Implacável

22 Capítulo 22


Notas iniciais
E então, quem merece apanhar por causa da enrolação? Meu computador! Haha, vocês devem estar achando que é uma desculpa esfarrapada, mas o meu computador parece estar de intriga com "Implacável". Pela segunda vez, quando vou passar os dois capítulos que fiz para a memória, ele deleta os arquivos. Sério, eu ia postar na semana passada. Mas foi até bom, já que eu não estava gostando do capítulo mesmo, então reescrevi :D
Enfim, tenho uma notícia para vocês. Ah, a autora do seus corações passou na universidade de brasília! :D Lindo, não? Bom, minhas aulas só começam no fim de agosto, então até lá, não se preocupem quanto as postagens. Elas vão continuar com a frequência de um capítulo por semana ou a cada 15 dias - isso vai depender da minha inspiração.
De qualquer forma, aproveitem o capítulo que eu escrevi para vocês. Começando de pé direito, a segunda parte de "Implacável"!

A manhã londrina veio nublada e melancólica, típica do fim do outono e do dia de Halloween. Sozinha na cama, Ino se remexeu por alguns instantes antes de criar coragem e levantar. Hesitou um segundo antes de colocar os pés no assoalho frio de seu apartamento; abriu os olhos, tirando uma ou duas remelas de um deles, e olhou no chão em volta da cama a procura de suas pantufas do Jerry – personagem do antigo desenho animado Tom e Jerry. Enfiou os pés da pelúcia quentinha e saiu com um andar arrastado em direção a cozinha.

Nero dormia enrolado em sua cama estofada perto dos tubos de calefação, onde era mais quentinho. Assim que ouviu Ino, apenas mexeu suas orelhas e enroscou-se um pouco mais em si próprio para aplacar o frio. Por sua vez, a Yamanaka foi sonolenta em direção ao filtro, bebeu um copo de água, colocou ração para Nero e voltou-se para o banheiro, em seguida.

O processo de tomar banho e fazer sua higiene matinal foi lento e preguiçoso; e por isso Ino perdeu minutos preciosos destinados ao café da manhã. Vestiu um vestido branco, justo ao corpo e que deixava seus ombros de fora, calçou saltos pretos e prendeu o cabelo em um rabo de cavalo baixo. Antes de sair, Ino olhou o balcão do banheiro e abruptamente pegou a joia que quase esquecera: o colar de aniversário que seus pais tinham lhe dado.

Pegou sua bolsa no sofá, seu casaco no armário e saiu de casa apressada. Dirigiu no pesado trânsito de oito da manhã em direção ao centro de Londres, onde ficava a galeria de arte Cosmopolitan.

Depois de trabalhar dois meses em uma casa de leilões – um ambiente ácido, desestimulante e empoeirado -, Ino conseguiu um emprego na galeria de arte que Hatake Rin era sócia. Trabalhava com mais duas pessoas, Hannah, a recepcionista, e Samui, outra curadora. Com a primeira tinha uma relação muito tranquila, mas Ino e Samui viviam às farpas, e as duas pareciam gostar disso; pensavam que tornava o ambiente de trabalho mais dinâmico.

- Bom dia. – disse a Hannah assim que entrou. – Alguma coisa para mim?

- Bom dia, Ino. Alexander Thatcher telefonou perguntando dos quadros que encomendou, aqueles do artista grego. – Hannah respondeu sorrindo.

- Telefone para ele e passe para a minha sala, por favor. E confirme pra mim aquela visita que eu marquei com o Sr Woodsen. Veja se ele pode me receber às três.

- Claro.

Ino se dirigiu a sua sala, no segundo andar dos fundos da galeria. Quando subia as escadas de metal, topou com Samui, que se empertigou em seus saltos e alisou a saia azul que estava usando, eliminando uma linha invisível.

- Estava indo te procurar. Você está atrasada, querida. – ela cruzou os braços na altura do peito e passou a acompanhar Ino até sua sala com um sorriso bem humorado.

- Está sem o que fazer, Samui, para ter tempo de controlar meu horário. – Ino riu.

Assim que entrou em sua sala – um espaço de 30 m², decorado de forma moderna e casual, com móveis de inox e paredes cor creme -, jogou seu casaco no suporte ao lado da estante e pendurou sua bolsa em um gancho em baixo de sua mesa. Sentou-se em sua cadeira quase ao mesmo tempo que Samui se escorou em uma das poltronas em frente a sua mesa.

- Vim pegar os documentos das esculturas que chegaram ontem. – Samui disse de forma distraída. Estava ocupada avaliando uma de suas longas unhas pintada de dourado.

- Hum, estão aqui. – tirou da gaveta da mesa uma pasta de papel pardo, e a entregou a Samui. Com curiosidade, ela olhou para Ino, parecendo estranhar algo que vira na expressão da Yamanaka.

- Você parece mal humorada. O que foi, brigou com o seu caso?

- Eu não tenho um caso, Samui. – Ino falou entre um suspiro e outro. – Uma noite ruim. Já você parece muito feliz para o meu gosto.

- Uma noite tórrida com aquele seu amigo Kiba... Que mãos...! Que boca...! – murmurou a loira, perdida nas lembranças da noite anterior.

- Ahrg! Detalhes demais! – cortou-a bruscamente. – Ele é meu amigo, não preciso saber disso.

- Não consigo entender porque não ficou com ele. – Samui deu de ombros e se levantou, indo em direção à porta.

- Na época eu estava com outras coisas na cabeça. – os olhos e a atenção de Ino se voltaram para a tela do computador e seus dedos começaram a digitar um email rapidamente.

- Outro cara?

- Mais ou menos. – murmurou distraída pelo trabalho.

Samui deu de ombros e saiu da sala de Ino, deixando-a em paz para trabalhar. Durante todo o dia ela esteve compenetrada no trabalho, parando apenas para alguns cafés e curtas conversas com Samui. Durante o almoço, Ino comeu somente um sanduíche que Hannah teve a gentileza de lhe trazer quando já eram quase três horas. Saiu para visitar a coleção de um possível vendedor, e voltou quando já passava das cinco, quando a galeria já tinha encerrado o expediente.

Cansada, Ino apenas juntou suas coisas e foi para a estação de trem. Levou quase uma hora para descer na estação de Kensington, e de lá caminhou por mais quarenta minutos para a Campeden Grove; encolhida em seu casaco e praguejando pelos saltos que lhe machucavam os pés.

Quando chegou no número 1037, entrou pela portinhola dos fundos, que os empregados usavam. Discretamente entrou na grande construção e se esgueirou pelas sombras da casa até o segundo andar, aonde ficava a suíte máster. A porta dupla rangeu levemente, embora Ino tivesse tido todo o cuidado para evitar isso.

Assim que entrou, tirou os sapatos e ficou segurando-os enquanto ouvia o som do chuveiro do quarto sendo desligado. Ino correu silenciosamente para um canto e esperou que ele saísse. Quando a porta do banheiro abriu, liberando uma leve cortina de vapor, Ino suspirou, buscando coragem no fundo de si, e deu um passo em direção a luz.

- SEU EGOÍSTA! – Ino arremessou um sapato na direção dele, atingindo-o em cheio no peito nu e ainda úmido e fazendo-o se curvar. – ORDINÁRIO! ESTÚPIDO!

Notas finais
Então, o que acharam? Comentários, por favor :D