Implacável
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Aproveitem!
– Você me sufoca, Gaara! – ela gritou com raiva. Não era a primeira vez que ela gritava daquele jeito comigo. Não era a primeira vez que brigávamos, mas era a primeira vez que eu temia que ela fizesse uma besteira.
Evelyn estava bêbada, com raiva e grávida. Tinha acabado de chegar de outra noitada com as amigas, e tinha ido apenas para aproveitar o tempo que ficaria fora das festas por duas possíveis razões: ela teria um filho ou abortaria ele.
– Eu não vou ter esse bebê! Acabar com a minha carreira por uma coisa tão...
– Uma coisa? – minha voz pareceu o sibilo de uma cobra. – É assim que se refere ao nosso filho. Uma coisa!
– Uma coisa sim! Uma coisa intrusa, insignificante e inconveniente! Eu nunca quis engravidar, e não vai ser agora que eu vou mudar de ideia! – ela cuspiu as palavras na minha cara.
– Se você fizer isso... Se sair por essa porta para fazer um aborto ou ir encher a cara com a sua turma, não volte, Evelyn. – eu estava possesso, e assim que disse aquelas palavras, não tive como voltar atrás.
Os olhos azuis de Evelyn estavam arregalados em surpresa, e brilhavam pelo estado alcoolizado em que ela se encontrava. Eu nunca tinha estado tão sério em toda minha vida, e ela percebeu isso.
– Isso é uma ameaça? – perguntou com a voz trêmula.
– Um aviso. Eu não volto atrás e você sabe que eu cumpro o que digo. – me surpreendi pelo tom calmo da minha voz.
Aquele era para ser um fim de semana nosso na Escócia. Eu, Evelyn e nada mais. Nosso casamento não estava no melhor momento, mas se fosse para acabar, não seria por falta de esforço meu.
Eu estava tão contente quando vi o resultado do exame que ela tinha feito em Londres. Evelyn estava grávida, e talvez fosse isso que precisávamos para fazer dar certo. Eu não podia negar que a ideia de ser pai me assustava um pouco, mas talvez estivéssemos esperando por isso...
Mas Evelyn gritou assim que descobriu que eu sabia. Ela não queria o bebê. Deixar sua carreira de modelo e o estilo de vida que ela sempre levou, mesmo depois de dois anos casada comigo.
– Então é melhor eu procurar Itachi...
– Meus advogados defendem as minhas causas, Evelyn. No momento, você não está sozinha, mas se tirar esse filho, vai estar por sua conta. – rosnei.
– Quer saber, Gaara? Foda-se! Vá para o inferno, porra! – ela gritou, pegou as chaves do carro e saiu de casa fazendo barulho.
Eu não podia fazer nada a não ser esperar ela se acalmar e voltar para casa, como sempre acontecia. Mas dessa vez, eu não ia ceder.
(...)
Eu não achei que um Saab era capaz de correr tanto com uma mulher bêbada ao volante. Até mesmo meu Audi protestava enquanto eu tentava alcançar Evelyn. Estava tarde, e eu demorei demais para ir procurá-la, agora tinha que segui-la de carro para evitar que fizesse uma besteira.
Ela parecia voar, desviando de todos os veículos, sem nenhuma consciência do que fazia. Eu buzinava, mas isso parecia fazê-la acelerar ainda mais. Já tinha desistido de tentar seu celular quando ela ligou.
– O bebê... não é seu, Gaara. Eu sinto muito.
A última coisa que vi foi o Saab colidindo com um Honda Civic quando Evelyn tentou ultrapassar a pequena Chana que estava a sua frente. Meus freios não agiram a tempo, a pista estava molhada e meu raciocínio anestesiado com o que eu via. Antes que eu pudesse me dar conta, já tinha me chocado contra os dois carros, empurrando o Honda para o outro lado de pista e o Saab contra a cerca de proteção.
Eu senti cada pedaço de metal retorcido preso no meu corpo, principalmente do lado direito – o air bag não tinha funcionado. Mas eu ainda estava consciente enquanto o Saab, com minha esposa grávida capotava barranco abaixo em direção ao rio.
Aquilo me anestesiou. Minhas esperanças e concepções caíram por terra naquela hora.
9 de dezembro, terça-feira
Natan Hehaham, Tel Aviv, Israel (Ben-Yehuda)
Quaintrelle (s.f). mulher que enfatiza uma vida de paixões expressa através de seu estilo pessoal, passatempos, encanto e cultivo de uma vida de prazeres.
– Gaara! Gaara! – a voz de Ino era urgente, tentando tirar Gaara do estado de pesadelo em que ele se encontrava. – Gaara!
Ele acordou ainda podendo ouvir seu grito primitivo e assombrado que ecoava pelo apartamento em Tel Aviv. Estava ofegante, suando em bicas e sua visão demorou a entrar em foco. Depois de alguns segundos, conseguiu enxergar o rosto de Ino na penumbra, cheio de medo e angústia; os olhos marejados.
– Ino. – ele sussurrou, se afundando nos travesseiros, ainda lutando com sua respiração. – Você está...
– Eu estou aqui. – Ino se endireitou na cama e puxou Gaara para seus braços, pousando a cabeça dele em seu peito e entrelaçando suas pernas.
– Eu... Oh, merda!
– Foi só um sonho ruim. – ela falou, afagando-lhe o cabelo. Lentamente sua mão desceu até o pescoço dele e sentiu o local quente. – Você está queimando em febre.
Gaara ficou em silêncio, apertando Ino um pouco mais em seu corpo. Os calafrios lhe percorriam sem dó, mas ele não se importava. Precisava dela, daquele amuleto contra os fantasmas do seu passado.
Ino se levantou sob os protestos silenciosos de Gaara, foi até o banheiro, ligou a banheira para que se enchesse com água levemente morna e voltou para o quarto com um termômetro na mão.
– Me deixe colocar isso em você. – ela segurou-lhe o braço e colocou o termômetro sob sua axila.
Gaara aguardou impaciente o alerta do termômetro, e assim que Ino o tirou dele, viu os olhos dela se arregalarem assustados.
– 38.3?! Se eu quebrar um ovo na sua cabeça ele frita! – ela resmungou, já jogando as cobertas de Gaara para um lado e puxando-o em direção ao banheiro.
Se livrou da calça do pijama que Gaara estava usando e o obrigou a entrar na banheira. A água estava na temperatura que Ino queria, mas o ruivo achou-a fria e reclamou durante longos minutos.
– Vamos abaixar essa febre, assim nós dois voltamos a dormir e amanhã podemos aproveitar para visitar sua irmã e conhecer a cidade. – Ino falou enquanto lavava o rosto dele suavemente.
Gaara estava com o pescoço apoiado na borda da banheira, enquanto Ino lhe afagava o torso imerso na água com uma mão e lhe fazia carinhos suavemente com a outra.
– Sobre o que são esses pesadelos? – ela perguntou com cautela. – Estão acontecendo desde que estávamos em Paris, quando encontrou aquele homem...
– São lembranças do acidente. – Gaara murmurou, fechando os olhos.
– Quer falar sobre isso?
– Ainda não.
– Tudo bem. Quando estiver pronto... – ela se respondeu beijando-lhe a face molhada. – Vamos para a cama? Ficar muito tempo na água também não vai te fazer bem.
Gaara assentiu mudo, e deixou que Ino lhe secasse e o ajudasse a vestir um pijama limpo. Os dois voltaram para a cama e dormiram o que restava da madrugada e parte da manhã. Estavam acostumados ao fuso-horário italiano, e tinham chegado em Tel Aviv na noite anterior.
Ino ficou surpresa por saber que não ficariam hospedados na casa de Temari, na parte nobre e mais afastada da cidade. E sim em um espaçoso e modernamente mobiliado apartamento que Gaara tinha perto de uma área boêmia da cidade
Era a cobertura do prédio, com quatro amplas suítes, uma cozinha que daria inveja a qualquer Chef, sala de estar, sala de televisão e uma sala íntima menor que havia sido dividida para instalar um escritório. No terraço havia uma mini-piscina Jacuzzi embutida ao deque de madeira, com hidromassagem e espaço para cinco pessoas, além de um solarium ornado com plantas típicas do mediterrâneo. Não havia empregados no local, somente uma faxineira que vinha a cada três dias.
Assim que acordou, Ino sentia-se quente e incomodada. Gaara estava todo enroscado em si, e ela levou um tempo para se livrar dos braços e pernas dele ao redor de seu corpo sem acordá-lo. Tomou uma chuveirada rápida e vestiu um vestido de verão alaranjado, de alças finas e que ia até menos da metade de suas coxas. Era uma das peças favoritas de Gaara, mas ele odiava quando ela saía de casa com a peça.
Ino foi até a cozinha onde preparou torradas, ovos, bacon e café. Comeu uma generosa porção, enquanto assistia ao jornal da BBC na televisão. E quando terminou, passou algum tempo limpando a cozinha.
Estranhou que Gaara ainda não tivesse acordado. Presumiu que a noite anterior o tivesse deixado exausto, então preparou uma xícara de café e levou para o quarto.
Assim que entrou, reparou que Gaara continuava na mesma posição que tinha deixado ele. A camisa do pijama estava molhada pelo suor e ele tinha a face lívida. Ino deixou a xícara na mesa de cabeceira e tocou o rosto de Gaara para verificar se a febre tinha cedido, mas ele parecia ainda mais febril.
Tentou acordá-lo, mas Gaara só murmurou coisas sem sentido e voltou a dormir. Ino teve dificuldade em usar o termômetro, mas quando conseguiu seu coração falhou uma batida ao constatar 39.0 de febre.
Num primeiro impulso, pegou o celular de Gaara e tentou encontrar o telefone de Temari. Achou três números da loira, e tentou o primeiro.
– Alô, Gaara? – Temari atendeu com a voz sonolenta.
– É Ino, Temari. Como está?
– Bem, ao contrário de você. Parece um pouco agitada. Alguma coisa errada?
– Não, propriamente. Gaara está com muita febre. Que antitérmico eu poderia dar para ele? – perguntou, um pouco incerta. – Eu só tenho aspirina...
– Hum, deve ter paracetamol na caixa de primeiros socorros do banheiro, mas tente alimentá-lo antes. Quer que eu vá aí?
– Não precisa se incomodar. – Ino suspirou. – Se eu precisar te ligo.
– Dê noticias. De qualquer forma, vamos nos ver hoje... Passo aí na hora do almoço.
– Claro.
Ino desligou o telefone e levou o café que tinha trazido de volta para a cozinha. Procurou no armário algo fácil que pudesse preparar, mas só encontrou um pacote de sopa instantânea. Gaara resmungou a cada colherada da sopa, mas comeu tudo e depois tomou outro banho enquanto Ino trocava a roupa de cama.
– Um pouco de descanso e eu vou estar inteiro de novo. Mas não faça mais aquela sopa. – Gaara resmungou quando voltou a se deitar.
– Desculpe por aquilo. Prometo que vou fazer algo melhor no almoço. – ela falou com doçura, recolhendo as roupas sujas que tinha largado no chão do quarto. – Vou colocar isso na lavadora e já venho.
Ante de sair, Ino o beijou nos lábios ternamente e o tocou no pescoço. Ainda estava muito febril, mas o remédio parecia estar agindo bem.
Ino estava colocando as roupas na lavadora quando ouviu alguns sons vindos da sala. Rapidamente, terminou de programar a lavadora e foi para a sala, onde encontrou Gaara sentado no sofá, olhando algumas notícias do mercado financeiro em um iPad.
Sem dizer uma só palavra, Ino tirou o dispositivo eletrônico das mãos de Gaara e o largou displicentemente sobre a mesa de centro. Empurrou-o para o sofá, deitando-o, e logo o acompanhou, se enroscando no corpo volumoso e rígido.
– Melhor assim? – ela perguntou brejeira. De supetão, Gaara girou seus corpos, mantendo Ino embaixo de si. Aninhou a cabeça entre os seios médios dela e sua mão subiu pela coxa até o lado do quadril, onde permaneceu acariciando a cintura delgada com o polegar.
– Bem melhor. – Gaara suspirou, recebendo de bom grado o afago de Ino por seu cabelo e nuca.
Os dois ficaram quietos no sofá durante algumas horas. Ora conversando baixinho, ora apenas aproveitando a sensação do calor de seus corpos. Nenhum deles se preocupava com mais nada além de querer aproveitar aquela gostosa sensação de preguiça e sonolência que os invadia.
Perto do meio-dia, Gaara dormia tranquilamente enquanto Ino estava imersa em um estado de vigília, pensando em como as coisas vinham ocorrendo nos últimos meses. Não conseguia deixar de pensar em quando tudo aquilo acabasse, quando voltassem a Londres, como as coisas seriam. Afinal, tudo aquilo estava acontecendo em função do dinheiro que Ino precisava, e ela não conseguia calar aquela vozinha em seu inconsciente de que a acusava de estar se vendendo.
Em momento algum Gaara tinha deixado transparecer se as circunstâncias daquele envolvimento o incomodavam. Na verdade, estava cada vez mais claro a ligação emocional que os dois tinham estabelecido até ali. Mas Ino tinha a consciência de que em menos de dois meses tudo isso viria à tona. Ela pegaria o dinheiro e provavelmente nunca mais veria o homem com que tinha passado o melhor outono e o melhor inverno de sua vida.
O barulho do elevador tirou Ino de seus devaneios rapidamente, e ela se virou para ver quem entrava.
– Ino? – Temari chamou.
– Aqui. – falou baixo. Assim que Temari entrou na sala e os viu enroscados no sofá tão intimamente, seus olhos se arregalaram e sua boca se curvou em um sorriso torto.
– Como estamos? – Temari se aproximou do sofá e tocou Gaara na testa, ao mesmo tempo em que puxava a mão dele debaixo do vestido de Ino e ajeitava a peça. A moça a olhou confusa, e recebeu como resposta um olhar matreiro. – Confie em mim. Eu tenho uma surpresa que não ia gostar de ver sua irmãzinha enroscada em um marmanjo.
Os olhos azuis de Ino brilharam e ela tentou se erguer um pouco para olhar para o Hall, quando ouviu os inconfundíveis passos dele.
– Bom te ver, princesa. – o sorriso familiar de Deidara fez com que os olhos de Ino marejassem e um grande nó se estabelecesse em sua garganta. Seu irmão mais velho estava ali, na entrada do Hall, sorrindo para ela e com os abraços abertos.
Ino não se mexeu. Escondeu seu rosto no cabelo de Gaara e o apertou um pouco mais em seus braços, acordando-o sutilmente.
– O que foi? – Gaara resmungou sonolento. Abriu os olhos e reparou no choro emocionado de Ino e logo no rapaz loiro, muito parecido com ela, parado perto de sua irmã e com os braços abertos para ela. Suspirou de forma contida e se separou lentamente da Yamanaka, compreendendo tudo. – Vá lá. Ele está esperando.
Desajeitada, a loira se levantou do sofá e correu até o irmão, abraçando-o de forma saudosa e carinhosa. Temari se afastou discretamente, indo se sentar no sofá ao lado de Gaara.
– Achou mesmo que iria chegar em Tel Aviv sem que eu soubesse, princesa? – a voz calma e tranquila de Deidara fez Ino chorar ainda mais.
– Eu queria te fazer uma surpresa! – ela murmurou contra o pescoço dele.
– Pois você é péssima em surpresas, princesa. Não se lembra do aniversário do danna? Agora deixe de choro e me deixe dar uma olhada em você. – Deidara se afastou de Ino por um instante e a observou um instante.
Os olhos e o nariz avermelhados a deixavam mais graciosa. Rapidamente, as sutis mudanças em Ino foram notadas pelo irmão. O corpo mais curvilíneo, mais maduro, quem sabe pelas roupas ou pela perda de peso. A vivacidade e o brilho de cabelo de Ino deixaram Deidara bastante satisfeito, e ele assumiu que talvez Gaara fizesse muito bem à irmã.
– E você, deve ser Gaara. – ele lançou um olhar no mínimo interessante para o ruivo no sofá, vestido somente com uma calça de algodão, tendo o cabelo desalinhado e a tez levemente lívida.
– Eu sinto muito não saber quem é você, afinal, Ino não me contou. – Gaara falou tentando parecer constrangido, mas estava um tanto cansado para cordialidades. Ele se levantou e cumprimentou Deidara com um aperto de mão firme.
– Eu sou Deidara, irmão mais velho de Ino. – ele olhou para a irmã, ainda ao seu lado abraçando-o pela cintura, e sorriu. – Agora entendo porque escondeu ele de mim por tanto tempo. Eu trocaria o danna por ele. Com certeza.
– Não ia fazer diferença, os dois são ruivos. Mas posso emprestá-lo por alguns dias. – Ino disse com humor, em seguida olhou para Gaara. – Gostaria?
– Estou um tanto alheio a isso. – respondeu, confuso. – Gostaria de quê?
– De ser o novo amante de Deidara. – Temari esclareceu como se tivesse dito apenas que um e um são dois. – Eu não me importaria, maninho. Novas experiências são sempre boas para o caráter.
O rosto de Gaara adquiriu uma leve coloração avermelhada, e ele se empertigou com um olhar nervoso na direção de Ino.
– Se me dão licença... – resmungou, indo em direção ao quarto. Antes mesmo que chegasse ao corredor, pôde ouvir as risadas bem humoradas de Ino, de Deidara e de sua própria irmã.
Passou antes no escritório, onde seu computador piscava em alerta da chegada de novos emails. Gaara se desviou de seu caminho original para verificar suas mensagens, e ficou alguns minutos sozinho até Ino aparecer na porta do escritório. Parecia estar ali há algum tempo, observando-o, e tinha nos lábios a sombra de um sorriso carregado de malícia.
– Vamos sair para almoçar e conhecer a cidade. Não vai se vestir? – ela se aproximou dele com um andar felino, se curvou sobre a mesa, dando a Gaara uma ampla visão do seu decote, e sorriu inocente.
– Não estou me sentindo bem. – Gaara respondeu sem humor, voltando seus olhos para a tela do computador rapidamente.
– Gaara, se foi pelo meu irmão... – Ino começou.
– Não é por isso, Ino. Eu realmente conheço Tel Aviv como a palma de minha mão. Praticamente cresci aqui. – deu de ombros. – E não estou disposto para sair andando na cidade. Vá com Temari e seu irmão, eles serão companhias melhores que eu.
Ino lhe dirigiu um olhar estranho. Gaara não parecia abatido ou mesmo cansado, mas também não parecia estar satisfeito por ficar em casa. Os olhos dele percorriam o monitor do computador de uma forma quase obsessiva, e Ino entendeu que ele deveria ficar tratando de algum assunto particular.
– Ao menos fique na cama, se está cansado. – ela suspirou, erguendo-se e indo em direção a porta. – Vou deixar algo pronto para você comer no almoço. E me dê seu celular. Vou colocar um alarme para te lembrar do remédio da febre. Você vai tomar outro comprimido em quatro horas.
– Não precisa. – ele resmungou.
– Sanduíche de salada de frango ou sopa?
– Ino!
– Desista. Eu sei que se deixar por sua conta você não vai comer. Sanduíche ou sopa?
– Sanduíche. – bufou, quase descontente pelo excesso de preocupação. Mas no fundo, Gaara gostava daquele cuidado todo.
– Sem azeitonas e com pouca maionese?
O gesto curto de anuência foi o suficiente para Ino o deixasse em paz por longos minutos. A loira só voltou ao escritório para avisar que estava saindo, mas Gaara não lhe deu muita atenção. As informações que tinha recebido por email de seu chefe da segurança tinham lhe tragado para uma segunda dimensão.
De: Shiranui Genma (shiranui.g@sunaenterprises.com)
Para: Sabaku no Gaara (sabaku@sunaenterprises.com)
Assunto: Urgente
Sr. Sabaku,
A recente invasão do apartamento da Srta. Yamanaka foi completamente coberta pela nossa equipe de segurança. Ao que parece nada de valor foi roubado, a não ser algumas fotos dos porta-retratos.
Nossa equipe também localizou uma recente invasão no email e nas redes sociais da Srta. Yamanaka. Mas estamos concentrando nossos esforços para rastrear o autor.
Shiranui Genma
Chefe da segurança, Suna Enterprises Inc.
Gaara leu cada linha daquele email pelo menos cinco vezes antes de pegar o telefone e ligar para Genma. Ainda estava lendo quando ouviu a voz cansada de Genma do outro lado da linha.
– Me diga como e por quê isso aconteceu? – a voz de Gaara saiu feia e cortante, e quase se podia ouvir Genma engolindo em seco do outro lado da linha.
– Senhor...
– Eu pensei que pagasse o suficiente para manter a minha vida privada... privada! Eu quero saber como, quem quer que tenha sido, chegou até ela! – rosnou. Gaara se controlava para não partir tudo que estava a sua frente. Já tinha passado por situações em que o dinheiro da sua família havia colocado pessoas por quem tinha apreço em risco. Não desejava, de modo algum repetir essa experiência, ainda mais com Ino.
– Nenhuma foto da Srta. Yamanaka foi publicada ou vendida. Quem quer que esteja fazendo isso, está interessado em atingir outro objetivo. – murmurou Genma.
– O que quer dizer com isso? – Gaara se recostou em sua cadeira e suspirou cansado.
– Senhor, tentaram invadir o nosso sistema na última noite. Quem fez isso tem nas mãos uma tecnologia muito semelhante à nossa, e só não teve êxito porque uma das TI detectou o problema e arrebentou as plataformas de arquivo e abastecimento com um extintor de incêndio. O relatório de danos foi enviado para seu email.
Durante longos minutos, Genma só ouviu o respirar pesado de seu patrão. Temia que sua demissão viesse a seguir, mas ao invés disso, Gaara tinha o tom de voz baixo e gelado.
– A Suna Enterprises ainda não existe oficialmente, mas o que quer dizer com “quem fez isso tem nas mãos uma tecnologia muito semelhante à nossa”? Genma, você sabe que nossa tecnologia não dá essa margem, a não ser...
– Senhor, detectamos um pico nas atividades do setor. Nenhum outro se encaixa na forma como fomos invadidos. E não há rastros que o liguem ao ataque, mas...
– Ele possui a tecnologia. – Gaara suspirou cansado. – Você sabe que eu não posso mais apressar o rumo que as coisas vão tomar daqui para frente. Vamos ter que contar com a sorte até que a Suna Enterprises feche o negócio. Depois disso, ele não poderá fazer nada.
– Até lá, senhor, eu gostaria de recomendar cuidado e cautela. Ele pode não saber que o senhor está por trás de Suna, mas... o senhor vivo não é vantagem para ele de modo algum. E ele está curioso sobre suas recentes atividades, pode ser que alguém tente coletar informações... de inúmeras maneiras. Tomei a liberdade de reforçar os seguranças da Sra. Temari e do Sr. Kankurou. Assim como os seus e os da Srta. Yamanaka.
– Vou ficar atento. Obrigado, Genma.
Assim que Gaara se despediu de Genma, seus olhos se voltaram para o grande armário de aço no escritório. Foi até ele ainda hesitante, digitou a senha da trava e as portas se abriram. Ali Gaara guardava dinheiro, um cofre e documentos importantes. Mas seus olhos se voltaram para o par de pistolas Colt de calibre 45 na prateleira inferior.
Com agilidade e experiências verificou cada arma. Constatou todas carregadas e funcionando, uma vez que só as tinha disparado quando fora testá-las, há quase cinco anos. Colocou-as de volta no armário e torceu para não ter que usá-las.
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No meio da tarde, Temari teve que voltar para a matriz da Fundação Sabaku, no centro de Tel Aviv, enquanto Ino e Deidara foram beber um café com Sasori em um pequeno café perto da área boêmia da cidade.
– É uma loucura o que você está fazendo! – Deidara sibilou. – Você já pensou em como está sendo apenas uma coisa, um produto pelo qual Gaara está pagando, e muito bem, por sinal? – o olhar ressentido de Deidara demonstrava que ele não queria machucar a irmã, mas não gostava da forma como aquele relacionamento acontecia. – Você podia ter me pedido ajuda.
– Quase novecentas mil libras? Porque é esse o valor da hipoteca de Konohagakure!
– O problema não é esse, Ino. – ele suspirou cansado. – Eu sei que você vai conseguir chegar ao final disso, mas... e quando chegar? Eu vejo o modo como vocês agem, se olham... Você gosta dele, princesa, mas talvez, depois de tudo que ele passou com a tal Evelyn, isso seja o limite de Gaara! Um acordo, e nada mais profundo. E no fim? A corda sempre arrebenta para o lado mais fraco! Você vai ficar ressentida e machucada por um cara como ele.
– Não vai ser assim. – ela sussurrou, lutando para estar certa do que dizia.
– Como pode saber?
– Eu sei! – Ino gritou, atraindo a atenção de várias pessoas que estavam perto. Ela se acalmou por um segundo, bebendo um longo gole de seu chá, e em seguida fitou o irmão intensamente, e sorrindo leve. – Eu apenas sei, irmão. E no fim, se acabar em três meses, acabou. Afinal, ninguém pode viver sem um pouco de dor.
– Ino, você é grande, sabe o que faz da vida, mas... admita, isso não é só “um pouco de dor”. – Sasori comentou calmamente. – Já pensou no que seus pais vão pensar quando eles souberem?
– Eles não vão saber, Danna. – Ino insistiu.
– E o que vai dizer quando aparecer com oitocentas mil libras? Que achou na rua?! – o desdém pingava da voz de Deidara.
– Que Gaara me emprestou, ou mesmo doou para o orfanato. E não é a verdade. – Ino segurou a mão de Deidara e Sasori delicadamente e sorriu. – Eu fiz sexo com Gaara porque eu quis. Ele nunca me exigiu nada, na verdade, ele quase sempre me afastava. – riu com humor. – Acho que tinha medo de me desonrar. De qualquer forma, isso que temos não começou do melhor jeito, mas... não é mentira ou uma cláusula de um contrato. É porque nós dois quisemos.
– Ino... Princesa, eu só não quero ter ver sofrendo. Não sabe o quanto me dói. – Deidara murmurou, apertando a mão da irmã.
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Ino chegou em casa quando já tinha anoitecido. Foi direto para a lavanderia, onde deixou os sapatos. Ao passar na cozinha para beber um copo de água, ficou surpresa e furiosa ao notar que o sanduíche que tinha deixado na geladeira para Gaara estava intocado, e a cartela de remédios no balcão nem devia ter sido olhada.
Marchou enraivecida até o quarto — encontrando-o vazio -, onde jogou sua bolsa. Seguiu para o escritório, achando Gaara encurvado em sua cadeira, olhando a tela do computador com uma expressão carrancuda. O rosto dele estava lívido. Tinha olheiras e parecia suar. Nem percebeu quando Ino se aproximou; ou tirou os olhos do monitor quando foi tocado na testa e no pescoço.
– Você está com febre. – Ino falou devagar e baixo. – Com muita febre.
– Hum.
– Você não comeu.
– Eu não estou com fome.
– E nem tomou os remédios.
– Ainda não está na hora.
– Já passou da hora, e por isso voe está com mais febre do que pela manhã. – Ino segurou os braços da cadeira e a girou, para que Gaara a encarasse. – Você vai tomar um banho, comer e ir para a cama.
– Eu só vou terminar...
Ino se esticou e com alguns cliques, salvou o que quer que Gaara estivesse fazendo, e assim que o fez, desligou o computador puxando o fio da tomada.
– Já terminou. Vamos!
Gaara sabia que de nada adiantava discutir, mas agradecia por Ino ter tido o bom senso de ter salvado seus trabalhos. Então, sem reclamar, seguiu a Yamanka para o quarto, onde se sentou no recaimer enquanto ela enchia a banheira com água morna.
– Vou fazer uma sopa de cebola. Pode ser? – ela voltou do banheiro secando as mãos no jeans.
– Tudo bem. Vou tomar banho.
– Não fique muito tempo na água. – Ino o deixou sozinho e foi para a cozinha.
Em pouco tempo, o rico cheiro da sopa enchia a casa inteira. Ino admitiu que tinha se superado naquela noite, e mesmo que tivesse comido o suficiente para uma vida durante a tarde, sua boca se enchia só com o cheiro da comida.
Colocou uma generosa porção em uma tigela de louça e a pôs em uma bandeja sobre o balcão para esfriar um pouco enquanto ela foi tomar uma ducha rápida no banheiro do quarto de hóspedes.
Voltou para o quarto enrolada em um pesado roupão e com a bandeja de sopa. Gaara estava sentado na cama, secando o cabelo com uma toalha e já vestido com a calça do pijama. Assim que Ino lhe passou a tigela, ele começou a comer lentamente.
– Você não devia ter molhado o cabelo. Já tomou seu remédio? – Ino lhe acariciou os cabelos suavemente.
– Já. – respondeu lacônico.
– Você está preocupado.
– Problemas na empresa. Sofremos uma invasão no sistema. Alguns arquivos foram roubados.
– Em uma escala de 0 a 10?
– 53. – suspirou, afastando de si a comida. Tinha perdido a pouca fome.
– Tente comer um pouco mais. Você não comeu quase nada. – Ino falou enquanto se colocava de joelhos atrás dele.
– Não estou com fome. – disse, colocando a tigela e a bandeja no chão enquanto Ino começava a massagear-lhe os ombros.
– Hum, então tente relaxar um pouco. Você está muito tenso! – ela o beijou rapidamente no ombro quando suas mãos desceram para os músculos dos braços.
– É difícil relaxar com um prejuízo de 7 milhões de dólares na conta da empresa. Eu devia estar agradecendo, por ter sido um prejuízo estrutural, mas...
– Como conseguiram conter a invasão?
– Uma técnica ativou o protocolo de emergência. Arrebentou as plataformas de energia com um extintor de incêndio. Desse modo nossos arquivos são bloqueados, transferidos para uma rede segura e, em seguida, deletados.
– E quem disse que as coisas não se resolvem com força bruta. – Ino conteve o riso. Se a situação não fosse tão séria, daria uma boa história. – Pronto. Melhor agora?
Gaara assentiu com um gesto curto e se virou para Ino, colocando as mãos em sua cintura suavemente e a puxando para si.
– Você ainda não está bem. – ela sussurrou, pouco antes de se deixar beijar de maneira tão quente e devastadora como foi beijada por Gaara. E ele fez isso do modo mais lento que podia.
– Você tem o remédio que eu preciso. – sussurrou contra os lábios de Ino.
– Seria melhor descansar. – ela gemeu com o toque quente na base de suas costas e com as leves lambidas que a brisa fresca dava em seu corpo a medida que Gaara se livrava do roupão que Ino estava usando.
– Foda-se o que é bom pra mim. Isso é o que eu realmente quero!
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Ino estava deitada, de barriga para baixo, entre o colchão e lençóis revirados e ele. Sentia os pelos do peito dele lhe acariciando levemente as costas, o nariz dele em meio a massa rebelde e revolta que seu cabelo loiro estava. Uma das mãos dela pendia para fora da cama, e a outra ainda segurava a cabeceira com força. As costas de Ino estavam levemente arquejadas e ela ainda estava ofegante em função do orgasmo.
– Pode soltar, anjo. – a voz de Gaara era suave, e as mãos dele soltaram os dedos de Ino do metal gentilmente.
– Seu desgraçado. – Ino murmurou, fazendo um leve riso escapar dos lábios de Gaara. – Você é tão bom que me assusta.
– Te assusto de um jeito bom ou de um jeito ruim? – ele perguntou com um ar presunçoso, enquanto se retirava dela e se deitava na cama, nu e completamente relaxado.
– De um jeito que minhas pernas não vão parar de tremer por alguns instantes.
Gaara riu do comentário de Ino. Uma risada tão relaxada que quase a contagiou.
– Gosto quando ri. – Ino suspirou, olhando a vista noturna de Tel Aviv da grande parede de vidro do quarto. Estava começando a entender o amor do irmão por aquela cidade; Londres não tinha uma vista como aquela. – Mesmo que seja às minhas custas, gosto quando ri.
– Rir às suas custas? Longe de mim. – Gaara sussurrou contra o ombro de Ino, onde distribuía beijos e pequenas mordidas.
– O sarcasmo é a forma mais baixa de humor, Sr. Sabaku.
Ino levantou-se da cama, ainda nua, atraindo o olhar de Gaara, e rumou para o banheiro. Encostou a porta lentamente enquanto procurava em seu nécessaire a cartela de relaxantes musculares. Levou um comprimido a boca e o engoliu em seco. Estava moída, mas de um jeito bom. Só não queria acordar sentindo-se um hematoma gigante depois de tudo que fizeram naquela noite.
Voltou para o quarto vestida em seu robe e tentando prender o cabelo. Sentou-se aos pés da cama e quando ia começar a fazer um coque, sentiu as mãos de Gaara em seu cabelo. Ele separou três mechas e as trançou habilmente, prendendo a ponta com um elástico. Ino se virou e o beijou rapidamente para agradecer.
– Não parece com sono. – ela falou calma.
– Poderia fazer isso a noite inteira. – respondeu, já envolvendo a cintura delgada de Ino com os braços e a puxando para a cama.
– Mas eu não. Estou exausta. – suspirou.
Ino se aninhou no lado de Gaara escondeu o rosto na curva do pescoço dele, inspirando o cheiro que vinha da pele dele. Trazia-lhe uma intensa sensação de segurança que ali tinha passado a ser seu lugar favorito: nos braços dele.
E essa foi a minha perdição...
LEIAM AS NOTAS FINAIS! MAIS QUE IMPORTANTE PARA O DESTINO DE "IMPLACÁVEL"!
Notas finais
Muita gente odeia a Evelyn, mas no fundo mesmo, é por não entender a personalidade dela. Até porque eu não explicitei pois não era o meu foco, até então. Mas vamos esclarecer e adiantar um pouco dela.
Evelyn é uma personagem muito dicotômica. Ela tem seus próprios demônios interiores que não consegue lidar, por isso acaba fazendo coisas que talvez ela não quisesse ou mesmo não tem ideia se quer ou não; Quase por impulso.
Ela viu em Gaara uma espécie de porto, mas aquilo que ele queria e imaginava para eles dois juntos, se chocava com as vontades das pessoas com quem Evelyn convivia, que tinham uma forte influência sobre ela.
Sobre Evelyn, ainda tem muito água para rolar, mas não a odeiem, pois ela pode trazer algo muito positivo para a história! Isto é, se vocês quiserem.
Bom, o negócio é o seguinte: eu pensei em uma segunda parte/temporada da fanfic. A partir desse capítulo devem ter 4 ou 5 capítulo até Implacável acabar - isso me corta o coração. Eu pensei em escrever o que acontece depois do fim - que eu não vou contar. Desenvolver uma nova problemática e tudo que vier depois do último capítulo de implacável. Mas eu só vou fazer isso se eu tiver, no mínimo, 15 respostas positivas nesse capítulo e no próximo (ou seja, nos capítulos 16 e 17).
Enfim, se você, leitor, quer uma contiuação, escreva, além do seu bonito comentário, |Continuação Implacável| na parte "O que você mais gostou?", e só isso nessa parte! Algo além, é desnecessário. Se não, não escreva nada.
Eu estou fazendo isso porque eu tenho uma semana corrida, e cada tempo que eu paro para escrever é mais que precioso. Mas se ninguém for ler, eu já nem me dou ao trabalho.
Enfim, conto com a participação de todos!
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