Notas iniciais
Olááá! Eu seii, demorei muito mesmo. Um mês sem postar nada.. nossa. O que aconteceu foi que tive um grande desanimo, mas agora voltei com tudo. E com muito mais. O capítulo está enorme, bem maior do que o que costumo postar, e espero que gostem! *-*

O dia estava muito agradável, pouquíssimas nuvens no céu e o calor estaria incomodando se não fosse a leve brisa. Naquela tarde em uma das praças cheias de árvores e pessoas passeando, em um banco de madeira de baixo de uma árvore estavam dois amigos conversando normalmente.

– Já decidiu o que vai fazer da vida? – Perguntou o menino de longas madeixas lavandas. Olhava distraidamente para as pessoas que ali caminhavam, mas sem tirar a atenção do amigo loiro ao seu lado.

Shaka suspirou. Ainda um pouco hesitante, mas sabia que essa era a melhor opção.

– Direito. – Disse sem olhar para o amigo, também olhava para as pessoas, ou talvez, para algum ponto qualquer.

– Hm... Então, vamos ter que estudar muito. Posso dizer que não vamos mais ter vida social? – Debochou.

– Da minha parte sim, e da sua? Ainda não me disse para o que vai fazer. Aliás, porque fez tanto suspense? – Olhou para Mu com fingida indignação, este apenas sorriu de lado.

– Medicina. – Agora se pôs a olhar o loiro que o olhava divertido.

– Sem vida social então. – Jogou os braços para cima como se “comemorasse” e o outro apenas riu acompanhando-o com o movimento.

De repente vem um furacão moreno com a camisa pendurada na cintura, freando o skate bem aos pés dos dois sentados que instintivamente pararam de rir e recolheram os pés a fim de não serem atingidos.

– Ikki! Seu imbecil! – Reclamou Shaka enquanto o moreno só ria da cara deles, ouvindo Mu murmurar um “idiota”. O loiro olhou de esguelha para aquele corpo bem trabalhado evidenciando os quadradinhos do abdômen, os braços fortes, a bermuda preta jeans um pouco larga mostrava a barra na boxer branca e as entradas que marcavam a virilha... Soltou um suspiro e olhou para qualquer ponto. Aquele moreno era demais para seus olhos, mas claro, não se cansava de olhar. O moreno se divertia com o olhar guloso do outro, adorava se mostrar e isso para ele era uma massagem no ego ainda mais vindo daquele loiro que o enlouquecia. Logo depois Milo e Aiolia chegaram segurando os skates em mãos.

– Eai, meninas! – Disse Milo com um sorriso de orelha à orelha, estava ofegante e suado.

– Meninas é o caral-

– É feio meninas bonitas falarem palavrão! – Zombou Aiolia cortando Mu, no momento já estava bem melhor por ter desabafado com os amigos.

Mu fez pose de ataque desafiando Aiolia.

– Vem aqui ver quem é menina! – Desafiou franzindo o cenho. Ah, quando Mu ficava nervoso é melhor sair de perto.

– Tá certo, parei, parei! – Disse jogando o skate do chão e levantando as mãos para o alto fingindo inocência com a maior cara de cínico, o que o deixava cada vez mais atraente.

– Porque vocês não crescem? – Do nada aparece um ruivo saindo das árvores ajeitando os óculos.

– Sério cara, da onde você veio? – Perguntou Aiolia perplexo.

Milo sentiu um frio subir na sua barriga e parar no peito que quase teve vontade de vomitar de tantas sensações que sentiu assim que ouviu a voz do ruivo. Aturdido, chegou a piscar os olhos, nunca em sua pouca vida se sentiu assim por alguém. E é claro que estava assim só por causa de um beijo, antes disso não ficava tão nervoso. Mas foi aí que pensou: O que fazer agora? Será que o ruivo chegou a alguma conclusão? É melhor tratá-lo como se nada tivesse acontecido ou... Não, mas tratá-lo assim não seria bom. Ele vai achar que para Milo não passou de uma diversão. Há essa hora, os olhos de Milo estavam perdidos em algum ponto sem expressão alguma, mas por dentro milhões e milhões de pensamentos o invadiam. Até esqueceu por um momento onde estava e que Camus estava ali do seu lado. Aliás, ele estava literamente do seu lado o cutucando e-

– Milo, se você não me responder agora eu vou perder a paciência. – Disse calmamente o olhando nos olhos e como se saísse de um transe, a primeira coisa que viu foram os olhos castanhos avermelhados do outro e o sangue concentrou-se todo em suas bochechas e por um momento não soube o que falar, mas logo se recompôs pensando: “É só o Camus, oras!” Mal podia ouvir as risadinhas de Aiolia e Ikki no fundo e também fazia questão de ignorar aqueles imbecis.

– Foi mal, tava viajando, fala ai. – Falou todo pomposo e despreocupado como se a presença de Camus não o afetasse em nada. Isso acontece instintivamente, quando se sente ameaçado bota em prática sua proteção indiferente. O ruivo revirou os olhos, como se não conhecesse aquele jeito de Milo, aquele ali não o enganava!

Subitamente Camus parou antes de dizer qualquer coisa. Sentiu que não era o momento e nem a hora certa para conversarem. Normalmente era sincero e quase nunca receoso com seus sentimentos, mas sentiu-se hesitar e pensando logicamente, não era bom falar quando não tinha certeza do que dizer. Por fim, preferiu mudar o que ia proferir.

– Dormirei em sua casa hoje. – Disse somente e sem esperar resposta do outro, se afastou em direção aos outros amigos. Milo ficou um tomate, só de imaginar Camus em sua casa. Mas não era de vergonha, e sim de ansiedade, na sua cabeça girava todos os pensamentos mais eróticos. Mas é claro que depois caiu a ficha de que o ruivo só queria manter a amizade como sempre foi e estar agindo normalmente com ele, era prova disso. Bateu uma forte preocupação em seu peito só que ao mesmo tempo uma súbita determinação de que ele iria fazer qualquer coisa para Camus o aceitar dessa forma. Mas pôde ver, tinha certeza de que viu nos olhos do ruivo na hora do beijo, que aquilo foi muito mais do que um simples beijo, foi algo mais além, algo que o próprio Milo sabe bem o que é. Mas procurava ser precavido, vai que não é... Ah, mas se ele o rejeitasse hoje, iria partir pra cima dele com tudo e fazê-lo gemer por mai-

– AI! Quem foi o filho da puta?! – Indagou nervoso massageando a testa que com certeza ficaria vermelha, pois foi acertada por uma amêndoa seca. E já sabia bem os prováveis candidatos que seriam assassinados. E foi com esse pensamento que partiu em disparada atrás de Aiolia e Ikki que riam sem parar e corriam feitas crianças pela praça.

Shaka girou os olhos.

– Aff, parecem crianças! – Disse cruzando os braços.

A manhã passou rapidamente dando lugar à tarde com o sol mais forte. Os seis amigos passaram o tempo entre conversas banais e brincadeiras. De uns tempos para cá, todos perceberam que a amizade e a cumplicidade entre os seis aumentaram consideravelmente e isso era perceptível. Sempre foram amigos, mas um confiava mais em um do que no outro e não em todos e isso foi ficando cada vez mais equilibrado. Por isso Aiolia resolveu contar para Shaka e Mu sobre sua possível mudança. O fez por pensar que eles mereciam saber, eram muito amigos assim como os outros dois e foi o que fez, mas o que veio em seguida nenhum deles esperava. O que se seguiu depois do que Aiolia contou, foi um silêncio dos dois por pelo menos 2 minutos, o que começou a incomodar o bronzeado e quando estava prestes a falar algo, Mu levantou-se em um rompante e com o dedo em riste para Aiolia.

Mu sentiu seu peito apertar até quase ficar sem ar. Aquilo só podia ser brincadeira não é? O olhar dele transmitia mágoa, irritação, tristeza... Estava completamente perdido e totalmente determinado a impedir aquela loucura. E tudo isso estava evidente em seu estado, até pelo mais ingênuo isso não passou despercebido.

– Não! Você não pode ir entendeu? Você vai lá e vai conversar com seus pais, que eu tenho certeza que vão te entender! Mas se você não tentar, sabe que é um fraco não sabe? Eu sei que você não tentou falar com eles, eu te conheço Aiolia! Eu sei que você foge que nem um cachorro com rabo entre as pernas quando as coisas começam a apertar, então eu acho bom você tentar o que puder para ficar aqui! Tem noção do que vai deixar para trás se for? Olha à sua volta! Estamos aqui, seu futuro está aqui e com a gente! – Todos olhavam Mu totalmente surpresos, foram poucas as vezes que o viram perder o controle dessa forma e este estava totalmente sem controle, porém, sua voz saia calma e estranhamente suave, mas podia detectar uma irritação contida nela, o dedo levantado pressionava o peito musculoso de Aiolia e este nem percebia de tão chocado que estava. – Deixa de ser covarde! Agora é a hora de lutar pelo que você quer! Você nunca disse para os seus pais suas vontades, sempre apenas concordou com tudo como se não tivesse opinião, mas você tem e eu sei que admira seu irmão porque ele faz bem o que quer enquanto você é um manda pau! Tudo o que você sente é medo de enfrentar seus pais, porque não passa de um covarde mimado! Idiota! – Depois do discurso, Mu saiu de lá com sua pose indiferente e reinante, com passos duros deixou o parque e foi em direção a sua casa que ficava bem perto, mais perto do que a casa de Shaka.

Na praça, todos estavam completamente chocados e sem saber o que falar. Shaka, que era o que mais conhecia Mu ali, estava surpreso pela atitude dele. Mas, justamente por ser o que mais o conhecia, sabia que tinha que falar algo para AIolia.

– Olia, calma está bem? Ele só foi ficou surpreso com sua mudança e agiu impulsivamente. Não fique chateado com ele, você sabe que ele fala coisas que, às vezes, não quer. – Disse o loiro com perceptiva preocupação na voz, estava tentando amenizar as coisas.

Como se saísse de um torpor, Aiolia esfregou o rosto em mãos.

– Juro que não o entendo. Precisava falar tudo aquilo?

– Tudo bem, que em boa parte das coisas ele está certo. – Disse Ikki de braços cruzados. Pelo que conhecia do bronzeado, ele concordava com Mu. Aiolia nunca opôs suas vontades aos pais e simplesmente os obedecia sem dizer o que achava. Tudo bem fazer isso até certa idade, mas depois é impossível seguir sem falar nada como se tivesse medo da reação dos pais.

– Ikki! – Repreendeu Shaka, o moreno apenas o ignorou virando a cabeça para o lado.

– Aiolia...Eu acho que ele só estava de cabeça quente, tenho certeza que ele não quis te machucar. – Disse Milo.

– E eu tenho certeza que você deve ir atrás dele. – Falou Camus enfático.

– O que? Não, o que vou falar para ele? Ele está nervoso, não vai dar certo! – Negou Aiolia, só de pensar em brigar feio com Mu já o deixava totalmente sem chão. Às vezes discutiam, coisas normais, mas dessa vez achava que a coisa era mais séria.

– Não Olia, Camus está certo. Você tem que ir lá e conversar com ele. E também aproveitar que ele esta no meio de um surto de sinceridade, pois o que vocês precisam agora é serem sinceros um com o outro, não é? – Disse Shaka com segundas intenções na voz, coisa que Aiolia fez questão de tentar ignorar desviando o olhar. Mas sabia que tinha algumas outras questões que precisavam ser esclarecidas.

– Anda logo! Vai lá! – Disse Ikki empurrando o outro. Como uma máquina subiu no skate e saiu praça a fora. Agora Mu já devia estar chegando em casa.

X

Mu saiu de lá às pressas, mas depois de alguns passos foi diminuindo a velocidade e começou a caminhar devagar. Seus olhos ardiam, sabia que exagerou, não precisava jogar aquelas coisas na cara do outro, mas simplesmente não conseguiu se controlar. Como assim Aiolia se mudar, e ainda para outro país? Sua mente, sua alma e seu coração não conseguiam entender isso, não iria aceitar isso. Durante muito tempo amou e ainda ama o amigo em silêncio, mas só de tê-lo ao seu lado já era bom. Sabia que nunca podia ter mais que isso, então se contentava. Sentiu sua visão ficar nublada, e seus olhos carregarem uma grande quantidade de lágrimas nos olhos, esforçando-se para não cair. Seu rosto delicado estava todo tenso, prendendo as lágrimas de fraqueza fazendo sua garganta doer. Ah, é tão ruim isso... Não iria chorar! Não iria, sempre foi muito forte, sempre aguentou calado ver o seu amor ficar e namorar com outras garotas bem diante de seus olhos. Sempre conseguiu manter a amizade sem que o outro desconfiasse de algo. Passou até ignorar certas coisas, achando que esse amor desesperador passasse...

Parou por uns instantes, levando as mãos aos olhos e limpando as lágrimas contidas, não seria fraco a esse ponto. Respirou fundo, e se recompôs voltando a andar. Quando deu o primeiro passo sentiu seu ombro ser puxado com um pouco de força, já ia acertar o soco no desgraçado quando viu que era Aiolia. “Só faltava essa...”, pensou Mu.

Aiolia olhou para o rosto delicado a sua frente e engoliu em seco. Mu estava corado nas bochechas, no nariz e em volta dos olhos, e os cílios bem molhados.

– Vo-você tava chorando? – Perguntou o bronzeado receoso.

– Claro que não, seu idiota! O que está fazendo aqui? – Perguntou aborrecido, retirando a mão de Aiolia que estava no seu ombro.

Viu que o outro ainda estava irritado, mas não podia deixar como estavam, precisavam conversar agora;

– Mu, eu sei que você ainda está nervoso, mas não quero brigar com você. Só que precisamos conversar e é agora! – Disse sério.

Mu abaixou os olhos e fitou os próprios pés. Sim, precisavam...

– Certo, vamos para minha casa. – Disse, voltando a andar sendo seguido pelo outro. Passaram só mais um quarteirão em silêncio e chegaram à casa de Mu. Não tinha ninguém em casa, e o morador agradeceu por isso. Subiram as escadas, e foram para o quarto de Mu que sentou na cama e Aiolia botou o skate no chão e ficou de pé de frente para o outro.

Quem quebrou o silêncio foi Aiolia.

– Olha Mu, eu sei que você falou tudo aquilo por impulso. Não digo que não fiquei chateado, porque fiquei, você até pode estar certo em algumas coisas, mas não é tão fácil assim...

– O que não é tão fácil?

– Tem muitas coisas envolvidas. Não posso simplesmente chegar para os meus pais e pedir para ficar aqui na casa de um amigo! Eles não vão concordar com isso!

– Como não Aiolia? Sua família conhece a família de Milo a anos, tenho certeza de que isso não vai ser problema. Você nem tentou!

– Certo! Vou tentar, mas tenho certeza de que vamos acabar brigando.

– Sério, do que você tem medo? De ficar de castigo? Pelo amor de deus né?! Você já tem 17 anos Aiolia, não é mais uma criança!

– Claro que não Mu. Prezo pela confiança que eles depositam em mim e não quero abalar isso.

– Meu deus Aiolia! Você não vai estar quebrando confiança nenhuma, só vai falar o que você quer! Aliás, eu estou aqui todo nervoso porque você vai embora, mas na realidade o que você quer? Você quer ficar aqui ou quer ir com eles? – Nessa hora Mu já estava de pé, e ambos discutiam calorosamente. Diante dessa pergunta, Aiolia travou um pouco. Sabia a resposta, claro que sabia, é obvio que queria ficar aqui, com seus amigos. Mas nem ele mesmo entendia essa hesitação, e isso não passou despercebido por Mu.

– É isso então, você não quer nem sequer tentar, porque nem você sabe o que quer! Você sempre foi assim, indeciso em tudo na sua vida! – Despachou na cara do outro que arregalou os olhos.

– Acho que o foco da conversa está mudando não?! Quer conversar sobre meus defeitos agora? – Franziu o cenho, cruzando os braços. Estava usando uma camiseta cinza larga, ao cruzar os braços, estes ficaram em evidencia, fazendo Mu desviar o olhar dos olhos do outro para os músculos. Mas isso durou apenas alguns segundos.

– Claro que não! Ah chega AIolia, chega. Eu não quero brigar com você. Só acho que você não está disposto a me ouvir e eu estou perdendo meu tempo. – Disse derrotado, sentando na cama novamente, apoiando a cabeça em mãos.

Aiolia ficou o olhando daquela forma. Sentiu uma pontada de decepção por Mu ter desistido de si tão fácil. Mas também não entendia porque ele foi o único que ficou tão abalado com a notícia.

– Porque se importa tanto? – Indagou baixo, fazendo o outro levantar a cabeça para fitá-lo.

– É claro que é porque sou seu amigo. – Disse sem nenhuma hesitação. Mas só uma resposta como essa não seria suficiente.

– Você foi o único que ficou desse jeito. Todos eles conversaram calmos comigo, só Milo que deu um breve ataque, mas o seu está indo longe demais. Não acha? – Aiolia o encarava de forma enigmática e junto com essa frase despertou certo desespero em Mu. Será que estava mesmo tão exagerado? Só ele, dos amigos, que ficou tão irritado? Sentiu-se corar, desviou o rosto para o outro lado para o outro não ver. Poderia esperar uma atitude assim de Milo ou Ikki, mas de si... Não tinha nada a ver! Estava sendo ridículo, mas simplesmente suas emoções estavam fora de controle. Tinha vontade de bater em Aiolia até não aguentar mais, mas ao mesmo tempo tinha vontade de ser carinhoso e dizer que vai ficar tudo bem. Ah, muitas contradições!

Suspirou, e voltou a olhar o amigo.

– Você está certo, desculpe. É que... É que se você for mesmo, vai ser muito diferente...– Disse com o olhar vago voltado para baixo. A voz suave e calma imperou soando como música para os ouvidos do bronzeado

Aiolia ficou um pouco surpreso com as palavras do amigo, sentia que o outro queria falar outra coisa.

– Mu, eu...-

Aiolia foi cortado por um toque de celular. Era o de Mu que rapidamente pegou de cima da mesa do computador e viu que era Shura. Deuses! Porque nesse momento? Porque agora?

Ficou fitando a tela do celular sem saber o que fazer.

– Atende logo isso! – Disse um irritado Aiolia, por impulso Mu atendeu.

– Oi... – Disse desanimado.

Oi Mu...

– Estou um pouco ocupado agora, você pode ligar daqui a pouco?

– Não, é que é rápido! Só queria saber se você não quer sair comigo hoje...

– Ah não sei, para onde?

– To pensando ainda, posso te pegar em casa às 21:30? Daí decidimos juntos.

Mu não queria ir, mas do que adiantaria ficar em casa se remoendo sozinho? Era melhor sair com a companhia de alguém agradável como Shura e esquecer um pouco certa pessoa que estava o observando com um olhar de dar medo. Mu olhou de lado para o amigo e sentiu um frio na espinha, será que estava irritado?

– Ah, sim, pode ser. Te ligo depois ok? Valeu! – Desligou sem esperar por resposta. Jogou o celular na cama e antes que pudesse ao menos falar algo ouviu os rosnados de Aiolia.

– Quem era Mu?

– Shura. – Disse indiferente.

A expressão nada bonita de AIolia, piorou depois de ouvir esse nome. Uma raiva crescente em seu âmago fazia sua cabeça latejar. Porque sentia tanta raiva? Qual era a motivação para ficar tão irritado com isso?

– Vocês vão sair? – Reuniu forças para não sair com a voz muito arrogante.

– Sim, vamos. – Mu sabia que tinha que mudar de assunto, ou se não acabariam brigando de novo. Olhou para o amigo com uma expressão calma e viu o outro fechar mais ainda a cara.

– Não, não vai. – Disse somente. Mu ficou surpreso com a ousadia do amigo. Ele estava mesmo falando sério?

– Sim, eu vou. – Respondeu em desafio. No fundo de sua alma, ele queria muito ver até onde o leonino iria.

– Mu! Eu não estou brincando! Eu não gosto dele, e você não vai sair nem ficar mais com ele! – Falou isso quase gritando, estava extremamente nervoso. Pegou Mu pelos ombros e o empurrou até ele bater de costas na parede. Botou os dois braços ao lado da cabeça do menor e passou a encará-lo diretamente nos olhos.

Mu ficou primeiramente nervoso. Pensava que ia apanhar, se bem que nisso ele se garantia, fazia Box Chinês há anos. Mas nem queria pensar em uma luta com o amigo, que era igualmente habilidoso, mas em questão de força física, com certeza ficaria para trás. Quando olhou aqueles olhos ciumentos e possessivos não pode deixar de sentir certo prazer naquilo. Bem pouquinho, pois de fato isso não estava nem minimamente certo. Não ia ceder, não ia deixar Aiolia falar e agir como quisesse. Teria que parar com aquilo e era hoje!

– Aiolia, eu acho bom você parar com isso. E eu estou falando sério. – Disse enfático, o desafiando com o olhar. Agora não estava para brincadeira. Mas mesmo Mu falando sério como nunca em sua vida ainda conseguia manter-se “calmo”, Aiolia não se deu por vencido.

– Não vou parar até você ligar para a droga do Shura e desmarcar isso, agora! – Afirmou com sua voz levemente rouca por causa da irritação, e muito baixa. As respirações alteradas eram sentidas em ambos os rostos e estavam tão nervosos por causa da briga que nem se tocaram disso. Depois dessa frase se encararam por cerca de meio minuto, até Mu literalmente explodir. Afastou Aiolia o empurrando pelo peito com força.

– Chega! Chega! – Gritou, achava que nunca ia precisar gritar na vida, mas nesse momento perdeu completamente o controle. – Chega! Isso não está certo! Você está completamente fora de si Aiolia! Quem você pensa que é para falar assim comigo? Você é meu amigo entendeu? Amigo! E não namorado para exigir alguma mudança no meu comportamento! Eu saio e fico e dou para quem eu quiser e você não tem absolutamente nada com isso! Nada! – Estava transtornado, aquele ciúme estava fora de controle, não aguentaria mais isso. Seus cabelos estavam soltos pelo rosto e sua face totalmente corada e ofegante.

Aiolia estava de olhos levemente arregalados. Sim! Sabia muito bem que estava exagerando, mas era mais forte que ele mesmo. Parecia que perdia completamente o controle do corpo nessas horas e sua impulsividade reinava. Estava brigando com Mu por sua causa, por seu ciúme sem sentido, por seu comportamento possessivo sem cabimento nenhum. Sua culpa. Deixou os olhos pesarem para o chão e passou as mãos nos cabelos revoltos com força exagerada. Tudo nele era exagerado. Suas emoções, todas, pareciam intensas demais, ele era intenso demais. Como explicar isso para Mu? Na verdade, nem ele sabia explicar para si mesmo.

Mu o olhava esperando alguma palavra, frase, qualquer coisa.

– Me desculpa... Eu... Eu não sei. Simplesmente não sei. Não consigo explicar, mas eu sei e tenho consciência de que estou exagerando e não queria agir assim. Mas Mu... É mais forte que eu, eu... Eu não consigo controlar, sinto uma raiva muito forte para deixá-la presa aqui dentro. – Passou a mão de leve sobre o lado esquerdo do peito. Seus olhos transmitiam sinceridade, e Mu teve certeza de que ele realmente não sabia o que sentia. Viu ali também um sentimento que está muito bem escondido e fez questão de ignorar isso, seria impossível. Desviou o olhar. De repente toda a raiva se dissipou.

– Certo Aiolia. Eu acredito em você. Mas eu estou te pedindo, em nome da nossa amizade, que você aprenda a se controlar. Porque se continuar assim não posso garantir que podemos continuar amigos. – Sim, não sabia nem como essa frase conseguiu sair de sua boca. Mu estava agindo como se não sentisse nada pelo outro. Nesses momentos aprendeu a trancafiar qualquer resquício do seu amor em uma caixa bem lá no fundo da alma e agir normalmente para só então, depois poder sofrer a mágoa guardada.

Ao ouvir aquilo de Mu, Aiolia sentiu uma pontada violenta em seu coração. Não! Isso não, não podia perder a amizade que tinham por causa de sua atitude estúpida. Viu que o outro falava sério. E era isso, ia se controlar e tudo ia ficar bem.

– Certo, eu prometo... Se eu... – Suspirou. – Se eu sair um pouquinho da linha, você me repreende? Por nós? – Indagou incerto, sabia que sozinho não ia conseguir, deixaria suas emoções falarem mais alto como sempre. Seus olhos brilhavam mais que o normal.

– Tudo bem... – Desviou o olhar, e seus lábios formaram um quase imperceptível sorriso, mas o outro percebeu e sorriu também.

Puxou Mu pela cintura e o abraçou. Ficou surpreso, mas correspondeu envolvendo o pescoço do outro. Apertaram o abraço um pouco mais.

– Desculpa, desculpa Mu... – Sussurrou no ouvido do amigo.

– Não Olia, eu que me desculpo... – Sussurrou igualmente ao pé do ouvido do outro.

– Não quero mais brigar com você, prometo que vou me esforçar... – Disse com suavidade na voz, se afastando um pouco para fitar o rosto de Mu. Deixou uma mão na cintura e a outra levou a face de pele aveludada do outro, ali fazendo um leve carinho. Mu já estava acostumado com essas demonstrações de afeto de Aiolia, mas não podia deixar de se sentir um pouco amado, um pouco esperançoso, um pouco feliz... Um pouco bobo.

– Também não quero mais brigar, por favor... – Disse pegando a mão do outro que estava no seu rosto e a levando até a sua boca, ali depositado um beijo para depois largá-la e voltar a própria para o pescoço do outro. Mas a mão de Aiolia não saiu da boca dele e Mu percebeu que o olhar do outro estava voltado para seus lábios.

Era perfeito. A boca dele era perfeita, o nariz dele era perfeito, as bochechas coradas eram perfeitas, o queixo, os olhos... Ah, os olhos eram... Perfeitos. Mu era perfeito. E só se deu conta disso agora. Quer dizer, já sabia, mas nunca prestou real atenção de perto que nem agora. Seu coração bateu disparado, e se sentiu muito envergonhado ao ver que acariciava com a ponta do dedo o lábio inferior do outro e este o olhava surpreso.

Afastou-se rapidamente e pegou seu skate.

– Mu, não quero ser chato nem nada, mas é só por curiosidade. Posso te perguntar uma coisa? – Ainda nervoso e estava um pouco trêmulo, olhou para Mu que se encontrava na mesma posição com uma expressão surpresa no rosto.

– Sim... – Falou muito baixo, mas o suficiente para o outro escutar. Estava tão atônito e parecia que seu coração iria pular pela sua boca. Sentia sua barriga enrolar.

– Você vai sair mesmo com o Shura hoje? – Perguntou de uma vez. Tinha esperança de que...

– Sim, vou sair com o Shura hoje. – Recuperou parcialmente sua altivez e concordou, sabendo que talvez não conseguiria sair mais hoje. Viu os ombros de Aiolia caírem e sua expressão ficar muito decepcionada. Isso não queria dizer nada, não é?

Encararam-se nos olhos por alguns segundos.

– Certo. – Ia dizer “boa saída”, mas não conseguiu. A única coisa que fez, foi sair dali o mais rápido possível para ver se aquele nó na garganta se desfazia.

Notas finais
Beeeeeem, finalmente esses dois conversaram, mas dessa conversa só saiu mais confusão do que antes. Parece que nunca vão se acertar, meu deus. Dessa vez, foquei bastante nos dois, porque já estava na hora deles terem essa conversa. Espero que não tenha ficado ruim, mas prometo que vou dar mais atenção ao casal principal que parece ter sido jogado à escanteio. Ah, desculpem mesmo. ;s Enfim, espero meeesmo que tenham gostado, e que comentem o que pode ser melhorado ou o que acharam e tudo mais. Ah, quero agradecer a todos que comentam, que leem silenciosamente, o que importa é que voces se divirtam! Muito obrigada mesmo e juro que vou tentar não demorar tanto, um enorme beijo! *-*