha]
Like it's made just for me [Como se fosse feita só pra mim]
But bear this in mind [Mas tenha isso em mente]
It was meant to be [Era para ser assim]
And I'm joining up the dots [E estou ligando os pontos]
With the freckles on your cheeks [Com as sardas em seu rosto]
And it all makes sense to me [E tudo isso faz sentido para mim]
O violão fez um som engraçado que a levou a sorrir quando ele percebeu sua pessoa no batente.
Apolo estava pasmo. Como se um fantasma estivesse aparecido para ele.
– Há quanto tempo esta ai? – perguntou ele, deixando o violão de lado e pela primeira vez parecendo sem graça. – Desculpe, isso foi rude... Você ouviu a música?
Artemis corou, abaixando os olhos.
Por que ele estava tão na defensiva?
Será que ele não gostava quando alguém o ouvia compor? Era algo intimo demais.
Artemis deu de ombros, sem fitá-lo, e deu meia volta em direção ao seu quarto.
Ela havia esquecido que eles estavam brigados?
Ou não estavam? Ele nem estava falando com ela...
– ARTIE. – e ela parou ao sentir uma mão segurar seu braço delicadamente. Apolo encarava-a com um misto de ansiedade e preocupação. – Desculpe... Eu... Acho que... Que... Ah, droga, você quer entrar?
Ela teria rido da cara dele caso ele não parecesse tão perdido. Então, tentando não pensar que eles estavam brigados, Artemis assentiu.
A verdade era que ela sentia muita falta dele. Saudade de conversar com ele.
Então, quando ele fez menção de voltar par ao quarto, ela o seguiu para dentro.
– Ta meio bagunçado, não liga. – dizia ele enquanto empurrava para trás alguns instrumentos e apontava para o lugar da cama que ele tinha limpado, bem ao lado de onde ele esteve antes. – Senta ai, eu tava só fazendo algumas coisas...
Ele parecia querer preencher todo o silencio que se fazia, meio tenso.
Mas Artemis sorriu para ele no momento em que ele a olhou, com o violão no colo, e ela só pode acomodar-se sobre a cama em que havia o beijado.
Corou.
– Hum... Eu não sei como devo começar isso... Eu... Me desculpe, Artie, pelo outro dia. – ele passava os dedos no violão enquanto dizia. – Eu... Não devia ter feito aquilo... Eu... Eu nunca pedi desculpas a ninguém, então, me perdoa? Eu sei que você deve estar com raiva, ou com medo, o que é pior ainda, mas...
Suavemente, Artemis apertou uma das mãos dele e olhos azuis encararam os seus, parecendo atormentados, como se tivessem guardado e treinado aquelas desculpas a semana inteira.
– Tudo bem, Apolo. – disse em um fio de voz, corando muito. Abaixou os olhos.
E viu o que ele escreveu no caderno.
Como pode perceber, ele pareceu ficar ainda mais nervoso com ela encarando aquela música em especial, então, folheou mais uma vez e entregou para ele uma que ela queria ouvir desde que vira aquele caderno.
– Posso ouvir?
Ele apertou os lábios firmemente.
E ela não entendeu porque ele parecia tão tenso.
– Não pode ser outra, Artie?
– Hum... Claro... Deixa...
Mas antes que pudesse pegar de volta, ele suspirou e começou a tocá-la, parecendo nem precisar olhar as notas.
Ele segurou a música enquanto dizia, sua voz baixa:
– Eu escrevi essa pra minha mãe, dias antes dela se divorciar do meu pai e sair de casa. Ela não chegou a escutá-la. – engoliu a seco. – Mas eu acho que ela não escutaria de qualquer forma.
– Não precisa.
– Está tudo bem, Artie.
Então, ele soltou a corda que prendia o ritmo e começou a dedilhar com carinho os dedos pelo violão.
Seus olhos fitavam algum lugar longe quando ele começou a cantar, perdido em lembranças, Artemis conhecia aquilo e somente ouviu: (n/a: Música do Jason Mraz, 93 Million Miles) [aqui]
93 million miles from the sun [À 93 milhões de milhas do Sol]
People get ready, get ready [Pessoas se preparam, se preparam]
Cause here it comes, it's a light [Porque lá vem, é uma luz]
A beautiful light, over the horizon [Uma bela luz, além do horizonte]
Into our eyes [Em direção aos nossos olhos]
Oh, my, my, how beautiful [Oh, minha nossa, que bonito]
Oh, my beautiful mother [Oh minha linda mãe]
She told me, son, in life you're gonna go far [Ela me disse, filho, na vida você vai longe]
If you do it right, you'll love where you are [Se você fizer direito, você vai adorar onde você está]
Just know, wherever you go [Apenas saiba, onde quer que você vá]
You can always come home [Você sempre poderá voltar para casa]
Os olhos de Artemis se encheram de lágrimas escutando aquilo. O tanto que ele havia ouvido sobre sua mãe não saber cuidar dele voltando em sua mente. E ele olhou para seus olhos, com um sorriso triste. O azul estava escuro por lembranças.
240 thousand miles from the moon [À 240 mil milhas da lua]
We've come a long way to belong here [Percorremos um longo caminho para pertencer a este lugar]
To share this view of the night [Para compartilhar essa visão da noite]
A glorious night [Uma noite gloriosa]
Over the horizon is another bright sky [Sobre o horizonte está outro céu brilhante] Oh, my, my, how beautiful, [Oh minha nossa, que bonito]
Oh, my irrefutable father [oh meu pai irrefutável]
He told me, son, sometimes it may seem dark [Ele me disse, filho, às vezes, pode parecer escuro]
But the absence of the light is a necessary part [Mas a ausência de luz é uma parte necessária]
Just know, you're never alone, you can always come back home [Apenas saiba, que você nunca está sozinho, você sempre poderá voltar pra casa]
Home [Casa]
Home [Casa]
You can always come back [Você sempre poderá voltar pra casa]
E ele olhou significantemente para seus olhos ao dedilhar com mais força aquela parte. Uma lágrima escorregou por sua bochecha ao ver a dor que ele tinha ao cantar aquilo.
Every road is a slippery slope [Cada estrada é uma ladeira escorregadia]
But there is always a hand that you can hold on to [Mas há sempre uma mão em que você pode segurar]
Looking deeper through the telescope [Olhando mais profundamente através do telescópio]
You can see that your home's inside of you [Você pode ver que sua casa está dentro de você]
Just know, that wherever you go, no, you're never alone, you will always get back home [Apenas saiba, que onde quer que você vá, não, você nunca estará sozinho, você sempre vai voltar para casa]
Home [Casa]
Home [Casa]
Então, seu ritmo diminuiu e ele fechou os olhos.
93 million miles from the sun [À 93 milhões de milhas do Sol]
People get ready, get ready [Pessoas se preparam, se preparam]
Cause here it comes, it's a light [Porque lá vem, é uma luz]
A beautiful light, over the horizon [Uma bela luz, além do horizonte]
Into our eyes [Em direção aos nossos olhos]
Artemis não sabia o que dizer a ele.
Na verdade, tudo o que se passava em sua mente era em como ele era talentoso e como devia ter sido horrível crescer ouvindo tudo aquilo de sua mãe.
Por alguns segundos, ficaram calados, como se os últimos acordes da música ainda soprasse no vento, no momento em que Artemis decidiu algo, algo que nunca havia feito com ninguém.
E que a fez ter certeza de quem queria contar aquilo.
– Minha mãe e meu pai eram bem felizes quando eu nasci – começou Artemis baixinho, escondendo a mão dentro da sua blusa de frio. – Eu tinha por volta de sete anos quando ele morreu... Foi um pouco... Estressante para nós duas que sempre havíamos apostado tudo em meu pai... Minha mãe começou a se dedicar menos a mim, eu ficava mais tempo no colégio até que ela resolveu se casar mais uma vez.
Artemis sentia Apolo encarando seu rosto, mas não podia parar, contudo, não se surpreendeu quando perguntou.
– Tem certeza de que quer contar isso, Artie? Você está tremendo.
E ela só percebeu isso com ele dizendo.
Seus ombros tremiam e um suor gelado escorria por suas costas, e tudo o que ela fez foi assentir.
– Só... Escute... – ela hesitou. – Eu não fazia a mínima idéia de quem ele era porque eu não andava mais com minha mãe, ela era uma estranha pra mim. Mas parecia feliz com seu novo noivo e eu não podia deixar de ficar revoltada e ao mesmo tempo feliz por aquilo. Eles se casaram poucas semanas depois e eu tive que ir morar com eles. O nome dele era Kenny.
– O cara do Grammy...
Artemis assentiu, forçando-se a controlar a voz.
– Ele era gentil comigo no começo, bem divertido, e o seu filho, Logan, também era. Eu comecei a me sentir em casa, como eu não me sentia há muito tempo. Eles me fizeram me sentir em casa... Foi quando tudo mudou, sabe? – Artemis agora hiperventilava, seu coração se encolhendo de medo e seus olhos se enchendo de lágrimas. – Eu me lembro como se fosse ontem... Eu estava no banheiro, tomando banho, e tinha esquecido de fechar a porta... Então, Logan apareceu... Ele sempre parecera um menino bom, o tipo clássico de garoto rico... Mas então... Ele... Ele... Segurou meu cabelo... E... E...
Ela não conseguia mais dizer, nada.
E quando Apolo aproximou-se para tocar seu cabelo, Artemis se encolheu, não desejando que ele a tocasse.
– Artie...
– Não, por favor. – ela fechou os olhos. – Ele era como você... Bom, divertido... Eu nunca... Nunca esperei que... Ele pegou um canivete... Apertou meu rosto contra a parede do banheiro... E... E...
Antes que pudesse se segurar, Artemis se levantou da cama e correu para o banheiro.
Logo, tinha o rosto na privada e vomitava toda a comida que tinha engolido naquele dia.
O cheiro repugnante mesclado com suas lembranças só a fizeram ficar pior, sentada no chão, se sentindo um lixo enquanto chorava mais e mais.
– Artie... Meu deus... O que eu faço?
Ela soluçou ao ver o desespero de Apolo.
– Toalha.
– Aqui... – e ele passou a toalha com qual Artemis secou a boca. – Artie... Você está... Sangrando?
Ela olhou na direção em que ele fitava e viu como sua mão estava vermelha e viscosa.
– Merda... Isso... Minhas unhas...
Então, Apolo sentava-se a sua frente.
Delicadamente, mostrando os movimentos que fazia, ele apanhou a toalha e encarou seus olhos.
– Eu vou limpar sua mão, não vou te machucar.
– Eu... Eu sei que não vai.
– Isso, não vou. Viu? – e ele abriu devagar sua palma. Bem no meio, onde suas unhas conseguiam apertar, haviam quatro mais luas de onde saiam sangue, sangue esse que escorria pelas linhas de sua mão e pingavam no chão branco. Se ele tinha medo daquilo, ele não demonstrou ao apertar carinhosamente a toalha entre seus dedos. – Vamos ter que cortar sua unha de novo. Mas está tudo bem, nenhum dano permanente. Só vou precisar que você tire seu moletom, está sujo, tudo bem? Você pode tirar ele?
Ela demorou alguns segundos, no entanto, assentiu, vendo-o abrir sua mão e fazer o mesmo processo, deixando-a somente um pouco rosada.
Então, ele aproximava-se vagarosamente e puxava seu moletom com cuidado pelos seus braços.
Quando esteve somente de blusa regata, Artemis tremia, com medo, pavor, cansaço.
Um coquetel de tudo o que ela mais odiava.
Apolo, então, sentou-se a sua frente, bem aos seus olhos e olhou-a seriamente, um outro moletom azul limpo entre as pernas cruzadas dele. Artemis não entendia o que ele estava fazendo.
– Artie, eu quero fazer algo.
Ela negou.
– Eu não posso ser tocada agora, Apolo, por favor, não me peça isso.
– Me dê uma chance. Só estou pedindo uma.
– Apolo...
– Eu não vou te machucar, olhe, minhas mãos estão limpas, não tenho nada comigo.
Artemis ficou o encarando por um tempo, procurando algo para que dissesse não, mas tudo o que viu foi ansiedade e uma vontade estranha que ele expressava.
Então, ainda a tremer, Artemis assentiu.
– Só... Devagar.
Ele retribuiu seu assentir, serio.
– Da forma que você quiser.
– Ok...
Sendo devagar, Apolo apanhou carinhosamente sua mão e ficou a alisá-la sem pressa alguma. Com aquele toque, Artemis tremeu, mas não puxou, somente começou a assistir os dedos dele subirem aos poucos por seu braço, os dedos firmes, mas suaves.
– É quente não é? – perguntou ele, baixinho, a traçar o dedo pela parte posterior de seu braço.
Artemis relaxou ao assentir.
– É.
– A sua pele é macia, muito mais do que a minha... Mais gelada... Mais sensível. – agora, ele deslizava o dedo pela parte interna de seu cotovelo. Artemis tremeu com um choque estranho subiu por sua pele. – Como você não está reclamando, eu acho que isso foi bom... Isso que eu estou fazendo é simplesmente te tocando... Consegue definir o que sente?
Artemis encarou-o, todo o seu medo sumindo ao perceber como ele sorria docemente.
– Áspero... Não ruim... Firme... E...
– Quente. Exato... O que eu quero, Artie, é que você perceba meu toque...
Ela voltou os olhos no instante em que a mão dele deslizou para seu ombro, os polegares apertando suavemente a sua clavícula cheia de marcas...
E era bom...
Então, ele pos as mãos nos dois lados de seu pescoço, como se a segurasse, sem força, somente o toque, mas foi o suficiente para Artemis prender seus dedos envolta dos pulsos dele e olhá-lo por trás de olhos cheios de água.
Pânico.
Medo.
Medo.
Medo.
Ar faltando.
Seus pés não tocando o chão.
Quente, mãos quentes e perigosas.
– Para, Apolo – implorou fechando os olhos para reter as imagens. – Eu não agüento mais, para.
– Shh, está tudo bem, Artie, sou só eu.
– Pare... – implorou, quase sem voz. – Não posso mais suportar.
Mas as mãos dele continuaram subindo pelo seu rosto e passou rapidamente por suas bochechas até estarem em seus cabelos, penteando os fios.
Todo o seu corpo tremia.
E ela ficou dividida entre pular para o colo dele e se manter o mais longe possível de Apolo. Ele poderia ser tanto o anjo como o demônio... Como ela saberia?
– Não chora, shhh, tranquilo, Artie – sussurrava ele carinhosamente. – Eu não vou mais tocar você. Olha, sem as mãos. Parei.
E antes que ele pudesse puxar os dedos de seu cabelo, Artemis segurou a mão dele e apertou-a fortemente com os dedos entre os de Apolo.
– Fica...
– Estou aqui, Artie.
Ficaram assim, com ela o fitando, procurando se manter no presente e Apolo acarinhando às vezes seu braço, outras seu cabelo, até que ela se esqueceu de tudo.
Foi quando seu celular começou a tocar. E ela sabia que provavelmente seria Atena.
– Atende, Artie.
Um pouco desligada, Artemis puxou o seu Blackberry do bolso e olhou para o número.
– Número desconhecido.
– Quer que eu atenda?
Ela negou com a cabeça, ainda um pouco tonta pelo cansaço, e colocou o aparelho no ouvido. Um ruído estalou pelo seu lado, mas ela ignorou.
Às vezes isso acontecia.
– Alo?
– Eu realmente gostei de você naquele vestido, Artemis.
Todo o sangue drenou de seu corpo ao som daquela voz.
Ela olhou para Apolo, em puro pânico, um pânico que ele logo entendeu. E seu corpo começou a tremer mais uma vez.
– Logan... – sussurrou sem saber o que fazer.
– Você ainda se lembra da minha voz. Fico lisonjeado com isso. E eu soube sobre você agora ser uma Solace... Devo admitir que sua mãe ainda continua a mesma prostituta de sempre. Caras ricos. Mas isso não importa, eu só liguei para avisar que estou com saudades de você, querida.
– O...
– E, ah, diga pro seu irmãozinho ai que se ele tocar em você eu mato ele.
Apolo puxou seu celular com tanta violência que Artemis temeu que o aparelho se quebrasse entre os dedos dele. Ele parecia tão perigoso que tudo o que ela conseguiu fazer foi olhar para os olhos azuis vítreos.
Logan.
– Se você chegar perto dela um centímetro sequer, Logan, eu serei bem mais rápido no gatilho. Não ouse nem respirar perto da Artemis. Nem mesmo aparecer. – sua voz era centrada e cortante. – Eu não me importo com quem você é. Ninguém ameaça um Solace.
Artemis ouviu a risada de seus pesadelos.
– Dando uma de herói – a voz de Logan era divertida – Ela já te contou o que eu fiz com ela? De como ela é minha? Como eu marquei meu nome nas costas dela? Ou ela ainda não deu pra você? Não me surpreenderia, eu fiz um bom trabalho marcando ela como minha quando a comi varias e varias vezes.
Apolo não demonstrou nada, em uma calma impassível.
Artemis estava em choque.
– Essa conversa acabou, Logan.
– Não, não, Apolo. Ela está só começando. Artemis é minha.
E Artemis nunca achou o som de uma finalização de chamada tão alto.
Parecia ecoar por todo o banheiro enquanto encarava os olhos azuis de Apolo. Milhares de lembranças explodiam na sua mente. Todo o seu corpo se convulsionava e as lágrimas caiam silenciosas.
Apolo não disse nada ao pisar em seu celular, estilhaçando-o em mini pedaços.
– Vamos te arrumar um numero novo. Você vai andar somente comigo ou de chofer. Não atenda números estranhos, não ande sozinha e...
– Apolo... – sua voz era quebradiça ao chamá-lo.
Ele tinha entrado no formato ação.
– E eu vou reforçar todas as portas da casa, junto com a segurança.
– Apolo... – olhou-o – Ele me encontrou.
Apolo rapidamente acarinhava seu cabelo, fitando seriamente seus olhos, mas seu toque era amável.
– Não, Artie, ele não vai chegar perto de você.
– E se...
– Não.
– Mas...
Antes que Artemis pudesse pensar no que estava acontecendo além do medo, ela sentiu algo firme e quente contra seus lábios, algo que a fez abrir os olhos desmedidamente, e percebeu tardiamente que era a boca de Apolo, suave, protetora sobre a sua.
Todos os seus tremores pararam, ligando-se ao toque daquele homem, seu coração batendo mais rápido, mas seus pensamentos mais lentos.
E Artemis fechou os olhos, suspirando para a sensação e o cheiro de algo entre verão e grama que ele tinha mesclado ao perfume masculino.
Apolo.
Seus dedos, inexperientes, seguraram o pescoço dele e se deixou apreciar o toque daquela pressão, sem movimentos, mas que a interligou intensamente aquilo que ela vinha sentindo há algum tempo.
Então, Apolo se afastava, fitando seus olhos.
Os dele eram chamas azuis, perigosas, mas não lhe davam medo.
A faziam suspirar.
– Eu não sei que merda está acontecendo aqui, Artie – sussurrou ele, a afagar seu cabelo, nenhuma parte do seu corpo encostando o dela. – Mas eu não vou deixar que um louco que diz ser seu dono te toque. Ninguém vai te tocar.
Ela somente o fitou, seus lábios ainda a formigar, seu corpo todo aquecido por dentro de um modo que nunca havia sentido antes.
– Eu confio em você – sussurrou ela.
Ele beijou sua testa com carinho e seus olhos verdes se encheram de lágrimas.
Lágrimas de agradecimento, de medo e de mais alguma coisa que ela desconhecia.
Algo que ela gostava.
– Obrigado, Artie.
E ela não ligou no momento em que ele tocou seu braço outra vez.
– Mas e Logan?
– Vamos dar um jeito nisso. Prometo. Ele vai pagar.
E Artemis não duvidava disso.
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Próximo Capítulo:
[...]
Portanto, quando abriu a enorme porta e viu uma Afrodite linda em uma roupa super estilosa que ela só via em revistas como a Vogue, onde a mão de Dite trabalhava, e segurando um grande saco preto, cheio de outras coisas aos seus pés, Artemis não soube que dizer.
No entanto, nem precisou, Afrodite piscou.
– Alguém chamou uma estilista?
– Você me salvando de novo – disse Apolo por trás de Artemis, dando um susto na mesma. Ele estava outra vez com aquela roupa de equitação, ao que ele havia dito, ele e Poseidon tinham ido de novo “vencer” algum outro time. – Entra ai.
– Sempre um prazer salvar você, fofuxo. E, oi, Artie... Vish, pela cara dela, você não contou nada pra ela. Contou Apolo?
Artemis tentou seguir a linha de raciocínio dos dois antes de Apolo negar com um sorriso tenso.
– Tivemos algumas complicações.
Afrodite virou-se para sua pessoa e piscou.
– Vamos criar sua imagem de menina malvada hoje. Ao que parece, todos adoram você na mídia e não vai parar até colocarmos uma garota cheia de glamour e super descolada em troca daquele blah blah blah. – e ela sorriu, um golpe certeiro na auto-estima de Artemis. – E eu arrumei ingressos divonicos para a melhor boate da cidade.
[...]
Notas finais
Beijinhos açucarados,
Nívea ;*
Ps: MIL OBRIGAAAAAAADAS, Rafa e Life, muito, muito mesmo *o*
Ps²: Meu recadito, ahã, meu recadito, ahã, não esqueçam dele não o/ Hehe, recomendações smp adoraveis como chocolate *-* Mas não esqueçam os recaditos ;)
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