Implicância Romântica
11 ...mágoa.
Notas iniciais
Vamos ler então! *o*
– Não é como se pudéssemos fazer algo. E eu não gosto de me intrometer no problema deles. – Disse indiferente, mas no fundo estava realmente preocupado. Tudo aquilo estava acontecendo há alguns dias, mas por causa da noticia de AIolia, Mu explodiu e o loiro tinha receio de que ele acabasse falando demais. Ou seja, falar demais é falar sobre seus sentimentos. Tudo bem que Shaka achava que alguma coisa dentro do bronzeado estava mudando, mas compreendia que não era a hora, quer dizer, sentia que Mu – no final das contas – acabasse não precisando falar dos próprios sentimentos para o amigo. Achava que as coisas simplesmente iriam fluir.
– Eu também acho isso. Mas de qualquer forma, Aiolia está mudado e não é só pela mudança. – Observou Ikki, não era detalhista e muitas coisas passavam por sua vista sem realmente ver, por preguiça mesmo de prestar atenção nos detalhes da vida. Mas era impossível alguém não perceber que Aiolia estava realmente mudando, estava mais sério, pensativo e... Loucamente ciumento. Achava que eram parecidos em algumas coisas, mas ultimamente o leonino mais velho tem se mostrado bem arredio.
– Isso não podemos negar, realmente. – Concordou distraído.
– Não quero afirmar nada, mas eu acho que Aiolia, possivelmente, talvez, pouco provavelmente, ele possa estar gostando de Mu... – Disse como quem não quer nada, ainda achando a idéia absurda.
– Oh, só agora você percebeu isso? – O olhou com um sorriso zombeteiro.
Ikki rolou os olhos.
– Não sou bom observador sabe... – Tentou se justificar.
– Percebe-se. – Disse, ainda sorrindo. Ikki evitava olhá-lo, pois se irritava com aquela pose toda.
Estavam divagando sobre a situação dos amigos enquanto o moreno acompanhava Shaka até sua casa. Depois que Aiolia saiu da praça atrás de Mu, Camus alegou que tinha que ir em casa pegar algumas coisas para dormir na casa de Milo e Shaka disse que tinha que ir embora, assim o moreno se dispôs a acompanhá-lo.
Estavam perdidos em seus pensamentos e nem perceberam que conversaram sem trocas de ofensas nem provocações, apenas uma conversa normal entre amigos. Ambos se tocaram nisso quando pararam de falar e se olharam ao mesmo tempo, um pouco surpresos, na verdade.
– Tínhamos que ter gravado essa conversa, ein? – Zombou Ikki com um sorriso irônico nos lábios.
– Realmente. Nunca pensei que fosse raro eu ter um diálogo normal com alguém, mas com você tudo é possível... – Disse, sem prestar muito atenção em suas palavras.
– Tudo é possível..hãm. – Brincou, e riu quando viu as bochechas de Shaka ficarem vermelhas.
– Aff, estúpido. – Desviou o olhar para o lado oposto do moreno, por pura vergonha de olhá-lo.
Ikki o olhava meio bobo, como que ficaram assim mesmo? Estava estranhamente feliz, até que lembrou-se de uma coisa. Sua cara fechou na hora, voltou a olhar para frente e o loiro estranhou.
– O que foi? – Perguntou curioso.
– Você foi ao bar ontem né... – Comentou sem olhá-lo.
– Fui sim. Por quê? – Até que gostava de ver Ikki irritado com alguma coisa assim...
– Se divertiu? – Perguntou sem conseguir esconder a forma áspera com que disse.
– Sim. – Disse somente, segurando o sorriso bobo.
– Sei. – Sabia que não tinha direito algum de ficar irritado com isso, até porque nem tinham nada sério e não podia dizer que amava o loiro, gostava muito, mas ainda achava que não era a ponto de amá-lo. Mas sentia um ciúme fervoroso, e sinceramente, não gostava de senti-lo.
– Está irritado? – Shaka perguntou.
– Não, porque estaria? – Respondeu com irritação contida na voz.
– Não sei, você fica irritado por qualquer coisa... – Implicou. Ikki bufou.
– Olha Shaka, eu sei que sou explosivo e tudo mais, mas ainda estou confuso com tudo isso e-
– Eu sei, eu sei que é novo para você, e eu sei que você está com ciúme querendo saber se fiquei com alguém lá e que você não pode reclamar, porque sei que você não vai deixar de ser galinha por minha causa. Então você não tem direito de reclamar, é isso que você está pensando não é? – Disse isso totalmente na defensiva, que chegou a ficar com vergonha do que disse. Não precisava expor sua insegurança dessa forma não é? Ah, mas não conseguia mais ficar guardando isso, ele não ficou com ninguém no bar, mas só para não ficar por baixo na situação toda, deixou no ar se ficou ou não.
– É... Não posso negar que possa acontecer de eu ficar com alguém. Até porque não temos nada sério não é? Na verdade, nem sei o que temos...
– É, Ikki, nós não temos nada! – Disse um pouco irritado, mas mais que irritado, estava magoado. Mas é claro que não tinham nada! Foram só uns beijos e nada demais. Começou a andar mais rápido deixando o moreno para trás.
– Ei, calma, espera! – Disse Ikki o segurando pelo pulso, fazendo-o parar. Encararam-se durante uns segundos. – Você tem que entender que não é tão fácil para mim, aceitar que sinto atração por outro homem! Sabe quando achei que isso ia acontecer comigo? Nunca! Olha a vida que levo cara, isso é simplesmente desesperador Shaka! – Seu olhar mostrava o quanto desesperado ele estava com isso. – Mas o que me conforta é que é só para você que olho, só de pensar em beijar outro cara, sinto asco, mas quando me lembro dos nossos beijos não parece ser tão errado assim... – Terminou de falar olhando nos olhos do loiro, que apenas corou violentamente e abaixou o rosto, fitando os próprios pés. Talvez esteja esperando demais do moreno, de um hétero a vida toda e que de repente começou a sentir coisas por si. Talvez devesse entender melhor o lado de Ikki, pois para ele mesmo foi tão fácil se aceitar, já que desde os 11 anos já sabia que era gay. Talvez esteja sendo egoísta e não tentando entender o lado do outro.
Percorreu o olhar dos pés calçados de um tênis batatão da Adidas do moreno, as panturrilhas grossas, a bermuda escura larga, a cueca aparecendo, o abdômen trabalhado, vendo os gominhos, o peitoral, o rosto... Maxilar evidente dando-lhe um ar mais maduro, a boca carnuda, o nariz reto... Os olhos azuis escuros brilhavam intensamente o olhando. Era tão másculo, tão hétero... Como ele foi se interessar por si tendo milhões de garotas aos seus pés? Realmente...
– Desculpe, estou sendo egoísta. – Disse sinceramente, vendo o rosto tenso do outro, suavizar-se.
– Tudo bem... – Se olharam, e perceberam que estavam perdidos. Não podiam mais simplesmente parar com aquilo, se queriam e isso era inevitável. Ikki desviou o olhar um instante para ver se tinha alguém na rua, e tinha. Suspirou decepcionado, queria tanto beijá-lo, tocá-lo sem vergonha, sem ter medo de alguém ver. Viu que aquele relacionamento não o levaria a lugar algum, só o faria ficar frustrado, mas o que fazer se é o que ele queria agora? E quando queria uma coisa, não desistia facilmente.
Parecia que Shaka sabia bem o que o moreno estava pensando e também suspirou. Soltou seu pulso que Ikki estava segurando e voltou a andar.
– Vamos... – Disse baixinho.
– Vamos. – Ajeitou melhor o skate na mão e passou a andar ao lado do loiro. Só mais uns passos e já chegaram à casa de Shaka.
– Bem, então até segunda. – Disse Ikki, já preparado para partir.
– Ikki, ér... – Não sabia bem o que falar, mas sabia que precisava fazer isso. Sem aviso, o puxou pelo braço para dentro de sua casa, fechou o portão e o prensou na parede ao lado do portão do lado de dentro do quintal.
Ikki o olhou surpreso.
– O qu-
Foi cortado, pois Shaka pegou o skate da mão dele e o jogou no chão. Olharam-se por um instante, e o loiro sem hesitação pegou na nuca dele e pressionou seus lábios no do outro.
O moreno estava realmente surpreso, estavam na casa do loiro! E se alguém vir? Mas já que Shaka estava fazendo aquilo, e sabia bem que o loiro só fazia algo depois de pensar antes, então presumiu que estava tudo bem.
O puxou pela cintura para que colassem mais, sentiu seu corpo ficar quente só por aquela aproximação. Abriu os lábios em busca da língua do outro e assim sentiu a cavidade úmida e extremamente macia do loiro. Shaka sentiu-se derreter aos poucos, precisava daquele contato com o moreno, e como precisava. Sentiu suas pernas ficarem moles e agarrou-se mais fortemente nos cabelos no moreno sem machucá-lo. O beijo intensificou-se, estava um pouco urgente como se estivessem esperando por aquilo há dias, semanas. Estava diferente dos outros, era como se agora estivesse mais encaixado, mais perfeito, se completavam. Era isso! Estavam se completando aos poucos, o beijo estava ficando mais quente e o moreno passava a mão por debaixo da blusa do loiro percorrendo toda suas costas. Desceu as mãos para as nádegas redondas e ali apertou com vontade, fazendo o quadril do loiro se arquear de encontro ao membro do moreno, ambos gemeram entre o beijo e fez com que as bocas se separassem minimamente, a fim de tomar fôlego.
Ikki estava inebriado, estava com fogo, e muito excitado.
– Shaka, eu quero você... – Sussurrou entre os lábios avermelhados do outro.
– Hm... Ikki... – Gemeu baixo o nome do outro. Passou as mãos que estavam na nuca do moreno, e foi fazendo um caminho até os músculos dos braços dele. Precisava daquilo também, mas não era hora para isso. Sabia que sua mãe estava em casa...
Ikki pegou o lábio inferior do loiro entre dentes, e o chupou. “Ah, esse moreno é bom mesmo”, pensou Shaka soltando um ofego.
Shaka se afastou dele com certa pressa ao ouvir seu nome ser chamado de dentro da casa pela sua mãe.
– Shaka! Trouxe um amigo novo? É amigo... né? – Ela estava indo à direção dos dois, mas o jeito que ela fez a pergunta não foi irritada nem nada, ela tinha um sorriso malicioso nos lábios, avaliando com seus olhos treinados o corpo de Ikki. Aquilo ali só podia ser hétero.
– É claro mãe! Ele se chama Ikki...– Respondeu Shaka meio desesperado.
– Muito prazer... – Ikki estranhou o jeito que a mãe do loiro disse, mas resolveu deixar para lá.
– Anne! – Apresentou-se e puxou o moreno para dar um beijo na bochecha dele.
Shaka não sabia onde se enfiava, estava morrendo de vergonha!
– Mãe, o Ikki já está indo embora, entã-
– Nada disso! Vamos tomar um café! – Disse a bela mulher de 45 anos, cabelos loiros curtos e os olhos azuis muito claros. Puxou Ikki pela mão o guiando para dentro da casa de classe-média alta.
Ikki estava se divertindo com a cara de Shaka.
– Ah, adoraria um café! – Disse sorrindo, e a mãe de Shaka quase se derreteu. Como era lindo!
O loiro estava puto da vida, vê se pode?
E assim, tomaram café entre conversas e risadas, mas em nenhum momento ela perguntou se ele era o novo namorado do filho. Ainda achava que ele amava Mu e para ela o moreno era um amigo hétero de Shaka, e que não sabia da sexualidade dele.
X
Jogado na cama de Milo, como sempre estava um esparramado Camus sem camisa e morrendo de calor. Não aguentava aquilo, esse tempo. Resolveu levantar e fechar a janela e a porta, para ligar o ar condicionado, depois voltou para a cama aproveitando o ar que estava ficando gelado. Esperava o loiro que foi buscar suco.
Assim que entrou no quarto sentiu um choque percorrer por todo seu corpo por causa da temperatura.
– Porra Camus! Tá frio aqui cara! – Reclamou fechando a porta com o pé e deixando os dois copos de suco de laranja em cima do criado mudo.
– Cala a boca, está muito calor, e assim está ótimo para refrescar. – Disse de olhos fechados.
Assim que sentiu um peso na cama, o ruivo abriu os olhos e encontrou os de Milo. Encararam-se por alguns segundos, e Milo percebeu que tinha uma parede como sempre nos olhos do ruivo. Camus esticou uma mão até a nuca do loiro, e o empurrou para si de encontro a sua boca. O loiro ficou aturdido, mas correspondeu. Camus entreabriu os lábios e buscou a língua do outro, que foi prontamente concedida, começaram o beijo. Mas estava diferente, o ruivo estava urgente, sensual e quase erótico. Milo estava surpreso, parecia que era só luxúria, bem diferente do primeiro beijo que eles trocaram. As coisas estavam esquentando, quando Milo subiu em cima do quadril de Camus, mas o ruivo trocou as posições, ficando em cima do loiro. Simulou um vai e vem por cima da roupa mesmo, o que enlouquecia a ambos, que arfavam, beijaram-se novamente com saliva escorrendo da boca de Milo, que o ruivo lambeu sem hesitar. Tirou a camisa de Milo sem dificuldade e começou a beijar e marcar o pescoço do loiro, que arfou. Desceu a trilha de saliva até os mamilos, onde sugou, chupou e mordiscou, Milo gemia. Desceu mais e abriu o botão e o zíper, puxando calça e cueca para baixo ao mesmo tempo. O loiro estava muito surpreso, mas quem era ela para falar alguma coisa? Estava muito excitado, ver Camus agora pegando seu membro em mãos e lambendo toda a extensão... Poderia gozar agora mesmo, mas não teria graça.
Com sua experiência, arrancava gemidos e suspiros de Milo, que mal acreditava no que estava acontecendo, estava inebriado com a boca de Camus em seu falo pulsante. De olhos fechados e a cabeça tombada para trás, sua respiração era ofegante e temia gozar a qualquer momento, então resolveu puxar Camus suavemente pelos cabelos. Já rodou em muitas camas, muitas garotas já fizeram sexo oral em si, mas nenhum foi tão intenso como esse. Sentia-se derreter, sua face estava corada e agora olhava nos olhos do ruivo, o que se arrependeu de fazer. Estavam impassíveis, gelados... Indiferentes. Mesmo assim, o prazer que dominava seu corpo era o suficiente para não parar com que estavam fazendo, apenas para perguntar-lhe o porquê daquela expressão enquanto faziam amor.
Camus terminou de tirar a calça de Milo e a sua, com uma rapidez impressionante, foi até a sua mochila e pegou lubrificante e camisinha. “Estava preparado né...” Pensou Milo, mas resolveu ficar quieto. O ruivo voltou para cama e se posicionou entre as pernas do loiro, as colocando em seus ombros.
Milo sabia que seria o passivo, não tinha experiência com homem e se fosse se entregar para algum, com toda a certeza Camus seria o único. Estava com medo, mas ao mesmo tempo sabia que com ele estaria tudo bem, ele o passava segurança. Só que tinha alguma coisa estranha, estava estranho. Parecia que Camus estava no automático, na verdade, parecia um robô. Sem emoção. Milo estava até com medo de falar algo, parecia que qualquer coisa que fosse dita, acordaria o ruivo daquele transe.
Camus passou lubrificante nos dedos e com cuidado, introduziu um em Milo, que sentiu-se incomodado, soltando um gemido sofrido. Agarrava o lençol da cama com força, pois agora doeu mais um pouco quando o ruivo introduziu mais um. Camus esperou o loiro se acostumar e ficou parado com os dedos. Quando viu que ele relaxou, começou um vai e vem devagar. O ruivo prestava muita atenção em todas as expressões do loiro, a última coisa que queria era machucá-lo, seria cuidadoso, pelo menos nisso...
Milo relaxou, e a dor quase não mais existia, sentia um prazer diferente naquilo, era estranho, mas bom. Já com três dedos, não sentia mais tanta dor, vendo isso, Camus colocou a camisinha e passou mais lubrificante em seu membro. Inclinou seu corpo para frente, ficando com o rosto bem próximo do loiro, onde começou um beijo cálido. Milo se sentiu mais confiante depois dessa demonstração de carinho do ruivo, rondou o pescoço de Camus com seus braços fazendo-o um carinho nos cabelos enquanto sentia o membro de Camus o adentrando. Arfou fortemente, sentindo uma dor muito maior do que com os dedos, doía, doía... Separou os lábios para ofegar.
– Relaxa, vai passar, a dor vai passar... – Sussurrou ao pé do ouvido do loiro.
– Hm... Camyu... – Chamou-lhe pelo apelido, o que fez o ruivo dar um breve sorriso.
Sentiu os anéis o aceitarem, e foi entrando lentamente sentindo mais facilidade agora. Estocou de leve, saindo pouco até o loiro se acostumar totalmente. Não demorou em isso acontecer, logo estavam em uma dança frenética. Finalmente Milo entendeu porque sexo anal era tão bom, sentiu uma corrente elétrica por todo seu corpo quando Camus atingiu-lhe em um lugar específico, aquilo era magnífico!
– Mais Cam- , forte! – Gemia ensandecidamente, e Camus estava adorando aquela entrega toda.
Fizeram em várias e várias posições, e ambos viram e vivenciaram como eram fogosos na cama. Viram-se amantes sem limites do prazer, gozaram diversas vezes e foi a transa mais gostosa que ambos tiveram.
Assim que não aguentavam mais deitaram lado a lado, ofegantes, suados e melados. Milo estava com muita vontade de deixar no peito de Camus, mas este não parecia muito interessado nisso, já que se levantou e foi tomar banho, sem trocarem uma palavra.
“Calma Milo, calma. É o jeito de Camus, de repente ele é assim mesmo, não gosta de conversar depois do sexo...” Tentava acreditar nisso. Ficou jogado ali na cama enquanto esperava o ruivo voltar. Tentou levantar, mas uma fisgada muito forte o fez ficar deitado mesmo.
“Pronto, não vou poder andar por uma semana! Quem mandou querer fazer todas as posições de uma vez?” Conversava consigo mesmo. Estava muito feliz, mas não completo. Queria mais do que sexo, muito mais...
Camus voltou com uma toalha enrolada na cintura, logo botando suas roupas. Milo não estava mais aguentando aquele silêncio.
– Não vamos conversar? – Perguntou hesitante. Estava deitado de lado, olhando para Camus que vestia a calça agora.
– Sobre? – Indagou sem olhá-lo.
– Nós... – Saiu como um sussurro.
– Não temos o que conversar sobre isso. Não era isso que você queria?
– Isso o que? – Estava temendo o que estava por vir.
– Sexo. – Disse simplesmente, terminando de botar a camisa.
Sentiu uma pontada no peito quando ouviu isso. Levantou-se pouco se fodendo para dor. Colocou a cueca rapidamente e parou de frente para Camus.
– Você tá de sacanagem né? – Estava furioso. Como, depois de tudo, ele vem falar que Milo só queria sexo?
– Não. – O olhava seriamente.
– Eu amo você, Camus, há anos! Não venha me dizer que você não sabe disso! – Declarou seus sentimentos com raiva na voz. Faltava pouco para ficar desesperado.
– Sinto muito Milo, mas além da minha amizade, só poderei lhe dar sexo. – Disse friamente, sem emoção, ou qualquer resquício de sentimentos. Milo estava aos poucos se quebrando por dentro.
– Não foi o que eu vi nos seus olhos daquela vez! – Disse um pouco mais alto, seus olhos ardiam, seu choro estava preso na garganta, fazendo-a doer.
– Você viu coisas que não existem Milo! Será que você não pode apenas aceitar que pode ser rejeitado uma vez na vida? Será que não pode aceitar que você não tem tudo o que quer? – Disse com raiva, irritação e mágoa. Mas sentia seu peito corroer vendo lágrimas querendo sair daqueles olhos azuis...
– Não é nada disso! Eu o amo de verdade, não me importo com os outros... Camus... – Agora já não poderia mais segurar as lágrimas, as palavras de Camus o cortavam por dentro.
– Não vou repetir. – Falou aparentemente indiferente. Se Milo estivesse normal, perceberia nos olhos do ruivo, algo diferente.
– Você não pode fazer isso comigo... – Abriu os olhos, suas sobrancelhas juntas numa mistura de descrença e dor.
– Você pode escolher Milo, quer ser casual ou fingir que nada disso aconteceu e voltar a ser como éramos antes? – Indagou. Milo sentiu aquela frase ecoar dentro de si, isso não podia estar acontecendo. Voltou a fechar os olhos para não se humilhar mais... Camus olhava o loiro que estava de olhos fechados chorando, os cachos armados, e o couro cabeludo um pouco úmido, por conta do suor. Mesmo assim, continuava lindo como sempre foi...
– Vai embora... – Sussurrou.
E foi o que fez, sem dizer “tchau”, nem nada, pegou sua mochila e saiu dali a passos rápidos com o coração apertado. “Era preciso, foi preciso...” Pensou Camus.
Na mesma hora que ouviu sua porta ser fechada, caiu no chão e chorou, chorou muito. Como nunca tinha chorado antes, queria até o colo da sua mãe agora, estava frágil. Nunca pensou que iria passar por isso, estava machucado. Nunca pensou que ser rejeitado doía tanto... Porque nunca tinha sido rejeitado antes.
X
Chegou em casa, e largou o skate em qualquer lugar. Andou vagarosamente até a sala, onde sabia que seus pais estavam. Chegando lá, engoliu em seco e parou de frente a eles.
– O que foi, meu filho? – Perguntou dona Sara, mãe de Aiolia. O pai, Alexandre apenas o fitou. Estavam ambos sentados no sofá vendo TV.
– Eu não quero me mudar.
Notas finais
Muito obrigada a todos que leem, que comentam ou não. O importante é que estejam gostando e se divertindo!
Até o próximo - que espero não demorar muito -, e um enoooooooorme beijo! *o*
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