Imponente Carvalho

5 Capítulo - The Search for The Bosque


Uma expressão diferente surgiu nos olhos de Oliver, mas desapareceu antes que pudesse deixar-se identificar. Seus pulmões estavam cheios de ar para ostentar seu maldito orgulho, a criada permaneceu cabisbaixa esperando que a raiva de seu senhor passasse, ele sabia que tinha julgado a pobre garota de forma errada, e pior havia quebrando um de seus juramentos que era nunca tocar em uma dama com tamanha violência, mas a desrespeitou.

–Vá buscar minha garrafa de Rum. – ordenou raivoso.

Sentou-se na imensa poltrona de couro, abriu retirou a maldita gravata borboleta e relaxou o corpo.

Uma expressão analítica tinha substituído o sorriso zombeteiro dele, o que fez uma diferença impressionante no seu semblante. Não uma melhora exatamente, pois sorrindo ou não, Oliver Mclachlan era um homem bonito. A expressão atual indicava, todavia, que talvez pudesse haver alguma medida de sinceridade nele no fim das contas. Provavelmente tal medida sendo uma colher de chá.

Sem demoras a moura Eileen trouxe a bandeja com a garrafa de rum e um copo, suas mãos tremiam fazendo os objetos dançarem sobre a bandeja de prata, sem encarar seu senhorio a escrava caminhou desesperada para a cozinha verificar se a jovem Amy estava por la, mas quando chegou até o local estava escuro e vazio para espanto da criada.

–Menina Amy. – chamou baixou procurando a por toda parte sem sucesso.

O espanto começou a dominar o corpo da velha escrava, temeu em pensar que deveria contar para Lorde Oliver sobre o sumiço da jovem, seus olhos pousaram no imenso relógio de corda que apontava próximo a meia noite. Apesar de sua frustração crescente e de sua própria resolução de lembrar que ele a detestava, desconfiança não era o sentimento que estava despertando no interior do Lorde.

– Eileen, procurei a menina no lado de fora e nada, ela desapareceu igual à fumaça. – anunciou Cole enquanto segurava o velho chapéu entre as mãos sujas – Se Lorde Oliver não souber disso ele irá arrancar nosso coro, múie.

A moura estava começando a ficar confusa com o desaparecimento da garota, a pobre deveria estar morrendo de medo e dor por causa do corte enorme em sua perna direita, ela nem se quer sabia como eram as terras cheias de imensos carvalhos de cultivo acabaria se perdendo ou pior, poderia morrer.

– De certo é meu dever. – murmurou a moura com os olhos fixos no chão

Outro escravo concordou com um gesto de cabeça, assim que se aproximou das imensas portas de madeira esculpidas ela pode ver lorde Mclachlan virando o copo em uma golada só, bateu na porta e aguardou que ele solicitasse sua entrada. Oliver virou-se na direção da porta, seus olhos de azuis estavam vermelhos feitos dois pimentões.

–Entre moura. – vociferou.

Eileen entrou cabisbaixa, suas mãos tremiam descontroladamente, Oliver pousou o copo sobre abandeja de prata e cruzou os braços na altura do peitoral quase exposto, ordenou que ela abrisse a boca e informasse sobre o motivo de estar ali.

–Meu senhor! Vim lhe avisar sobre o desaparecimento da jovem Morgan. – disse evitando encará-lo nos olhos. – Já procurei por toda parte e nada.

Um sorriso irônico surgiu no rosto marcante de Oliver, era patética aquela informação e acaso ele deveria se importar com aquela petulante, sua atitude arrogante e impertinente a feriu profundamente para ter um motivo para desaparecer. Ele levantou cambaleante quase caindo sobre os objetos.

–Desaparece você também sua imprestável. – berrou.

A expressão sardônica desapareceu do rosto de Mclachlan dando espaço a uma dura e severa expressão, a moura logo saiu da frente do lorde que caminhou escorando até seus aposentos. Seria bem melhor que ele fosse dormir, pois não iria ajudar em nada naquele estado deplorado, pois vale o ditado ‘quando um cavaleiro exagera nas doses de uísque se torna um ogro’.

–E agora, Eileen? – questionou o mouro manco.

Ela virou-se na direção dele e balançou a cabeça decepcionada, nada poderia fazer sozinha, sabia que o pobre Cole era manco e também não teria muita utilidade naquele momento, os capatazes estavam todos dormindo no celeiro.

[...]

Os primeiros raios de sol adentraram no imenso quarto onde lorde Oliver repousava, de longe pode ouvir os galos cantar anunciando o amanhecer, ele levantara com um terrível dor de cabeça por efeito do álcool da noite anterior, mas logo aprontou-se e desceu para tomar seu desjejum, assim que sentou-se na mesa notou que estava sozinho, apenas a moura permaneceu em pé próxima a pia.

– Onde esta ela está? – pergunto enquanto despejara o café sobre a xícara.

A moura estreitou seus olhos e apertou suas mãos com força uma contra a outra, era notável a impaciência no rosto de Oliver, mas logo começou a falar.

–Meu senhor a jovem desapareceu, eu e Cole procuramos por toda parte e nada de encontrá-la. – anunciou cabisbaixa

Oliver a encarou perplexo com aquela informação a cor de seu rosto desapareceu imediatamente, sem questionar, mas nada ele levantou se bruscamente da cadeira e caminhou na direção do celeiro para anunciar aos capatazes que o acompanhasse na busca.

Cavalgou durante o que lhe pareceram horas até que avistou o corpo feminino deitado sobre uma rocha perto do rio, desceu do animal e caminhou na direção da jovem para fitá-la com espanto ao reconhecer que Amy e notar que ela estava inconsciente.

Havia sangue em sua roupa em grande quantidade já seco. Certamente vinha do ferimento.

Os cabelos castanhos encontravam-se molhados de suor, grudados á testa.

– É ela! — disse em voz alta antes de agachar para tomá-la nos braços cuidadosamente notando que o corpo estava quente devido à febre.

Uma sensação estranha tomou conta de seu peito e pela primeira vez Lorde Oliver soube o que era sentir-se culpado e com medo de que a menina não sobrevivesse, pois se notava que havia adoecido ao passar a noite ao relento. Apertou aquele corpo contra seu peito enquanto colocava-a cuidadosamente em seu cavalo para levá-la para o interior da casa.

Assim que ouviu o barulho dos cascos dos cavalos retornando, Eileen foi para fora da casa levando as mãos á boca ao notar o estado da menina trazida por Lorde Oliver.

– Rápido, Eileen, ela tem febre, arrume compressas para abaixar a febre e limpar os ferimentos. — ordenou Oliver enquanto caminhava com a moça na direção do quarto.

Colocou-a confortavelmente na cama e segurou sua mão enquanto a observava inconsciente.

"O que vou fazer se ela não melhorar? Isso é culpa minha, por não saber me controlar. O que está havendo comigo?" Pensou e logo em seguida Eileen entrou no quarto trazendo as compressas.

– Com licença, mi lorde, preciso ficar a sós com ela para trocar-lhe a roupa e cuidar do ferimento na perna. — disse a moura.

Oliver levantou-se atordoado e saiu do quarto.

Notas finais
Boa Leitura!