Implacável
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Ao que interessa, queria agradecer a recomendação de Lu Black! Veio num momento super importante, em que eu estava sem inspiração alguma. Obrigada! E os comentários dos capítulos anteriores, foram um mais lindo que o outro.
Bem, amanhã é o aniversário da minha irmã, mas quem ganha o presente é vocês - promoção de mercado, oi?
Enfim, enfim... Parabéns Irmã, e aproveitem o capítulo!
31 de outubro, sexta-feira
Costa Brava, Girona, Espanha
Geborgenheit(s) em alemão: sensação de segurança e bem-estar como se nada pudesse prejudicá-lo. Sentimento geralmente ligado a um determinado lugar ou pessoa.
Gaara foi pego de surpresa quando acordou em deu de cara com Ino lhe encarando com mais um daqueles sorrisos que o faziam parar de pensar racionalmente.
– Vamos a uma casa noturna? – ela perguntou num estalo. O ruivo ainda estava sonolento demais para perceber a garota sentada em suas coxas, perto demais de seu quadril. Foi um leve latejar de seu joelho que o fez despertar.
– Bom dia, Ino. Eu dormi bem, apesar de ter despertado com meu joelho doendo, já que você está o colocando em uma posição incômoda. Obrigado por perguntar. – Gaara resmungou, segurando Ino pela cintura, a tirando de cima dele e a jogando para o colchão.
– Desculpe por isso. – ela contrai os lábios. – Mas é que Neji vai embora amanhã, e hoje é Halloween e eu e Tenten estamos doidas para sair para dançar...
– Devagar, Ino. – sussurrou, voltando a cair na cama. – É impossível pegar todas as informações tão rápido logo pela manhã.
– Você está falante, então é um bom sinal. – Ino continuava falando rápido demais. – Eu encontrei uma casa noturna ótima no centro. Tem uma área vip com isolamento acústico, já que você não gosta de barulho e... Você me largou aqui sozinha por três semanas, está me devendo!
– Você pode fazer o que quiser com sua amiga, mas eu mantenho minha opinião sobre casas noturnas. – Gaara murmurou. – O carro estará à disposição de vocês.
– Vamos, Gaara! Até Neji concordou em ir, então vá para fazer companhia.
– Neji não vai querer olhar na minha cara se Tenten estiver dançando na frente dele. – falou com displicência, e Ino o estapeou pela indiscrição.
– Como...?
– Conheço Neji. Ele não é muito de falar, mas me contou sobre a garota de Cornwall. Eu só não imaginava que ela era sua melhor amiga e que eles se encontrariam no meu jato. – Gaara suspirou, se sentando em sua cama, sabendo que Ino não o deixaria dormir mais. – Se querem sair, tudo bem, mas não se afoguem em bebida e, Ino... tente não repetir o evento de Mônaco.
Ino bufou e saltou da cama de Gaara para o chão, saindo do quarto pisando firme.
Ele reparou que ela estava vestindo uma das camisolas compradas em Lyon; uma peça branca, de alças, com o decote feito de rendas e cujo comprimento ia até metade das coxas, deixando pouco para a imaginação. Gaara praguejou por ter reparado no cetim que se ergueu quando Ino saltou da cama e lhe deu uma boa visão das coxas dela.
– Isso só pode ser algum teste. – Gaara resmungou fechando os olhos e pressionando a boca até que se formasse uma linha fina. – Um teste de sanidade.
Ino praguejou audivelmente quando saía do quarto de Gaara, e distraída, acabou esbarrando em Neji.
– Seu amigo parece um velho ranzinza. – Ino falou seca. – Como consegue suportá-lo?
– Quem tem que me dizer isso é você, Srta Yamanaka. Não é a namorada dele? – o Hyuuga rebateu. Parecia mal humorado para quem tinha acabado de fechar um ótimo contrato para a Construtora Hyuuga.
Ino ficou calada, pensando em uma resposta para dar a Neji. Não tinha ideia de até onde o Hyuuga sabia, então se limitou a sorrir e convidá-lo para o café da manhã.
No caminho para a sala de refeições, arrastou uma Tenten severamente sonolenta consigo. A morena ainda estava vestida com uma camisa de time de rugby, e com sono o suficiente para não se sentir desconfortável na presença de Neji. Não demorou muito e Gaara desceu para comer, e a primeira refeição do dia aconteceu em silêncio.
Logo após o café, Ino arrastou Tenten para a praia enquanto Neji e Gaara foram conversar no escritório. Gaara parou de frente a janela, de onde pôde ver Ino e a amiga sob a sombra do deque, ambas em seus biquínis, conversando animadas.
– Essa garota, onde arranjou ela? – Neji perguntou displicentemente, se sentando em uma das cadeiras de frente a grande mesa de madeira de lei.
– Ino? Apareceu na minha casa, cheirando a banheiro e me falou um monte de coisas. Foi atropelada por um ciclista no meu portão. Estragou um dos meus melhores sapatos e...
– Te colocou aos pés dela. – ele completou com um leve tom de brincadeira. – Diferente de mim, você não demorou em colocar ela sob sua vista. Embora eu deva agradecer por ter feito isso, gostaria de saber o porquê.
– Eu queria saber aonde uma mulher como Yamanaka Ino me levaria. Agora que estou descobrindo, me parece loucura tudo isso. Mas ela encara com tanta naturalidade. – Gaara virou-se para o amigo e sentou-se em uma das cadeiras de frente a ele. – Esta manhã, acordei com ela em cima de mim. Sentada um pouco abaixo dos quadris, mas ainda perigosa demais para ficar tão perto.
– Se ela é sua namorada, ou mesmo amante, por que os quartos separados?
– Temos um acordo. Que não inclui favores sexuais, Ino não é minha amante. – Gaara deu de ombros.
– Isso sim é surpreendente. – Neji ergueu as sobrancelhas, descrente das revelações de Gaara.
Um dia, o Hyuuga o tinha procurado e contato sobre a garota de Cornwall. Gaara o escutou pacientemente, e não o julgou. Agora, ele escutava o amigo e não o julgava também, ambos estavam em situações muito distintas, mas isso não queria dizer que nenhum dos dois entendia o que o outro passava.
Era noite quando Tenten e Ino voltaram do passeio que fizeram na cidade. Tinham algumas sacolas consigo, e a agitação delas chamou a atenção dos homens. Nenhuma das duas desceu para o jantar; Magdalena apenas tinha subido com alguns sanduíches.
Foi perto das nove que Tenten e Ino resolveram descer. Neji jogava uma partida de xadrez com Gaara na sala quando as duas desceram as escadas sorridentes. Tenten estava usando um vestido de organza vermelho justo ao corpo, sem alças e que ia um pouco abaixo da metade das coxas. O cabelo estava solto, diferente do rabo de cavalo que ela costumava usar, caído em ondas naturais. Estava maquiada de forma discreta, mas a atenção do seu rosto estava na boca, perfeitamente pigmentada de vermelho.
– Tem mesmo certeza de que não vem com a gente, Gaara? – Ino se aproximou devagar, caminhando elegantemente em seus Louboutin pretos altíssimos, mas que não a fizeram alcançar os quase dois metros de Gaara. Estava enfiando seu blackberry na pequena bolsa de mão prateada.
Vinha em um vestido paetê preto e justo, de mangas curtas com o decote em coração. Ela se movimentou, deixando seu cabelo, solto e liso, cair levemente no ombro de Gaara, permitindo-o sentir o perfume de flor de ameixa que emanava dela e entorpecia seus sentidos quando ela se inclinou.
– Vou pegar meu casaco. – Gaara se levantou e subiu as escadas rapidamente. Ino lançou uma piscadela cúmplice a Tenten, e assim que tudo foi arranjado, os quatro saíram de casa.
Neji ofereceu-se para dirigir, então Gaara acompanhou-o no banco do passageiro enquanto Ino e Tenten ficaram no banco de trás. As duas estavam tão animadas com a expectativa da noite que teriam, que mal se importaram com engarrafamento em que ficaram parados quando entraram no distrito boêmio da cidade.
A casa noturna tinha estacionamento e manobrista, mas a maioria das pessoas considerava o serviço desnecessário, já que vinham de táxi ou, no caso de algumas, com motorista.
O manobrista, um rapaz magro de cabelos bagunçados e pele morena, ficou realmente satisfeito em ter a oportunidade de dirigir um carro tão chique quanto o Audi Q7 SUV. Ino não sabia se o grupo estava chamando atenção, mas assim que chegaram na porta do lugar, não tiveram que enfrentar a interminável fila para entrar. Os seguranças os liberaram imediatamente.
– Baki fez uma reserva de um ambiente VIP, com isolamento acústico. – Gaara gritou perto do ouvido de Ino. A música eletrônica estava muito alta, e os quatro só conseguiram se comunicar sem gritar quando entraram na cabine isolada feita de vidro.
– Esse lugar é incrível! – Tenten comentou se sentando no estofado em forma de U em volta de uma mesa de madeira escura.
A cabine era de vidro espelhado, e dela se podia ver as pessoas no salão logo abaixo na mais perfeita privacidade. Em um dos cantos, havia um pequeno bar, com vários tipos de bebida e duas garrafas de champanhe que já estavam geladas no balde de inox.
Gaara se acomodou no estofado e observou, displicentemente a festa acontecendo no salão. Alguns minutos depois, Ino estava sentada ao seu lado, lhe oferecendo uma taça de champanhe.
– Pra quem não gosta de casas noturnas, você até que está bastante a vontade. – ela comentou com um sorriso.
– Eu não gosto de barulho, Ino. É diferente. – Gaara voltou a olhar o salão apinhado e barulhento.
– Alguém aceita margaritas? – Tenten falou entusiasmada assim que encontrou uma garrafa de tequila no bar.
A noite dava sinais de que seria longa, então Gaara tratou de ser paciente. Junto a Neji, bebia seu champanhe sem pressa, enquanto Ino e Tenten já tinham perdido a conta de quantas margaritas tinham bebido.
As duas acharam um pequeno painel que permitia regular o volume da música da cabine. Teriam ali sua própria festa particular, sem que Gaara pudesse reclamar do barulho.
O que tanto o ruivo quanto Neji estavam achando perigoso, era o fato de ter duas garotas, quase ébrias, dançando de forma tão sensual ali, na frente deles. Os dois tiveram o mesmo pensamento de que aquilo era algum tipo de provação, pois elas pareciam tão alheias ao que se passava a sua volta.
– Eu vou para o salão, quem me acompanha? – Tenten perguntou animada, já indo para a porta.
Ino foi rápida em pegar o cartão magnético que liberava a entrada antes que Gaara ou Neji o fizessem. As duas saíram apressadas e bateram a porta atrás de si. Demorou um tempo até um dos dois conseguir localizá-las na pista, e ali as duas pareciam... divinamente profanas.
– Isso está se tornando perigoso, Gaara. – Neji comentou sufocado.
– Qual é a sua com a Tenten? – Gaara quis desviar o rumo do assunto para longe dele. – Quero dizer, vai insistir na moça?
– Se você tivesse sentido aquele corpo – apontou para ao salão com o polegar. – como eu senti... Estaria desejando colocar ela no ombro e ir embora. E não é só físico, ela tem uma coisa que...
– Uma teia. – respondeu enquanto bebia mais um gole de champanhe. – Que te prende de um jeito que você não quer sair.
Os dois ficaram em silêncio, cada um com sua bebida, durante alguns minutos.
Ino e Tenten não perderam tempo assim que conseguiram se livrar de Gaara e Neji. Mal tinham deixado a cabine privativa, e já estavam se jogando na pista de dança ao som de um remix das Pussycat Dolls.
Paravam de dançar só para ir no bar pegar mais bebidas, e quando Ino já tinha bebido a oitava margarita, sua cabeça girou. Olhou para a amiga, que tinha a constituição de um touro no que dizia respeito a bebida, e viu que Tenten já tinha arranjado uma cerveja.
– Vou ao banheiro, querida. – Ino gritou para Tenten quando sentiu a cabeça girar novamente.
Ela cambaleou para fora da multidão e deu de cara com a fila do banheiro. Embora a área tenha o ar mais fresco, não gostou de ficar esperando ali. Ficou algum tempo até conseguir usar o banheiro, onde só se deu conta de que estava apertada quando conseguiu fazer xixi. Lavou as mãos, e umedeceu a nuca.
– Eu estou tão bêbada. – Ino resmungou se olhando no espelho.
Saiu do banheiro, sentindo o ar pesado e a bebida entorpecer-lhe os sentidos. Voltou para o bar, onde encontrou Neji se aproximando de Tenten. Ino se sentou em um dos bancos junto a balcão, pediu ao bartender uma tônica com gim e limão, completamente alheia ao casal ao lado.
– Tenten, vem comigo. – Neji falava calmo, mas estava quase explodindo com a atitude da morena.
– Me larga! Eu to legal. – a morena está corada, e não parece focar no rosto de Neji. Seus olhos brilham de raiva e por causa da bebida, e Tenten não parecia firme nos saltos. Era a oportunidade perfeita; e foi quando Neji a segurou firmemente pela cintura e juntou seus lábios.
Até mesmo naquilo eles divergiam. Assim que suas línguas se encontraram, não foi um contato suave e tranquilo. Era uma batalha, lascivamente conflituosa, que causou arrepios em Tenten e aqueceu seu corpo da mesma maneira que há dois anos em Cornwall.
As mãos de Neji exploravam com avidez cada curva do corpo feminino colado ao seu. Não ousava afastá-la um centímetro, mas aquilo era torturante. Queria levá-la para um lugar com menos barulho, onde pudesse escutar os gemidos de prazer que ele lhe proporcionaria. E a cada vez que Tenten empurrava seu quadril contra a ereção latente de Neji, ele sentia que poderia tomá-la ali mesmo.
– Ei, vão para um motel. – Ino gritou para os dois, sorrindo bêbada e fazendo-os se separarem constrangidos. Bebeu um longo gole de sua bebida, como se nada estivesse acontecendo.
– Ino, eu... – Tenten tentou, mas não conseguiria se explicar nem em um milhão de anos.
– Esquece, só não se esqueçam de usar camisinha. E não façam muito barulho ou vão assustar Magdalena. – riu. – Eu e Gaara voltamos de táxi.
Neji assentiu seriamente e puxou Tenten, sussurrando no ouvido da moça: temos muito o que conversar, mas isso pode esperar.
Ino decidiu que era melhor sair e tomar um pouco de ar. Abriu caminho pela multidão até a saída dos fundos, começando a sentir náuseas e a cabeça girar desconfortavelmente. Mais instável que se estivesse pisando em gelatina, ela mal conseguia ficar de pé. Assim que alcançou o estacionamento, Ino respirou com vontade o ar frio.
Escorou-se na parede fria de tijolos, praguejando mentalmente as razões que a levaram a ficar naquele estado. Quando sentiu uma mão forte segurá-la pelo braço com firmeza.
– ¿Chica, estás bien? ¿Necesitas de ayuda? – um homem alto, de pele morena e cabelos escuros, lhe abordou. Seus olhos escuros a fitavam com uma intenção oculta.
– Eu estou bem. Pode me soltar. – Ino tentou se afastar dele.
– Uma gringa! – ele falou em um inglês carregado. – Vamos nos divertir um pouco, então!
– Não, obrigada. Meu namorado está me esperando. – chutou-se por mentir.
O homem colocou uma das mãos nas costas de Ino, prendendo-a contra ele e levando outra mão ao rosto delicado, segurando-o com força pelo queixo. Puta merda, Ino pensa, alarmada.
Todas as terminações nervosas de seu corpo gritaram em alerta, e nem a carga de adrenalina que corria em suas veias lhe deu força suficiente para afastar o homem de si. Ele era muito mais forte que Ino em seus cinquenta quilos distribuídos em um metro e sessenta.
– Não, me solte! – Ino o empurrou novamente, mas o homem não se moveu um milímetro. Sentiu que ele a beijava no queixo e descia para o pescoço, ao mesmo tempo em que a pressionava contra a parede fria.
– Vamos lá, gata. Vamos nos divertir!
Ino estava assustada, bêbada e sozinha. Sentia suas via aéreas se fechando.
– Por favor, me solte. – suplicou.
– Eu acredito que a moça não deseja isso. – a voz dura e grave de Gaara foi como um golpe para Ino. Ao mesmo tempo em que se sentia aliviada por se livrar daquele homem, estava para desmaiar de vergonha por acabar em uma situação assim.
O homem olhou Gaara, vendo que o ruivo era mais alto, e tinha uma boa estrutura para aguentar uma briga. O olhar duro e gelado de Gaara, por si só, era ameaçador. Optou pela opção mais inteligente: se afastar.
Antes que Ino pudesse se controlar, já estava vomitando profusamente no chão. O homem a olhou com cara de nojo e se afastou, enquanto Gaara segurava o longo cabelo loiro e a puxava para um pequeno pedaço de terra no lado mais afastado do estacionamento.
– Não se preocupe, eu seguro você.
Gaara nem precisou falar mais. Ino estava vomitando novamente, e seu corpo tremia e sofria com espasmos violentos. Vomitou mais duas vezes, e foi quando seu estômago tinha se livrado de toda a bebida e de qualquer coisa mais – inclusive a bile, Ino sentiu Gaara limpar seus lábios com um lenço de linho que ele levava no bolso.
– Sinto muito. – ela gemeu fraca. Gaara a apoiou em seu lado e a leva para se encostar na parede novamente.
– Bem, acho que todos nós já passamos por isso. – Gaara disse bruscamente, olhando atentamente para o rosto de Ino, vendo-a pálida e sonolenta. – Mas você tem um talento especial para confusão.
Por mais que tenha vomitado, Ino ainda sentia o álcool em seu organismo. Estava zonza e torpe. Jurava nunca mais beber, pois nunca tinha se sentido tão débil e frágil quanto naquele momento. Arrepios medonhos lhe percorriam o corpo, e para sua sorte, Gaara fez a gentileza de lhe oferecer o casaco.
Ela estava mal o suficiente para ser poupada do sermão por aquela noite.
– Já chega por hoje. Vamos para casa. – ele murmurou.
Gaara passou o braço por sua cintura e apoiou a maior parte de seu peso. O barulho deixou Ino ainda mais atordoada. Pararam no bar, onde Gaara foi atendido imediatamente. Ele entregou ao bartender o registro eletrônico das despesas da noite junto com o cartão de crédito enquanto outro funcionário do bar saiu apressado em direção ao andar privativo, e voltou logo com a bolsa de Ino, entregando-a para a loira.
– Beba, vai se sentir um pouco melhor. – ele entregou a Ino uma garrafa de água gelada. Ela bebeu com avidez, e assim que terminou, os dois saíram da casa noturna.
Comodamente, Baki os esperava na porta do estabelecimento. Ino mal se aguentava de pé e assim que se viu na segurança do carro, com Gaara ao seu lado, suspirou cansada.
– Pode começar o sermão. – resmungou, ainda bêbada.
– Vou te poupar disso até amanhã. E não desmaie, ou vamos acabar a noite em um hospital.
Mal tinha terminado de dizer, e a cabeça de Ino pendeu para frente. Estava desmaiada.
– Porra! – Gaara murmurou, furioso.
Neji arrastou Tenten para o carro. Os dois não pensavam em outra coisa senão chegar na casa dos Sabaku. Mal conseguia manter os olhos na pista, e quando entrou na garagem seu corpo parecia em ebulição.
Segurou a morena pela cintura quando ela mal tinha saído do carro, bateu a porta e a puxou para um novo beijo. Mais ardente, rude e lascivo que o primeiro. Carregado da falta que ele sentiu nos últimos meses.
– Acho... que... o quarto...Ah! – Tenten gemeu quando a boca de Neji alcançou seu pescoço e uma das mãos dele apertou-lhe um dos seios.
– Eu poderia devorar você inteira no capô desse carro agora mesmo. – ele sussurrou, com a respiração irregular. – Não fazer isso está exigindo muito do meu autocontrole.
Tenten o ouviu rosnar quando ela o provocou, mordendo sua orelha de forma sensual. Espalhou beijos pela lateral do rosto de Neji, e sua mão deslizou pelo torso até a ereção contida pelas roupas.
– Você vai me ter toda para você, assim que eu ouvir você... implorar. – ela riu diante da careta que Neji fez. – Esse jogo é para dois, garotão.
Neji a agarra pela cintura e a leva para o interior da casa, beijando-a de forma faminta por todo o caminho até o quarto. Assim que fecha a porta do cômodo, acende a luz e afasta Tenten um pouco para vê-la melhor.
O cabelo castanho está amassado, e emoldura seu rosto de uma forma sexy. O batom vermelho está borrado, e o vestido torto no corpo. Via-a como uma deusa caída, que ele empurrou para a cama apressadamente.
– Se vire. Quero tirar esse vestido de você. – Neji sussurrou. A voz grave esconde a suavidade e tornavam o pedido quase uma ordem, que Tenten obedeceu com prazer.
Sentiu as mãos dele em seu corpo, segurando-a enquanto deslizava o zíper em suas costas tão devagar... A peça folgou, e ele encaixou o dedo no decote, puxando-o para baixo bem lentamente. Tenten sentia que ia ter um acesso de prazer intenso só de sentir a expectativa que o retirar de suas roupas trazia.
– Você é muito cheirosa. Chocolate... sempre chocolate. – ele diz, inclinando-se e inalando o cheiro que vinha do cabelo de Tenten. O vestido finalmente tinha saído do corpo da morena, restando somente uma pequena calcinha de renda marrom. Neji mordeu os lábios diante da visão. – Não sabe como desejei isso...
– Vou deixar meu cheiro em você, garotão. Assim não vai ter desculpas. – Tenten disse com um riso baixo, levantando-se da cama e se aproximando de Neji. Segurou a fivela do cinto com uma das mãos enquanto a outra ia para o rosto dele, onde ela o acariciou com a ponta da unha pintada de preto.
Um a um, ela tirou os botões da camisa que ele usava. Poderia tê-lo feito com os dentes, mas queria guardar aquilo para outra ocasião. Jogou a peça para outro canto, e se concentrou no cinto. Ela se demorou bastante ali, vez ou outra acariciando-o por cima da calça, como se o fizesse acidentalmente. Quando se livrou do cinto, Neji não esperou-a para retirar a calça; num movimento rápido, se livrou dos sapatos e da calça, avançando para a morena somente com as boxers. Os dois caíram pesadamente sobre a cama.
A respiração de Tenten mudou, quando sentiu a boca dele em seu ombro, mordendo, chupando e beijando; dolorosamente lento, para depois acelerar a medida que descia para o colo, o vale entre os seios...
– Ainda estou de sapatos, garotão. – ela sussurrou, passando o salto dos Louboutin Very Riche Strass na perna de Neji.
– Fique com eles. – sussurrou, beijando-a ao redor do pescoço. Tenten se retorce languidamente ao sentir uma das mãos dele em seus seios. Não contém um gemido se satisfação ao sentir a atenção que Neji dava ao local, e pragueja mentalmente.
– Você sabe como tratar uma garota. – gemeu em seu ouvido.
– Se tem uma coisa em que sou melhor que nos negócios, é fazendo sexo.
Isso é como um estopim para a morena. Seu corpo se ergueu e automaticamente ela pressiona seu quadril contra a ereção dele; movendo-se sensualmente, e de maneira tão íntima.
Tenten podia sentir Neji sorrindo quando a boca dele encontrou seus seios e ele espalmou a mão em sua bunda, pressionando-a ainda mais contra si. Seus dedos se prenderam na calcinha da morena e com uma pequena força, ele rasgou o tecido e jogou para qualquer canto. Oh, meu Deus, Tenten pensou ao ver o pequeno pano rasgado no chão do quarto.
No entanto, sua mente paralisou quando sente o toque dele em seu sexo úmido e pulsante.
– Você está pronta para mim. Oh, sim... – ele deleita-se, levando o dedo para a boca. – Tão doce... Eu tinha outras ideias, mas vamos ter tempo mais tarde.
Suavemente, Neji pegou as mãos de Tenten e as levou para a boxer que ele usava, dando um sinal para lhe despir. A morena fez isso devagar, observando com cuidado cada reação dele e constatando que aquele homem era seu.
Empurrou-o para a cama, e lentamente, puxou a boxer. Seus olhos brilharam diante da ereção pungente; e suas mãos não resistiram acaricia-lo lentamente. Neji tinha os olhos fechados, e assim que sentiu as mãos pequenas de Tenten o segurarem, empurrou os quadris para frente.
– Tem que aprender a ficar quieto, garotão. – repreendeu-o com um sorriso malicioso, ao mesmo tempo em que continuou com a carícia.
Em resposta, Neji a segurou pelos braços e a puxou para cima, beijando-a de forma calma, explorando com vontade cada canto da boca da morena como se provasse a mais fina iguaria.
– Está tomando pílula? – ele perguntou devagar. E Tenten sacode a cabeça, negando.
Neji soltou um suspiro cansado e alcançou a gaveta da mesa de cabeceira, tirando dali um preservativo. Rapidamente, se sentou na cama e deslizou a camisinha por seu sexo; segurou Tenten pela cintura e a sentou sobre seu quadril.
A morena pensou ter ouvido Neji lhe sussurrar algo, mas em um segundo, ela estava flutuando na onda mais capitalista de prazer quando foi bruscamente penetrada.
Neji recuou, lentamente, geme devagar e voltou a penetrá-la, puxando-a ainda mais pelo quadril. A mente de Tente havia se transformado em uma tela em branco, que só voltou a tona quando sentiu a cama em suas costas e o peso de Neji sobre seu corpo.
– Mais? – ele sussurrou de forma quente, recuando o quadril, preparando-se para entrar novamente.
– Não. – ela gemeu de forma sensual. Neji suspirou quase irritado, quando ela espalmou a mão em seu peito e sorriu. – Implore, garotão.
Ele ainda se curvou para beijá-la, mas Tenten o empurrou novamente, acariciando-lhe a face.
– Isso foi só uma prévia do que vai ter se você pedir com jeitinho.
Cansado e excitado, Neji levou a boca até a orelha dela e mordeu delicadamente.
– Por favor... – sussurrou, espalhando beijos pelo pescoço e acariciando-lhe os seios. – Por favor... Seja minha.
A Mitsashi sorriu vitoriosa, envolvendo as pernas na cintura de Neji e o puxando, ao mesmo tempo em que o beijava e era penetrada de forma quase seca. Ele entrava e saia de seu corpo rápido, mas depois diminuiu o ritmo, investindo de forma lenta e torturante para ambos, fazendo a morena gemer seu nome de forma dolorida. Mas a tortura parecia aumentar o prazer, e é quando Tenten sente algo crescer no mais profundo se si.
Ela sentiu seu corpo se contrair a medida que era penetrada. Seu corpo estava coberto com o suor de ambos, seu cabelo grudado em sua face, na cama e em suas costas; e quando Neji a olhou entendeu que a imagem de Tenten em suas lembranças não fazia jus àquele momento.
– Goze para mim, baby. – Neji sussurrou quando a sentiu contrair. O clímax atinge a morena, e ela se vê novamente flutuando em uma onde de puro prazer. Ele gozou logo em seguida, rosnando seu nome.
Os dois estavam ofegantes, e devagar, Neji vai relaxando sobre o corpo de Tenten. Ele apoiou a testa na dele, ainda unidos, inclinou-se e a beija. Fez que vai se erguer, mas a morena o segurou pelos ombros.
– Depois isso será bem desconfortável. – ele avisa.
– Você não está falando isso, está? – Tenten perguntou com um sorriso jocoso, mas que logo se desfez assim que ela se deu conta da situação.
– Por favor, continue sorrindo e deixe qualquer porcaria de lado. – Neji resmungou, separando-se de Tenten e deitando-se na cama, apoiado em um cotovelo e observando-a com cautela.
– Não dá. Olha, eu não sou a mais conservadora do mundo, mas... a gente mal se conhece e está fazendo sexo assim, na casa do homem da minha melhor amiga. – Tenten bufou. – Sério, esses não eram meus planos para essa viagem.
– Arrume as suas coisas. – Neji falou grave. – Vamos pegar o primeiro voo para qualquer lugar e sumir por algum tempo. Sem planos, deixar as coisas tomarem seu rumo sozinhas.
– Neji, você não pode largar as coisas assim! Seu trabalho, e a minha faculdade...
– Tenho uma vida de férias vencidas. – ele deu de ombros. – Não quer arriscar?
Tenten ficou calada, olhando para Neji com uma expressão incrédula. Até que começou a rir.
– Reparou que nós trocamos de papéis? – perguntou ainda rindo.
– Tenten... – ele rosnou, segurando-a pela cintura.
– Tá bom, eu vou arrumar as minhas coisas. – Tenten se livrou das mãos de Neji e saltou da cama.
Se esqueceu que ainda estava de sapatos, e quase levou um tombo, mas conseguiu se equilibrar a tempo. Pegou a camisa de Neji no chão e a vestiu sem cuidado algum.
– Droga de sapatos! – resmungou já indo para a porta.
– Gostei dos seus sapatos. – Neji retrucou, e recebeu de Tenten uma careta.
Ino sentiu a claridade agredir-lhe os olhos. Estava tão confortável na cama, até o momento em que resolveu se mexer, e sentiu cada celular muscular protestar. Sua cabeça parecia que ia explodir. Estava só com uma das camisolas de Lyon, o que quer dizer que alguém a tinha vestido. Tentou se sentar na cama, mas desistiu quando sentiu sua cabeça reclamar.
– É melhor ficar deitada, você não está bem. – Gaara comentou baixo. Estava sentado na poltrona de frente a cama de Ino, ainda com as roupas da véspera. Ao seu lado havia um copo vazio e olheiras estavam abaixo de seus olhos.
– Assim que eu comer e dormir um pouco vou me sentir melhor. – gemeu dolorida.
– Faça isso. Assim que eu tomar conseguir um banho, conversamos. – Gaara se levantou e saiu do quarto.
A moça jamais tinha se sentido tão culpada em toda sua vida. Tinha ficado bêbada, nem tinha ideia de onde Tenten poderia estar e acabou deixando Gaara preocupado. Em outra situação, comemoraria o último fato, mas não era o caso.
Levantou-se com dificuldade para usar o banheiro. Tomou um longo banho e vestiu uma de suas camisetas mais velhas; queria se enfiar em suas cobertas pelo resto da vida, então nem ligou em vestir um short. Assim que saiu do banheiro, reparou na bandeja com seu almoço sobre sua cama, embora já passasse das três da tarde.
Junto ao gaspacho e ao suco de laranja, havia um bilhete e dois comprimidos de ibuprofeno. Ino bebeu o remédio com o suco e enquanto comia, lia o bilhete.
Querida,
Eu e Neji resolvemos... bem, vamos tirar uma folga. Vamos pegar o primeiro voo para qualquer lugar, e ver no que dá. Quando chegar eu te ligo!
Amo você,
Tenten.
p.s: nosso voo é para a Irlanda.
p.s2: chegou a hora suspender o tempo que dei para o coração. Pense nisso.
Então era isso. Tenten e Neji tinham fugido.
Ino colocou a bandeja no recaimer e voltou para as cobertas, feliz pela amiga e já se preparando para o sermão que receberia de Gaara.
Mal tinha se encolhido nos cobertores, e Gaara entrou em seu quarto junto de Cecília. Ela recolheu bandeja, enquanto o ruivo tinha se virado para a janela com uma das mãos nos bolsos do robe que estava usando e a outra passando pelo cabelo molhado nervosamente.
–¿Algo más, señor? – Cecília perguntou baixo, ciente da fúria de seu patrão.
– No más, Cecília. Puede ir. Di a los empleados que se quedan en la planta baja. – Gaara falou seco. Assim que Cecília saiu, ele não se virou para Ino. Suspirou, como se buscasse calma.
– Bem, em minha defesa, eu quero dizer que aquilo nunca aconteceu antes. Eu sempre fui controlada e... Eu só... Ah, esquece. Eu sinto muito pela cena que armei. – Ino sorriu amarelo, no momento em que Gaara se virou.
– Espero que a atitude da noite anterior não seja um hábito seu. – Gaara falou sério, embora sua voz denunciasse seu cansaço.
– Eu... eu... Eu nunca fiquei bêbada desse jeito. Acho que me deixei levar. – ela sussurrou devagar.
– Se deixou levar... – Gaara falou de forma dura, que fez Ino se encolher constrangida, analisando com cuidado as palavras dela. – Era isso que eu iria dizer aos seus pais quando eu a mandasse para Londres, depois daquele homem ter feito o que quisesse com você. “Sinto muito, senhor Yamanaka, ela se deixou levar”? Antes de fazer algo tão irresponsável, quanto beber até não ter mais noção do que acontece com você, pense antes na decepção que causaria aos seus pais.
– Eu sinto muito. De verdade. – os punhos de Ino estavam cerrados. Por mais que as palavras soassem duras, era a verdade.
Ino baixou a cabeça, sentindo-se horrível. Gaara tinha razão; por mais que quisesse se divertir naquela noite, tinha agido como uma adolescente irresponsável. Não mediu as consequências dos seus atos e agora estava pagando por eles. Gaara ia se levantar da cama, mas Ino segurou sua mão com firmeza.
– Eu sei que não mereço um grama da sua piedade, mas... pode ficar um pouco comigo?
Gaara assentiu com um suspiro cansado. Ia levantar-se e ir para a poltrona, mas Ino enroscou os braços em sua cintura, num abraço estranho. Ele se ajeitou na cama, encostando-se na cabeceira e permitindo que a loira repousasse a cabeça em seu peito, ao mesmo tempo em que passava um braço pelos ombros curvados dela.
Ambos admitiam que, apesar da situação, aquele momento era bom.
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