Impossible

13 13º - Jardim.


Notas iniciais
Awn, veeey, como voces conseguem me fazer tão feliz? *o* Sério mesmo, eu ando tooooda bobinha, feliz, contente, parecendo o Bambi serelepe e risonha por todo canto, ai, eu entro de novo, respondo os recaditos e encontro aquilo... Sim, aquilo *o* TRÊS LIIIIIIIIIIIIIIIIIIIINDÉEEEERIMAS RECOMENDAÇÕES, GODZ, VOU TER UM INFARTO *respirando fundo* Ainda, pra acompanhar, ao som de Jason Mraz, comendo chocolate e... Putz, assim eu não aguento, não mesmo, vou morrer de felicidade *o* Anyway, por isso, além de toda a minha alegria e loucura, eu venho aqui entregar esse capítulo com muito prazer, porque são garotas que me elogiam tanto que meu ego está ficando seriamente inchado (vou ter que baixar a bola dele dps, pq agr tá dificil de controlar KKKK''), que smp, smp mandar recaditos, me fazem rir, algumas mesmo admirá-la e... putz, eu sei que sou péeessima agradecendo, mas desejo que saibam que isso é de coração, como sempre é, devo muito a vocês... então, é uma honra e prazer entregar esse capítulo a Be HAPPY (que diz que não sabia recomendar, mas fez meus olhos se encherem de lágrimas de pura alegria), a joycce andrade (que é novérrima no nosso lindo barco, mas que já me fez sorrir que nem boba) e a Mary La Rue (que me conquistou e me feliz muito, muito mesmo, ao dizer que esse minha fick, que na verdade é nossa fick, é uma das favoritas dela) *o* Garotas, obrigada por me darem essa honra, por terem dado a chance pra minha fick e... Só tenho a agradecer, muito mesmo... Obrigada *o* Agora, o capítulo todinho e enormemente de vocês, enjoy ;)
Ps: Por serem tão lindos, pelas três recomendações seguidas, um MEGA capítulo para vocês ^.~

13º — Jardim.

As semanas de prova se aproximavam e era a hora de todo mundo logo se recolher para estudar como loucos a fim de tirar notas boas.

Mesmo aqueles que faltaram milhares de aulas, como Artemis havia faltado.

Ela estudava como nunca, o dia inteiro dentro da biblioteca, tentando associar o que era formula de matemática, o que era de física e o que não era nenhum desses dois.

Estava assim, lendo uma página que insistentemente não queria entrar na sua cabeça, algo sobre Luis XIV, no momento em que a porta da biblioteca se abriu.

Encontrava-se tão desconcentrada, ainda que desejasse ao contrario, que rapidamente ergueu seus olhos verdes da leitura e olhou para um pasmo Apolo encaminhando-se em direção.

Abaixou a cabeça de volta ao livro. Precisava decorar aquilo, custasse o que custasse.

- Então... – ela sabia que ele estava parado de frente a mesa. – Sabia que hoje é sábado?

Tudo que ela fez foi assentir, sentindo que corava. Suas mãos puxaram a borda do moletom.

- Hum... Ainda bem que você sabe, porque, oficialmente, é o dia nem de Atena estar estudando... Por isso, eu, maravilhoso e herói nas horas vagas, Apolo, vim aqui te salvar...

Artemis sorriu um pouquinho do que ele havia dito no momento em que o encarou. Ele piscou carinhosamente, a sentar-se na borda da mesa. E ela realmente não podia negar a parte do maravilhoso.

Ele estava lindo, como todos os dias, mas naquele usando uma roupa de tênis, os cabelos loiros estavam suados e ainda segurava a raquete. Claro, ele estava jogando ao invés de estar estudando.

Talvez ele não seja burro como você...

Então, Apolo estalava os dedos a sua frente. Percebeu que tinha apagado.

– Hey, Artie, tudo bem?

Abaixou os olhos, envergonhada. Estava o encarando, na cara dura, admirando-o.

Estúpida.

Estúpida.

Ela assentiu.

- Tô.

- Tem certeza? Você tá muito vermelha.

Jogou outra estratégia.

- O que você dizia?

Por alguns segundos, Apolo não disse nada, o que ela sabia que ele pesava se a forçava um pouco mais ou se deixava aquilo ir. Ele optou pelo segundo.

- Eu vim te chamar para dar uma volta comigo. O dia está lindo lá fora e eu to ficando preocupado com o tanto de coisa que você tá estudando... Você ao menos almoçou?

- Almoço?

- É, Artemis, já são quatro da tarde. Isso é um não, né?

Ela não respondeu.

Apolo, por aqueles dias, sempre ficava com raiva quando ela dizia que não tinha colocado nem um pouco de comida na boca.

Talvez ele ache que você precise comer, já que é gorda.

Queria calar aquela vozinha em sua mente, que vinha atacando ainda mais depois do que Poseidon fez com ela.

Apolo suspirou.

- Vem, vamos comer alguma coisa e eu vou te contar o que acabou de chegar.

Sabendo que não haveria como discutir, Artemis levantou-se, tomando cuidado para ver se seu moletom não havia subido, e aceitou quando ele mandou que fosse a frente.

Alguns minutos depois, dividia com ele um sanduiche enquanto caminhavam tranquilamente pelo enorme jardim. Esse que Artemis, mesmo depois de tanto tempo, não o conhecia.

Apolo mordeu mais um pedaço do pão, andando calmamente ao seu lado, em um espaço suficiente para que o braço dele não tocasse no seu. Artemis apertava com força seu moletom.

- Isso daqui está realmente muito bom – disse ele depois de soltar um som de apreciação. – Cada dia mais e mais eu me surpreendo com Dora.

Artemis aceitou no instante em que ele esticou a comida para suas mãos. Mordeu. E não pode deixar de concordar com ele. Seja lá o que tivesse ali, era maravilhoso.

Apolo sorriu de sua expressão.

- Bom, não está?

- Muito.

E só agora que Artemis notava onde estavam. Claro, havia percebido os arabescos e o jardim de tulipas, era meio difícil não perceber com todo aquele perfume.

Mas agora, ela entendia o que ele queria dizer.

- Eram de minha mãe – sussurrou ele, como se conseguisse ler a pergunta em sua mente. Sua voz era baixa. – Ela as adorava... Plantou elas aqui e desde então meu pai não as retirou mais. Se tornou como a casa, impossível de ser excluída de toda a grande estrutura.

Impressionada era pouco que Artemis estava.

Tudo era como um campo de golfe. Apenas que ao invés de haver grama verde e bem cortada por todo lado, ali haviam rosas.

Milhares de rosas.

E azaleias e algumas orquídeas. As mais variadas cores e seus tons, mesclados e parecendo perfeitamente em contexto com o que havia no centro delas, o que ela classificou como uma tenda de madeira escura, abaixo de uma grande arvore que fazia muita sombra.

Quatro caminhos, de mesma cor de madeira, o guiava entre as flores e, bem no meio da suposta tenda irremovível, havia um piano de cauda. Pesado, antigo e ainda envernizado.

Artemis olhou encantada para tudo aquilo. Parecia algum tipo de cena retirada de algum filme.

Algum filme antigo.

Antes que ela pudesse elaborar algo para dizer, Apolo começou a falar enquanto encaminhava-se para o centro:

- Minha mãe se casou nova com meu pai. Ela tinha vinte e meu pai vinte e sete. O casamento no começo era apenas de conveniência. Zeus queria um contrato para a Records dele e minha mãe era a filha de um grande empresário do mundo da moda. – ele sorriu para o alem. E Artemis não entendeu porque ele estava contando sobre a mãe dele, mas não o impediu de falar, somente o seguindo calada. – Provavelmente você já sabe grande parte disso. Quem não sabe o escândalo do meu nascimento?

Sim, ela também sabia. Na verdade, o mundo inteiro sabia sobre aquilo.

Quando se é um Solace, era meio difícil esconder algo como a mãe que depois de ter o bebe enlouqueceu e tentou matar a criança sufocada. Chamaram aquilo de Depressão Pós-Parto. Os Solace ficarem estampados em grandes jornais como The New York Times, The Sun, The Daily... Além das revistas People, Forbes, até mesmo a Vogue...

Era somente colocar o nome de Apolo Solace em qualquer site de pesquisa e, tchadam, você também sabia da tragédia.

Artemis não olhou para ele no momento em que ele suspirou.

- Não é algo que se possa esquecer. – sussurrou ela, tão baixo que não soube se ele escutou.

Então, haviam chegado de frente ao grande instrumento. Apolo tocou-o com um tipo de devoção que Artemis notou ser igual de dois grandes velhos amigos que compartilharam uma só vida e, em um movimento gracioso, ele sentava-se no largo banco com estofado em couro.

- Acomode-se, Madmouseille.

Extremamente corada do que ele a chamou, do tom divertido, ela se ajeitou ao lado do grande corpo masculino, sem esquecer de tomar um espaço suficiente protegido.

- Eu aprendi tudo o que sei nesse banco. Tudo aqui, de frente a esse piano, Artemis. – seu tom era baixo — Minha mãe foi uma mulher boa enquanto pode aguentar um marido ausente, ganancioso e que tinha mais amantes do que ações no comercio. Há uma hora em que qualquer coração começa a ser preenchido por raiva. E um ataque e toda a imprensa estava em cima da minha mãe. Os jornais nunca a perdoaram, nunca a deixaram esquecer o que quase fez... “Socialite tenta matar herdeiro Solace”... “Mais para modelo do que para mãe”... “Futuro Solace nas mãos de uma incapaz.”... Eram tantos que nem me lembro mais.

Artemis olhou para a expressão que ele tinha no rosto.

Tristeza, cansaço.

Raiva.

Os olhos azuis voaram para os seus. Líquidos. Exaustos.

Por um segundo, ela esquecia o que tinha e ansiava tocar a mão dele. Mas ele não permitiu, mudando rapidamente de mascara, para um sorriso bem treinado.

- Claro, nem tudo foi tristeza. Ser um Solace tinha seus lados bons... Eu gostava daquilo, de sair de casa e ter minha mãe me escondendo dentro dos casacos de pele dela para os jornalistas não tirarem fotos minhas ou de sempre ver um de meus amigos na mesma pagina do que eu... Afrodite... Dionísio... Poseidon... Mas eu era muito novo na época para entender. Eu sabia do meu valor como herdeiro, só não sabia o que diziam da minha mãe. – hesitou. – Depois do meu nascimento, eles crucificaram a minha mãe. Sabia que é supernormal depressão pós-parto? Só que foi tanta necessidade de vender que ninguém se importou com o que aconteceria depois... Passei toda a minha infância lendo os jornais falando sobre ela, recortando as fotos, fingindo que não percebia isso enquanto me esforçava para ao menos ela ter orgulho de mim.

E Artemis sabia o resto. Sussurrou:

- Seus pais se divorciaram.

Apolo não se mexeu.

Seus olhos azuis fixos nas teclas brancas e usadas, perdido em pensamentos.

Artemis, melhor do que ninguém, compreendia o que era reviver o passado diariamente. Subitamente, mudando de uma estação para outro, Apolo sorriu e encarou seus olhos sem nada além de falsa alegria.

- Quer saber? Esse clima tá ficando meio pesado. Chega de falar de mim.

Assim, Artemis compreendeu o que ele fazia.

Ele estava escondendo, o mais fundo que podia, o resto da história.

Mas ela sabia: os irmãos bastardos, sua mãe o deixando para ir morar na Bélgica, ele sendo levado para um orfanato e voltado só quando estava mais velho, classicamente, depois de se meter em drogas.

Ele não precisava, os jornais tinham toda a sua biografia em volumes diários.

Não era só ela que guardava segredos ali ao que parecia.

Mas ninguém ousou dizer nada enquanto Apolo delicadamente apertava as teclas, afundando-as sem pressa, com carinho e habilidade.

Quase que instantaneamente, Artemis reconheceu a música.

E teve de sorrir para ele. Apolo piscou ao mesmo tempo em que os tons de “Just The way You Are” começavam a realmente fazer toda a melodia.

- Vamos aumentar sua autoestima – brincou ele antes de começar a cantar, sorrindo e encarando seus olhos. — Oh, her eyes, her eyes... Make the stars look like they're not shining... Her hair, her hair… Falls perfectly without her trying… She's so beautiful… And I tell her everyday… [Oh, os olhos dela, os olhos dela fazem as estrelas parecerem que não têm brilho. O cabelo dela, o cabelo dela recai perfeitamente sem ela precisar fazer nada. Ela é tão linda. E eu digo isso pra ela todo dia].

A voz dele era celestial. Rouca, baixa e extremamente melódica. Aquilo a encantou, mas a letra a fez olhar para suas unhas minúsculas sob a barra do moletom. Claramente, ele se divertia por estar fazendo-a corar.

- Yeah, I know, I know… When I compliment her she don't believe me…[Sim eu sei, sei. Quando eu a elogio, ela não acredita] — um sorriso apareceu nos lábios de Artemis enquanto ele continuava a cantar. — And it's so, it's so… Sad to think that she don't see what I see… But every time she asks me, do I look okay… [E é tão, é tão triste pensar que ela não vê o que eu vejo. Mas sempre que ela me pergunta se está bonita, eu digo] I say... Artie, olha pra mim.

Fazendo o que ele pediu, ela o viu suavizar o olhar e cantar como só houvesse ela no mundo, como se quisesse que aquilo entrasse em sua mente:

- When I see your face…There is not a thing that I would change… Cause you're amazing… Just the way you are [Quando eu vejo o seu rosto, não há nada que eu mudaria, pois você é incrível do jeito que você é] – e soube que sorria um pouco mais. — And when you smile… The whole world stops and stares for awhile… Cause girl you're amazing… Just the way you are, hey. [E quando você sorri, o mundo inteiro para e fica olhando por um tempo, pois, garota, você é incrível do jeito que você é, ei]

E ele parou ali, a música cortada, mas fazendo completamente o efeito que ele desejava.

Ou talvez não, pensou Artemis a fitar suas mãos machucadas, sentindo que lágrimas escorriam por seus olhos. Ela não sabia se ele estava brincando com ela ao dizer aquilo.

Fosse lá a sua ideia, tinha saído das rédeas... Agora, tinha de segurar os soluços que queriam aparecer.

Que tipo de garota chorava quando um deus grego cantava para você que era linda?

- Oh, meu deus, Artie...

Uma lembrança veio a sua mente:

“– Eu não sei como sua mãe anda com você, é tão feia. Essa pele cor de leite estragado. – ele tocou o rosto dela com uma cara de nojo. – E esse cabelo vermelho? Coisa do diabo. Esses olhos verdes bosta, ainda por cima é minúscula, não presta nem pra ser puta, não tem corpo. – ele cuspiu bem a sua frente antes de fitar seus olhos com o mais desgostoso dos olhares. – Ninguém nunca vai gostar de você, piranha, ninguém... Vai ser essa coisa feia e estúpida pra sempre. SEMPRE.”

Um tipo de garota como ela chorava... Por tudo.

Era estúpida, burra e nunca ninguém gostaria dela.

Sua aparecia já a espantava a todos.

Não seu trauma que afastava todo mundo, era seu rosto, seu cabelo, seus olhos...

Monstro.

Monstro.

Com as mãos tremendo, Artemis foi atrás de seu capuz. Precisava se esconder. Apolo era tão lindo, andava com pessoas bonitas, devia ter nojo dela ser sua irmã...

Mas, antes que pudesse esconder sua cara horrível, dedos fortes e quentes pousaram sobre os seus e a fizeram olhar para frente.

Apolo estava a poucos centímetros, olhando-a com preocupados olhos azuis e negava com a cabeça. Ainda assim, ele parecia tão mais calmo.

E tão mais bonito que ela.

Eles eram tão diferentes.

Não conseguia mais vê-lo através do borrado das lágrimas.

- Não se esconda, Artie. – murmurava ele, suavemente, sem se afastar. – Não tem por que fazer isso, ok? Eu não sei o que aconteceu com você, mas seja lá o que for, estou aqui... Bem a sua frente. Eu. Está vendo? Está tudo bem, Artie, tudo bem.

Mas ela sentia que não estava.

Seu corpo tremia, por completo. Seu estomago se revirava e o medo, o pânico e a vergonha a tomavam.

Contudo, a voz dele a manteve ali.

Então, ela teve uma ideia.

- Toca – sua voz era um fiapo rouco enquanto o olhava. – Por favor, toca.

Claramente percebendo o que ela fazia, ele pousou a mão que segurava no seu ombro dele, permitindo-a apertar os dedos na blusa que ele usava, e começou a dedilhar Fur Elise, de Beethoven.

Ao começo, a música não adentrava em sua mente ainda conturbada.

Então, aos poucos, sentindo os músculos dele que se mexiam sob sua palma enquanto deslizava os dedos sem errar nenhuma vez, relaxava e admirava a consistência das notas.

Ela não soube por quanto tempo ele ficou tocando-a, a ficar principalmente na parte agitada da música, até que suspirou, sem imagens vindo, sem tremer.

- Obrigada...

Ele encarou seus olhos, um pouco mais aliviados. Sem avisar, seus dedos masculinos afastaram seu cabelo para trás de sua orelha, prendendo-o.

- Está melhor?

Corada, abaixou os olhos, escondendo de volta as mãos no moletom.

- Sim.

- Me desculpe por tocar aquilo, eu não sabia...

- Não foi culpa sua, você tentou ser gentil comigo, foi culpa minha.

Então, ele movia as mãos por seu cabelo, carinhoso.

- É culpa do medo, Artie, por que a garota que eu sei que mora ai dentro é mais forte que uma fênix. – e seus olhos azuis eram suaves ao olhá-lo. – Só o medo, pássaro de fogo, só isso.

E nunca ninguém tinha dito aquilo pra ela.

Ninguém nunca tinha falado aquilo com tanta certeza de que ela era forte.

Ou a comparado a um animal tão belo.

Não sabia nem como agradecer a ele por aquilo, por acreditar nela.

- Vamos sair daqui. – sussurrou ele, sorrindo. – Eu ainda tenho que te contar outras coisas.

~~**~~

Apolo andava calmamente ao lado de Artemis enquanto voltavam para a casa.

Estranhamente, repassava varias e varias vezes onde havia errado para que ele a fizesse chorar. Não havia qualquer lógica... Dissera que ela era bonita, não dissera?

Dissera somente a verdade, pensou, vendo-a aproximar-se de uma das tantas flores e curvar-se, cheirando-a. Seu cabelo vermelho escapava dos ombros pequenos, os olhos verdes se fechavam e um pequeno sorria nos lábios um pouco mais avermelhados dela.

Linda.

Artemis era de fato linda, o que fizera de errado?

Foi quando ela notou que a encarava fixamente e escondeu o rosto atrás da cortina/cabelo.

O que ele estava fazendo para que ela se escondesse tanto? Preferiu pensar que destilaria essa ideia mais tarde.

- Artie, vam...

Qualquer coisa que ia dizer se perdeu no instante em que o som de chiados soou, seguido de plantas se movendo e então havia algo caindo sobre a cabeça deles. Artemis encarou seus olhos, os tons verdes esmeralda, tão perplexos quanto ele.

Água.

Alguém havia ligado as mangueiras das flores.

Por um momento, os dois ficaram parados, logo ela tentava correr para sair dali.

Mas, com uma ideia em mente, Apolo não ia deixar aquilo acontecer. Se ela não ia a piscina, a piscina vinha até ela.

Segurando-a pela mão, extremamente cuidadoso, Apolo a impediu de ir embora e a puxou para mais perto, sorrindo. Ela procurava se encolher sob os pingos.

- Gelado, não é? – perguntou acima do som da água saindo dos regadores.

- Apolo...

- Artie... – a parou. – Curte comigo.

Por uns segundos ela ficou olhando seus olhos, super corada, para em seguida assentir, meio tensa. Às vezes, ela merecia um premio.

Rindo, Apolo começou a correr, puxando-a junto.

- O QUE VOCE ESTÁ FAZENDO?

- ME DIVERTINDO... SENTE O VENTO... – e ele mesmo teve de olhar para trás, assistindo-a ter um sorriso pequenino no rosto. – ASSIM MESMO...

Como dois loucos, correram pelo campo.

Então, Apolo ia atrás de uma Artemis sorridente, procurando-a entre as flores, sem jamais tocá-la, mas estando sempre perto. Às vezes, segurava a mão dela, outra mexia em seus cabelos ensopados.

Ao final, ambos estavam sem ar, parados um de frente ao outro, ainda felizes. E Apolo ergueu o queixo, deixando a água cair sobre seus olhos, acariciar a sua face.

- Artie, feche os olhos e jogue a cabeça para trás.

Ele não sabia se ela tinha feito, pois se não, estava perdendo uma das melhores sensações que existia. Para ver se ela seguira seu conselho, ele abriu os olhos e um batimento estranhamente errou do toque de seu coração.

Artemis sorria. Não qualquer sorriso, não era pequeno, era um que mostrava toda a sua felicidade, um que criava pequenas ruguinhas ao canto de seus olhos.

E ela estava tão linda. Corada por correr, sem aquela palidez que o fazia preocupar. Os cabelos soltos e seus ombros relaxados.

Artemis era linda.

Então, um par de olhos esmeralda encarava os seus. Estavam brilhantes, alegres, divertidos, como nunca ele vira antes e que o fez se orgulhar de saber que fora ele quem mostrou aquele prazer.

- Bom? – perguntou ele, sorrindo de volta para ela.

- Inesquecível – suspirou. – Isso é maravilhoso, Apolo, obrigada.

Ele riu, baixinho.

- Era simples, só ter se jogado embaixo da chuva.

E outro daquele raro sorriso.

- Obrigada por estar aqui comigo.

Tudo o que ele pode fazer ante aquilo foi sorrir. Ela agradecia só por estar em sua companhia. Artemis era realmente inacreditável.

- Sempre que precisar.

Um silencio calmo se apoderou deles enquanto assistiam tudo ficando verde pela água.

E logo assistiam o modo em que as mangueiras iam se desligando, uma por uma, deixando tudo brilhoso e mais belo, se possível. E dividir aquilo com Artemis incrivelmente o fez sentir-se tão bem.

Então, notou que ela não encarava mais a paisagem e sim suas mãos cobertas pelo moletom. Estavam de volta no local em que ela se escondia. Que ela temia tudo. E, apesar de saber que gostara de ver o lado cheio de sorrisos dela, tinham voltado à realidade do que ela tinha, de seus medos.

Olhou-a, cheio de compreensão.

- Algo errado, Artie?

Ela negou com a cabeça, mas seus pequenos dedos tremiam muito ao arrumar o moletom sobre a calça.

- Certeza?

Então, ela suspirou.

- Eu quero te mostrar algo.

Ele estranhou aquelas palavras.

- Hum... Tudo bem.

- Promete para de se mover caso eu peça?

Ok, isso estava estranho demais até pra eles. Olhou para a cabeça dela abaixada.

- Prometo.

Parecendo que engolia coragem, Artemis virou-se de frente a sua pessoa, sem jamais fitá-lo, e antes que pudesse fazer mais perguntas, o moletom dela saia e ele respirava fundo.

Artemis não estava mais tão magra como quando havia chegado ali, seu corpo finalmente ganhando um pouco de massa, mas ainda abaixo do peso. Mas não foi isso que o parou. E sim o numero incrivelmente alto de pequenas cicatrizes nos braços e na clavícula que aparecia pela blusa azul de alcinha que ela usava. Muito mais visíveis sob a luz dourada do sol.

Machucada, milhares e milhares de vezes, até sua pele não suportar mais e deixar marcas.

- Artie?

Ela, muito lentamente, encarou seus olhos.

Pânico.

Medo latente e puro.

- Eu tenho certeza, Apolo.

- Você... Você... Quer que eu te toque, Artie?

Rigidamente, a garota assentiu.

- Só nos braços.

- Ok... Quando quiser que eu pare, Artie, só chamar meu nome.

Uma vez mais ela concordou com a cabeça e Apolo respirou fundo.

Lembrando-se em ser devagar e cuidadoso com ela, segurou ambas as mãos dela nas suas, sentindo o quão geladas estavam, o quanto suavam e tremiam.

- Relaxe, Artie, sou só eu.

Primeiro, deixou-a perceber seu calor, massageando as pequenas palmas, para então, assim que ela parou de apertar sua mão, subir seus dedos delicadamente para seus pulsos. E o que sentiu não esperava.

Em cada um deles, notava, sob seu polegar a forte corrente sanguínea dela e também uma cicatriz. Ou ela tentara se matar do jeito errado ou alguém fizera aquilo com ela. Não querendo para pensar, mas ainda devagar, abriu suas mãos sob os antebraços dela.

Era como segurar uma estrela marinha, cheia de pontinho mais altos e mais baixos na sua carapuça. No caso, na pele de Artemis, cheia de pequenos cortes que pareciam ainda mais reais sob seus dedos. Teve de encarar aquilo.

Como alguém podia fazer aquilo com aquela menina? Será que elas eram maiores? Será que haviam sido feita há um ano ou alguns anos? Perguntas pulavam sua mente.

Quando envolveu os cotovelos com sua mão, Artemis tremia por completo. Mas como ela não falava nada e ele acreditava que ela diria caso precisasse, continuou seu trajeto.

Até que seus dedos apertavam delicadamente o topo do braço, pouco antes do ombro, e foi ali que ele a olhou.

Como alguém podia ter sofrido tanto?

Ela mordia o lábio e estava de olhos fechados no momento em que ela sussurrou:

- Pare, por favor... Chega, não posso suportar mais. – lágrimas caiam dos olhos dela. – Não se mexa.

Como o pedido, ele não se moveu nem um pouco, nem mesmo seus dedos. Ficou ali, os dedos abertos sob a pele retalhada e macia, esperando um novo comando.

Comando esse que não veio.

- Você... Quer que eu te solte?

- Não. – ele se perguntou se ela tiraria sangue do lábio de tanto que mordia. – Não se mexe. Conte comigo.

- Qual língua você quer, Artie?

- A nossa, qualquer uma, só conta comigo. – e ela abriu os olhos para os seus.

Apolo rapidamente percebeu que ela estava fugindo de alguma lembrança, de algum fantasma de sua memória que ameaçava afogá-la.

Ele conhecia a sensação.

Então, começou a contar com ela, vagarosa e lentamente. Tiveram de fazer isso mais duas vezes e todo o esforço valeu a pena.

Artemis já conseguia respirar normalmente quando tirou as mãos dela e a ajudou a vestir o moletom de volta. Ela pareceu tímida depois disso.

- Desculpa, Apolo... É... Difícil...

Ele sorriu e mexeu em um fio do cabelo ruivo.

- Obrigada, Artie, por confiar isso a mim. – e estava sendo o mais sincero que já tinha sido em toda a sua vida. – Obrigada.

Ela assentiu.

E lá estava aquele silencio tenso que ele imaginou que ficaria após aquilo. Um silencio que dizia muito mais do que imaginava, que sussurrava o quão em transe com seu toque ela ficou.

Cuidadosamente, compreendendo a linha tênue entre o passado e o presente ela andava, Apolo deslizou sua mão tão maior para a mão pequenina dela.

Aquele toque, aquele simples toque o fez sorrir.

E teve que puxar seus dedos juntos para perto e, carinhosamente, pousar seus lábios sob a pele branca e macia das costas da mão de Artemis. Os olhos verdes se abriram, surpresos.

E a expressão de assustada só a tornou mais bonita.

- Vamos. – disse Apolo, somente ali percebendo o movimento que fizera. Um movimento extremamente embaraçoso pensando-se que eles eram irmãos. E ela puxou a mão da dele antes que ele pudesse fazer o contrário, a escondê-la dentro do moletom. – Vou te mostrar uma coisa.

[...........................................]

Próximo Capítulo:

[...]

Dali, curtiram os shows, tomando Chandon, comendo macarrons e estando tranquilos. Até que o que Artemis viu destruiu todas as chances daquela noite se tornar memorável.

Pavor.

Medo.

A sua taça se soltou de seus dedos. E todos pareceram parar com o som do cristal se espatifando no chão.

Todos menos ela.

- Artie, o que foi?

Não conseguia responder Apolo, só conseguia olhar para frente sem acreditar.

Caminhando em sua direção, vinha um homem alto, de cabelos grisalhos, olhos cinza e uma barba para fazer.

Seu coração parou ao ver que ele não mudara nada. Que continuava o mesmo cara de sorriso fácil.

Então, milhares de lembranças invadiram sua mente, tantas e tantas que ela começou a ficar com dor de cabeça até ele parar a alguns passos, seus olhos grudados.

- Olha se não é a minha garotinha favorita?

[...]

Notas finais
MUAAAHAAAA *risada maléfica* Quem será esse que deu taaanto medo na Artie? Ai, ai, Apolo, melhor cuidar disso, pq o... Ops, ainda não posso dizer *-* Finalmente o passado dela dando as caras, ou não KKK'' Teorias?
Anyway, o que acharam do capítulo? Ficou grande né? Mas acho que deu pra suprimir nossas alegrias por enquanto, quer dizer, acho *o* HoHo, Apolito tocou mais intimimanete, vou morrer com esses dois nessa fofura maravilhosamente linda *o* Enfim, espero que tenham gostado, até maisê, sôh!
Beijinhos açucarados,
Nívea ;*
Ps: Não esqueça do meu recadinho, please, please, meu coração fica tão cheio quando entro e vejo que tenho que responder e.. Ownt, é tanta felicidades *o* Por favor, não esqueça de mim lá embaixo, amaria ouvir a teoria de vcs ^.~ E, ah, recomendações smp bem vinda e muito bem amadas, capitche? Mas não esqueça o recadito *----------*