Importa?
1 Porque não.
Notas iniciais
Por anos ouvi em cochichos pelos cantos de que eu era um porco, um lixo, a escória do mundo, de que nada valia e nunca valeria. Por eles eu merecia a morte e nada mais. Naquela época poderia ser um pouco de exagero da parte dos que estavam de fora, mas hoje começo acreditar que talvez estivessem certo de uma coisa. Eu nunca valeria nada.
Sempre tive tudo. Dinheiro. Luxo. Mulheres. Álcool. Drogas. E poder. Muito poder. Tudo aquilo que a maior parte da sociedade só sonhava em ter, eu conseguia só com um simples movimento de punho. Eu era um rei entre os meus, e adorava aquilo. Mas, por uma infelicidade do destino, sempre fui exigente demais, e talvez, esse sempre tenha sido o meu maior mal. Desde pequeno, eu já ouvia dos meus pais, que nem mesmo tudo seria capaz de me satisfazer. Tudo ainda era pouco pra mim. Eu precisava de mais.
Mas, apesar de toda a minha arrogância, quando conheci Astoria vi todo o meu conceito de vida desmoronar. Eu havia me apaixonado, e com ela, tudo parecia bastar. Por muitos anos ela foi a mulher da minha vida. Por um tempo cheguei até a acreditar que ela seria a mulher capaz de me mudar, capaz de me torna uma pessoa melhor, em que causar a discórdia alheia não fosse uma necessidade, sim apenas uma fatalidade. Mas após alguns anos de casados tudo começou parecer monótono demais.
Quando Scorpius nasceu nossa vida se tornou tão dedicada a ele que mal dávamos atenção a nós mesmos. Tudo que fazíamos era pensando nele, e isso nos deixava cada vez mais distantes um do outro. Nunca reclamei da vida que levávamos, eu a amava, eu amava meu filho, era compreensível a distancia, mesmo que incomoda, entre nós. Mas quando nossas conversas mais longas passaram a ser envolta da mesa no jantar, recheadas de frases ensaiadas e discursos prontos, percebi que o que havia entre nós já não existia há muito tempo. Éramos dois estranhos morando na mesma casa em prol da felicidade de um único componente.
Traição. Acredito que eu tenha sido o campeão nesse quesito há alguns anos, mas apenas de tudo, nunca pensei que essa palavra voltaria a fazer parte do meu vocabulário, não diante este relacionamento. Entrei tão cegamente nesse amor, que quando casei cheguei a acreditar ser capaz de cumprir todos os juramentos que fiz diante do padre. Hoje me sinto um idiota por ter acreditado que o amor seria eterno e capaz de me mudar.
Mas apesar de tudo só me dei conta do quão iludido estava, quando aqueles belos olhos azuis me avaliaram. Tão linda, tão jovem, tão loira. Uma perfeita sedutora. No momento em que me olhou eu soube exatamente o que queria, eu poderia tê-la afastado, poderia ter impedido que acontecesse, mas não impedi. Quando perguntei seu nome e com um sorriso no canto dos lábios ela me respondeu com outra pergunta tão excitante quanto tudo que estava diante dos meus olhos, pensei, porque não.
No fundo eu sabia que não era certo, eu devia respeito à mulher por quem era casado e a moça que da vida ainda nada sabia. Mas quem disse que eu me importava? Chamem-me do que quiserem. Pervertido, pedófilo, ou até mesmo de cafajeste, não me importa. Estar com ela, mal me dava capacidade de me manter sóbrio. E eu adorava isso. Cada toque, cada suspiro, cada fala. A pouca idade nunca foi um problema pra ela, ela sabia o que queria e mais ainda o que fazia. Era intenso, excitante e completamente imoral.
Prendam-me. Matem-me. Condenem-me. Antes eu achava um exagero, mas agora eu sei que mereço, não por fazer algo errado, mas por saber que é errado e não me importa. Sei que tudo isso não ira muito longe, sei que estou jogando meu casamento de anos no lixo e talvez iludido uma jovem garota com esperanças nulas, mas eu sou assim, um porco sem o mínimo receio de me lambuzar. Nunca vou mudar, então por que me importa.
E lá estava ela, apenas de lingerie apoiada no balcão da minha cozinha, e como quem não quisesse nada, sorriu acanhada quando me viu. A minha casa era o ultimo lugar que eu gostaria que ela estivesse, mas ao olha-la, com apenas aquelas finas camadas de tecidos, gradualmente vi meus pensamentos se desmancharem. Sei que era completamente errado ou até mesmo inaceitável, mas diante disso, começo a pensar que talvez eu não devesse me culpa em um tudo, até porque ela tinha idade suficiente para saber o que é certo e errado, e a decisão que ela tomou estava bem diante dos meus olhos.
Sem pensar muito, me aproximei dela, que sem se conter, sentou-se no balcão me puxando e me prendendo entre as suas pernas. Mas apesar da tentação, não a toquei. Com as mãos apoiadas ao lado de cada uma de suas coxas, me curvei sobre ela e fiz uma única pergunta.
“Esta desposta a correr o risco?”
E com seus lábios, mais uma vez estendidos em um sorriso travesso, vi aquela mesma pergunta que me conquistou deixa-los novamente. Sorri. E com o mesmo pensamento de antes puxei para perto de mim. Porque não.
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