Imponente Carvalho
11 Capítulo - Feelings
A jovem Amy terminava de colher as verduras na pequena horta que ficava logo atrás do barracão, o silêncio e a tensão que pulsavam sob as mãos da jovem parecia aumentar lembrando-a da voz rude do lorde Mclachlan.
Ela tombou para trás e secou a boca com ambas as mãos por causa das leves brisas gélidas de inverno. Tudo o que sentia por dentro era proporcionado por efeito daqueles enormes olhos verdes de Oliver. Medo, vergonha, esperança, raiva, era tudo que ela sentia naquele momento.
–Anda muito pensativa? — questionou Eileen inerte próxima ao barracão.
O inverno tocava seu fim, mas a primavera ainda resistia e os frios ventos de março tocavam a pele desnuda dos ombros da jovem, Amy endireitou se e com habilidade, ajeitou o cachecol de lã sobre os ombros desnudos e a encarou por um breve momento.
–Não acordei muito disposta essa manhã. — mentiu desviando seus olhos para a terra remexida.
A moura se aproximou com uma expressão investigativa no rosto marcado pela ação do tempo, era obvio que a jovem estava mentindo, pois seu rosto modificou-se bruscamente. Eileen sacudiu a cabeça antes de tirar uma pequena dúvida.
–Tem algum sentimento por Lord Oliver, menina Amy? — quis saber.
Amy encarou-a espantada deixando bem claro o sentimento que cultivava por Oliver Mclachlan por mais que tentasse negar.
–Não digas tolices Eileen, como posso me apaixonar por um homem de pensamentos diferentes aos meus e de um patamar elevado? — grunhiu.
A velha moura arqueou uma sobrancelha e jogou um olhar zombeteiro ao tempo que tirava seu próprio veredicto, sentou-se no velho baú abandonado onde os criados guardavam as ferramentas para mexer na horta e retirou alguns objetos do bolso de sua saia para preparar um cigarro.
– Esta evidente nos teus olhos menina, ama-o. Mas o teme por causa do que ele te fez. — disse enquanto embrulhava o tabaco dentro do papel feito de palha de milho — Mas o menino Oliver não é essa casca grossa que esta ostentando, ele é prestativo e amoroso. — pausou para acender o então finalizado cigarro, Eileen arranhou o fósforo contra a sola da bota logo atirou ao chão o fósforo e lhe deu uma imersão ao cigarro.. — Fiquei sabendo que essa amargura só tomou conta dele por causa de um romance mal sucedido enquanto ainda estava fora.
Amy se endireitou e lhe lançou um olhar fugaz, um relâmpago brilhou em seus olhos com a curiosidade de saber um pouco da história de Oliver Mclachlan.
– Lady Mclachlan me contara a respeito. Muito triste só de imaginar. — resmungou enfim.
A jovem mordeu os lábios, seus olhos pareciam perdidos.
– Então ele amou alguém, mas isso não conta a meu favor Eileen. Continuo sendo apenas uma moeda de troca. — murmurou.
Eileen se voltou na direção da jovem e a encarou minuciosamente, ela tinha que afogar todo vestígio de doçura antes de danificar sua última oportunidade porque não escapava, nesse momento era sua única saída.
– Devia ter uma conversa a sós com o lorde, deve contar sobre seus sentimentos. — sugeriu Eileen.
Amy encarou-a boquiabert. Como contaria a Oliver Mclachlan que estava sentindo um algo a mais por ele naquele momento?
–Está ficando louca, Eileen. Estamos falando do lordeOliver Mclachlan, ele nunca me olharia com desejo nem por milagre. — resmungou.
A velha moura sabia que não era verdade, Oliver já começara a agir de forma estranha desde a chegada da menina Amy. Era apenas questão de tempo para ele confessar.
– Mas o ama. — disse Eileen.
Amy sentiu uma pequena onda gelada apoderar-se de seu corpo o fazendo tremer por inteiro, a moura terminou de fumar seu cigarro, levantou-se e atirou o que restara dele no chão composto de folhas mortas e umedecido por causa do orvalho da manhã
Eileen a olhava fixamente.
– De certa forma. — respondeu baixinho.
Eileen observou sua reação, fascinada, as suaves linhas que saíam dos olhos da velha moura se fizeram mais profundas, a jovem largou os objetos no chão e caminhou na direção dela, deu um leve abraço de agradecimento. Sentia-se um pouco mais confiante a respeito de seus sentimentos, mesmo sendo um pouco imatura por ainda ser tão nova e Oliver um homem maduro e experiente, caminhou com passos firmes na direção do casarão, no percurso arrumava suas vestes retirando a sujeira da terra.
Assim que adentrou ao salão principal avistou Cole retirando uma pequena mobilha de seu lugar.
– Cole, onde está lordeOliver? — perguntou.
O velho criado a encarou com uma pontada de espanto, mas logo respondeu:
–Lorde Mclachlan, esta no escritório no andar superior. — anunciou.
A jovem agradeceu com um leve gesto costumeiro e deu continuidade a seu trajeto, sentia seu coração sobressaltar dentro do peito enquanto subia os imensos degraus. Naquele ponto começara a achar que estava se precipitando em sua decisão, mas já era tarde para voltar a trás.
Tomou coragem e bateu de leve na porta do escritório de Mclachlan, aguardou alguns minutos até ouvir a permissão para que entrasse, ao abrir a porta acabou dando de cara com Oliver, que analisou por inteiro sem nenhum pudor.
–O que deseja? — quis saber
O delicado rosto de Amy Morgan rapidamente ficou avermelhado por causa dos olhos atentos de Oliver sobre seu corpo.
–Preciso conversar um instante com o senhor. — disse cabisbaixa.
Ele afastou se um pouco da porta dando espaço para a jovem adentrar ao belo escritório, Amy tentava esconder suas mãos tremulas sobre o velho tecido do vestido, Oliver apontou para a cadeira próxima a mesa feita de madeira de carvalho.
– Diga o que deseja? — solicitou.
Era quase que impossível de encará-lo nos olhos, sua expressão era séria e um pouco intimidadora, ela o olhou por cima dos ombros dele.
– Gostaria de auxiliar nas tarefas do casarão. — mentiu.
Ele a encarou perplexo tomara seu precioso tempo para dizer aquelas palavras. Amy estava tão desconfortada naquele momento que arrumara um desculpa fraca que não tinha nada haver com o verdadeiro assunto, era evidente o tremor de seus finos delicados lábios.
–Não me parece que seja esse o assunto que deseja tratar. — disse.
Por muito que fugira daquele olhar minucioso de Oliver, ela não poderia evitar a verdade que estava escancarada em seus olhos amendoados.
–Seja o que for poderemos deixar para outro dia, estou com pressa. — anunciou desviando seus olhos da jovem.
Amy não levantou a vista apenas concordou com um gesto de cabeça, ele levantou-se da cadeira e caminhou parou ao lado da jovem e por um segundo analisou a por completo como se quisesse decifrar-lhe, mas logo deu continuidade a seus passos e seguiu na direção da saída deixando-a sozinha no escritório.
Amy se encolheu de ombros, novamente havia fugido da verdade como nas outras vezes que tivera oportunidade, deixou que ela escorregasse entre seus dedos.
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