Implicância Romântica
6 ...cumplicidade?
Notas iniciais
Ah é, se tiver algum erro, por favor, me desculpem! Mas se estiver gritante, me avisem! ;*
– O que?! – Perguntou surpreso.
– O que vim fazer aqui, oras. Está muito calor, vou ligar o ar tá? – Andou até o ar condicionado e o ligou. Fechou a porta e a janela e voltou-se para Milo.
– Ah não Camie, não quero agora... – Suspirou.
– Você não tem escolha, vamos!
Sentou-se na cama a contra gosto.
– Podemos deixar isso para depois... – Fez uma careta, estava morrendo de preguiça.
– Você quer ficar para trás é?! Tudo bem que ainda faltam cinco meses para o vestibular, mas precisamos estudar desde agora. – Sentou-se ao lado de Milo. Falava com toda calma e paciência.
– Você né, que quer Medicina... – Murmurou.
– Não é porque meu curso é mais difícil de entrar que você tem que estudar menos que eu.
– Já disse que passo fácil em Sociologia, nem preciso estudar tanto assim! – Franziu o cenho.
– Você vai fazer Publicidade! Milo, você disse que queria Publicidade, e esse curso não é tão fácil de passar assim. Você é um fraco, só está mudando de opção para não estudar. – Cruzou os braços e o olhou sério. Milo era inteligente, mas sua preguiça falava mais alto, e Camus tentava ao máximo mudar isso nele.
– Ahhh... Isso é tão complicado. Eu não quero estudar... Ainda estamos em fevereiro Camie! Relaxa ai vai... – Se jogou na cama se encolhendo todo em posição fetal.
– Não posso, tenho que estudar e você vai fazer o mesmo. – Ditou, puxou Milo fazendo-o cair da cama.
– Porra Camus! – Xingou mas ficou no chão mesmo. Camus conteve uma risada e sentou de frente para um loiro jogado no chão.
– Vamos ligar para o Shaka então, tenho certeza que ele te convence rapidinho. – Um sorriso maldoso bailou nos lábios do ruivo.
– Ah não! Shaka é muito chato com negócio de estudo, nunca vi! Acho que é pior que você... – Falou irritado. Sabia que Shaka sempre quer ajudar, mas era muito chato, tentava convencer todo mundo a fazer vestibular. Todos eles estudavam juntos há muito tempo naquele colégio. Eram amigos e Shaka pegava no pé de Milo assim como Camus.
– Certo, então... – Levantou-se e foi até sua mochila pegando seu celular de última geração. Procurou o número de Shaka na lista e ligou enquanto Milo praguejava para ele não chamar o loiro.
Shaka nesse momento estava levantando-se do chão sujo daquele beco, recompondo-se. Ainda estava muito nervoso, meio perdido na verdade. Depois que deu conta de onde estava sentado, quase teve vontade de vomitar.
– Não acredito que eu tava sentado nesse monte de bosta! Olha o que aquele idiota faz comigo! Está vendo?! – Falava para as paredes.
Saiu do beco desnorteado, e voltou a andar para sua casa. Na metade do terceiro quarteirão seu celular tocou. Viu que era Camus e atendeu.
– Oi...
– Está ocupado?
– Mais ou menos, estou chegando em casa agora...
– Agora? – Fez uma pausa. – Está tudo bem?
– Ah, é, sim! – Falou afobado. Não queria conversar com ninguém naquele momento, só ir para casa.
– Sei, então... Quer vir estudar na casa de Milo? – Estranhou completamente o comportamento de Shaka, mas preferiu não falar nada.
– Eu realmente iria, mas no momento só preciso chegar em casa e descansar. Desculpa Camus... Milo está de preguiça de novo?
– Tudo bem. É, ele está daquele jeito de sempre. – Olhou de lado para Milo que estava praticamente desmaiado de sono no chão. Bufou.
Shaka riu de leve.
– Pode deixar que amanhã converso com ele.
– Está em suas mãos. Vou desligar agora... Abraço Shaka.
– Até amanhã! – Os dois desligaram e Shaka já estava na porta de casa.
Era sempre assim, Milo com sua irresponsabilidade nos estudos e Camus tentando o impossível que era ajudá-lo. Riu ao pensar nisso. Lembrava-se dos dois sempre juntos, inseparáveis na verdade. Shaka era amigo dos dois, mas não aquela amizade intensa que eles tinham entre si. O loiro pensava que o que eles tinham era único, não podia comparar com o que tinha com Mu, porque era uma amizade estranha apesar de tudo. Enfim, não se importava com isso de qualquer forma. Resolveu que após tomar banho iria estudar, o vestibular estava longe, mas ainda nem sabia o que queria fazer da vida.
(...)
No dia seguinte Shaka chegou cedo à escola e a primeira coisa que seus olhos buscaram foi Ikki, mas ele não tinha chegado ainda. Suspirou e foi para sua sala.
Encontrou um Milo morto sobre a cadeira e Camus lendo um livro qualquer. Chegou à conclusão de que o ruivo obrigou Milo a estudar até tarde, riu por dentro. Sentou-se ao lado de Mu que estava com a cabeça abaixada.
– Bom dia Mu. – Colocou sua mochila em cima da mesa.
Mu levantou a cabeça e o olhou. Seus olhos estavam inchados e avermelhados. Sua expressão era triste também, mas mesmo assim forçou um sorriso fraco.
– Bom dia Shaka...
– Ei, o que houve? – Perguntou preocupado sentando-se, mas virando todo seu corpo em direção a Mu.
– Nada que seja novidade. – Apoiou a cabeça na mão.
– Ah Mu...Queria tanto fazer algo por você. – Pegou na mão dele e acariciou o olhando ternamente. Mu recolheu a mão lentamente.
– Não faça isso aqui Shaka! – Falou baixo.
– Ah, é...Desculpa. – Torceu os lábios.
– E você? O que está acontecendo?
– Eu? Como assim? – Perguntou surpreso.
– Você está estranho ultimamente.
– Ah, impressão sua! – Sorriu. Nessa hora Camus chegou perto empurrando Milo para sentá-lo de frente à Shaka. Ainda faltavam uns 10 minutos para as aulas começarem, então o ruivo já passou o “encosto” para outro.
– Todo seu. – Falou e voltou ao seu lugar continuando sua leitura tranquilamente.
Milo bocejava.
– Bom dia Shakinha, Muzinho... – Esfregou os olhos.
– Nossa, você está péssimo. – Mu falou fazendo uma careta.
– Você não está muito diferente. – Sorriu charmoso. Antes que a conversa prolongasse, Shaka pronunciou-se.
– Olha Milo, você tem que tomar juízo! Até quando vai fazer Camus se preocupar com você assim? Depois vai ficar para trás, enquanto seus amigos estudam em boas faculdades e você trabalhando em um balcão de supermercado. E então depois de alguns anos, seremos bem sucedidos enquanto você mora em um muquifo com três filhos para sustentar, sua mulher que antes de você engravidar a pobre coitada, era linda, será gorda e dona de casa. Quer isso para seu futuro por acaso?! – O olhou inquisidor.
Milo chegou a suspirar quando Shaka parou de falar. Era exagero sabia, mas Mu estava gargalhando, era sempre assim! Milo ficou sem saber o que falar, sempre ficava. Os sermões de Shaka eram certeiros.
– Tudo bem, prometo me esforçar mais. – Disse firme.
– Que bom Milo, fico feliz que eu tenha ajudado! – Sorriu.
Milo e Mu se entreolharam e por seus olhares se entenderam muito bem. “Ajudado” Shaka diz.
Milo olhou para Shaka por um tempo, o observando conversar com o “papel crepom”. Viu nele um ótimo amigo, mesmo que eles não tinham costume de sair juntos sabia que podia contar com ele.
– Shaka, depois você pode me ajudar em umas matérias lá em casa? Mu se quiser pode ir junto. – Falou sério.
– Claro, ajudarei no que for possível. – Shaka disse animado por ver que seu amigo estava empenhado.
– Quando será? – Perguntou Mu.
– Pode ser hoje mesmo. Amanha é sexta, então nem quero ver livro na minha frente!
– Por mim tudo bem. – Disse Shaka.
– Ah, desculpe, tenho Inglês hoje à tarde!
– Ah... – Os dois loiros disseram ao mesmo tempo.
– Tudo bem, estudem sem mim, depois marcamos outro dia. – Sorriu.
– Beleza então. Shaka, depois da escola vamos direto pra lá! – Disse voltando para sua mesa.
– Ok.
Aiolia estava entrando na sala nesse instante, mas Saga o parou.
– Aiolia, tem um minuto antes da aula? – Perguntou Saga já o levando um pouco longe da sala. Era seu horário agora na turma do bronzeado.
– O que foi Saga? – Perguntou impaciente.
– Pode entregar isso para o seu irmão? – Abriu sua mochila de lado, e tirou dela uma camisa. Estendeu à Aiolia que a pegou.
– Porque você não vai lá em casa entregar essas coisas para ele?! – Perguntou contrariado botando a blusa na mochila.
– É mais fácil dar para você entregar a ele não é? E você sabe que sua mãe não gosta de mim.
– Tá, tá. Alias, porque ele sempre esquece alguma peça de roupa na sua casa? – Desconfiou.
– Ah, não sei, sabe o quanto seu irmão é esquecido né. – Riu nervoso, coçando a cabeça.
– Sei, isso está muito estranho. – Disse cruzando os braços e analisando Saga.
– Não há nada de estranho moleque, venha, vamos para sala. – Disse recompondo sua postura de professor e voltou para sala sendo seguido por Aiolia que estava extremamente desconfiado.
Aiolos e Saga começaram um relacionamento na faculdade e escondem isso de todos, menos dos amigos mais próximos. Acontece que isso nunca passou pela cabeça de Aiolia, mas agora não sabe por que, ficou mais esperto aos sinais em sua volta. Pensou se era porque Mu disse que era gay, o que o fez pensar em todos ao seu redor. Mas procurou deixar isso de lado. Se fosse isso mesmo, os dois escondiam muito bem, ou ele era realmente tapado. E também seu irmão?! Onde esse mundo vai parar?! Pensou.
Estava no terceiro tempo, último antes do intervalo quando Shaka pediu para ir ao banheiro. Permissão concedida saiu de sala.
Não tinha ninguém no pátio por ainda estar em horário de aula. Shaka foi ao banheiro e na volta avistou uma figura muito bem conhecida, sentado em um dos bancos do pátio. Achou estranho ele estar ali de bobeira daquele jeito naquele horário, então chegou perto vencendo toda vergonha e orgulho. Não eram mais crianças para ficarem se evitando, então procurou achar que Ikki era maduro à altura.
– O que você está fazendo ai? – Parou de frente para Ikki, que o olhou surpreso.
– Ah, fui expulso de sala. – Disse e baixou o olhar. Sua face esquentou, estava muito envergonhado por ontem e nem um pouco preparado para encarar Shaka.
– O que fez dessa vez? – Cruzou os braços, mas falou calmo.
– Dei um fora muito bem dado em Pandora, aquela vadia. – Falou já se irritando por lembrar-se do episódio na sala de aula.
Shaka riu do jeito de Ikki, sempre se irritava por nada. Mas não achou ruim a atitude do moreno, Pandora bem que merecia uns foras mesmo. Só que como é um aluno modelo, deixava para os errados como Ikki fazer esse tipo de coisa.
Seus olhos se encontraram, e tudo em volta deixou de existir. Era quase palpável o magnetismo. Um procurava nos olhos do outro, respostas para suas perguntas. Ikki já não sabia mais o que fazia, ou o que devia fazer. Parecia que seu corpo estava sempre no comando quando estava perto de Shaka, deixava de pensar. Nunca passou por isso, então estava cada vez mais perdido, apenas deixando-se levar. Shaka por sua vez, pensou que tudo começou por uma simples provocação e agora as coisas mudaram bruscamente. Falavam-se como pessoas civilizadas e até se perdiam nos olhos um do outro. O loiro voltou a si piscando aqueles olhos que eram iguais a um mar.
– Bem, até depois. – Disse, girando o corpo para começar a andar, mas foi impedido por Ikki segurando seu pulso.
– Shaka... – O chamou, mas na realidade nem sabia se tinha algo para falar.
Shaka suspirou. Era o momento de falar sobre ontem, não podia fugir apesar de tudo. Sentou-se ao lado do moreno, mas com considerável distância.
– Olha Ikki, eu sei que você está confuso com tudo isso. – Falou olhando para frente, evitando o olhar do outro ao seu lado.
– Ah, e você não?
– Estou, é claro.
– Mas do jeito que disse, deu a entender que você já esta acostumado a isso. – Franziu o cenho.
– Não entenda errado Ikki, ok? – O olhou nos olhos.
– Shaka, você já ficou com outros caras por acaso?
– Isso não importa.
– Mas é claro que importa! – Falou irritado.
– Não importa e pronto Ikki! Que coisa.
Bufou e não respondeu. Voltou seu olhar para um ponto qualquer, só de pensar no loiro com qualquer outra pessoa, sentia seu sangue ferver.
– Fala Shaka! Quero saber se você já ficou com homem, ou se está ficando com um agora!
– Quer calar a boca?! Já disse que isso não te interessa! – Ficou irritado.
– Porque não pode falar?! Qual é o problema?
– Ikki, nós não temos nada, não tem porque eu te contar dos meus relacionamentos.
– Não temos nada?! Você vem e bagunça toda minha vida, não sei mais o que pensar e nem como agir! Você tem total responsabilidade sobre isso! – Pensou melhor no que falou, estava parecendo uma menininha virgem que foi traída. Suspirou e olhou Shaka, ele estava concentrado, parecia pensar em algo.
– Olha Ikki, não pense que eu planejei arruinar sua heterossexualidade ok?! Aceite que simplesmente aconteceu! – Levantou-se.
– Não é tão fácil assim. – Seus olhos demonstravam sua confusão interna, e Shaka culpou-se por isso, mas na realidade não tinha culpa de nada. Ambos estavam perdidos nisso.
– Desculpe. – Falou condoído.
Shaka parou novamente de frente para Ikki, e este o olhou. Estava lindo como sempre, era muita tentação, jogou toda sua confusão de lado e também se levantou ficando em pé de frente para o loiro. Levou uma das mãos no rosto de Shaka, arrastando-a até a nuca, o puxou e seus lábios se encontraram. Shaka simplesmente não conseguia fugir ou esquivar, ficara entregue como na ultima vez. Mas o beijo não passou de um leve celinho, pois Ikki percebeu onde estava. Quase teve um ataque quando viu que estava no pátio, sorte que não tinha ninguém.
Shaka entendeu o porquê da cara branca de Ikki e se afastou.
– Acho melhor eu ir. Já estou demorando demais.
– Tá. – Falou somente se jogando no banco, olharam-se mais uma vez, e Shaka foi para sua sala.
O que era isso? O que tinham afinal? Ambos pensavam nisso. Ikki estava cada vez mais acreditando que sentia algo pelo loiro, porque não sentia atração por outros homens, só por ele. Se não sentia isso por outros, então porque só por ele?! Porque sentia vontade de tocá-lo, segurá-lo em seus braços e protegê-lo?! Era muito diferente de tudo que passou em sua vida. Talvez isso significasse que estava ficando apaixonado, mas descartou essa ideia, era absurda demais.
Shaka não estava acreditando que estava se envolvendo assim com seu, desde sempre, “inimigo”. E pensar que há alguns meses Ikki fazia questão de irritá-lo em qualquer oportunidade. Nunca pensou que tudo isso fosse paixão reprimida, riu, pois ele mesmo que despertou isso no moreno. Não sabia o que realmente sentia em relação a ele, mas sabia que sentia algo intenso, talvez uma atração muito forte. Só que estava preocupado de Ikki se envolver demais, pois ele mesmo não conseguia se envolver assim. Apesar de ser muito difícil despertar tais sentimentos no loiro, nem mesmo Mu conseguiu. É, “conseguiu”, porque do jeito que as coisas vão, não acreditava que ia rolar mais alguma coisa entre eles.
Depois do intervalo era aula de Ed.Física, os 3ºs anos de juntavam e realmente virava uma multidão. Afinal, eram quatro turmas de 3º ano. Todos conversavam antes da aula começar, Mu conversava animadamente com Shura do 3º A. Já tiveram um caso rápido no ano passado. Só algumas transas e nada a mais, mas ficaram bons amigos.
– Mas deixando estudo de lado, como anda a vida? Tem ido lá ao bar? – Shura se referia ao bar gay mais frequentado da região.
– Não, por enquanto estou evitando sair, estou mais focado nos estudos mesmo. E você?
– Eu vou sempre que dá, tem um povo novo por lá agora, tem que ver. Vamos no sábado? Tem que se distrair um pouco, ficar enfurnado em casa não vai te ajudar em nada. – Shura sorriu sedutor, e Mu revirou os olhos.
– Nem vem com essa cara Shura! – Riu de leve.
– Ah vai dizer que não sente falta? – O olhou ternamente, levou uma das mãos até o rosto de Mu e o acariciou, Mu fechou os olhos aproveitando o carinho.
Do outro lado da quadra, Aiolia observava tudo. Estava nervoso por pensar que Shura podia ser um dos caras que Mu provavelmente ficava. Estavam muito perto. Acreditou que seu instinto protetor acionou, agora mais que nunca queria saber quem Mu já ficou ou estava ficando. Pensando nisso, aproximou-se dos dois, puxando Mu de leve interrompendo o carinho que Shura fazia nele.
– Quero falar com você. – Estava irritado, mas sua voz era calma.
– Espera Aiolia, estou conversando. – Olhou de Aiolia para Shura.
– Agora! – Falou autoritário.
– Ei, Aiolia, não está vendo que está atrapalhando?! – Shura perguntou ficando puto com o comportamento do bronzeado.
– Não interessa, já disse que quero falar com ele agora! Não se intrometa. – Falou sério fuzilando Shura. Este sorriu de lado.
– Ah, já entendi! Porque não me disse Mu? Esse é seu mais novo ficante?! É, por essa eu não esperava. – Falou cruzando os braços ainda com o sorriso nos lábios.
Mu arregalou os olhos com o que Shura falou, então evitando o pior, falou.
– Não Shura, Aiolia é só meu amigo. Então sábado eu te ligo. – Sorriu e foi arrastando Aiolia para um canto da quadra.
– Aiolia, o que foi isso? Endoidou? – Perguntou nervoso.
– Eu que pergunto o que foi isso! Você marcou o que com ele no sábado?
– Ah, vamos sair para beber só isso. – Falou calmamente, já estava acostumado com as crises de Aiolia, ele sempre foi assim com todo mundo. Ciumento até o limite, deve ser de signo.
– Só isso?! Mu me fala, e me fala a verdade. Você está ficando com ele?
– Aiolia! É claro que não! – Irritou-se.
– Não pareceu que não.
– Olha Aiolia, eu entendo seu ciúme de amigo, mas não vou tolerar você se metendo nos meus relacionamentos. Tudo bem? – Falou sereno como sempre. Aiolia sentiu mais raiva ainda.
– Depois conversaremos sobre isso. Quero realmente conversar com você.
– Está bem... – Disse se afastando.
Aiolia o seguiu com os olhos, e sentiu seu coração apertar com a indiferença dele. Queria saber tudo sobre ele, tudo mesmo. Acreditava cegamente que era instinto protetor. Acreditava ou queria acreditar?! Deixou esse pensamento de lado e procurou o que fazer até a aula começar.
As aulas passaram voando, e logo o sinal da saída tocou. Esse dia os horários do 3º e 2º ano eram diferentes, então Shaka e Ikki não se encontraram.
– Vamos Shaka? – Disse Milo.
– Vamos! – Falou o loiro e logo depois se despediu de Mu e Aiolia.
Milo foi andando na frente, e Shaka o alcançou.
– Ué, Camus não vai?
– Não, ele disse que hoje sou sua total responsabilidade. – Suspirou.
Shaka riu.
–Ah, só Camus mesmo...
Durante o caminho conversavam amenidades. Chegaram à casa de Milo e foram para o quarto. Shaka sentou-se na mesinha e espalhou os livros sobre ela.
– Você quer comer agora? Só tem miojo!
– Ah não, depois comemos, primeiro vamos estudar a matéria de hoje de Matemática. Vem, senta aqui! – Bateu no espaço vazio no chão, o chamando pra sentar ao seu lado.
– Ah, Shaka...Claro, estudar, mas antes eu queria conversar com você uma coisa muito séria. – Disse sério e Shaka estranhou, nunca vira o outro tão sério assim.
– Claro Milo, o que foi? – O outro loiro sentou-se no lugar onde Shaka indicou e o olhou penetrante. Ficou em silêncio por um instante.
– Fala Milo, está me deixando curioso. – Ergueu uma sobrancelha.
– Então... É que eu estou apaixonado. – Desviou o olhar.
Shaka revirou os olhos.
– Milo, isso não é novidade né, quem é a garota dessa vez? – Falou com tédio.
– Esse é o problema... Não é uma garota. – Falou quase sussurrando.
Shaka levantou-se na hora de supetão.
– O QUE? – Estava mais do que surpreso! Estava boquiaberto!
– É isso mesmo que você ouviu. Mas por favor, não me julgue! Eu sei que isso é estranho, mas você é a pessoa que eu mais confio para falar isso! – Falou desesperado.
– Perai! Um minuto! Se você não contou para Camus...– Começou a ligar as coisas.Os momentos, tudo que os dois passaram juntos.– Você gosta do Camus! Milo, não acredito! – Voltou a se sentar.
– Como você sabe?! – O olhou surpreso pela perspicácia.
Shaka recuperou a tranquilidade e o olhou.
– Milo, não vou te julgar, eu só que... Fiquei realmente surpreso. – Deu ênfase no “realmente” – O cara mais galinha da escola, gostando do melhor amigo? Aonde esse mundo vai parar?! – Riu. Pensou em Ikki, e agora Milo... Ele estava inconsolável, sua expressão de “e agora?” estava memorável, nunca Shaka o viu nesse estado.
– Eu sei, deve ser muito estranho mesmo...
– Mas então, o fato de você ser tão galinha é para fugir desse sentimento por Camus... – Falou mais para si mesmo, chegando a essa conclusão. Não sabia que quando fez essa pergunta no outro dia ia afetar Milo, e ainda fez na frente do ruivo. Que mancada.
– É, mais ou menos isso... Eu só precisava contar para alguém sabe.
– Eu entendo meu amigo. – Sorriu reconfortante que foi automaticamente correspondido. Era impossível não retribuir ao sorriso de Shaka. O loiro pousou a mão em cima da de Milo e falou sério. – Pode contar comigo, acredito que só falta Camus abrir os olhos, pois está perdendo muita coisa não percebendo o seu amor.
Era tudo que Milo precisava ouvir para não perder as esperanças. Sorriu abertamente.
– Obrigado Shaka, não sabe o quanto falar tirou um peso das costas. Agora vamos estudar! – Disse estonteante, estava revigorado agora.
– Assim que eu gosto! – Riu e começou a explicar a complexa matemática.
E assim estudaram até cansarem. Milo achou melhor esconder o fato de Camus ser gay, afinal, estava desabafando sobre seu amor pelo ruivo e não sobre a vida dele. Se Shaka soubesse disso que fosse pela boca de Camus.
Notas finais
Bem, comentem o que gostaram e o que não gostaram, o que esperam.. tudo isso ajuda muito na construção da história!
Muito obrigada a todos! *-*
Até o próximo, e um biig beijo! o/
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