Impossibilidades
1 Único
Notas iniciais
E lá estava ele, tocando seu violão. A maneira como ele sorria enquanto fazia aqueles acordes dificílimos era simplesmente magnífica, bela. Como ele.
Eu não me lembro de como eu o conheci. Só sei que eu estava na mesma posição onde eu me encontro hoje, observando ele, de longe. Perguntei casualmente aos meus amigos se eles o conheciam, e só um deles era colega de um conhecido dele. Eu estava com uma expressão triste, por que nesse tempo eu estava começando a gostar dele. Então eles me perguntavam:
- Por que essa cara de emo, Carlos?
Sim, é isso mesmo que vocês estão pensando. Eu sou uma garoto que está gostando de outra garoto. Isso não é simplesmente... repugnante? Era isso que eu pensava no começo. Tentei evitar isso, ignorando ele, tentando não olhar para ele. Mas era inútil. Eu já o amava, já queria estar perto dele. E o mais triste era que eu nem sabia seu nome.
Mas tudo mudou de uma hora para outra. Era um dia chuvoso, daqueles que acabam com seu humor. Eu estava na parada do ônibus, segurando meu guarda-chuva, quando ele apareceu, com seu corpo todo molhado e sua cara de preocupado, por causa do violão. De repente, ele me viu e sorriu. Estremeci.
- Oi! Será que eu poderia ficar com você até meu ônibus chegar?
Fiquei sem fala diante daquela voz tão linda. Ele continuava olhando para mim, esperando uma resposta. Eu, envergonhado, abaixei a cabeça e respondi meio baixinho que sim.
- Ah, valeu, você é o melhor! — agradeceu ele sorrindo, se colocando em baixo do meu guarda-chuva. Ao fazer isso, seu braço roçou no meu, me fazendo corar instantaneamente. — Mas esses ônibus demoram demais, né?
- Sim... — respondi mais baixo ainda. Ele estava tentando puxar assunto comigo...!
- Você não é do tipo que fala muito, né? Qual o seu nome?
- Carlos...
- O meu é Fábio! Prazer! — falou enquanto estendia a mão.
— … - eu fiquei meio que sem ação. O homem dos meus sonhos estava querendo fazer um contato corporal comigo...! Mas eu tinha que fazer algo, senão ele ia pensar que eu sou estranho!
Apertei a mão dele lentamente. Ele sorriu e soltou as nossas mãos. Eu quase gritei “não!”, mas covarde como sou, apenas baixei a cabeça. Ficamos vários minutos assim. Até a conhecida silhueta do ônibus aparecer.
- Ah, olha ali meu ônibus! Acho que já está na hora de eu ir. Foi bom te conhecer, Carlos! — e subiu no ônibus.
E eu fiquei de cabeça baixa até meu ônibus aparecer. Subi, me sentei e continuei assim. Desci e andei até minha casa, que era meio longe da parada. Ainda estava chovendo, mas eu não me importava muito com isso. É claro que ninguém ali da rua iria reparar em mim, mas se algum deles prestasse bem atenção em mim, repararia que eu estava sorrindo. Afinal, nada é tão impossível quanto parece.
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