Imperfeição

1 Imperfeição


Não sabia por onde começar

Não sabia ao menos como terminar.

Queria abrir aqueles olhos já sem vida

Olhos molhados, lágrimas salgadas demais.

Permanecia com seus delicados orbes fechados.

Tinha medo de abri-los e ver o que não deveria.

A escuridão consumia suas horas.

A solidão lhe abraçava fortemente, sufocando-lhe.

Ela queria se livrar daquilo.

Escarlate quente.

Antes quente agora gélido.

Acostumou em abrir a própria carne

E ainda por cima ver seu sangue tão gelado

Como a neve.

Doce neve, doce inverno eterno.

Prendia-se a um espaço e tempo apenas dela.

Perdeu tudo pouco a pouco.

A alegria, o calor, o desejo, a esperança.

Culpa de quem?

De si mesma que sempre viu que

A mente pregava-lhe peças eternas.

Tornou-se prisioneira do medo e da solidão.

Tornou-se uma criatura da noite.

Quando amanhecia, ah o quente sol.

Seus raios nunca alcançavam aquele lugar escuro e frio.

Essa doença matando-lhe pouco a pouco.

Corpo agora febril.

Dava voltas rápidas ali para lugar nenhum.

Respiração faltando-lhe.

Mais um ato.

Cena repetida.

Ela estava a chamando há quanto tempo?

A quanto tempo estava chamando por sua amada dama?

Os dias corriam como anos e ela não vinha.

A sua dama havia se esquecido de sua existência?

Ela acreditava naquela única dama.

A única que lhe amaria para sempre.

Mas para sempre não existe.

E começa a acreditar que novamente estava esquecida.

Mergulhava em sua própria melancolia.

Queria quebrar aquela barreira.

Obrigar a sua dama a lhe visitar.

Caindo, brilhantes caindo.

Barulho irritante!

E com eles desenhava em sua pele, cortava-se.

Todo seu corpo.

Sua dama, a Morte.

Na porta a esperando.

Melancólica menina.

Sua maior imperfeição

Foi amar.

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