Implacável
24 Capítulo 24
Notas iniciais
Eu juro que não demorei nada para postar, se vocês virem o que eu tenho para esse capítulo... Enfim, amanhã começam as minhas aulas na universidade! Minha grade horária é o sonho de metade dos universitários, mas de qualquer jeito eu vou passar o dia inteiro na universidade. Eu não sei bem como vão ficar as postagens, mas eu prometo fazer o possível para não demorar muito. Vocês sabem que sua autora não vive disso, não é? Vamos estudar, porque amar tá complicado, beber tá caro e comer engorda :D
Desculpem os erros, não tive tempo de revisar, e aviso que mudei a classificação da história por motivos já bem óbvios :3
De qualquer modo, aproveitem "as sete faces de Evelyn Kerr"!
16 de novembro, segunda-feira
Western Hospital Geral
16h21, Edimburgo, Escócia, UK
Baki estacionou o BMW locado em frente ao grande prédio do ambulatório do Hospital. Gaara saiu do carro silenciosamente e caminhou para a recepção. Ficou surpreso quando soube que Evelyn tinha passado um ano e meio, daqueles quatro em que ficara desaparecida, na unidade de saúde mental do hospital.
Tentou ser discreto, e ao identificar-se na recepção, evitou tirar os óculos escuros e não fez caso da forma mal educada que fora atendido pela assistente de enfermagem.
– É o segundo que aparece para visitar a dondoca! – a mulher falou com extremo desdém. – Há uns dias uma perua ruiva veio atrás da Evelyn. Você é algum parente?
– Sou. – Gaara respondeu seco e a mulher lhe olhou com uma sobrancelha erguida.
Abruptamente, a assistente parou em frente a porta do quarto 1183. Ela se virou para Gaara com a mão na maçaneta, e o encarou com suspeita.
– Como disse que era seu nome mesmo?
– Eu não disse. – sem esperar por mais uma pergunta da mulher, Gaara entrou no quarto num instante e fechou a porta atrás de si.
O cheiro familiar lhe não invadiu antes que pusesse os olhos nela, como antes era de costume. Não havia o cheiro doce, de baunilha, que Gaara pensava ser um dom natural, mas que depois revelara-se apenas um sabonete que ela usava.
– Quem está aí? – a voz suave, de soprano, tão familiar, o assombrou. Até então, queria acreditar que era apenas um equívoco, mas naquele momento, em que ouvira a voz que jurava ter se calado para sempre, sentiu-se acuado, enganado e confuso.
Gaara deu um passou adiante e assim pôde vê-la e ser visto por ela.
– Olá, Evelyn. – disse com singularidade.
Ela estava sentada na cama. Tinha as pernas cobertas por uma grossa manta e olhava para a janela de modo perdido. Gaara lembrava-se dela não tão magra, com mais cor no rosto e drogas no organismo. A Evelyn que conhecera parecia perdida dentro daquela mulher doente e frágil que nem se virara para olhá-lo.
– Eu sei que você não está aqui. – ela sussurrou, tão baixo que ele não escutara. – Mas os remédios... deviam te manter longe.
Evelyn torceu o pescoço de um jeito estranho, e o olhou de soslaio. Seus olhos tremeram diante de Gaara, e sua boca se abriu suavemente.
– Mas você parece tão real. — murmurou, num fiapo de voz.
– Eu sou real, Evelyn. – Gaara disse depois de um suspiro cansado. Aproximou-se devagar e segurou a mão pequena dela nas suas. Estava fria e trêmula, e assim que entrou em contato com a mão quente de Gaara, ela o afastou como se tivesse tocado em brasa quente. – Vê?
Os olhos azuis de Evelyn brilharam, e ela pareceu emocionada por não ser mais uma peça que sua mente lhe pregava. Mas antes que ela pudesse tocar Gaara novamente, ele se afastou. Puxou uma cadeira e se sentou ligeiramente mais distante da cama.
– Eu... eu queria te dizer tantas coisas. – ela começou, devagar, de forma quase cansada.
– Quer me dizer o que aconteceu? – foi direto. Não queria estar ali, mas era preciso; então que fosse rápido.
– Oh, eu... Bem, eu não me lembro de muita coisa do acidente. Lembro de estar no carro, depois veio o choque; depois eu estava me afogando e há um ano acordei nesse hospital. Minha cabeça não estava muito boa, até então eu não sabia bem quem eu era ou não me lembrava, quando me senti melhor, liguei para Karin.
– Hum, você está realmente se sentindo melhor? – Gaara esforçou-se para ser gentil.
– Sim, eu acho que em dois ou três meses eu posso voltar para Londres. – Evelyn passou a mão pelos cabelos e sorriu com leveza. – Eu não quero voltar logo porque... Bom, não quero parecer saída do túmulo. Espero que você não tenha doado todas as minhas roupas...
– Evelyn. – cortou-a de forma branda. – Pode não ser o melhor momento, mas você precisa entender que se passaram quatro anos. Quando você... bem, desapareceu, nosso casamento ia de mal a pior. Eu tinha providenciado os papéis do divórcio com Itachi e...
– Gaara, eu sei que te fiz muito mal, mas eu mudei. Tudo pelo que eu passei, todo esse tempo, eu lutei para viver só para voltar pra você. Foi por você...! – ela choramingou. – Gaara...!
– Eu reconstruí minha vida, Evelyn. – disse morno. – Eu encontrei alguém e vou me casar. Eu vim aqui para que você soubesse que tem meu apoio e meu auxilio no que precisar, mas o meu amor, o nosso casamento... Eu sinto muito, mas eu já o entreguei a outra pessoa e você não o terá de volta. Você acabou com eles muito antes daquele acidente.
Os olhos de Evelyn vacilaram e o sorriso em seus lábios foi morrendo lentamente. Ela se virou e voltou a olhar a janela novamente.
– Ela é bonita? É uma boa moça...?
– Ela é linda, Evelyn. E é a melhor das moças. – Gaara disse suavemente. Odiou-se por um momento por não ter dito a Ino a quê, realmente, viajara. Talvez, se ela estivesse ali com ele, mesmo que esperando no carro, aquele momento não seria tão difícil.
– Deve ser. Você nunca falou de mim assim para ninguém. – Evelyn suspirou. – Vá. Vá logo encontrá-la, Gaara.
– Evelyn...
– O horário de visitas já deve estar acabando. E eu imagino que você veio com Baki, então... não o deixe esperando mais. E diga que eu mandei lembranças.
Gaara assentiu mudo, e num gesto de – como ele veio chamar mais tarde – solidariedade, aproximou-se e a beijou no alto da cabeça. No entanto, quando ele estava com a mão na maçaneta da porta, foi interrompido pela pergunta de Evelyn:
– Você não vai voltar a me visitar, não é?
– Não sei. É melhor você se recuperar. Quando voltar a Londres, conversaremos melhor. – respondeu de forma vaga, e assim saiu.
Evelyn se encolheu na cama por alguns minutos, antes da porta do banheiro ser aberta lentamente e alguém sair dali. Parou de frente a cama, e a encarou com escárnio.
– Ele não parece muito disposto a voltar para você.
– Quem quer que seja essa garota, parece especial. – ela murmurou. – Eu não estou mentindo quando digo que ele a ama, de verdade.
– Pouco importa. Você o quer de volta? Quer ser feliz com Gaara?
– É tudo que eu mais quero. – Evelyn suspirou.
– Então se recupere e tome seu lugar como a verdadeira Sra Sabaku.
(...)
Naquele dia, com a viagem de Gaara, Ino tinha combinado com Tenten um almoço em um pub no centro. Era um dia pouco movimentado na galeria, então ela resolveu sair um pouco mais cedo que seu horário de almoço para resolver algumas coisas.
Antes de encontrar Tenten no pub, Ino passou em um shopping para pagar seu cartão de crédito e aproveitou para olhar as vitrines. Não resistiu a comprar uma delicada echarpe vermelha que vira em uma loja de roupas de lã, e acabou tendo que correr para encontrar-se com a amiga.
Quando chegou no restaurante, Ino se sentou em uma das mesas da área externa e esperou Tenten, que estava muito atrasada. Sem muito o que fazer, ela pediu uma bebida e ficou lendo uma revista que tinha comprado no shopping.
– Ino? – uma voz masculina, grossa e muito grave, tirou a atenção do artigo que Ino lia. Ela ergueu os olhos da revista e encarou o homem que havia lhe chamado.
Era alto, tinha ombros largos e cabelos escuros que estavam ligeiramente crescidos e desalinhados. Seus olhos eram grandes e escuros, perigosamente brilhantes. Tinha o nariz reto e fino, como o de Gaara; traços angulosos e precisos. Estava metido em uma camisa preta, já descorada, e em jeans escuros que também pareciam gastos. Usava botas de motociclista e uma jaqueta de couro escuro.
– Desculpe, mas eu te conheço? – Ino perguntou incerta.
– Não vai dizer que me esqueceu? – o homem parecia surpreso, quase ultrajado. Ele puxou a cadeira que estava a frente de Ino e sentou-se, como se tivesse sido convidado. – Acampamento da Escola St. George. Eu fui primeiro para o acampamento e depois entrei na escola. Nós...
– Connor... – ela sussurrou. Seu estômago revolveu e o sangue de Ino passou a correr gelado. – Connor Davis... Eu achei que... você tinha se mudado...
– Eu me mudei, logo que me recuperei daquela surra que seu irmão me deu. – estranhamente, Connor parecia bem humorado ao falar disso. – Quem diria que um florzinha como Deidara batesse tão forte. Ele me quebrou dois dentes e arrebentou minha cara com vontade, mas não posso dizer que não mereci. – riu. – Fui para a Irlanda e lá me meti em alguns problemas. Mas agora eu estou limpo!
– Hum, que bom. – Ino murmurou pouco a vontade. – É... Connor, eu tenho que ir, e...
– Você ainda não consegue esquecer o que eu te fiz, não é? – sua voz se tornou sombria. Connor tentou alcançar uma das mãos de Ino, mas ela afastou-as imediatamente, deixando-o sem graça. – Eu mudei, Ino. Não sou mais aquele moleque que você conheceu. Eu só quero tocar a minha vida, mas fica difícil com todo mundo te julgando.
Ino respirou fundo e encarou-o nos olhos.
– Eu fico feliz por você se emendado, mas agora eu realmente tenho que ir.
– Você parecia estar esperando alguém. Eu não vou atrapalhar mais. – ele se levantou rapidamente. – Ei, você sabe de algum lugar que pode oferecer emprego para um cara como eu?
Ela o olhou confusa, por causa da expressão “um cara como eu”.
– Você sabe, terminei o ensino médio no supletivo, me meti em alguns problemas...
– Eu não tenho muita ideia, mas meu pai diz que eles sempre estão chamando gente nas docas. Tem bastante emprego lá pra quem não se importa de pegar no pesado.
– Bacana, vou passar lá hoje. Então... até outra hora, Ino. – ele acenou, e Ino respondeu da mesma forma, mesmo que a última coisa que desejasse era encontrar Connor novamente.
Assim que ele ficou fora de vista, Ino quase escorregou por sua cadeira. As pontas de seus dedos estavam geladas e ela podia apostar que estava lívida e com a expressão estranha. Pediu ao garçom que lhe trouxesse água, e assim que ele chegou com a garrafinha, bebeu-a toda em um só gole.
Tenten ainda demorou mais alguns minutos para chegar, e quando se sentou na cadeira antes ocupada por Connor, parecia agitada e irritadiça.
– Desculpe o atraso, querida. Itachi pode ser um amor de pessoa mas como chefe... – bufou enquanto remexia em sua bolsa atrás de seu celular. – Onde é que eu coloquei...?
– Connor acabou de sair daqui. – Ino disse devagar. Ainda estava custando a acreditar que o tinha visto depois de tantos anos. – Estava sentado nessa mesma cadeira.
– O que? – Tenten grasnou. – Connor Davis? Aquele Connor Davis, seu ex?! O calhorda que apanhou do seu irmão?!
– Ele mesmo. Nos encontramos por acaso e ele veio com um papo de que tinha mudado depois de ter se metido em problemas na Irlanda.
– E você o dispensou logo, não foi?
– Tenten, eu não quis ser mal educada ou parecer uma garotinha assustada. Mas eu não quis muita conversa. Ele apenas perguntou onde podia arranjar emprego, e eu respondi que devia ir nas docas. Apenas isso. Quando ele veio com uma conversa sobre o passado eu o cortei logo. Eu passei bons anos sem nem sequer lembrar do nome dele e quero continuar assim.
– É assim que se fala! – Tenten exclamou, voltando a ficar animada. – Eu tenho uma notícia quentíssima para você!
– Nem me venha com a última das suas fantasias sexuais que Neji te realizou. – Ino rolou os olhos.
– Muito melhor que isso! – os olhos da morena brilhavam quando ela estendeu para Ino uma chave.
– Se é a chave de um quarto de motel, vou logo dizendo que você sabe que eu não curto essa coisa de ménage...
– Cala a boca, sua burra! – sibilou. — É a chave do nosso novo apartamento! Neji me levou lá ontem, e... É perfeito! Ainda falta mobiliar e decorar, mas... Ah, é como um sonho!
Lentamente, a felicidade de Tenten foi embalando a amiga, e as duas começaram a falar sobre móveis e decoração. Mas em seu íntimo, Ino também sonhava com um lugar que seria só dela e de Gaara, sem a presença de Evelyn ou quem fosse.
(...)
Após o longo dia, Ino voltou para Kensington desejando um bom banho de banheira e algo quente para comer. Uma chuva fina caía junto ao vento que soprava gelado quando ela desceu na estação de Kensington. Nenhum táxi parou para que ela fizesse o trajeto de quase um quilômetro e meio até a mansão e duvidava que Gaara e Baki tivessem chegado para buscá-la, então teve de fazê-lo a pé sob a chuva que começava a piorar. Sorte que naquele dia tinha usado botas sem saltos.
Assim que passou chegou nos portões, abrigou-se sob o telhado da guarita e aguardou um dos seguranças lhe abrir o portão.
– Senhorita! Veio da estação nessa chuva? – o homem perguntou alarmado.
– Nenhum táxi teve a bondade de parar. – Ino respondeu trêmula. – Gaara já chegou?
– Sim, faz algum tempo. Deveria ter telefonado para que buscássemos a senhorita. Há sempre um carro a disposição para assuntos emergenciais.
– Eu nem me lembrei disso. Mas como dizem, um pouco de chuva lava a alma. – ela comentou com um bom humor que não sabia se realmente tinha em uma situação como aquela, e correu em direção a casa.
Ino entrou e apressou-se em subir para o quarto rapidamente, antes que deixasse todo o piso e a fina tapeçaria da sala ensopados. Enfiou-se no quarto batendo o queixo de frio, e agradeceu mentalmente por a lareira estar ligada.
– Ino? – a voz de Gaara foi abafada pelo trovão que soou lá fora, e outra vez Ino estremeceu.
– Eu estou aqui, amor. Como foi em Edimburgo? Conseguiu resolver o problema de Karin e Suigetsu? – ela perguntou enquanto tirava as botas molhadas e as deixava perto da lareira. Nero não demorou a aparecer, mas Ino o pegou rapidamente no colo para lhe dar um beijinho entre as orelhas. – A mamãe tá toda molhada, bebê. Quando eu estiver seca eu brinco com você. – murmurou afagando o bichano assim que o colocou no chão.
– Desagradável. Não teria sido uma experiência tão ruim se você tivesse me acompanhado.
– Eu não sei nada de nada dos seus negócios, querido. De quê adiantaria eu ir? Ah, pode preparar meu banho, por favor? Eu estou congelando.
Gaara saiu do banheiro depois de alguns minutos, vestido em calças de flanela preta e com a camisa de mangas compridas pousada no ombro enquanto ele secava o cabelo com uma toalha.
– Eu me sentiria melhor se você estivesse comigo. E se você me dissesse por que está toda molhada. – ele se aproximou e a beijou rapidamente nos lábios.
– Essa chuva me pegou quando eu saía da estação. – Ino afastou-se depois do beijo, dirigindo-se rapidamente para o banheiro. Ali, livrou-se de suas roupas molhadas e enfiou-se na banheira com água morna e sais.
– Qual o sentido de ter te dado um carro novo se você não consegue usá-lo? Nem que seja aquela armadilha que é Charlotte, vá de carro.
– Eu fui de metrô. Não estava com animação para enfrentar o transito, teve um acidente na Picadilly.
– Hum... Eu vou pedir que Guren arrume a mesa. Quer beber alguma coisa quente antes do jantar?
– Um chá de gengibre. Eu tenho que ir no orfanato amanhã e não quero um resfriado por causa dessa chuva.
Gaara usou o interfone do quarto e deu as ordens pertinentes à Guren. Em seguida, voltou para o banheiro vestido a camisa do pijama, mas logo se pôs a encarar Ino afundada até o queixo na banheira com água morna.
– Como foi seu dia? – ele perguntou de forma cálida.
– Normal. Encontrei um conhecido do tempo de escola, mas nada importante. Eu estou empolgada mesmo com as aulas de artes no orfanato! – Ino sorriu de forma empolgada. – As reformas, inclusive na sala de artes, fizeram um milagre. Você precisa ver como as crianças se interessam pelas aulas sobre os pintores, como querem conhecer os materiais... É simplesmente lindo!
– Você sempre fica assim quando fala das crianças e das aulas. Nunca pensou em deixar a galeria e se dedicar só às aulas?
– Eu gosto do meu trabalho na galeria. E eu não tenho um diploma de licenciatura. Quem sabe um dia, mas agora não. – Ino sorriu de forma meiga e chamou Gaara com uma das mãos. – Eu peguei com Sylvia amostras dos convites do nosso jantar oficial de noivado. Podemos olhar alguns hoje enquanto fazemos a lista de convidados.
– Seria ótimo. Já acertou com Sylvia e o Buffet sobre o jantar acontecer aqui?
– Depois de muitos resmungos, ela aceitou o jantar aqui e a lista de convidados que nós montamos.
– Deve ser difícil para ela fazer uma cerimônia com menos de cem pessoas e lidar com noivos tão discretos. – Gaara riu levemente.
– Sem graça, foi o adjetivo que ela usou. Disse que um casamento como o seu não pode ser tão discreto. – Ino bufou. – Acho que ela ainda não percebeu que a noiva sou eu.
– Pouco importa se vamos nos casar em uma cerimônia apressada em Las Vegas ou em um casamento pomposo em Westminster, desde que em alguns meses estejamos casados. – ele se inclinou e beijou Ino por um longo minuto. – Vá se aprontar, o jantar já vai ser servido.
(...)
Depois do jantar, Ino se sentou em um dos assentos das janelas da sala de piano e ficou olhando algumas amostras de convites enquanto afagava Nero adormecido em eu colo. Gaara estava sentado ao piano, dedilhando uma música lenta, aleatória, de ritmo triste.
– O que está errado, Gaara? – Ino perguntou sem tirar os olhos de um par de convites, comparando-os clinicamente.
– Nada em particular. Coisas da empresa...
– Os acionistas ainda estão no bolso de Yashamaru?
– Não me surpreende. O homem sabe fazer dinheiro. – Gaara suspirou. – De qualquer forma, em poucos meses ele vai vender a petrolífera e nós vamos comprá-la. Chega de responder a um conselho...
– Você e seus irmãos são realmente ricos. – Ino riu, levemente desconfortável. – Comprar uma empresa do porte da Petrolífera, assim, na lata...
– Nossos pais e avós se asseguraram de deixar uma quantia suficiente para que se um dia a Petrolífera falisse, nós estivéssemos com nosso padrão de vida assegurado. E os investimentos que fizermos nos últimos anos nos renderam quase o suficiente para fazer essa compra sem mexer muito na nossa herança.
– Então a Suna Enterprises vai entrar de vez no mercado já no verde?
– Basicamente, sim.
– Isso sim é um feito. – Ino voltou seus olhos para os convites que olhava, e um lhe agradou. Era do tamanho de um quarto de uma folha A4, o papel era branco, delicado, com letras em alto relevo dourado e sem muitos detalhes.
– Eu gosto desse. – Gaara disse baixo, surpreendendo Ino pela proximidade repentina. – Podemos ficar com ele?
– Esse? – Ino perguntou incerta. – Não acha simples demais, ou tradicional demais?
– Não. Está bonito, e o jantar, assim como o casamento, serão eventos muito íntimos e discretos. Não faz sentido um convite pomposo.
– Tem razão. Então o que acha desse aqui para o nosso convite de casamento? – ela lhe estendeu um envelope creme, com um laço bege na base e desenhos vintage na abertura. Dentro havia o papel branco, escrito em marrom claro.
– Combina com as cores que escolhemos para a decoração. Os convites dos padrinhos serão iguais?
– Não. Irão em uma caixa, parecida com as cores dos demais. Já falou com seus padrinhos?
Ele não respondeu; estava ocupado em tirar os papéis das mãos de Ino e os esquecer em qualquer lugar. Antes que ela pudesse lhe retrucar, Gaara colocou-a de pé e a puxou para um beijo longo, quente e faminto.
Andaram às cegas pela sala até esbarrarem no piano, onde ele suspendeu Ino pelos quadris e a sentou sobre a tampa de madeira laminada. Suas mãos subiram pelas coxas firmes, e sem encontrar qualquer empecilho por debaixo da camisola de cetim azul, uma delas alcançou o íntimo quente e pulsante de Ino, lhe arrancando gemidos entrecortados quase que instantaneamente.
Ela jamais poderia imaginar que estaria disposta a sexo depois do dia que tivera. Mas as mãos dele em seu corpo, as carícias que ele lhe proporcionava em sua intimidade e sua boca lhe mordendo o pescoço de forma lenta e provocante, a levaram para um dos momentos mais capitalista de toda sua vida.
As ações de Gaara tornavam-se cada vez mais urgentes e famintas. Estava novamente hipnotizado com aquele corpo a sua frente. O entusiasmo da “primeira vez” tomava conta dele a cada toque, carícia e beijo que Ino respondia com ainda mais ardor. Talvez fosse o fato de que segundos antes eles estavam planejando a cerimônia que oficializasse uma união sólida e longa entre eles, Gaara sentia-se novamente como um adolescente afobado por ter a namorada.
Suas mãos deslizaram pelos ombros macios de Ino, abaixando as alças finas da camisola de cetim azul marinho. A peça, fina e leve, deslizou até amontoar-se na altura dos quadris, deixando os seios firmes e rijos de Ino livres para que Gaara se deleitasse sem qualquer barreira neles.
– Não... Devíamos ir... Ir para o quar...? – a pergunta, mal feita em função dos gemidos de Ino, foi logo esquecida quando ela teve um seio tomado pela boca de Gaara.
Ele fez que não a escutou, sugando-lhe um seio com mais força e massageando o outro, deixando Ino completamente rendida e perto de um orgasmo. Num impulso, ela o segurou pelos ombros, deixando a pele marcada por suas unhas, e puxou Gaara para um beijo cheio de desejo e luxúria. Sua boca se movia vagarosamente na dele, a língua passava pelos lábios finos, e ela o provava como a mais fina iguaria.
– Eu quero você... – Ino sussurrou contra seus lábios. – Eu preciso de você agora...!
Gaara não precisou de outro pedido. Precisou somente de um instante, mas logo afundou-se lentamente dentro de Ino. Ela o aceitou sem reservas, deitando-se contra o piano o soltando um gemido longo e profundo.
(...)
Os dois terminaram amontoados em um dos assentos da janela mais afastada. Gaara mantinha Ino aconchegada em seus braços e inalava o perfume que vinha dos cabelos loiros dela. Sentia-se pleno, pela primeira vez em muitos anos e de uma forma que nunca se sentiu quando com Evelyn.
– Acabou de entrar para o rank das cinco melhores, amor. – Ino murmurou com humor. – Em segundo lugar.
– E o primeiro? – ele perguntou enquanto fuçava o cabelo dela.
– Israel. Orgasmos múltiplos... E as outras estão espalhadas pela Europa, com exceção do quinto lugar, que pertence a Istambul, no closet da sua irmã.
– Tão rápido? – Gaara riu.
– Tempo excessivo não significa qualidade. – Ino se inclinou para sussurrar: — Eu também gosto quando você é “bruto”.
Os olhos de Gaara foram tomados pelo estranho brilho de determinação.
– Podemos dar um jeito nisso lá no quarto, o que acha?
– Uma ótima ideia!
Ino não resistiu soltar um leve gritinho quando Gaara a ergueu nos braços e a carregou para o quarto. Ainda que estabanada, barulhenta e enérgica, ele amava aquela mulher que não usava o sexo como uma ferramenta para manipulá-lo e, para seu deleite, sempre tinha algo para surpreendê-lo em cada transa.
Mais que isso, Gaara amava o sorriso que Ino lhe dava todas as manhãs ao acordar ao lado dele; o fato dela nunca lhe dar as costas enquanto dormiam; amava quando ficavam horas juntos na banheira e ela fazia questão de brincar com o cabelo dele, fazendo penteados com a espuma; o brilho nos olhos dela quando ela comia chocolate ou passava o dia com as crianças do orfanato; adorava cada coisa que ela fazia para deixá-lo feliz, e mesmo que não dissesse isso o tempo todo, Gaara tinha consciência de que Ino sabia de tudo aquilo desde a primeira vez que ele lhe dissera “eu te amo”.
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